Arquivos da categoria: Moeda e Crédito

Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim apresenta as expectativas de mercado para diversas variáveis como se apresentavam em 17 de maio de 2019, comparando-as com as datas de referência das suas duas últimas edições: 29 de março e 22 de fevereiro também deste ano.1 As previsões de crescimento do produto interno bruto (PIB) em 2019 vêm passando por seguidas revisões e caíram de 2,5% em fevereiro para 1,3% em maio. A inflação esperada em doze meses caiu da vizinhança de 4,0% para 3,4%, tomando-se a média de três fontes. A mediana das expectativas do Focus para a taxa Selic a prevê estável até, pelo menos, julho do ano que vem, enquanto a média das previsões da mesma fonte capta a possibilidade de redução ainda em 2019. A taxa de juros real ex ante vem subindo um pouco e, em 17 de maio, estava em 2,9%. O texto também traz projeções para variáveis fiscais e a taxa de câmbio, que não têm sofrido alterações significativas. Esta edição introduz projeções para receita líquida e despesa do governo central, que compreende Tesouro Nacional, BCB e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), coletadas na pesquisa Prisma Fiscal, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia (SPE/ME). A última vez que as receitas superaram as despesas foi em 2013 (18,7% do PIB versus 17,3%) e novo superavit só é esperado em 2022, resultado da combinação de queda nas despesas e elevação nas receitas.

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Indicadores judiciais do mercado de crédito: definição, metodologia e resultados

Por Alexandre Samy de Castro, Augusto C. Romeiro e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

O objetivo desta Nota Técnica é apresentar um conjunto inédito de indicadores das condições do mercado de crédito no Brasil, produzido a partir de registros judiciários publicados pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). Por indicador rápido entende-se um tipo de indicador cujo tempo de apuração, a partir do término do período de referência (por exemplo, mês), é de poucos dias.

Os indicadores apresentados nesta pesquisa refletem o volume e o valor econômico de disputas judiciais relativas ao inadimplemento ou descumprimento de títulos e obrigações de crédito, além de contratos comerciais diversos, como por exemplo, aluguéis. Na ótica dos registros judiciários, trata-se de ações nas seguintes classes processuais: i) execução de títulos executivos extrajudiciais; ii) monitórias; iii) busca e apreensão em alienação fiduciária; e iv) despejo por falta de pagamento. Os números incluem também indicadores do volume de pedidos de recuperação judicial e ações de alimentos.

A importância desses indicadores reside no fato de que parte expressiva dos instrumentos de crédito, bancário ou não bancário, pertence às classes de títulos executivos extrajudiciais e monitórias. Além disso, as ações judiciais relativas a classes como busca e apreensão em alienação fiduciária, despejo, alimentos e recuperações judiciais refletem situações de inadimplemento tipicamente associadas ao estado de insolvência de famílias e empresas.

A apuração desse conjunto de indicadores fica a cargo de um sistema desenvolvido no Ipea, denominado IpeaJUS, que identifica processos judiciais de qualquer natureza em diários oficiais, extrai automaticamente informações do acompanhamento processual do respectivo tribunal e codifica as informações relativas à natureza das partes e das decisões judiciais.

Apêndices da Nota Técnica

Resultados atualizados dos Indicadores IpeaJus de Crédito

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Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Desde agosto de 2017, há vinte meses, portanto, o saldo de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) está virtualmente estável em 47% do produto interno bruto (PIB). Como o PIB real cresceu pouco nesse período, o crescimento nominal do saldo de crédito praticamente apenas acompanhou a inflação. A decomposição do total, porém, mostra crescimento do crédito livre para pessoas físicas (PFs) e queda do direcionado a pessoas jurídicas (PJs). Essa queda tem sido em parte compensada pelo maior recurso das empresas ao mercado de capitais e ao mercado externo. Essa tem sido a alternativa, entretanto, para poucas empresas e em setores específicos, como saúde, saneamento e educação, telecomunicações e energia, de acordo com o Banco Central do Brasil (BCB). No entanto, a redução no saldo de crédito direcionado para PJs – com destaque para as operações com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – também se concentrou em poucas empresas. Nesse período de vinte meses de virtual estabilidade do saldo do crédito como proporção do PIB, as novas concessões, entretanto, apresentaram taxas de crescimento real expressivas. Para citar apenas os dados mais recentes, no primeiro trimestre de 2019, o total de novas concessões cresceu 5,6% sobre o mesmo trimestre de 2018, em termos reais e considerando a média por dias úteis. É interessante observar também que, levando em conta apenas as instituições financeiras privadas, às quais corresponde a metade do saldo de crédito atualmente no SFN, o desempenho do crédito é robusto: o crescimento real na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o primeiro do ano passado foi de 8,4%.

