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Boletim de Expectativas

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Em resumo, há bastante incerteza quanto à magnitude dos efeitos da pandemia e das medidas de sua contenção sobre o PIB e as contas públicas, mas não há dúvida de que as consequências em 2020 serão severas. Outra característica que parece comum é a permanência da ancoragem das expectativas no médio e logo prazos: a inflação continua igual ou abaixo das metas anuais, o PIB volta a crescer como era esperado anteriormente, a taxa de câmbio muda de patamar, mas permanece estável, a Selic continua baixa e o deficit em transações correntes se mantém constante. Como síntese dessas expectativas, a dívida pública como proporção do PIB se eleva em cerca de 10 pontos de porcentagem (p.p.) em 2020, mas depois se estabiliza no novo patamar de 86%, representando a confiança na disciplina fiscal e no caráter transitório dos gastos contra a pandemia. A estrutura a termo da taxa de juros nominal inclinou-se bastante após o início da crise da pandemia, especialmente em março, mas esse movimento foi parcialmente revertido em abril. Mesmo após essa reversão, porém, os juros atuais nos vértices acima de cinco anos estão em níveis comparáveis aos de antes da reforma da Previdência.

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Aussichten für das BIP der brasilianischen Landwirtschaft 2020

Von Ana Cecília Kreter, Fabio Servo, Pedro Mendes Garcia und José Ronaldo de C. Souza Junior

Der Agrarsektor hat strategische Bedeutung bei der Bewältigung der gegenwärtigen Covid-19-Krise. Produktion und Verteilung von Lebensmitteln sind unabdingbar für den Schutz und die Genesung der vom Virus betroffenen Bevölkerungsgruppen; die Landwirtschaft ist das erste und grundlegende Glied in der Produktionskette von Nahrungsmitteln und damit eine der Ebenen der Bedürfnispyramide des Menschen.

Besonders erwähnenswert ist in diesem Zusammenhang die Verabschiedung der Verordnung Nr. 116 vom 26. März 2020 durch das Ministerium für Landwirtschaft und Versorgung (Mapa), die sich auf die Produkte, Dienstleistungen und Aktivitäten bezieht, die als wesentlich für die Produktionsketten von Lebensmitteln, Getränken und landwirtschaftlichen Betriebsmitteln angesehen werden. Der Zweck dieser Verordnung besteht darin, den Betrieb dieser Branchen zu gewährleisten und das Wohlergehen der  Bevölkerung im gegenwärtigen, von der Regierung zur Bewältigung der Krise verordneten Ausnahmezustand zu gewährleisten. Zu den in der Verordnung aufgeführten Hauptaktivitäten zählen: der Transport von Arbeitskräften und Gütern in diesen Ketten; die Herstellung, Verteilung und Vermarktung von Kraftstoffen; Lagerung und Verteilung von Gütern; Verarbeitungsketten für landwirtschaftliche Produkte sowie Betriebsstoffe, die für die dauerhafte Aufrechterhaltung der Produktion notwendig sind, wodurch vorbereitende Arbeiten sowie Anpflanzung und Aussaat für die Ernte 2020/2021 und die Versorgung der Bevölkerung mit Lebensmitteln sichergestellt werden sollen.

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Política fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Sérgio Fonseca Ferreira e Felipe dos Santos Martins

O exercício de 2020 começou com um estoque de R$ 180,7 bilhões de restos a pagar (RAP) totais, incluindo despesas primárias e financeiras – uma redução de R$ 8,9 bilhões (4,7%), em termos nominais, em relação ao observado em 2019 (R$ 189,6 bilhões). A aceleração dos pagamentos em dezembro certamente contribuiu para essa redução, mas o principal determinante foi o aumento de cancelamentos de RAP de exercícios anteriores. O aumento observado de RAP pagos em 2019 refletiu apenas a mudança, no final de 2018, na sistemática de pagamentos das ordens bancárias emitidas, a qual levou a um forte aumento de RAP relativos a despesas obrigatórias em 2019.

O orçamento de 2020 foi elaborado com as despesas calibradas para atingir o limite dado pelo teto de gastos (ao contrário de 2019, quando o orçamento trouxe uma folga em relação ao teto) e a meta de resultado primário. Isso significa que, mesmo diante de reestimativas de receitas para cima, não há espaço para acomodar novos gastos sujeitos ao teto, a menos que outros sejam revistos para baixo. Como o reajuste do salário mínimo foi superior ao utilizado como referência noorçamento, aumentando, portanto, as despesas a ele vinculadas, será necessário reduzir outras despesas para não violar a regra do teto. O espaço de manobra para acomodar o aumento das despesas afetadas pelo salário mínimo, no entanto, foibastante reduzido, em razão da inclusão das emendas de relator entre aquelas de execução obrigatória (orçamento impositivo).

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – janeiro de 2020

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou uma taxa de variação de 0,44% em janeiro de 2020, 0,19 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior (dezembro). Na comparação com o mesmo mês de 2019, a variação foi 0,24 p.p. menor.

