Visão geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

A situação mundial passou por uma mudança radical de perspectivas desde que a epidemia do novo coronavírus, inicialmente circunscrita a uma região da China, adquiriu caráter global, transformando-se numa pandemia. O impacto econômico inicial, até meados de fevereiro, ocorreu principalmente no país de origem, porém rapidamente estendeu-se aos mercados financeiros mundiais. Hoje, medidas de isolamento social ou quarentena abrangem quase todos os países, numa escala e velocidade nunca antes vista, nem mesmo em períodos de guerra.

Dado o ineditismo do choque sobre a economia mundial, fazer projeções macroeconômicas com um nível razoável de confiança tornou-se tarefa muito difícil. O grau de incerteza ainda é muito grande mesmo em relação aos aspectos epidemiológicos associados à Covid-19. Nesta visão geral da Carta de Conjuntura, não se pretende avaliar modelos epidemiológicos nem fazer juízo de valor sobre os tipos de medidas de isolamento social implantadas. O objetivo é fazer um diagnóstico da conjuntura econômica, analisar as medidas de política econômica apresentadas para mitigar os efeitos da crise aguda e apresentar previsões para a economia brasileira condicionais a cenários. Em todos os três cenários avaliados, mantemos fixa a hipótese de rápida recuperação parcial da atividade econômica já no terceiro trimestre deste ano. Esta hipótese depende da efetividade das políticas econômicas mitigadoras sendo adotadas no Brasil e no mundo, e de um relativamente rápido avanço no controle da pandemia, que permitiria a retirada gradual das medidas restritivas. O que varia entre os cenários analisados é o tempo necessário de isolamento social. No cenário em que o isolamento duraria mais um mês (até o final de abril), a previsão é que o PIB feche o ano com uma queda de 0,4%. Nos cenários com isolamento por dois e três meses, as quedas do PIB em 2020 seriam ainda maiores, de 0,9% e 1,8%, respectivamente. O custo em termos de PIB é crescente porque, mesmo com meditas mitigadoras bem sucedidas, os riscos de falências e de demissões aumentam quanto maior for o tempo em que as empresas ficam com perda muito grande (ou total) de faturamento.

Veja também, nesta seção, uma síntese da conjuntura econômica internacional e brasileira, uma análise da política econômica em resposta à crise da Covid-19 e a análise completa das previsões macroeconômicas condicionadas aos três cenários.

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Boletim Agro Perspectivas do PIB agropecuário brasileiro em 2020

Por Ana Cecília Kreter, Fabio Servo, Pedro Garcia e José Ronaldo Souza Júnior

A produção de grãos, grande parte estabelecida no ano passado antes da eclosão da Covid-19 na China, e a importância estratégica da cadeia alimentícia para o enfrentamento dessa crise deverão garantir um bom desempenho do PIB Agropecuário, que estimamos em 3,8%, este ano. Apesar da estabilidade observada na produção, ainda é prematuro quantificar o impacto da crise e seus efeitos sobre a atividade no campo. Existe uma boa perspectiva em relação à retomada do mercado chinês. Ainda assim, riscos persistem, que demandam um acompanhamento permanente da evolução do mercado doméstico, onde se espera substituição no consumo de proteínas, caso se verifique alta de preços, priorizando proteínas com preços mais baixos.

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Atividade econômica: indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

O ritmo de crescimento da atividade econômica brasileira voltou a acelerar no início 2020, após apresentar acomodação nos últimos dois meses do ano passado. O bom desempenho dos indicadores mensais nos primeiros meses do ano, obvia- mente, deverá se reverter a partir de março, já refletindo os efeitos da pandemia mundial (as primeiras medidas de isolamento social e interrupção da atividade econômica começaram a ser adotadas na terceira semana do mês).

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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Em meio à turbulência nos mercados causada pela pandemia, as projeções têm mudado rapidamente. As revisões para a economia mundial publicadas pela OCDE em 2 de março já ficaram, em seu cenário básico, irrealisticamente otimistas, e o cenário então pessimista – PIB mundial crescendo 1,5% em 2020, contra 2,9% previstos anteriormente – certamente se aproxima mais do que deverá acontecer. O mesmo acontece com as previsões para o Brasil. A expectativa do último relatório Focus do Banco Central, de 13 de março, para o crescimento do PIB em 2020, de 1,7%, embora já sendo uma substancial revisão, ficou defasada – uma pesquisa da Agência Broadcast divulgada em 18 de março aponta para 0,6%. O texto traz também as expectativas para inflação, taxa de câmbio e juros. A inflação esperada está em queda; a taxa R$/US$ esperada para o fim de 2020 se elevou para 4,4, ainda assim sinalizando apreciação do real a partir dos níveis atuais. A curva de juros reais se elevou e a de juros nominais sofreu uma rotação, com as taxas caindo até dois anos e se elevando a partir de 3.

Grafico 4

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Janeiro de 2020 Demanda interna por bens industriais avançou 9,3% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou alta de 9,3% na comparação entre os meses de janeiro de 2020 e dezembro de 2019, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu recuo de 8,3% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em janeiro registrou recuo de 4,3% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) cresceu 8% na margem, as importações de bens industriais avançaram 14,6%, conforme mostra a tabela 1.

Tabela 1
Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 5,4% contra janeiro do ano passado. Com isso, o trimestre móvel apresentou um crescimento de 0,3% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou uma variação ligeiramente positiva (0,1%), enquanto a produção industrial, conforme mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou baixa de 1%, como visto no gráfico 1.

