Arquivos da categoria: Mercado de Trabalho

Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 36

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho

Esta seção da Carta de Conjuntura traz informações detalhadas sobre o mercado de trabalho, inclusive com análises de transições desagregadas por faixa etária, grau de instrução e vínculo empregatício.

De um modo geral, a melhora recente da ocupação é decorrente tanto de um aumento no número de pessoas que conseguiram uma vaga no mercado de trabalho quanto de uma queda do número de ocupados que perderam os seus empregos. De acordo com os microdados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre de 2017, 31,7% dos trabalhadores que estavam desocupados no trimestre anterior, conseguiram retornar ao mercado de trabalho, ou seja, uma expansão de quase 3 pontos percentuais (p.p.) quando comparada ao observado no mesmo trimestre de 2016. Na outra ponta, o percentual de pessoas ocupadas que perderam seus postos de trabalho recuou de 3,6% no segundo trimestre do ano passado para 3,4% nesse mesmo período de 2017. 

Embora esse crescimento da ocupação tenha ocorrido no mercado informal, os dados recentes mostram que o setor formal da economia também sinaliza um movimento de recuperação, seja reduzindo o ritmo de demissões, seja expandindo os seus rendimentos a taxas superiores às dos demais. No segundo trimestre de 2017, de todos os trabalhadores que transitaram da ocupação para a desocupação, 32% estavam empregados no mercado formal, percentual este que é 10 p.p. menor que o observado há dois anos. Adicionalmente, a alta de 3,6% dos salários pagos pelo setor privado com carteira assinada é maior que a dos informais, que teve queda de 2,9%,  e a dos trabalhadores por conta própria, que recuou 1,2%.    

Ainda de acordo com a análise dos microdados da PNADCos movimentos recentes do mercado de trabalho brasileiro ratificam a constatação de que a crise econômica enfrentada pelo país vem atingindo com maior intensidade os mais jovens, que têm, simultaneamente, mais dificuldade de conseguir emprego e mais chance de ser mandado embora.

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Mercado de trabalho

Carta de Conjuntura nº 35

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho

Esta seção da Carta de Conjuntura revela, por meio de uma análise detalhada dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) trimestral, que o mercado de trabalho brasileiro vem sofrendo importantes mudanças de composição recentemente.

A participação masculina na população desocupada cresceu de 44% para 50% no período de 2012 a 2017, refletindo não só uma contração da ocupação entre os homens (-0,9%), mas também uma expansão de 3,7% da ocupação feminina. Ainda em relação à população ocupada, o estudo mostra que, nos últimos 5 anos, o contingente dos trabalhadores ocupados com idade entre 18 a 24 anos recuou 14,8%, enquanto o dos mais idosos (mais de 60 anos) aumentou 26,3%. Já o corte por escolaridade aponta que a ocupação entre os trabalhadores menos instruídos retroagiu 17,4%, entre 2012 e 2017, contrapondo-se à elevação de 26,3% do grupo de empregados que possuem ensino superior.

O estudo também retrata os dados mais recentes de emprego ao revelar a combinação de uma certa estabilidade da taxa de desemprego com uma recuperação dos rendimentos reais, mostrando que o mercado de trabalho brasileiro continua em processo de ajuste.

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Boletim Mercado de trabalho

A Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea lança hoje o número 62 do Boletim Mercado de trabalho (BMT 62). Esta edição busca apresentar um panorama do funcionamento do mercado de trabalho brasileiro no ano de 2016, comentando a evolução dos seus principais indicadores. Além do texto de análise e do anexo estatístico, que traz recortes mais detalhados das informações que fundamentam a análise, integram também este volume as tradicionais seções Política em Foco, Notas Técnicas e Economia Solidária e Políticas Públicas.