Em março de 2019, a taxa de inadimplência no SFN estava nos níveis mais baixos da série iniciada em 2011, tanto para PJ quanto para PF. Mas o percentual de famílias que ganham até dez salários mínimos que relatam estar com contas atrasadas está elevado, assim como o das que dizem que não terão condições de pagar – de acordo com os dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O endividamento para fins habitacionais como proporção da renda anual tem se mantido praticamente constante desde o fim de 2015. O endividamento para outros fins, após cair até dezembro de 2017, passou a elevar-se. O comprometimento da renda mensal das famílias com o serviço da dívida caiu ao longo do terceiro trimestre de 2018 e se estabilizou desde então. O aumento anteriormente ocorrido do endividamento com fins habitacionais – processo longo, que durou mais ou menos de 2009 a 2015 – levou também, naturalmente, à maior participação desse segmento no comprometimento da renda mensal.

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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim apresenta as expectativas de mercado como estavam em 29 de março de 2019 e as compara com as de cinco semanas antes, 22 de fevereiro, data de refe­rência da última edição. As principais alterações ocorreram nas expectativas para a meta Selic e para o crescimento do produto interno bruto (PIB). O momento esperado para o início da alta da taxa de juros tem sido seguidas vezes postergado. Em 22 de fevereiro, o início era previsto para janeiro de 2020 e a taxa chegaria a meados do ano em 7,5%. A expectativa de mercado, agora, é de estabilidade da Selic em 6,5% até abril de 2020, com posterior elevação para 7% em meados do ano que vem. No cenário básico da Dimac/Ipea, divulgado na Visão Geral da Conjuntura, a meta para a Selic permanece em 6,5% até o fim de 2020. Depois da divulgação do PIB do quarto trimestre de 2018, as projeções do Boletim Focus/BCB para o crescimento do PIB se alteraram, sofrendo também a influência de indicadores de nível de atividade já disponíveis para os primeiros meses do ano. As maiores revisões para baixo ocorreram nos três primeiros trimestres de 2019, e a previsão para o ano caiu de 2,5% para 2,0%. As expectativas de crescimento para 2020 em diante, entretanto, não foram significativamente alteradas. No cenário da Dimac/Ipea, a projeção para 2019 caiu de 2,7% em dezembro de 2018 para 2,0% em março deste ano – para 2020 é de 3,0%, um pouco acima da média do Boletim Focus, de 2,7%. As previsões do Boletim Focus e as do Prisma Fiscal para o resultado fiscal primário quase não se alteraram. O mesmo aconteceu com a taxa de câmbio, as curvas de juros reais e nominais e as expectativas de inflação.

Gráficos 2 e 14

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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim compila expectativas para algumas variáveis oriundas de diversas fontes: pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB); Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima); BM&FBovespa; e Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE/MF)

A última edição comparou as expectativas como se apresentavam aproximadamente um mês antes do segundo turno das eleições com aproximadamente um mês depois. Agora, àquela comparação são adicionadas as expectativas em 22 de fevereiro último. Como anteriormente, é preciso levar em conta que muitos fatores influenciam as mudanças de visão dos agentes em relação ao futuro, como novos dados divulgados, o ambiente internacional e o interno.

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Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Em 2018, o mercado de crédito se caracterizou pela estabilidade do saldo total no Sistema Financeiro Nacional (SFN) como proporção do produto interno bruto (PIB). Em termos reais, o saldo total chegou, em dezembro de 2018, 1,7% maior do que em dezembro de 2017. Esse baixo crescimento, contudo, foi composto de diferentes comportamentos dos grandes segmentos. Em termos reais, cresceram os saldos de pessoa física e jurídica do segmento livre e o de pessoa física do direcionado, mas caiu o saldo de pessoas jurídicas do segmento direcionado, predominantemente composto por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O texto mostra evolução dos dez principais segmentos de crédito, que correspondem a 70% do saldo total no SFN. No último trimestre de 2018, a inadimplência de pessoas físicas no segmento livre continuou caindo e chegou ao nível mais baixo da série histórica. A inadimplência de pessoas jurídicas no segmento livre também continuou a acentuada queda observada desde o segundo trimestre de 2017 e atingiu 2,7%, o nível mais baixo da série que se inicia em 2011. O comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida caiu ao longo do segundo semestre de 2018, chegando a 19,8%. O endividamento como proporção da renda anual elevou-se ligeiramente, partindo de 41% no fim de 2017 e chegando a 42,5% em novembro do ano passado. Esse nível de endividamento é baixo, se comparado internacionalmente, mas o comprometimento da renda com o serviço da dívida é alto.

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Boletim de Expectativas – novembro de 2018

A última edição deste Boletim de Expectativas foi divulgada na semana anterior ao primeiro turno das eleições e, portanto, aproximadamente um mês antes do segundo. Este texto, por sua vez, traz as expectativas como se apresentam quatro semanas depois do segundo turno, comparadas com as daquele momento. Assim, o mote é um “antes e depois” das eleições: como seu resultado alterou as expectativas dos agentes econômicos? Tendo em mente, claro, que, nesses cerca de sessenta dias, vários outros fatores influenciaram a visão dos agentes em relação ao futuro, como novos dados divulgados e o ambiente internacional. Mas o resultado das eleições e seus desdobramentos tiveram papel, sem dúvida, relevante.

