Arquivo da tag: Serviços

Desempenho do PIB: terceiro trimestre de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos

O PIB brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, ritmo que representa nova desaceleração do nível de atividade, após as expansões de 1,5% no início do ano e de 0,3% no período seguinte. Na comparação com o mesmo período de 2024, a economia expandiu 2,2%. Esses resultados vieram próximos às previsões apresentadas na Nota de Conjuntura no 68, publicada em junho de 2025 pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projetava altas de 0,1% na margem, e de 1,6% na comparação interanual. Com isso, o carry-over para o ano de 2025 ficou em 2,3%, significando dizer que a economia crescerá a essa última taxa no referido ano caso o crescimento verificado no quarto trimestre seja zero. Cabe destacar que a nova divulgação incorporou revisões relevantes na série recente das Contas Nacionais Trimestrais, elevando as taxas de crescimento interanual do PIB no primeiro e no segundo períodos de 2025 e, por conseguinte, aumentando também o resultado acumulado do primeiro semestre, que passou de 2,5% para 2,7%.

A desaceleração em curso da atividade econômica, corroborada pelo resultado do PIB do terceiro trimestre, segue ocorrendo em linha com o cenário já antecipado e, portanto, reforça o diagnóstico de fundo da Dimac/Ipea sobre o ciclo atual. Mesmo num contexto interno ainda caracterizado por um mercado de trabalho pujante, com ocupação elevada e massa de rendimentos em expansão moderada, sobressaem os efeitos defasados e contemporâneos da política monetária contracionista, marcada pela manutenção de patamares elevados da taxa nominal de juros básica por um período já bastante longo, mesmo em um contexto de expectativas inflacionárias decrescentes.

251209_cc_69_nota_16_pib_grafico_1

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicadores de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

No segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,4% na série dessazonalizada, confirmando a desaceleração do ritmo de expansão já antecipada pelos indicadores mensais de atividade econômica ao longo do período. O resultado refletiu uma perda de fôlego da absorção doméstica, provocada em grande medida pelos efeitos restritivos da política monetária contracionista. Em contrapartida, paralelamente a um mercado de trabalho particularmente aquecido – e ainda sem sinais de arrefecimento –, as políticas de suporte à renda (transferências e precatórios) e de estímulo ao crédito (novo consignado) têm procurado amortecer esta desaceleração. Além disso, em contraste com a maior sensibilidade dos segmentos dependentes de crédito e juros, o desempenho da economia em 2025 tem sido caraterizado por uma contribuição positiva daqueles mais exógenos ao ciclo, como é o caso da agropecuária e das indústrias extrativas. Com base no conjunto de informações disponíveis até o momento, o cenário que se avizinha para o terceiro trimestre não sugere maiores alterações neste diagnóstico, embora o fraco desempenho da atividade econômica medida por variados indicadores no mês de julho deixe um efeito de carregamento estatístico (carry-over) negativo para o período.

Nesse contexto, o índice de atividade econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br/BCB), um dos indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, servindo de prévia para o PIB, registrou, em julho de 2025, uma queda de 0,5% na comparação livre de efeitos sazonais. O resultado veio abaixo da mediana das previsões do mercado e representou a terceira retração consecutiva na margem. Já na comparação interanual, o IBC-BR voltou a registrar crescimento, embora o ritmo de expansão tenha desacelerado pelo segundo mês seguido, passando de 1,3% para 1,1%. Com o resultado de julho, o carry-over em relação ao terceiro trimestre de 2025 ficou em -1,1% na margem e em 0,7% em termos interanuais. Caso permaneça estagnado até o fim do ano, este efeito de carregamento estatístico indicaria um crescimento de 1,9% para o ano de 2025.

