Indicador Ipea de FBCF – janeiro de 2019 Investimentos iniciaram o ano de 2019 com alta de 1,3%, impulsionados pela importação de plataformas

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta avanço de 1,3% em janeiro em relação a dezembro de 2018, na série com ajuste sazonal. Esse resultado decorre do crescimento das importações de máquinas e equipamentos no período, especificamente das importações de plataformas de petróleo. O resultado interrompe dois meses de queda, período em que os investimentos acumularam perda de 3,3%. Na comparação entre o trimestre terminado em janeiro e o terminado em outubro, os investimentos apresentam recuo de 2,3%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador também registrou aumento, atingindo patamar 5,8% superior ao verificado em janeiro de 2018. Se excluídas dos cálculos as operações de comércio exterior com plataformas de petróleo, os investimentos teriam recuado 2,2% na margem e 1,5% na comparação com janeiro de 2018.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jan19

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou crescimento de 5,5% em janeiro, sendo o responsável pelo bom desempenho da FBCF no período. Assim como já havia ocorrido nos meses de fevereiro, julho, agosto e novembro do ano passado, esse resultado foi bastante influenciado pelas operações de comércio exterior envolvendo plataformas de petróleo, que podem incluir transações fictas devido ao regime aduaneiro especial do setor de petróleo. Excluindo as transações com plataformas, a consequência teria sido uma queda de 7,1%. De acordo com os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações caiu 28,4%, a importação de bens de capital cresceu 115,9% na margem.

O indicador de construção civil, por sua vez, permaneceu estagnado na comparação dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel terminado em janeiro caiu 0,8% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,1% na passagem de dezembro para janeiro.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho foi heterogêneo. Enquanto o Came cresceu 7,5% ante a janeiro de 2018, recuperando-se da queda no mês anterior (6%), a construção civil registrou variação negativa de 1,5%. Por fim, o componente outros cresceu 5,5% em relação a janeiro de 2018.

Gráfico indicador Ipea FBCF jan19

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação por faixa de renda – Fevereiro/2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em fevereiro, pelo terceiro mês consecutivo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços disponibilizados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou aceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes pesquisadas, especialmente a classe de renda mais alta – que apresentou a maior aceleração em relação ao mês anterior. Embora refletindo causas distintas, as maiores taxas de inflação foram registradas nos segmentos de menor e maior poder aquisitivo (tabela 1) – as classes intermediárias, por sua vez, tiveram altas menores de preços. No caso das famílias de renda mais baixa, observa-se que a taxa de inflação de 0,51% em fevereiro ocorreu, sobretudo, devido ao incremento no ritmo de crescimento dos preços dos alimentos, em especial dos cereais (12,6%), das verduras (12,1%) e dos tubérculos (6,1%). Na desagregação por grupos (tabela 2), verifica-se que a contribuição de 0,36 p.p. vinda dos alimentos explica 70% de toda a variação da inflação de fevereiro das classes mais pobres.

Em contrapartida, a inflação de 0,53% observada no segmento de renda mais alta foi pressionada pela alta do grupo educação, cuja contribuição de 0,33 p.p. é decorrente dos reajustes de 4,6% dos cursos regulares e de 3,2% dos cursos diversos. Deve-se destacar que parte do impacto do grupo educação foi amenizada pelo comportamento dos transportes, dado que as deflações dos combustíveis (-0,9%) e das passagens aéreas (-16,7%) acabam beneficiando muito mais os segmentos de renda mais alta, pois são estas classes que consomem estes bens e serviços.

Tabela 1 - Inflação por Faixa de Renda

Gráficos 1 e 2 - Inflação por Faixa de Renda

Veja análise completa do indicador

Acesse aqui a planilha com a série completa das taxas mensais de inflação por faixa de renda



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – janeiro de 2019 Indicador aponta alta de 0,68% no mês

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,68% no mês de janeiro, atingindo um resultado bem superior ao observado em dezembro, quando registrou variação nula. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, verifica-se que o resultado de 2019 foi mais que o dobro do apontado em 2018 (0,30%), constituindo-se na quarta maior variação para um mês de janeiro desde o início da série histórica em 2013.

No acumulado dos últimos doze meses, o ICTI aponta alta de 2,96%, mantendo-se abaixo dos demais índices, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), como mostra a tabela 1.

ICTI janeiro-19_tabela 1

Na desagregação dos componentes do ICTI, nota-se que, no acumulado em doze meses, embora a energia elétrica tenha sido o grupo que apresentou a variação mais elevada (13,96%), a maior contribuição ao índice veio do segmento de demais despesas operacionais, cuja alta de 6,74% gerou um impacto de 1,21 p.p. Ainda dentro do escopo das maiores contribuições, destacam-se ainda o comportamento dos grupos “pessoal” e “serviços profissionais e outros”, com impactos de 0,65 p.p. e 0,53 p.p.

