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Mercado de Trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro Roberto Albrecht Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho

A melhora do mercado de trabalho proporcionou, no segundo trimestre do ano, especialmente para a população mais jovem, cuja desocupação recuou 0,8 ponto percentual (p.p.), resultado de uma alta de 1,7% da ocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos. Deve-ressaltar, ainda, que os efeitos da melhora da ocupação sobre o recuo da taxa de desemprego só não são mais significativos por conta do crescimento mais elevado da força de trabalho. Por certo, de janeiro a julho de 2019, a população economicamente ativa (PEA) aponta uma variação interanual de 1,8%, bem acima da observada no mesmo período do ano anterior (0,8%). Logo, se a força de trabalho apresentasse, em 2019, uma dinâmica similar à observada em 2018, a taxa de desocupação no último trimestre móvel, encerrado em julho, seria de 10,9%, ou seja, quase 1,0 p.p. abaixo da registrada.

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Mercado de Trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro R. A. Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho

Os dados mais recentes mostram que, apesar de alguns indicativos de uma dinâmica recente mais favorável (com geração de empregos apesar dos indicadores ruins de atividade econômica), o mercado de trabalho brasileiro segue bastante deteriorado, permeado por altos contingentes de desocupados, desalentados e subocupados. No que diz respeito à desocupação, nota-se que vem crescendo o número de desempregados que estão nesta situação há mais de dois anos. Se, no primeiro trimestre de 2015, 17,4% dos desocupados estavam nessa situação, no mesmo período de 2019, essa porcentagem avançou para 24,8%, o que corresponde a 3,3 milhões de pessoas. A desagregação dessas informações, feita com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, mostra que, no primeiro trimestre de 2019, a proporção de desempregados há mais de dois anos era maior entre as mulheres (28,8%), entre os adultos com mais de 40 anos (27,3%) e entre os trabalhadores com ensino médio completo (27,4%). Entretanto a análise dinâmica dos dados revela que, na comparação com o primeiro trimestre de 2015, os grupos que apresentaram maior incremento nas suas populações desocupadas há mais de dois anos foram os homens, os trabalhadores mais jovens e os com ensino médio completo, cujas proporções saltaram de 11,3%, 15% e 18,5%, respectivamente, para 20,3%, 23,6% e 27,4%, no período em questão. No caso dos trabalhadores mais jovens, esse resultado acaba por corroborar um cenário de emprego ainda mais adverso, que combina desemprego elevado (27,3%), baixo crescimento da ocupação (0,4%) e queda de rendimento real (-0,8%).

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Mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho e Carlos Henrique L. Corseuil

O atual cenário de lenta desaceleração da taxa de desemprego e leve expansão da ocupação e dos rendimentos mostra-se compatível com a trajetória de recuperação moderada da economia brasileira. Após iniciar o ano de 2018 com claros sinais de dinamismo, crescendo a 2,0% em termos interanuais, o crescimento da população ocupada desacelerou-se, de modo que, no trimestre móvel, encerrado em janeiro deste ano, o crescimento observado foi de 0,9%. Na desagregação por idade, o comportamento da ocupação foi ainda pior no segmento dos mais jovens (18 a 24 anos), com retração de 1,3% no período. Como consequência dessa baixa expansão da população ocupada, a taxa de desocupação dessazonalizada manteve-se praticamente estável na comparação entre janeiro de 2018 e de 2019, com queda de apenas 0,2 p.p. – de 12,2% para 12,0%.

Essa lenta recuperação do mercado de trabalho – traduzida na manutenção de uma taxa de desemprego alta e persistente, principalmente entre os menos escolarizados – vem gerando aumento no número de domicílios que declararam não possuir renda de trabalho e nos domicílios de renda de trabalho muito baixa. Enquanto, no quarto trimestre de 2017, em 21,5% dos domicílios pesquisados pela Pnad Contínua não havia nenhum membro desempenhando uma atividade remunerada no mercado de trabalho, no último trimestre de 2018, essa porcentagem avançou para 22,2% – antes da recessão, no final de 2013, era de 18,6%. No caso dos domicílios de renda baixa, esta parcela passou de 29,8% para 30,1%, na mesma base de comparação – era 27,5% no último trimestre de 2013. Ainda dentro deste contexto, os dados desagregados de rendimentos (deflacionados pelo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda) mostram que vem crescendo a desigualdade salarial entre os segmentos pesquisados, como evidenciado pelo desempenho do índice de Gini no ano passado. No quarto trimestre de 2014, a média da renda domiciliar do trabalho para a faixa de renda alta era 27,8 vezes maior que a média da renda da faixa de renda muito baixa. Já no último trimestre de 2018, a média da renda domiciliar da faixa mais alta era 30,3 vezes maior.