250926_cc_68_nota_23_graficos

Acesse o texto completo

 



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desempenho do PIB: segundo trimestre de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos

O PIB brasileiro aumentou 0,4% no segundo trimestre de 2025, em relação ao trimestre imediatamente anterior, acumulando a décima sexta variação positiva consecutiva na comparação dessazonalizada. Em relação ao mesmo trimestre de 2024, a economia expandiu 2,2%, ritmo inferior ao observado nos períodos anteriores, o que reduziu o crescimento acumulado em quatro trimestres de 3,5% para 3,2%. Em valores correntes, o produto totalizou R$ 3,2 trilhões – R$ 2,7 trilhões de VA e R$ 431,7 bilhões de impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Conforme já havia sido salientado, o cenário macroeconômico vem se tornando mais desafiador desde o início do ciclo de altas da taxa Selic em setembro passado, caracterizado pelo próprio Comitê de Política Monetária (Copom), na ata da reunião de junho de 2025, como “particularmente rápido e bastante firme”. De fato, os dados do segundo trimestre foram impactados pelos efeitos acumulados da passagem da taxa Selic de 10,5% para 15,0% ao ano, além de uma inflação de serviços ainda resiliente e de uma economia global com menos fôlego e mais incertezas. Apesar disso, a atividade doméstica seguiu se expandindo, sustentada pelo dinamismo do mercado de trabalho – os dados disponíveis indicam que a ocupação e a renda real continuaram crescendo ao longo do segundo trimestre – e pela manutenção de programas públicos de transferência de renda, que contribuíram para suavizar o impacto do crédito mais caro e do custo de vida sobre o orçamento das famílias.

250905_cc_68_nota_12_grafico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral da Conjuntura

Por Claudio Roberto Amitrano, Mônica Mora Y Araújo e Claudio Hamilton Matos dos Santos

Como previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica, no 23, Carta de Conjuntura, no 66, de março de 2025), o produto interno bruto (PIB) da economia brasileira apresentou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao último trimestre de 2024 na série dessazonalizada. Esse crescimento, como também já era previsível em março, foi puxado, pelo lado da oferta, pelo desempenho do setor agropecuário, que apresentou crescimento de 12,2% em relação ao último trimestre de 2024 na série dessazonalizada. Pelo lado da demanda, os destaques foram os desempenhos da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e das exportações, com crescimentos de 3,1% e 2,9%, respectivamente, na mesma base de comparação.

Os dados parciais disponíveis para o segundo trimestre apontam para a desaceleração da economia, o que também já era previsível em março, notadamente porque a referida desaceleração é um objetivo declarado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de alta de juros teve início – ciclo classificado pelo próprio Copom, na ata da 271a reunião, ocorrida nos dias 17 e 18 de junho de 2025, como particularmente rápido e bastante firme.

O grupo de conjuntura do Ipea projetou, em março passado, que a economia brasileira cresceria 2,4% em 2025 – contra expectativas de mercado inferiores a 2%. De lá para cá, vários indicadores conjunturais têm indicado que a economia continuou a crescer no segundo trimestre e, até por isso, várias estimativas foram revistas a maior, aproximando-se, portanto, do número divulgado nessa Visão Geral em março. Entendemos que o diagnóstico apresentado no final de março continua válido no final de junho, de modo que mantemos a nossa projeção de PIB para 2025 (2,4%). Dada a perspectiva de que a taxa Selic se mantenha alta por mais tempo do que prevíamos, reduzimos, entretanto, o crescimento esperado para 2026 para 1,8%.

Tal como no caso do produto, as expectativas de mercado para o IPCA em 2025, divulgadas pela pesquisa Focus, do Banco Central, se aproximaram das do grupo de conjuntura nos últimos meses – recuando de 5,7% para 5,3%, entre março e junho. Não vemos motivos, entretanto, para mudar a nossa previsão de março que, dessa forma, permanece em 5,2%, ainda que com mudanças de composição. Se, por um lado, a melhora no comportamento dos alimentos e do petróleo indica uma alta menos acentuada para a alimentação no domicílio e para os preços administrados, em 2025, por outro lado, os efeitos ainda mais fortes do mercado de trabalho sobre a expansão da massa salarial e do custo da mão de obra vêm gerando pressões adicionais sobre a inflação de serviços.