A seção Política em foco do BMT 62 traz três textos com considerações a respeito de como a proposta de reforma da previdência tal como encaminhada pela PEC 287 pode afetar o mercado de trabalho. No primeiro texto, intitulado “Reforma da Previdência e Mercado de Trabalho”, Rogério Nagamine prioriza na sua análise sobre a proposta a questão de se exigir idade mínima também na aposentadoria por tempo de contribuição. O autor procura fundamentar sua posição de que há um exagero nas preocupações manifestadas no debate que apontariam para um trabalhador de mais baixa qualificação como um grupo que seria penalizado com o aspecto por ele analisado. O segundo texto dessa seção é de autoria de Ana Amélia Camarano traz considerações sobre o mesmo tema. O texto intitulado, “Diferenças na Legislação à Aposentadoria entre Homens e Mulheres: Breve Histórico” enfoca, porém, as consequências para as mulheres da introdução de um tempo maior de contribuição. A autora defende que esse aumento fosse feito de forma suavizada no tempo. Por fim, Alexandre Arbex e Marcelo Galiza analisam como as mudanças nas regras da previdência podem afetar o trabalhador rural. No texto intitulado “Reforma da previdência, agricultura familiar e os riscos de desproteção social” os autores procuram mostrar que não houve uma convergência das condições de trabalho no rural e no urbano, que poderia justificar exigências iguais para aposentadoria e o fim da condição de “segurado especial” no meio rural.

Confira o Boletim Mercado de Trabalho n°62



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Mercado de trabalho

Carta de Conjuntura nº 34

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho

Esta seção da Carta de Conjuntura traz uma análise inédita do mercado de trabalho baseada, especialmente, nos microdados por trabalhador da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) trimestral. Os dados desagregados mostram com mais clareza o que está por trás dos números agregados da taxa de desemprego e permitem uma avaliação mais qualificada da conjuntura.

De acordo com a PNADC, a População Economicamente Ativa (PEA) apresentou alta de 1,4% em 2016, pressionada pelo comportamento dos declarados “não chefes de família”, em que a variação de 2,7% no período reflete o ingresso de um ou mais membros do domicílio na força de trabalho, a fim de recompor a renda familiar perdida com o agravamento da recessão. Na desagregação por faixa etária, nota-se que, enquanto o número de jovens de 14 a 24 anos ocupados recuou 8,4% em 2016, o contingente dos trabalhadores com mais de 59 anos cresceu 1,1%, sendo o único segmento a apresentar variação positiva no ano passado. De forma similar, a análise por nível de escolaridade revela que as maiores contrações do nível de emprego ocorrem nas duas faixas que abarcam os trabalhadores com menor grau de instrução, enquanto o conjunto de trabalhadores com o ensino superior registra expansão, indicando que, mesmo durante o período mais grave da crise, a economia brasileira conseguiu gerar postos de trabalho destinados a pessoas com maior qualificação. Adicionalmente, os dados evidenciam que, como forma de manter seus rendimentos, grande parte dos trabalhadores com maior escolaridade que perderam seus empregos partiram para o empreendedorismo se tornando “por conta própria”.

Apesar do aumento da ocupação entre os mais idosos e os mais escolarizados, a taxa de desemprego nesses segmentos também aumentou muito – devido ao crescimento mais elevado da PEA. A análise desagregada revela que a força de trabalho brasileira está modificando o seu perfil, tornando-se mais idosa e instruída. Se, no primeiro caso, este fenômeno é decorrente da acelerada transição demográfica brasileira, o segundo caso reflete uma série de políticas de aumento do acesso à educação iniciadas na década de 1990.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 33

 Por Sandro Sacchet de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

As condições do mercado de trabalho permaneceram em uma trajetória de deterioração no terceiro trimestre de 2016. A taxa de desemprego alcançou 11,8%, 2,9 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior. O setor populacional mais atingido pelo desemprego são os jovens entre 14 e 24 anos, cuja taxa de desemprego atingiu 27,7%, e os trabalhadores com ensino médio incompleto (21,4%). Entre o 3º trimestre de 2016 e o mesmo período de 2016, o desemprego subiu 6,8 p.p. entre os jovens, enquanto entre os adultos até 59 anos a queda foi de 2,9 p.p.. Subiu 5,2 p.p. entre aqueles com ensino médio incompleto e 1,6 p.p. para trabalhadores com ensino superior.