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Veja a análise detalhada da conjuntura no mercado de trabalho nesta seção



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Mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

Embora os dados recentes consolidem um cenário de leve expansão da ocupação e da renda, o mercado de trabalho brasileiro ainda registra uma trajetória de recuperação moderada. A lenta desaceleração da taxa de desocupação, aliada à manutenção do desalento e da subocupação em patamares elevados, sinaliza a necessidade de uma aceleração mais forte do nível de atividade para que seja possível uma melhora significativa no cenário de emprego no país, como mostram os dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

Em contrapartida, os dados mais recentes do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, já apontam um ambiente mais favorável, marcado por uma geração de mais de 790 mil novas vagas com carteira assinada de janeiro a outubro de 2018. Esse processo de criação de postos de trabalho formais, no entanto, vem ocorrendo de modo diferenciado entre os setores. De fato, nos últimos doze meses, encerrados em outubro, o setor de serviços foi o responsável por 88% de todas as vagas criadas, com destaque para os segmentos “administração de imóveis e valores, serviços mobiliários e técnicos” e “serviços médicos, odontológicos e veterinários”, que, juntos, geraram 81% de todas as vagas do setor. No entanto, a indústria de transformação vem perdendo dinamismo, influenciada, sobretudo, pelo desempenho do subgrupo “têxtil, vestuário e calçados”, com uma destruição de 37 mil postos de trabalho entre novembro de 2017 e outubro de 2018. Ressalta-se ainda o bom comportamento da construção civil, que gerou quase 71 mil vagas de trabalho de janeiro a outubro de 2018, mostrando uma forte recuperação quando comparada ao mesmo período de 2017, quando foram fechados 40 mil postos de trabalho.

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A evolução da população ocupada com nível superior no mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Leonardo Siqueira Vasconcelos

O mercado de trabalho foi muito afetado pela crise econômica recente, especialmente em 2015 e 2016. No entanto, mesmo nesse período mais crítico, a população ocupada mais escolarizada – com nível superior – continuou aumentando, enquanto todas as demais faixas de escolaridade sofreram perdas significativas.

Dentro dessa perspectiva, esta Nota Técnica tem por objetivo não apenas retratar a evolução dessa parcela da população mais escolarizada no mercado de trabalho brasileiro, mas também avaliar se, de fato, esses trabalhadores estão desenvolvendo atividades compatíveis com a sua especialização – ou se está ocorrendo uma subutilização dessa mão de obra mais graduada.

Os resultados mostram que, ainda que venha crescendo o número de trabalhadores com ensino superior no mercado de trabalho brasileiro, parte deste contingente não consegue obter uma função compatível com o seu grau de instrução. Logo, apesar de apresentar uma taxa de desemprego abaixo das demais categorias, mais de um terço dos indivíduos mais graduados está ocupando postos de emprego que não requerem o seu nível de conhecimento. Adicionalmente, os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho reforçaram ainda mais esse quadro, de modo que, no terceiro trimestre de 2018, de cada dez trabalhadores ocupados, quatro estavam em funções que prescindiam da sua qualificação. No caso dos mais jovens, o estudo revela que sua inserção nos segmentos de ocupação correspondentes com seu grau de instrução é ainda mais difícil. Se no fim de 2014 38% dos indivíduos de 24 a 35 anos, com ensino superior, possuíam empregos abaixo do seu nível de qualificação, no último trimestre este percentual já havia avançado para 44,2%.

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A evolução dos rendimentos médios utilizando deflatores por faixa de renda

Por Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique Leite Corseuil e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Um indicador muito utilizado para inferir sobre o bem-estar dos trabalhadores é o seu rendimento. Para que a evolução desse indicador reflita a variação do poder de compra do trabalhador, costuma-se deflacionar os dados de rendimento usando índices de preço ao consumidor relacionados a essa variação. O procedimento usual em análises agregadas do mercado de trabalho é usar um único índice para todos os trabalhadores. Implicitamente, pressupõe-se que: i) o padrão de consumo dos trabalhadores está bem representado por uma cesta de bens representativa cuja evolução dos preços é captada pelo índice; e ii) eventuais diferenças nos padrões de consumo não seriam suficientes para alterar sistematicamente a evolução de índices de preço hipotéticos que captassem a heterogeneidade nos padrões de consumo.

No entanto, conforme exposto em Lameiras, Carvalho e Souza Júnior (2017), o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que a evolução dos índices de preço pode variar por períodos consideráveis de tempo, quando se leva em consideração padrões distintos de consumo por faixa de renda. Por exemplo, na variação acumulada em doze meses até agosto de 2018, a inflação para as famílias com renda muito baixa alcançou 3,55%, enquanto que para as famílias com renda alta atingiu 4,53% – o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 4,19%. Em uma perspectiva de longo prazo, observa-se que, nos últimos onze anos (de julho de 2006 a outubro de 2017), a inflação dos mais pobres apresenta uma variação de 102%, bastante superior à observada na faixa de renda mais alta, de 86%.

O objetivo desta Nota Técnica é, portanto, averiguar em que medida essas diferenças na trajetória da inflação afetam a evolução dos rendimentos médios, individuais e domiciliares, para as diferentes faixas de renda, utilizando-se de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua desde 2012.