250701_cc_67_nota_26_visao_geral_tabela_4_1

250701_cc_67_nota_26_visao_geral_tabela_4_3

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desempenho do PIB: primeiro trimestre de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos

Segundo divulgação do IBGE, o PIB registrou crescimento de 1,4% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre imediatamente anterior, considerando a série dessazonalizada. Mais do que a forte aceleração em relação ao avanço de apenas 0,1% nos últimos três meses do ano passado, esta foi a décima quinta variação positiva seguida na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo período de 2024, a economia expandiu 2,9%, indicando alguma desaceleração em relação aos resultados anteriores. Com isso, o crescimento acumulado em quatro trimestres acelerou pelo quarto período consecutivo, aumentando de 3,4% para 3,5%. Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 3,0 trilhões nos primeiros três meses de 2025, sendo R$ 2,6 trilhões referentes ao valor adicionado (VA) a preços básicos e R$ 0,4 trilhão, aos impostos sobre produtos líquidos de subsídios.

Embora o cenário macroeconômico brasileiro não tenha sofrido grandes alterações em relação ao final do ano passado, e siga negativamente influenciado pelo ciclo de aperto da política monetária e por incertezas globais, a resiliência do mercado de trabalho, juntamente com o impacto do salário-mínimo, e as transferências públicas de assistência e previdência, mantiveram a demanda doméstica aquecida. Além disso, a forte contribuição positiva da agropecuária, pelo lado da produção, ajuda a explicar a aceleração do ritmo de crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2025. Com este resultado, o carry-over para 2025 ficou em 2,0% – ou seja, caso permaneça estagnado ao longo dos próximos três trimestres, o PIB fechará o ano crescendo a esta taxa.

250604_cc_67_nota_13_grafico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O PIB brasileiro apresentou forte desaceleração no quarto trimestre de 2024, crescendo 0,2% em relação ao trimestre anterior, segundo dados do IBGE. Contrastando com uma taxa média de 1,0% verificada nos três trimestres anteriores, o resultado trouxe como principal surpresa o recuo de 1,0% do consumo das famílias, pela lado da despesa. Esta perda de ritmo, já antecipada pelo desempenho dos indicadores mensais de atividade econômica, reflete os impactos iniciais de uma política monetária restritiva, além de uma demanda interna menos vigorosa, explicada pela aceleração da inflação, especialmente de alimentos, e por uma desvalorização cambial que encareceu importações e impactou negativamente a evolução da massa de rendimentos das famílias, particularmente nos dois últimos meses do ano. Embora estes fatores apontem um crescimento menos robusto em 2025, também caracterizado por um menor impulso fiscal e um mercado de trabalho menos dinâmico, o desempenho esperado para alguns componentes mais exógenos da economia tende a contribuir positivamente, principalmente no primeiro trimestre do ano.

Nesse contexto, o IBC-Br, um dos indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, servindo de prévia para o PIB, iniciou o primeiro trimestre de 2025 se recuperando do recuo verificado no último mês do ano passado (-0,6%). O avanço de 0,9% em janeiro, na comparação livre de efeitos sazonais, o maior desde junho de 2024 (+1,1%), superou as expectativas do mercado, cuja mediana era de 0,2%. Já na comparação interanual, o crescimento foi de 3,6%, representando aceleração em relação ao mês anterior (2,6%). Entre os setores produtivos, os resultados verificados neste início de ano mostraram-se heterogêneos, trazendo sinais mistos. Enquanto a produção industrial e a receita real de serviços registraram contribuição nula na margem, as vendas no varejo se destacaram. Além disso, as perspectivas para a produção de soja e milho no primeiro trimestre indicam uma forte contribuição positiva da lavoura no período. Com o resultado IBC-Br de janeiro, o efeito de carry-over em relação ao primeiro trimestre de 2025 ficou em 0,6% na margem e 3,2% em termos interanuais.