Até meados de 2016, o aumento do desemprego, apesar de ter sido substancial, foi atenuado devido ao fato de muitas pessoas que perderam emprego terem se tornado trabalhadores por conta-própria. A análise de transições no mercado de trabalho feita nesta seção revela, contudo, que essa tendência se reverteu no terceiro trimestre de 2016, quando se observou uma queda dos ocupados por conta-própria. Esse movimento foi acompanhado de uma queda na taxa de atividade, reforçando que, desde o último trimestre de 2015, o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada (PO), tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Cabe notar que se a taxa de participação tivesse se mantido no mesmo nível de um ano antes, a taxa de desemprego seria de 12,4% no terceiro trimestre deste ano.

Já o rendimento real médio, não apresentou um desempenho tão ruim quanto a ocupação, registrou um ligeiro aumento de 0,9%, comparando com o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, entretanto, o rendimento real apresentou queda de 2,1% neste terceiro trimestre. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores como Alojamento e Alimentação (-7,7%) e Outros Serviços (-4,3%). Subdividindo os trabalhadores em 10 faixas (decis) de renda, observa-se que o rendimento médio do grupo que se encontra na faixa mais baixa de renda apresentou uma expressiva recuperação, tanto na comparação interanual (crescimento de 17,6%), como na comparação do terceiro trimestre com o segundo (crescimento de 19,8%).

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Metodologia para a construção de séries longas de mercado de trabalho

Carta de Conjuntura nº 32

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

Em 2012, o IBGE deu início à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNADC), que substituiu a Pesquisa Mensal de Emprego, extinta em fevereiro de 2016, como fonte da produção de indicadores de curto prazo sobre o mercado de trabalho. A nova pesquisa traz uma série de vantagens, como a maior cobertura geográfica, mas gera uma dificuldade para a comparação intertemporal dos dados de emprego e renda.

Os indicadores reportados pelas duas pesquisas mostraram-se substancialmente diferentes, mesmo se restringindo a PNADC apenas às seis regiões metropolitanas cobertas pela PME. Para tratar desse tema e explicitar ao leitor regular da Carta de Conjuntura o impacto que a substituição da PME pela PNADC terá na análise conjuntural do mercado de trabalho, são apresentadas aqui as seguintes notas técnicas:

Nota Técnica 1: As diferenças entre a PME e a PNADC como fonte de indicadores de curto prazo sobre trabalho e rendimento

O objetivo é aprofundar a comparação entre as duas pesquisas para tentar compreender o que explica as divergências entre seus resultados. Tal propósito se justifica por duas razões. Primeiro, explicitar o impacto que a substituição da PME pela PNADC terá na análise conjuntural do mercado de trabalho. Segundo, mesmo que se concorde que as duas pesquisas não são comparáveis, uma série longa das principais variáveis do mercado de trabalho são indispensáveis para a aplicação em modelos macroeconométricos. Com isso, alguma compatibilização entre as duas fontes de dados torna-se incontornável para muitos pesquisadores, de modo que a comparação realizada aqui auxiliará na decisão sobre como melhor proceder com essa compatibilização.

Nota Técnica 2: Construção de séries longas de alta frequência de indicadores do mercado de trabalho com a PME e a PNADC

Propõe uma metodologia de construção de séries temporais longas de alta frequência de indicadores do mercado de trabalho, com destaque para a taxa de desemprego e a taxa de atividade, para o período de 1992 a 2014. São propostas séries que atendem a dois critérios básicos, a saber, a cada período do tempo o nível da série esteja o mais próximo possível do valor correto (valor populacional em nível nacional), e que as informações dos ciclos econômicos e das variações de curto prazo do período de setembro de 1992 a 2012 (início da série da PNADC) sejam preservadas da melhor forma possível.

