Por Leonardo Mello de Carvalho
O PIB brasileiro apresentou forte desaceleração no quarto trimestre de 2024, crescendo 0,2% em relação ao trimestre anterior, segundo dados do IBGE. Contrastando com uma taxa média de 1,0% verificada nos três trimestres anteriores, o resultado trouxe como principal surpresa o recuo de 1,0% do consumo das famílias, pela lado da despesa. Esta perda de ritmo, já antecipada pelo desempenho dos indicadores mensais de atividade econômica, reflete os impactos iniciais de uma política monetária restritiva, além de uma demanda interna menos vigorosa, explicada pela aceleração da inflação, especialmente de alimentos, e por uma desvalorização cambial que encareceu importações e impactou negativamente a evolução da massa de rendimentos das famílias, particularmente nos dois últimos meses do ano. Embora estes fatores apontem um crescimento menos robusto em 2025, também caracterizado por um menor impulso fiscal e um mercado de trabalho menos dinâmico, o desempenho esperado para alguns componentes mais exógenos da economia tende a contribuir positivamente, principalmente no primeiro trimestre do ano.
Nesse contexto, o IBC-Br, um dos indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, servindo de prévia para o PIB, iniciou o primeiro trimestre de 2025 se recuperando do recuo verificado no último mês do ano passado (-0,6%). O avanço de 0,9% em janeiro, na comparação livre de efeitos sazonais, o maior desde junho de 2024 (+1,1%), superou as expectativas do mercado, cuja mediana era de 0,2%. Já na comparação interanual, o crescimento foi de 3,6%, representando aceleração em relação ao mês anterior (2,6%). Entre os setores produtivos, os resultados verificados neste início de ano mostraram-se heterogêneos, trazendo sinais mistos. Enquanto a produção industrial e a receita real de serviços registraram contribuição nula na margem, as vendas no varejo se destacaram. Além disso, as perspectivas para a produção de soja e milho no primeiro trimestre indicam uma forte contribuição positiva da lavoura no período. Com o resultado IBC-Br de janeiro, o efeito de carry-over em relação ao primeiro trimestre de 2025 ficou em 0,6% na margem e 3,2% em termos interanuais.