250101_cc_66_nota_24_atividade_economica_grafico_1

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral da Conjuntura

Por Claudio Roberto Amitrano, Mônica Mora Y Araujo e Claudio Hamilton Matos dos Santos

Há momentos em que o ritmo dos acontecimentos se acelera, com efeitos claros na conjuntura econômica. Isso parece ter ocorrido nos últimos seis meses, período marcado simultaneamente pelos efeitos econômicos e geopolíticos (inicialmente da mera possibilidade) da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e por um claro choque de oferta negativo na economia mundial, com o preço das commodities agrícolas subindo 8,4% em dólares entre agosto de 2024 e janeiro de 2025.

 O referido cenário internacional – caracterizado por níveis de incerteza anormalmente altos nos países centrais por conta da perspectiva de rupturas históricas no padrão de funcionamento da economia mundial – teve efeitos claros sobre a economia brasileira, com o contágio ocorrendo precipuamente na taxa de câmbio, que passou de R$ 5,75 por dólar no dia 1o de agosto de 2024 para R$ 6,29 no dia 18 de dezembro do mesmo ano. No mesmo período, a inflação de alimentos disparou no Brasil, influenciada por itens importantes da cesta de consumo dos brasileiros, como café, carne bovina e, mais recentemente, ovos. O que esses bens têm em comum é o fato de que todos tiveram aumentos significativos de preços em dólar em períodos recentes, aumentos esses magnificados no Brasil pela subida do dólar no final do ano passado.

Os dados sugerem, entretanto, que a desaceleração da economia derivada do cenário externo desfavorável e do consequente aperto da política monetária não será particularmente aguda, por conta de uma combinação de fatores. Por isso, o grupo de conjuntura optou por manter a previsão anterior de que a economia brasileira crescerá 2,4% em termos reais em 2025, impulsionada por um crescimento de 1,4% já no primeiro trimestre de 2025 contra o trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada e pelo carry-over herdado do crescimento verificado ao longo de 2024. Para 2026 o cenário, naturalmente, é mais incerto, mas aquele com o qual o grupo tem trabalhado aponta crescimento real de 2,0% do PIB.

A consequência do ajuste gradual na atividade econômica é o gradualismo também na convergência da inflação para o centro da meta. Com efeito, diante de um contexto menos favorável que o projetado no trimestre anterior, as previsões grupo para a inflação em 2025 foram revistas para cima, de modo que a alta projetada para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 4,8% para 5,2%, enquanto para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) a taxa estimada passou de 4,7% para 4,9%.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desempenho do PIB em 2024 – quarto trimestre e acumulado no ano

Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos 

O produto interno bruto (PIB), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou crescimento de 0,2% no quarto trimestre de 2024 em relação ao trimestre imediatamente anterior, considerando a série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo período de 2023, a economia expandiu 3,6%, resultando em um crescimento acumulado de 3,4% no ano. Esses resultados vieram em linha com as previsões apresentadas na Nota de Conjuntura no 65, publicada em dezembro de 2024 pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea, que projetava altas de 0,3% na margem, de 3,8% na comparação interanual e de 3,5% para o acumulado do ano em 2024.

O desempenho da economia no quarto trimestre reflete a desaceleração da atividade econômica ocorrida ao longo dos últimos três meses do ano, influenciada basicamente pelo ciclo de aperto da política monetária iniciado em setembro e pelas altas concomitantes do dólar e da inflação. Em tal contexto, era mesmo de se esperar – já em dezembro último – uma moderação no ritmo de crescimento, conforme antecipamos em nosso cenário.

Já no acumulado do ano, o crescimento de 3,4% do PIB em 2024 teve como pano de fundo principalmente uma pujante demanda doméstica, sustentada pelo dinamismo do mercado de trabalho, pelas transferências de renda por parte do governo às famílias e pelas despesas dos entes subnacionais. Dito isto, mesmo com algum ajustamento de estoques ao longo do ano, e com um nível elevado de utilização dos fatores de produção, uma parcela significativa da demanda interna precisou ser suprida pelo aumento das importações, resultando em uma contribuição líquida negativa do setor externo para o crescimento do PIB. Em contrapartida, a composição do PIB em 2024 revelou uma expressiva participação de componentes tributáveis. O forte crescimento da absorção doméstica no ano (5,3%) teve um impacto positivo na arrecadação de impostos, que encerrou 2024 com alta de 5,5%.