Uma terceira Nota Técnica, que está sendo elaborada pelo Grupo de Estudos de Conjuntura (Gecon) do Ipea e será divulgada em breve, mostrará séries de indicadores de mercado de trabalho, também com início em 1992, mas que sejam encadeadas com a PNADC. O objetivo é ter séries longas que possam ser atualizadas diretamente com os dados que são periodicamente divulgados pela pesquisa do IBGE.

Acesse os textos completos de todas as seções já lançadas da Carta de Conjuntura nº 32 no portal do Ipea



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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 32

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

No segundo trimestre de 2016, as condições do mercado de trabalho permaneceram em ritmo acelerado de deterioração. A análise desagregada desse mercado, por meio dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), mostra que as maiores perdas (em pontos percentuais) acumuladas desde o início de 2015 foram justamente dos grupos que tendem a ter desemprego mais elevado (com destaque para os jovens de 14 a 24 anos). Entretanto a maior taxa de variação ficou com o grupo populacional que tem o menor nível de desemprego (pessoas com mais de 59 anos), cujo aumento foi de 132% na comparação entre o segundo trimestre deste ano com o último de 2014 (último período antes da piora no mercado de trabalho). Quando se analisa o que ocorreu apenas neste ano, a taxa de variação do desemprego também foi maior para as pessoas com mais de 59 anos, que apresentou uma alta 44% na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano – a taxa de desemprego desse grupo de idade passou de 3,29% no primeiro trimestre para 4,75% no segundo trimestre.

Desde o último trimestre de 2015, os dados da PNADC indicam que o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada, tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Por outro lado, o aumento do desemprego não tem sido ainda mais intenso porque muitos trabalhadores têm tomado a iniciativa de se tornarem trabalhadores por conta própria. A queda do número de trabalhadores formais (e também de empregados sem carteira) está sendo mais forte que a de ocupados, tendência que continuou sendo observada no segundo trimestre deste ano. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), entre abril e junho de 2016 foram encerradas mais de 226 mil vagas formais, além de outras 94 mil no mês de julho.

Na comparação com o trimestre anterior, o rendimento real médio não apresentou um desempenho tão ruim quanto à ocupação, apresentando uma queda de 1,5%. Entretanto, na comparação com o ano anterior, o rendimento real chegou a apresentar queda de mais de 4% neste segundo trimestre. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação, visto que nenhuma ocupação que exige apenas ensino fundamental mostrou sustentação na renda, resultado corroborado pelo fato de que a queda dos rendimentos foi mais forte entre aqueles que recebem menos que o salário mínimo. Os rendimentos reais para quem recebe menos que o salário mínimo caíram cerca de 9% nos últimos 12 meses. Já o rendimento real do decil superior da distribuição de renda subiu 2,4% no último ano. Além desse grupo, apenas o trabalhador que ganha exatamente o salário mínimo não apresentou perda real de rendimento. A queda generalizada nos rendimentos, somada à queda na ocupação. fizeram com que no trimestre entre maio e julho de 2016, a massa salarial se situasse em 175 bilhões de reais (em R$ de junho de 2016), mesmo patamar que se encontrava há três anos.

Devido ao cenário macroeconômico atual, é provável que se observe a manutenção da queda do nível de ocupação, visto que esta tem sido causada principalmente pelo menor número de admissões, e estas ainda não apresentaram sinais de recuperação. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego, dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela voltar a crescer como no primeiro semestre de 2015, o desemprego poderá subir no mesmo ritmo acelerado apresentado neste trimestre.

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Um modelo de transição entre estados da força de trabalho para previsão do desemprego e da ocupação formal

CARTA DE CONJUNTURA Nº 32

Por Ajax Moreira, Carlos Henrique Corseuil e Miguel Foguel

O principal objetivo desta Nota é avaliar a capacidade preditiva de um modelo que se baseia nas transições de pessoas entre os quatro estados básicos do mercado de trabalho brasileiro, a saber, desemprego, ocupação formal, ocupação informal e inatividade (fora da força de trabalho). A análise é baseada nas duas principais bases de dados sobre mercado de trabalho: a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C). Ambas as bases têm natureza longitudinal, o que permite conhecer os estados laborais dos membros dos domicílios ao longo do tempo com periodicidade mensal, no caso da PME, e trimestral, no caso da PNAD-C.

