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Economia mundial

Paulo Mansur Levy

O final de 2018 e os meses iniciais de 2019 caracterizaram-se por um aumento de incertezas e uma perda de dinamismo da economia mundial. As principais fontes de incerteza são: i) a desaceleração do comércio internacional, em parte associada a conflitos comerciais, em particular entre Estados Unidos e China; ii) questões políticas, com destaque para a até agora tumultuada perspectiva de saída (Brexit) do Reino Unido da União Europeia (UE); e iii) questões econômicas, associadas às perspectivas de crescimento nos Estados Unidos e ao risco de uma recessão na Europa, especialmente na Alemanha e na Itália. Na China, uma redução do ritmo de crescimento mais acentuada, que a já embutida nas projeções, permanece como um risco relevante para a economia global, não obstante as medidas fiscais e monetárias de estímulo que vêm sendo adotadas.

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Economia Mundial

Por Paulo Mansur Levy

Depois de dois anos de crescimento relativamente robusto, é provável que ocorra uma desaceleração da economia mundial nos próximos anos. Essa desaceleração não parece ser muito forte, conforme as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas preocupa diante de algumas características da economia mundial, neste momento, associadas às políticas implementadas após a crise financeira internacional de 2007-2008: um possível esgotamento dos instrumentos de política econômica, que poderiam impedir que a desaceleração se transforme em recessão, e o elevado nível de endividamento do setor não financeiro em escala global.

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Economia Mundial

Por Paulo Mansur Levy

A guerra comercial entre Estados Unidos e China alcançou um novo patamar em setembro, quando o presidente Donald Trump anunciou a imposição de tarifas sobre US$ 200 bilhões de produtos importados da China. Com essa nova escalada, já é possível esperar efeitos negativos bastante significativos sobre o comércio mundial. Em primeiro lugar, porque boa parte dos produtos exportados pela China para os Estados Unidos contém parcela bastante elevada de insumos produzidos em diversos outros países, que também serão afetados indiretamente. Segundo, porque essas tarifas provocarão uma elevação dos preços dos produtos afetados no mercado doméstico norte-americano, com redução do consumo.

Os índices amplos de preços de commodities do Banco Mundial, até agosto, mostram um movimento recente de queda nos preços de produtos agrícolas e minérios e metais. A queda nas commodities ligadas à energia, no entanto, não capta o movimento de alta do preço do petróleo ocorrido em setembro, e que o levou a mais de US$ 80/barril. Os dados recentes de atividade econômica seguem mostrando uma economia aquecida nos Estados Unidos, recuperação do crescimento no Japão e desaceleração na Área do Euro (AE). Na China, os sinais recentes também apontam para uma certa desaceleração, principalmente dos investimentos, movimento que pode estar relacionado ao esforço da política econômica no sentido de reduzir o excesso de endividamento acumulado nos últimos dez anos.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura nº 39

Por Paulo Mansur Levy

A economia internacional apresentou alguns sinais de desaceleração frente ao ritmo de crescimento observado até o final de 2017. De um modo geral, o cenário externo ainda é favorável ao Brasil: o crescimento da economia mundial mantém-se relativamente forte; o comércio internacional continua se expandindo; os preços de commodities aumentaram após a forte queda entre 2011 e 2016, porém, a inflação na grande maioria dos países continua bem-comportada.

Os riscos para a economia mundial têm refletido principalmente fatores geopolíticos. Por um lado, aumentou o risco de uma guerra comercial diante de medidas restritivas adotadas pelos Estados Unidos em relação às importações de produtos específicos (aço, alumínio) e/ou com origem em países específicos, como a China. Por outro, esses fatores, notadamente os que envolvem o Oriente Médio, têm influenciado, juntamente com variáveis mais estritamente econômicas, o preço do petróleo no mercado internacional.  Além disso, as restrições à produção dos países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) mais a Rússia, num contexto de demanda aquecida e estoques em queda, também têm atuado para a alta do produto. A produção americana tem reagido à elevação dos preços no mercado internacional, e o número de sondas em operação cresceu 150% em relação a junho de 2016, quando o preço encontrava-se 55% abaixo dos níveis atuais, justificando a expectativa de que o valor deverá recuar no futuro.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura nº 38

Por Paulo Mansur Levy

Após vários anos de instabilidade e baixo crescimento, a economia internacional encontra-se em um período de expansão sincronizada dos principais países, associada a taxas de inflação ainda bastante baixas. Até mesmo os fortes desequilíbrios em conta corrente no balanço de pagamentos, que caracterizaram o período anterior à eclosão da crise financeira internacional, parecem ter ficado para trás. Não obstante esse contexto favorável, o início de fevereiro marcou também o ressurgimento da volatilidade financeira, com fortes variações de preços de ativos em decorrência da expectativa de um ritmo mais acelerado que o esperado na normalização das condições monetárias nos EUA e, em menor grau, na Área do Euro (AE). Essa mudança, por seu turno, seria resultado da própria percepção de que o crescimento deve pressionar a inflação em algum momento no futuro próximo. Esse surto de instabilidade dissipou-se rapidamente, mas deixou um rastro de preocupação sobre os riscos à frente.