Como uma incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 5,99% nos últimos doze meses, patamar acima do que foi registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV) – como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento de despesas com pessoal, cuja alta de 4,66 p.p. foi responsável por aproximadamente 78% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento demais despesas operacionais também afetou significativamente o ICTI, com impacto de 1,38 p.p. No sentido contrário, a queda de 2,92% nos preços dos materiais de consumo vem gerando redução de custos.

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Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

A previsão da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea para o PIB do setor agropecuário é de crescimento, em 2020, de 3,4%, caso o prognóstico de safra adotado seja do IBGE. Caso se utilize o prognóstico de safra da Conab, mais otimista, o crescimento do PIB do setor seria mais alto, de 4,1%. Essa alta, em ambos os cenários para a safra 2019/2020, representa uma forte aceleração da atividade do setor em relação ao ano passado, quando o crescimento foi de 0,7% – de acordo com a nossa estimativa. Por segmento, a previsão de 2020 é de alta de 3,9% (cenário safra IBGE) ou de 5% (cenário safra Conab) no valor adicionado da lavoura e de 3,5% no valor adicionado da pecuária. As culturas que deverão contribuir mais para o crescimento do valor adicionado da lavoura seriam a soja (alta de 8,7% na produção, de acordo com o IBGE) e o café (13,1%). Em relação à pecuária, todos os componentes devem impulsionar o crescimento do valor adicionado do segmento.

Além do detalhamento completo das previsões do PIB agropecuário, esta seção conta ainda com a análise detalhada mercados e preços agropecuários domésticos feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP) e com subseções dedicadas às seguintes questões relacionadas ao setor: setor externo, com os principais dados de comércio exterior e mercado internacional; crédito rural, que apresenta as contratações e as condições de crédito; e insumos, com destaque para os fertilizantes e a produção de máquinas agrícolas.

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Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

A evolução do crédito vem mantendo as tendências, tanto nos saldos quanto nas novas concessões, de melhoria no segmento livre – na divisão entre livres e direcionados – e no de pessoas físicas (PFs) – na desagregação entre PFs e pessoas jurídicas (PJs). Uma abertura setorial (no crédito para PJ) permite observar que, em 2019, os saldos dos setores industriais caíram, enquanto os de serviços subiram. O saldo de títulos privados continuou crescendo, corroborando a tendência de maior recurso ao mercado de capitais. O aumento do endividamento das famílias, por sua vez, está se dando somente no crédito não imobiliário. O aumento do comprometimento da renda vem acontecendo por causa do aumento do endividamento, já que o custo do crédito ficou aproximadamente estável ao longo de 2019. Seria desejável que o novo endividamento estivesse se dando no crédito imobiliário, que, apesar de valores tipicamente mais altos, compromete menos a renda familiar. A taxa de juros média no Sistema Financeiro Nacional (SFN) para novas concessões chegou a dezembro do ano passado praticamente no mesmo valor de dezembro de 2018, apesar da Selic ter caído 2 pontos porcentuais (p.p.). Já os spreads para PF subiram 1,6 p.p. entre dezembro de 2018 e o fim de 2019. Um box resume as novas regras para o cheque especial editadas pelo Conselho Monetário Nacional. As diversas características desse segmento que o afastam do modelo de concorrência perfeita levaram o Banco Central, com base em estudos técnicos, a propor o estabelecimento de um teto para os juros e a autorizar a cobrança de tarifa.200213_cc_46_secao_credito_graficos_4_e_5

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Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos  e Leonardo Mello de Carvalho

A economia brasileira acelerou o crescimento no terceiro trimestre, surpreendendo a maioria das previsões, inclusive as da Dimac/Ipea. O consumo das famílias foi o principal determinante dessa aceleração, enquanto o investimento manteve ritmo firme de expansão. Os dados mais recentes da atividade econômica, de outubro, indicam continuidade do crescimento no último trimestre do ano, embora estimativas para novembro mostrem algum recuo na indústria – muito influenciada pela queda na produção do setor automobilístico. A previsão da Dimac/Ipea é de que o crescimento no 4º trimestre seja de 0,4% ante o trimestre anterior e de 1,5% ante o 4º trimestre de 2018. Com isso, o crescimento do PIB neste ano será de 1,1%.

As projeções da Dimac/Ipea para 2020 indicam aceleração do crescimento do PIB, para 2,3%. Pelo lado da oferta, todos os setores terão aumento em sua taxa de crescimento, com destaque para a agropecuária, que deve crescer 3,8%. Pelo lado da demanda, prevê-se forte aceleração do investimento e do consumo das famílias, enquanto as exportações líquidas novamente absorverão esse aumento da demanda doméstica, a exemplo do aconteceu em 2019. A inflação prevista para 2019 é 3,7% e a de 2020, 3,8%. O choque do preço das carnes tende a se dissipar, e a inflação de alimentos cairia de 4,2% em 2019 para 3,1% em 2020. Nos dois anos, a variação de preços monitorados será superior à média: 5,7% em 2019 e 5,5% em 2020. A inflação dentro da meta reflete, entre outros fatores, a existência de recursos ociosos na economia, permitindo uma aceleração do crescimento sem pressões inflacionárias. A estimativa para o hiato do produto é de que ele termine 2019 em 2,8%, caindo para 2,0% ao final de 2020 – o que indica que ainda haveria ociosidade mesmo com a aceleração do crescimento.