250311_cc_66_nota_14_grafico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicadores de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho 

O crescimento registrado pelo produto interno bruto (PIB) na passagem do segundo para o terceiro trimestre de 2024 (+0,9%), embora tenha desacelerado em relação à média verificada no primeiro semestre (+1,2%), continua refletindo uma economia aquecida, conforme já antecipado pelos indicadores setoriais com periodicidade mensal. Reforçando nosso diagnóstico prévio, o dinamismo do mercado de trabalho, associado a melhores condições de acesso ao crédito, manteve o bom desempenho das vendas de bens e serviços ao longo do terceiro trimestre. Como consequência, contrastando com o cenário verificado em 2023, os setores econômicos considerados mais cíclicos têm apresentado as maiores contribuições para o crescimento do PIB. Uma parte relevante da demanda, todavia, segue sendo suprida pela expansão das importações, fato também evidenciado pelo crescimento mais acelerado do consumo aparente (CA) de bens industriais, vis-à-vis a produção física.

Os resultados referentes aos primeiros meses do quarto trimestre não apontam grandes alterações, embora o ambiente econômico apresente alguma deterioração. No âmbito da política econômica, enquanto o Banco Central do Brasil (BCB) iniciou em setembro último um ciclo de aumento da taxa de juros, o impulso fiscal por parte do governo tende a ser menor que o ocorrido anteriormente. Além desses fatores, num cenário em que a trajetória de alguns índices de preços, notadamente no setor de serviços, tem se tornado menos benigna, a recente desvalorização do real frente ao dólar tende a provocar uma moderação no crescimento real da massa de rendimentos das famílias.

241226_cc_65_nota_28_grafico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral da Conjuntura

Por Claudio Roberto Amitrano, Mônica Mora Y Araujo e Claudio Hamilton Matos dos Santos

Como previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica no 21, Carta de Conjuntura no 64, de setembro de 2024), a economia brasileira desacelerou no terceiro trimestre de 2024, com o produto interno bruto (PIB) registrando crescimento (dito “na margem”) de 0,9% em relação ao segundo trimestre na série dessazonalizada, contra o crescimento na margem de 1,4% verificado no segundo trimestre. É fato que o Grupo de Conjuntura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) esperava uma desaceleração até um pouco maior, com o crescimento na margem caindo para 0,4% no terceiro trimestre, em virtude do impacto conjunto do aperto monetário decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro último e da diminuição esperada do ritmo de crescimento dos gastos públicos federais. Mas tomados como um todo, os dados do terceiro trimestre essencialmente validaram o diagnóstico do grupo sobre o padrão atual de crescimento da economia brasileira.

Nesse contexto, estamos aumentando a nossa projeção de crescimento do PIB para 3,5% (vis-à-vis a projeção de 3,3% feita em setembro) em 2024, e mantendo a projeção de crescimento de 2,4% para 2025. A surpresa positiva em relação ao ritmo de crescimento da demanda interna no terceiro trimestre deixou um elevado efeito de carregamento estatístico (3,3%) para o resultado de 2024. Neste sentido, mesmo prevendo nova desaceleração do PIB no quarto trimestre, com altas de 0,3% na comparação com ajuste sazonal e de 3,8% sobre o mesmo período do ano passado, chegaríamos a um crescimento acumulado de 3,5% para 2024. O resultado previsto para o PIB em 2025 permanece inalterado, entretanto. O grupo entende que os níveis de incerteza embutidos nas previsões estão elevados neste momento, e a expectativa de a economia encerrar o ano com um crescimento superior ao esperado previamente pode compensar a piora verificada no balanço de riscos. As projeções de inflação do Grupo de Conjuntura do Ipea para 2025 também foram revistas para cima, indicando altas de 4,4% do IPCA e de 4,2% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------