Outra fonte de preocupação são os desdobramentos da decisão dos EUA de sobretaxar importações de aço e alumínio. O comércio internacional voltou a crescer em 2007 a uma taxa superior à da economia mundial. Apenas as sobretaxas impostas pelos EUA às importações desses produtos específicos não parece capaz de desviar a economia mundial da atual trajetória de recuperação, mas o risco de uma guerra comercial pode desestabilizar os mercados na medida em que ela afete as percepções quanto à continuidade do atual momento do crescimento.

Uma das características mais marcantes da economia mundial do período recente é a inflação baixa. No caso dos EUA, isso é ainda mais surpreendente diante do mercado de trabalho aquecido e – fator comum a todas as economias – da elevação relativamente forte do preço do petróleo no mercado internacional (o preço do petróleo no mercado internacional aumentou 60% entre junho de 2017 e janeiro de 2018). No entanto, o fenômeno é global, e suas causas ainda são objeto de intenso debate: a ausência de pressões sobre o preço dos alimentos tem algum papel, mas mudanças estruturais associadas à relação entre mercado de trabalho e inflação (o “achatamento” da curva de Phillips), ou à dinâmica do comércio internacional e à ampliação das cadeias globais de valor, que tem reduzido custos de produção e barateado os bens em todo mundo, são algumas das hipóteses levantadas para explicar o fenômeno.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Paulo Mansur Levy

Esta seção da Carta de Conjuntura mostra que a economia mundial manteve, no terceiro trimestre de 2017, as condições favoráveis registradas desde o início do ano. O crescimento das economias mais desenvolvidas consolidou-se, ao mesmo tempo que ganhou corpo nos países emergentes. Receios de que a China pudesse passar por forte desaceleração de seu crescimento têm se revelado exagerados até o momento, embora continuem presentes em muitas análises. Assim, configura-se uma situação de expansão sincronizada no mundo que não era vista desde antes da crise financeira internacional de 2007/2008. Esse movimento tem se refletido na expansão do comércio internacional, a qual ganhou velocidade nos últimos meses, e em preços favoráveis para as commodities.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 36

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial segue evoluindo de forma positiva, seja em termos de crescimento, seja em termos das condições financeiras. O segundo trimestre caracterizou-se pela manutenção e/ou aceleração da atividade econômica nos países desenvolvidos, com destaque para a economia japonesa, que surpreendeu ao crescer 1% neste trimestre. As políticas monetárias nos EUA, Área do Euro (AE) e Japão ainda são relativamente acomodativas e, embora a taxa de desemprego nos EUA tenha caído significativamente, a inflação anual tem declinado sistematicamente, inclusive seu núcleo. Diante da perspectiva de uma normalização bastante gradual da política monetária nos países industrializados, o apetite pelo risco dos investidores estrangeiros mantém-se ativo. O índice VIX, que mede a volatilidade do preço dos ativos, está em níveis muito baixos. Por outro lado, a China tem conseguido manter o crescimento em ritmo estável, ainda que haja preocupação com os efeitos negativos derivados da necessidade de reduzir o endividamento das empresas, considerado excessivo.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 35

Por Paulo Mansur Levy

Esta segunda seção da Carta de Conjuntura Nº 35 avalia que o cenário externo foi relativamente favorável à economia brasileira no último trimestre. Embora ainda com alguma instabilidade, os sinais da atividade econômica apontam para um crescimento sincronizado entre os principais países/regiões do mundo: EUA, União Europeia, China e, até mesmo, Japão. Esse movimento apoia-se em políticas monetárias ainda acomodativas e em políticas fiscais moderadamente expansionistas. A inflação acelerou nos EUA e na Área do Euro (AE), sobretudo pelo efeito do aumento do preço de commodities, em especial do petróleo. Contudo, há sinais de acomodação desses preços nos últimos meses. Ainda assim, as medidas de inflação subjacentes, embora se aproximando das metas dos respectivos bancos centrais, tendem a desacelerar nos próximos meses. Nessa perspectiva, espera-se que a normalização da política monetária avance gradualmente nos EUA, enquanto na AE e no Japão ela seguiria expansionista, ainda que com sinalizações de mudança no caso europeu.