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Mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

No último trimestre, o mercado de trabalho manteve uma trajetória de lenta recuperação, refletindo o baixo dinamismo da economia brasileira. Nota-se ainda que, embora apresente um recuo da taxa de desemprego e uma aceleração de rendimentos reais, o cenário de emprego no país vem se deteriorando em alguns aspectos. De forma geral, a queda da desocupação não ocorreu por conta da expansão da população ocupada (PO), e sim devido à retração da força de trabalho. Pelo corte etário, percebe-se que o maior recuo do desemprego aconteceu no conjunto dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos, cuja taxa caiu de 27,3% (segundo trimestre de 2017) para 26,6% (segundo trimestre de 2018) – de acordo com os microdados extraídos da PNAD Contínua do IBGE. Entretanto, nesse mesmo período, o contingente de jovens ocupados recuou 0,8%, enquanto a população economicamente ativa (PEA) caiu 1,6%. Na abertura por escolaridade, os dados do segundo trimestre de 2018 mostram que, na comparação interanual, as maiores retrações do desemprego ocorreram nos grupos de trabalhadores com o ensino fundamental incompleto e completo, justamente os que apresentaram recuo da ocupação (-3,0% e 2,9%, respectivamente), ainda que em ritmo inferior ao observado na PEA (-3,6% e -4,4%).

Esta seção analisa detalhadamente os dados de mercado de trabalho, com destaque para a análise detalhada do desalento e da relação entre a informalidade e a estrutura setorial da ocupação.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura Nº 39

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

Embora o mercado de trabalho tenha apresentado sinais de melhora nos últimos trimestres, os dados mais recentes apresentam certa estabilidade, dando margem a dúvidas quanto ao ritmo e à qualidade dessa recuperação. De fato, o cenário de emprego inicialmente projetado para 2018 havia sido baseado em expectativas de uma aceleração mais intensa da economia brasileira, o que não vem se consolidando. Consequentemente, a melhora projetada para o mercado de trabalho vem ocorrendo de maneira mais moderada, concentrada, sobretudo, no setor de serviços e na expansão da ocupação no mercado informal.

Esta seção analisa detalhadamente os dados de mercado de trabalho e traz dois boxes especiais que tratam da dinâmica dos trabalhadores mais idosos no mercado de trabalho e da aparente discrepância entre os dados de empregos formais divulgados pela PNADC e pelo CAGED.

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Mercado de Trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

Seção utiliza microdados por indivíduo da PNAD Contínua e mostra quais grupos têm melhor e pior desempenho no mercado de trabalho

A recuperação do mercado de trabalho ao longo dos últimos meses, apesar de esperada, vem surpreendendo positivamente, conjugando um aumento significativo da população ocupada com a expansão de rendimentos reais. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), embora ainda se encontre em níveis muito abaixo dos observados no período pré-crise, o contingente de trabalhadores ocupados vem crescendo, na comparação interanual, desde o trimestre encerrado em julho de 2017, de tal modo que, em fevereiro de 2018, a taxa de expansão interanual apontada foi de 2,0%. A despeito de este aumento ter se verificado, essencialmente, no mercado informal, a ocupação com carteira também mostra resultados favoráveis. Segundo o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), nos últimos meses, os saldos dessazonalizados têm sido positivos, algo que não se verificava desde o primeiro trimestre de 2014.

Os efeitos do aumento da ocupação sobre a redução da taxa de desemprego, entretanto, têm sido atenuados pela forte expansão da força de trabalho. Além disso, os microdados por indivíduo extraídos da PNADC revelam que vem crescendo o número de trabalhadores marginalmente ligados à População Economicamente Ativa (PEA), que constituem uma parcela da população que está na inatividade, mas que deseja voltar ao mercado e, por conseguinte, uma parcela dessas pessoas tende a se incorporar à força de trabalho à medida que as condições do mercado forem melhorando.

Apesar dessa pressão exercida pela PEA, a redução da taxa de desocupação vem ocorrendo de forma consistente no período recente e atinge todos os segmentos da população, sendo mais intensa nos grupos de trabalhadores com ensino fundamental e médio, com idade entre 18 e 24 anos e do sexo feminino. Entre os trabalhadores com ensino médio incompleto, por exemplo, a taxa de desocupação caiu 3,8 pontos percentuais (p.p.) na comparação entre o último e o primeiro trimestres de 2017 – de 24,2% para 20,4%. Na mesma base de comparação, a queda entre os jovens de 18 a 24 anos foi de 3,5 p.p. e entre as mulheres de 2,6 p.p.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho

O aumento do número de pessoas dispostas a trabalhar tem acelerado o crescimento da população economicamente ativa (PEA), o que atenua o impacto do aumento da população ocupada sobre a taxa de desemprego. Se, no terceiro trimestre de 2017, a força de trabalho tivesse apresentado um crescimento interanual igual a sua média histórica, medida pela PNADC, a taxa de desocupação brasileira já estaria em 11,6%, ou seja, 0,6 p.p. inferior à registrada. De forma geral, a melhora do mercado de trabalho vem ocorrendo de modo generalizado entre todos os segmentos, gerando, inclusive, a redução da probabilidade de permanência no desemprego, que recuou pelo segundo trimestre consecutivo. Esta seção da Carta de Conjuntura, no entanto, utiliza especialmente os microdados da PNADC para fazer uma análise detalhada e diferenciada da dinâmica recente do mercado de trabalho brasileiro.

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