ICTI janeiro-19_tabela 2

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim compila expectativas para algumas variáveis oriundas de diversas fontes: pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB); Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima); BM&FBovespa; e Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE/MF)

A última edição comparou as expectativas como se apresentavam aproximadamente um mês antes do segundo turno das eleições com aproximadamente um mês depois. Agora, àquela comparação são adicionadas as expectativas em 22 de fevereiro último. Como anteriormente, é preciso levar em conta que muitos fatores influenciam as mudanças de visão dos agentes em relação ao futuro, como novos dados divulgados, o ambiente internacional e o interno.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Atividade econômica: desempenho do PIB

Por Leonardo Mello de Carvalho

O resultado do PIB confirmou o cenário de recuperação gradual da atividade econômica, já mencionado ao longo de 2018. Se, por um lado, o ritmo de crescimento repetiu o desempenho de 2017, por outro, vale destacar a melhora na sua composição, caracterizada por uma maior contribuição da demanda interna. Embora o setor industrial tenha demonstrado perda de fôlego ao longo dos últimos trimestres, o bom desempenho do consumo das famílias e do FBCF reflete a melhora ocorrida nos indicadores de confiança, apresentando indícios de que o ritmo de crescimento da economia poderá acelerar ao longo de 2019.

PIB e componentes de demanda- evolução das taxas de crescimentoPIB - evolução das taxas de crescimento trimestral e dessazonalizado

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Os dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicam que, mesmo diante de uma leve aceleração – 0,03 ponto percentual (p.p.) – da sua taxa de variação em doze meses, o cenário de inflação para 2019 não só se mantém favorável como também começa a sinalizar que a trajetória dos preços esperada para o ano pode ser ainda mais benigna que a prevista anteriormente. De fato, a alta de 0,32% em janeiro surpreendeu positivamente, ficando um pouco abaixo do esperado, ao repercutir um aumento menos expressivo dos alimentos e a continuidade da queda no preço da gasolina. Dentro deste contexto, as estimativas de um aumento de safra superior a 2,0% e a expectativa de melhora no comportamento do câmbio vêm desencadeando uma queda nas expectativas de mercado para a inflação de 2019, que já se encontram abaixo de 4%. Adicionalmente, verifica-se que, mesmo diante de um ambiente de maior dinamismo do nível de atividade, o mercado de trabalho deve continuar se recuperando lentamente, impedindo uma aceleração mais forte da demanda.

Apesar desse resultado melhor em janeiro, a alta de 4,4% da alimentação no domicílio nos últimos doze meses, medida pelo IPCA, é a principal responsável pela maior aceleração da inflação das classes mais pobres, comparativamente aos segmentos de renda mais alta. Em janeiro de 2019, a taxa de inflação acumulada em doze meses, na faixa de renda mais baixa, registrou variação de 3,8%, avançando 1,1 p.p. em relação ao observado neste mesmo mês de 2018. Em contrapartida, mantendo-se a mesma base de comparação, a inflação das famílias de maior poder aquisitivo apresentou incremento de apenas 0,1 p.p., passando de 3,7% para 3,8%. Além dos alimentos, a forte alta das tarifas de energia elétrica ao longo do ano também pressionou muito mais a inflação das camadas de renda mais baixa. De fato, esta combinação de reajustes de preços de alimentos e energia fez com que, em janeiro, enquanto a inflação dos mais pobres apontasse alta de 0,41%, a dos mais ricos variasse 0,25%.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

O Ipea estima que o produto interno bruto (PIB) agropecuário tenha caído 0,5% em 2018, principalmente devido à lavoura (-3,4%). A pecuária, em contrapartida teve resultado positivo, de 3,2%. Para o ano de 2019, o Ipea projeta crescimento de 0,4% do PIB agropecuário, levando em conta o prognóstico de safra e as pesquisas trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especificamente, o crescimento previsto para o valor adicionado da lavoura é de 0,7%.

Esta seção conta ainda com a análise detalhada dos mercados e preços agropecuários no quarto trimestre de 2018, período no qual a maior parte dos produtos analisados apresentou quedas em relação ao trimestre anterior, sobretudo para os grãos. Porém, importantes mercados pecuários, como boi gordo e carnes suína e frango, tiveram elevação dos preços. Em relação aos preços médios de 2018, soja, milho, trigo, algodão, laranja, batata, leite, boi gordo e frango tiveram aumento frente a 2017. Já os preços médios do arroz, banana, café, carne suína e ovos registraram redução.