Eventuais instabilidades no período estiveram relacionadas a incertezas de natureza política. Nos Estados Unidos, a nova administração promoveu mudanças na política externa e enfrentou dificuldades internas no Congresso e frente à imprensa e à opinião pública. Como parte do otimismo que prevaleceu após as últimas eleições deveu-se à expectativa de implementação de medidas de desregulamentação econômica (do sistema financeiro e da saúde, por exemplo), de uma reforma tributária e de aumento dos gastos públicos em infraestrutura, estes percalços tendem a reverter parcialmente as expectativas positivas iniciais. Por outro lado, a retórica agressiva em relação ao comércio exterior e à necessidade de medidas protecionistas por enquanto não se materializou em medidas concretas além do abandono da Iniciativa do Pacífico (TPP na sigla em inglês) e de uma proposta de rediscussão dos termos do NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio). Na Europa, as eleições na Holanda e na França, onde candidatos de centro foram vitoriosos, reduziram o risco de que partidos radicais anti União Europeia viessem a assumir o poder, minando assim ainda mais a força econômica e política do bloco.

Vale notar que, ao longo de 2016, a economia mundial passou por choques relativamente intensos – forte instabilidade financeira na China no primeiro trimestre, votação sobre a saída do Reino Unido da União Europeia em junho e eleição de Donald Trump nos EUA em novembro – sem que se tenha observado, como em momentos anteriores da trajetória pós-crise, uma perda muito forte de dinamismo. Isso significa maior resiliência e, portanto, perspectiva mais sólida de continuidade do crescimento à medida que o aumento do apetite pelo risco – expresso, por exemplo, no aumento dos fluxos de capital para países emergentes – estimule os investimentos.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 34

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial encontra-se em um momento paradoxal: por um lado, os sinais de crescimento da atividade econômica e de aceleração da inflação tornaram-se mais fortes; por outro, a chegada de Donald Trump à presidência nos Estados Unidos da América (EUA), associada ao Brexit e à realização de eleições em países-chave da Área do Euro (AE) ao longo de 2017, colocou novos elementos de incerteza no cenário mundial. No caso de Trump, o risco se refere às políticas econômicas e à postura da nova administração em relação ao comércio internacional e à imigração; no caso dos países europeus, o risco relaciona-se à própria sobrevivência do euro como moeda em caso de vitória de partidos que defendem a saída de seus países da AE.

Em relação às perspectivas de crescimento da economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou em janeiro a atualização de suas projeções, mantendo-as nos mesmos níveis das de outubro do ano passado. Isso não acontecia desde 2014. Nesse período, as atualizações em relação às projeções anteriores sempre foram para baixo. Como se pode ver pelo Gráfico 1, a aceleração do crescimento da economia mundial – de 3,1% em 2016 para 3,4% em 2017 e 3,6% em 2018 – refletiria principalmente a recuperação do crescimento em economias emergentes – de 4,1% em 2016 para 4,5% em 2017 e 4,8% em 2018 -, enquanto o movimento de alta nos países avançados seria mais modesto, de 1,6% em 2016 para 1,9% em 2017 e 2,0% em 2018.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 33

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial nos últimos meses combinou alguma melhoria dos indicadores de desempenho com o aumento do grau de incertezas, associado ao comportamento dos mercados financeiros e às expectativas no campo das políticas econômicas nacionais e a questões geopolíticas. O desempenho, medido pelo PIB do terceiro trimestre, revelou aceleração do crescimento nos Estados Unidos e no Japão e estabilidade na Europa. Na China, o crescimento manteve-se estável em 6,5%. Mais recentemente, os indicadores de gerentes de compras (Purchasing Managers’ Indexes – PMI) em outubro e novembro corroboraram essa tendência, tanto na indústria quanto nos serviços. Os mercados de trabalho vêm se recuperando – mais rapidamente nos EUA, mais lentamente na Europa – e a inflação tem acelerado, ainda que lentamente, uma vez absorvidos os efeitos da forte queda do preço de commodities, especialmente energia, ocorrida ao longo de 2015 e início de 2016.

Nessa perspectiva, as políticas monetárias mantiveram-se expansionistas na Área do Euro e no Japão e passaram a uma postura um pouco menos acomodativa nos EUA, onde a taxa básica de juros aumentou em dezembro. Talvez um elemento novo no quadro da política econômica seja a postura um pouco menos rígida da política fiscal nesses países ou regiões. Parece ter se formado um consenso de que a política monetária teria atingido seu limite, em termos do uso de instrumentos quantitativos, e que caberia à política fiscal agora aumentar sua contribuição para sustentar uma recuperação ainda percebida como frágil.

Não obstante a evolução relativamente favorável da economia mundial, choques de natureza política têm impactado de forma negativa os mercados financeiros e os fluxos internacionais de capital. Especificamente, a eleição de Donald Trump nos EUA trouxe incertezas do ponto de vista da política econômica interna, assim como pelas implicações geopolíticas das posições assumidas pelo candidato durante as eleições. As taxas de juros de longo prazo aumentaram significativamente após as eleições, refletindo a expectativa de um aumento do déficit fiscal num contexto em que a economia americana já se encontra próxima do pleno emprego. Na Europa, a derrota do governo no referendo na Itália parece ter reforçado a posição dos “eurocéticos”, após o Brexit do final de junho. A consequência tem sido a valorização do dólar no mercado internacional, especialmente contra o Euro.

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