Para cada pesquisa, são calculadas as probabilidades de transição entre os estados laborais supracitados, que são então utilizadas para prever as taxas de desemprego e de ocupação formal. Os exercícios de previsão são realizados para antecipar tanto o valor futuro das taxas (previsão pontual) quanto o sinal das suas variações (previsão tendencial). Este último tipo de previsão pode ser útil nos períodos de instabilidade do mercado de trabalho, quando aumenta a dificuldade em antecipar o valor futuro das taxas. Por exemplo, em situações de instabilidade como a atual, os modelos podem não ser capazes de prever a taxa de desemprego, mas consigam antecipar se esta taxa irá aumentar ou diminuir no futuro. Isso pode ser especialmente interessante para antecipar as reversões do mercado, antecipando a queda em um mercado em expansão ou a subida em um mercado em contração.

Utilizando os dados da PME para o período 2003-2016, os resultados do modelo de transição mostram capacidade de previsão pontual superior a de um modelo naive (passeio aleatório, tomado como referência) e também a de um modelo VAR, que é amplamente empregado para previsões. Nesse período, o modelo de transição também mostra capacidade de prever a tendência, com taxa de acerto superior a 50%, que seria a taxa de acerto obtida com o modelo de referência.  No entanto, quando a amostra da PME é restrita ao mesmo período da PNAD-C (2012 a 2015), o modelo preserva apenas a capacidade de prever a tendência. Quanto à PNAD-C, utilizamos 14 amostras trimestrais da pesquisa, o que eleva a incerteza das estimativas de desempenho do modelo. Ainda assim, calculamos as previsões e, como esperado, os resultados não são conclusivos, não mostram capacidade de prever nem o nível nem a tendência do desemprego.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 31

 Por Sandro Sacchet de Carvalho

No primeiro trimestre de 2016, as condições do mercado de trabalho permaneceram em ritmo acelerado de deterioração. A taxa de desemprego alcançou 11,2%, 3,2 pontos percentuais acima do observado no mesmo período do ano anterior. O setor populacional mais atingido pelo desemprego foram os jovens entre 14 e 24 anos tanto em termos absolutos como em termos relativos.

Desde o último trimestre de 2015, os dados da PNADC indicam que o aumento do desemprego foi causado majoritariamente pela queda da população ocupada, tendo sido reduzida a contribuição do aumento da população economicamente ativa (PEA). Por outro lado, o aumento do desemprego não tem sido ainda mais intenso, pois muitos trabalhadores têm tomado a iniciativa de se tornarem trabalhadores por conta-própria. A queda do número de trabalhadores formais (e também de empregados sem carteira) está sendo mais forte que a de ocupados, situação que se agravou no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o CAGED, entre janeiro e março de 2016 foram encerradas mais de 320 mil vagas formais, contra cerca de 65 mil no mesmo período do ano passado.

Na comparação com o trimestre anterior, o rendimento real médio não apresentou um desempenho tão ruim quanto à ocupação, mantendo-se em patamar semelhante. Entretanto, na comparação com o ano anterior, o rendimento real já apresenta queda de mais de 3%. A PNADC mostra que a redução nos salários reais foi pior em setores que exigem menor qualificação, resultado corroborado pelo fato de que a queda dos rendimentos foi mais forte entre aqueles que recebem menos que o salário mínimo. Os rendimentos reais para quem recebe menos que o mínimo caíram cerca de 10% nos últimos 12 meses. Já o rendimento real do decil superior da distribuição de renda caiu 6,7% no último ano. Apenas o trabalhador que ganha exatamente o salário mínimo não apresentou perda real de rendimento. A queda generalizada nos rendimentos, somadas a queda na ocupação fizeram com que no trimestre entre fevereiro e abril de 2016, a massa salarial se situa-se em 173 bilhões de reais (em R$ de  março de 2016), mesmo patamar que se encontrava há três anos.