No que se refere ao comércio externo do setor, os três principais produtos da pauta de exportação – soja em grãos, celulose e farelo de soja – apresentaram crescimento elevado de 2017 e 2018, tanto em valor como em quantidade, compensando o desempenho negativo de praticamente todos os demais produtos. Apesar de o valor das importações brasileiras de produtos agroindustriais ser bem inferior ao das exportações, o trigo continua sendo o produto importado mais significativo, cujo valor aumentou em 31% em 2018.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Política fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Felipe dos Santos Martins e Adriana Cabrera Baca

O deficit primário de 2018 do setor público consolidado (SPC) foi de 1,7% do produto interno bruto (PIB) – ligeiramente inferior ao de 2017 e, também, à própria meta fixada para o ano passado, de 2,3% do PIB.

Apesar deste desempenho, o deficit ainda continua muito elevado, especialmente quando se considera o valor total, que inclui o pagamento de juros sobre a dívida pública: estes pagamentos atingiram 5,5% do PIB em 2018, levando o deficit nominal a 7,1% do PIB. Com isso, a dívida líquida total do SPC aumentou para 53,8% do PIB em 2018, e a dívida bruta do governo geral alcançou 76,7% do PIB.

O deficit primário do governo central – Tesouro, Previdência Social e Banco Central do Brasil (BCB) – caiu em relação a 2017 e foi também inferior à meta fixada para o ano, mas segue em patamar elevado. Em relação a 2017, cresceram tanto as receitas líquidas de transferências quanto as despesas primárias – com crescimento maior das receitas. Além disso, houve saque de recursos do Fundo Soberano para ajudar a melhorar o resultado primário. Pelo lado das receitas, destaca-se o crescimento das não administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB), em especial royalties sobre petróleo. Pelo lado das despesas, pessoal e encargos e benefícios previdenciários cresceram 1,2% e 1,5%, respectivamente – taxas consideravelmente inferiores às médias anuais que prevaleceram entre 1997 e 2014, de 4,2% e 4,3% ao ano (a.a.), respectivamente.

Fatores como o efeito-base no caso da Previdência Social e o reajuste do salário mínimo inferior ao projetado no orçamento de 2019 permitem esperar um deficit primário inferior à meta do ano, de R$ 139 bilhões para o governo central. Da mesma forma, o cumprimento do teto de gastos deve se beneficiar do desempenho inferior ao teto em 2018, já que abre espaço, diante de eventual necessidade, para um crescimento maior das despesas a ele sujeitas.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – dezembro de 2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação nula no mês de dezembro, mantendo-se praticamente estável em relação ao observado em novembro (-0,01%). Na comparação interanual, observa-se que o resultado do ICTI em dezembro não só ficou bem abaixo do registrado neste mesmo mês de 2017 (0,66%), mas também apontou o menor nível de variação para o mês de dezembro desde o início da série histórica em 2013.

Com a incorporação desse resultado, no acumulado dos últimos doze meses, o ICTI apresentou variação de 2,58%, permanecendo em patamar inferior ao dos demais índices, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), como mostra a tabela 1.

Tabela 1

Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, embora a energia elétrica tenha apresentado a maior variação nos últimos doze meses (8,7%), o maior impacto sobre o índice veio das demais despesas operacionais, cuja alta de 7,6% contribuiu com 1,36 ponto percentual (p.p.), o que corresponde a mais da metade de toda a variação do ICTI no período. Adicionalmente, a alta de 4,2% observada nos serviços profissionais também exerceu forte pressão sobre o índice, contribuindo com 0,51 p.p. Por fim, deve-se ressaltar o comportamento favorável do grupo comunicação com queda de 0,08% (tabela 2).

Tabela 2

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – dezembro de 2018 Demanda interna por bens industriais avança 0,1% em dezembro, encerrando o ano de 2018 com alta de 3%

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou avanço de 0,1% na comparação entre dezembro e novembro de 2018, na série com ajuste sazonal. Esse resultado próximo da estabilidade, que sucedeu alta de 0,2% no período anterior, não foi suficiente para evitar o recuo de 2,1% no quarto trimestre na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações cresceu 1,9% no mês, as importações de bens industriais retraíram 5%.

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_dez-18

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais atingiu patamar 2,4% inferior ao observado em dezembro do ano passado. A queda, no entanto, foi menor que a registrada pela produção industrial (3,6%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda encerrou o ano de 2018 com alta de 3%, confirmando um ritmo de crescimento mais intenso que o apresentado pela produção industrial (1,1%).

Gráfico_Indicador Ipea CA_dez-18

Em relação às grandes categorias econômicas, com exceção do consumo aparente de bens intermediários, que avançou 1,6% em relação ao mês de novembro na comparação com ajuste sazonal, todos os demais segmentos recuaram.

 Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------