O cenário pré-eleitoral traçado pelo conjunto das projeções já se mostrava razoavelmente positivo: a inflação se manteria bem comportada e dentro das metas; a taxa de juros básica da economia subiria (mas isto estava de acordo com o reconhecimento de que ela se encontrava – e ainda se encontra – abaixo do nível neutro); o resultado primário das contas públicas melhoraria paulatinamente (melhora essa que não seria, entretanto, suficiente para impedir o crescimento da dívida pública como proporção do PIB pelo menos até 2021); o crescimento do PIB convergiria para 2,5% ao ano de 2019 a 2022; e a taxa de câmbio nominal se estabilizaria pouco abaixo de R$4,00/US$. Conhecidos os resultados das eleições e seus desdobramentos, o cenário se tornou mais favorável, especialmente no tocante às previsões para variáveis que reagem mais rapidamente, como juros, câmbio e inflação. As expectativas para produto interno bruto (PIB), resultado primário e dívida pública se alteraram pouco.

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Crédito

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Os dados mais recentes confirmaram as tendências que já vinham sendo verificadas e que podem ser resumidas como melhoria gradual das condições de crédito na economia, porém com significativas discrepâncias entre o crédito concedido com recursos livres ou direcionados para pessoas físicas ou jurídicas e por bancos públicos ou privados, com a dinâmica mais forte ocorrendo nos livres, para pessoa física e no crédito oriundo das instituições privadas. A inadimplência com recursos livres atingiu níveis historicamente baixos, tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas. O comprometimento do orçamento doméstico com juros e amortizações tem ficado relativamente estável nos últimos meses, enquanto o endividamento com crédito não habitacional cresce moderadamente e o habitacional se mantém aproximadamente estável, no mesmo nível dos últimos três anos. Os juros e os spreads médios estabilizaram-se em setembro, depois de um período de queda de cerca de dezoito meses. Uma seção extra, ao final do texto, destaca os indicadores de crédito no setor de veículos.

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Boletim de expectativas – outubro de 2018

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim compila expectativas para algumas variáveis oriundas de diversas fontes: Pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB); Relatório de Inflação (RI) do BCB; Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima); BM&FBovespa; Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE/MF); Agência Broadcast; e da própria Carta de Conjuntura. A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não alterou as expectativas quanto à trajetória da Selic: para os analistas consultados pelo Focus/ BCB, a taxa fica estável até abril, enquanto as projeções implícitas no Depósito Interfinanceiro (DI) Futuro indicam início do aperto monetário ainda em 2018.

A Carta de Conjuntura projeta que a taxa será mantida em 6,50% neste ano e terminará 2019 em 8,00%. Essa expectativa para o fim do ano que vem é a mesma no Focus/ BCB e para um conjunto de analistas consultados pela Agência Broadcast. Do DI Futuro, depreende-se que a Selic fechará 2019 em 10%. A estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) também não sofreu maiores alterações na comparação pré e pós-Copom, tanto em termos nominais quanto reais. Nesta edição, foram incluídas as expectativas do Focus também para a taxa de câmbio: projeta-se estabilidade em termos nominais – de 2019 até 2022 – em torno de R$ 3,90.

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Restrições Financeiras e o PIB Per Capita no Brasil

Por Napoleão Silva

As restrições financeiras sobre as firmas brasileiras são muito elevadas em relação às economias avançadas. No Brasil, 59% das firmas têm acesso a um empréstimo bancário ou a uma linha de crédito. Nos países desenvolvidos, o percentual médio é de 95%. Os requerimentos de colaterais para empréstimos são bem maiores no Brasil (95% do valor do empréstimo) quando comparados à média dos países desenvolvidos (50% do valor do empréstimo). O spread da taxa de juros no Brasil é muito elevado em relação à média dos países desenvolvidos (12% no Brasil e 3% nos países desenvolvidos). Neste contexto, o objetivo deste trabalho é avaliar o impacto de reduções em três diferentes restrições financeiras sobre o produto interno bruto (PIB) per capita no Brasil. Em termos mais específicos, nossa meta principal é avaliar qual das três fricções financeiras (custo de participação no mercado de crédito, limite de endividamento ou custo de monitoramento) é a mais importante para afetar o PIB per capita no Brasil.

Neste texto, realizamos três exercícios. No primeiro deles, a redução do custo de participação no mercado de crédito (que eleva o acesso financeiro para o nível dos países desenvolvidos) gera um aumento no PIB per capita de 3,6%. No segundo exercício, a redução do custo de monitoramento (que eleva a eficiência do sistema para o nível dos países desenvolvidos) gera uma elevação no PIB per capita de 1,7%. Por último, no terceiro exercício, avaliamos um relaxamento nas restrições de endividamento que seria obtido se os colaterais como proporção dos empréstimos no Brasil fossem iguais à média dos países desenvolvidos. Os resultados mostram que a redução dos colaterais no Brasil elevaria o PIB per capita em 12%. Neste contexto, a restrição financeira com maior impacto sobre o PIB per capita, no caso brasileiro, é o limite de endividamento. Neste sentido, políticas voltadas para a redução das restrições de endividamento terão um impacto maior sobre o PIB do que políticas que visem reduzir o spread ou elevar a participação no mercado de crédito.



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