Devido ao cenário macroeconômico atual, é provável que se observe a manutenção da queda do nível de ocupação, visto que esta tem sido causada principalmente pelo menor número de admissões. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego, dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela voltar a crescer como no primeiro semestre de 2015, o desemprego subirá no mesmo ritmo acelerado apresentado neste trimestre.

 Desemprego dos jovens

Tendo em vista que o grupo dos jovens foi o mais afetado pelo aumento do desemprego, seu comportamento será analisado com mais detalhe. A taxa de desemprego entre os mais jovens (até 25 anos) aumentou quase 10 pontos percentuais em dois anos, de 16,8% no primeiro trimestre de 2014 para 26,36% no mesmo período deste ano. O gráfico 3 mostra como se divide a população entre 14 e 24 anos entre ocupados, desocupados, aqueles que só estudam e os chamados “nem-nem”, ou seja, aqueles que nem estudam nem participam da força de trabalho. A proporção de jovens ocupados vem caindo desde 2013 de acordo com a PNADC. Após atingir um pico de 44% no terceiro trimestre de 2012, os jovens ocupados eram apenas 37% no primeiro trimestre de 2016. No entanto, até 2015, essa queda na ocupação era refletida muito mais no aumento daqueles que apenas estudavam do que em qualquer elevação de desempregados. Os jovens que somente estudavam subiram de 35% em 2012 até 38,2% no último trimestre de 2014, e, desde o início da crise, recuaram novamente até 36,3% no início de 2016. Por outro lado, a proporção de jovens desocupados oscilava em torno de 8% até 2015, tendo subido aceleradamente desde então, alcançando 13,2% em 2016. Enquanto isso, a parcela de jovens nem-nem não mostrou qualquer tendência, tendo oscilado em torno de 13% durante todo o período.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura Nº 30

Por Sandro Sacchet de Carvalho

As condições do mercado de trabalho apresentaram uma deterioração no último trimestre de 2015. Houve uma contínua queda do nível de ocupação e diminuição do salário médio real. Apesar disso, os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) revelam uma estabilidade da taxa de desemprego nos últimos meses, mas, tal fato deve-se ao comportamento da PEA. No caso da PME, a redução da população economicamente ativa (PEA) reduziu a taxa de atividade a patamares próximos dos mínimos históricos.

A piora das condições do mercado de trabalho foi mais acentuada nas regiões metropolitanas do que no país todo como sugere a comparação dos dados da PME com a PNADC. De qualquer forma, em ambas as pesquisas, a queda da população ocupada veio por meio da diminuição do número de empregados (tanto formal quanto informal), tendo o trabalhador procurado alternativas na ocupação por conta-própria. Por exemplo, dados do CAGED apontam que em 2015 foram fechados mais de 1,5 milhão de postos de trabalho formais. E a queda da ocupação formal deveu-se a uma diminuição da quantidade de admissões, tendo o nível de desligamentos se mantido constante.  No caso da ocupação informal ocorreu o inverso.

A deterioração do salário real apresentou-se muito intensa na PME tendo atingido um aqueda anual de 8% nos últimos meses. Na PNADC, as últimas observações indicam um aqueda anual de 2%, o que, entretanto, representa uma aceleração da queda dos rendimentos.

Com a continuidade da recessão e da atual crise, é provável que se observe a manutenção da aqueda do nível de ocupação. Se isso resultará em aceleração da taxa de desemprego dependerá muito do comportamento da PEA. Se ela se mantiver em níveis deprimidos, aumentando o nível de desalento com o prolongamento da crise, o ritmo de crescimento do desemprego deverá ser menor que o observado em 2015. Se a PEA voltar a crescer, o desemprego subirá no mesmo ritmo acelerado do ano anterior.

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