Esta Visão Geral da Conjuntura está dividida da seguinte forma: na primeira parte, é feita uma análise do desempenho recente da economia brasileira, com dados gerais da  conjuntura; a segunda parte é dedicada à questão fiscal, com destaque para as perspectivas para o período 2020-2023 em relação ao espaço fiscal para despesas discricionárias limitadas pelo teto dos gastos; na terceira e última parte, analisam-se as previsões de crescimento e inflação para 2019 e 2020.

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Atividade econômica: Indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

Depois de fechar o terceiro trimestre em aceleração, com crescimento de 0,6%, a economia brasileira iniciou o último trimestre com indicadores mostrando sinais heterogêneos. Enquanto o Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) mensal apontou recuo de 2,2% na passagem entre os meses de setembro e outubro, a produção industrial registrou avanço de 0,8% no mesmo mês. Em relação ao mês de novembro, a Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea estima uma acomodação da produção industrial, com recuo de 0,5% na série sem efeitos sazonais.

As vendas do comércio varejista, de acordo com a PMC do IBGE, avançaram 0,8% em outubro, na série ajustada sazonalmente, a oitava variação positiva seguida nessa base de comparação. Além do bom desempenho verificado no comércio de bens, o setor de serviços também tem se beneficiado de uma demanda interna mais aquecida. Segundo a PMS, também do IBGE, a receita real cresceu 0,8% no primeiro mês do quarto trimestre, na comparação dessazonalizada. O resultado foi a quinta variação positiva em sete meses. Para novembro, prevemos um aumento de 0,4% para as vendas no comércio, enquanto o volume de serviços devem apresentar estagnação ante o mês de outubro.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – outubro de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) calculado pelo Ipea apresentou variação de 0,26% no mês de outubro, situando-se 0,27 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada em setembro. Esse foi o menor nível deste indicador para o mês de outubro desde 2014. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a queda observada foi de 0,25 p.p.

Com a incorporação desse resultado, nos últimos doze meses, o ICTI aponta variação de 5,30%, mantendo-se em patamar bem acima dos registrados tanto nos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) – quanto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento de despesas com pessoal, cuja alta de 9,6% foi responsável por aproximadamente 88% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento demais despesas operacionais também afetou positivamente o ICTI, com contribuições de 0,57 p.p. No sentido contrário, a queda de 2,0% nos preços dos materiais de consumo, verificada entre novembro de 2018 e outubro de 2019, vem gerando um alívio sobre o indicador.

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Política Fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Felipe dos Santos Martins e Sergio Fonseca Ferreira

Do ponto de vista fiscal, o ano de 2019 no governo federal foi marcado por dois momentos distintos. A primeira metade do ano foi de forte ajuste no orçamento, devido à perspectiva de crescimento do PIB bem inferior ao previsto na LOA. O potencial de frustração de receitas administradas (impostos e contribuições) levou a uma grande redução das despesas discricionárias, afetando diversos programas governamentais. A partir de julho, contudo, essas restrições foram sendo progressivamente relaxadas diante de revisões positivas tanto de receitas administradas quanto das não administradas, de modo que, no final do ano, todos os contingenciamentos de gastos foram revertidos, ao mesmo tempo que o deficit primário deverá ser muito inferior à meta. A liberação de empenhos nos meses finais do ano deverá levar a um acúmulo de restos a pagar de despesas primárias para 2020 que poderá chegar a R$ 200 bilhões, diante dos R$ 166 bilhões em 2019. Diante disso, o deficit primário do ano poderá cair a R$ 67,1 bilhões, menos da metade da meta definida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Em termos de desempenho, o deficit primário do setor público consolidado (SPC) manteve trajetória declinante ao longo de 2019, tendo registrado 1,3% do produto interno bruto (PIB) nos doze meses até outubro, ante 1,6% do PIB em dezembro de 2018. Para o deficit nominal, esses valores foram de 6,4% e 7,1% do PIB, respectivamente. A redução de 0,7 ponto percentual (p.p.) do deficit nominal foi potencializada pela redução da taxa de juros, de modo que o peso dos pagamentos de juros sobre a dívida pública caiu de 5,5% para 5,1% do PIB no período. A dívida líquida do setor público aumentou de 54,1% para 55,9% do PIB entre o final de 2018 e outubro de 2019, enquanto a dívida bruta teve crescimento de 77,2% para 78,3% do PIB. Nos dois casos, fatores do tipo once and for all contribuíram para reduzir o ritmo de expansão: no caso da dívida líquida, a desvalorização cambial (que aumenta o valor das reservas em reais); no da dívida bruta, as devoluções antecipadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de empréstimos tomados junto ao Tesouro a partir de 2010.

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