Grafico 1

A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil e Sandro Sacchet de Carvalho

Nos últimos meses, os principais dados sinalizam que a retomada do mercado de trabalho brasileiro ganhou maior intensidade, conjugando uma expansão mais forte da ocupação, especialmente no mercado formal, além de uma queda simultânea da desocupação e da subocupação.

De acordo com a PNAD Contínua, do IBGE, observa-se que este melhor desempenho da ocupação vem sendo possibilitado não apenas pelo aumento da geração de postos de trabalho, mas também pelo recuo do número de demissões. De fato, no último trimestre de 2019, a proporção de ocupados que já se encontravam nesta situação no trimestre imediatamente anterior foi de 86,1%, o que significa o maior patamar de retenção de trabalhadores para este período desde 2014. Deve-se ressaltar, ainda, que, embora este aumento na retenção de ocupados venha ocorrendo em todos os segmentos, ele é um pouco mais expressivo no mercado formal. No quarto trimestre de 2019, a retenção de ocupados no setor formal da economia foi de 90,1%, o que constitui o pico da série, superando, inclusive, os períodos de maior dinamismo no mercado de trabalho brasileiro.

A análise dos microdados de transição da PNAD Contínua também indica que o crescimento do emprego formal nos últimos meses está associado a movimentações mais favoráveis nos fluxos de trabalhadores entrando ou saindo desta categoria. Por certo, após desacelerar de 15,4% para 8,7% entre 2014 e 2018, a parcela de trabalhadores que transitou da desocupação para o mercado formal no último trimestre de 2019 foi de 8,8%.

Acesso o texto completo com a análise detalhada sobre a conjuntura do mercado de trabalho



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Indicador Ipea de FBCF – Janeiro de 2020 Investimentos iniciam o ano com alta de 7,8% na margem, impulsionados pela produção interna e pela importação de plataformas

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta forte crescimento na comparação entre janeiro de 2020 e dezembro último, com alta de 7,8% na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o trimestre móvel terminado em janeiro registrou queda de 2% também na série dessazonalizada. Na comparação com o ano anterior, a FBCF atingiu patamar 7% superior ao verificado em janeiro de 2019. No acumulado em doze meses, os investimentos aceleraram, com a taxa de crescimento passando de 2,1% para 2,7%. Os resultados contaram com o impulso proveniente do bom desempenho da produção interna e da importação de plataformas ocorridas no período. Excluindo-as dos cálculos, os investimentos teriam aumentado 4,9% na margem e 2,5% na comparação com janeiro de 2019.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cujo valor corresponde à sua produção nacional destinada ao mercado interno acrescida às importações – apresentou elevação de 18,3% em janeiro. Apesar desse resultado, o trimestre móvel registrou queda de 6,7% em janeiro. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos avançou 6,1% em janeiro, a importação cresceu 25,8% no mesmo período, contando com impulso gerado pela importação de plataformas de petróleo.

O indicador de construção civil, por sua vez, avançou 5,7% em janeiro, na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel apresentou recuo de 1,3% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,7% na passagem de dezembro para janeiro, encerrando o trimestre móvel com alta de 2,4%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho positivo em janeiro foi generalizado. Enquanto a construção civil registrou uma variação positiva de 3,7%, o segmento máquinas e equipamentos registrou alta de 11,4% em janeiro. Já o componente outros atingiu um patamar 6% superior ao observado no mesmo período de 2019.

 

Taxas de crescimento do Indicador Ipea mensal de FBCF

 

Gráfico

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Política fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Sérgio Fonseca Ferreira e Felipe dos Santos Martins

O exercício de 2020 começou com um estoque de R$ 180,7 bilhões de restos a pagar (RAP) totais, incluindo despesas primárias e financeiras – uma redução de R$ 8,9 bilhões (4,7%), em termos nominais, em relação ao observado em 2019 (R$ 189,6 bilhões). A aceleração dos pagamentos em dezembro certamente contribuiu para essa redução, mas o principal determinante foi o aumento de cancelamentos de RAP de exercícios anteriores. O aumento observado de RAP pagos em 2019 refletiu apenas a mudança, no final de 2018, na sistemática de pagamentos das ordens bancárias emitidas, a qual levou a um forte aumento de RAP relativos a despesas obrigatórias em 2019.

O orçamento de 2020 foi elaborado com as despesas calibradas para atingir o limite dado pelo teto de gastos (ao contrário de 2019, quando o orçamento trouxe uma folga em relação ao teto) e a meta de resultado primário. Isso significa que, mesmo diante de reestimativas de receitas para cima, não há espaço para acomodar novos gastos sujeitos ao teto, a menos que outros sejam revistos para baixo. Como o reajuste do salário mínimo foi superior ao utilizado como referência noorçamento, aumentando, portanto, as despesas a ele vinculadas, será necessário reduzir outras despesas para não violar a regra do teto. O espaço de manobra para acomodar o aumento das despesas afetadas pelo salário mínimo, no entanto, foibastante reduzido, em razão da inclusão das emendas de relator entre aquelas de execução obrigatória (orçamento impositivo).

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Atividade Econômica: Desempenho do PIB

Por Leonardo Mello de Carvalho

O produto interno bruto (PIB) avançou 0,5% no quarto trimestre de 2019, na comparação com o trimestre anterior, já livre de efeitos sazonais, e 1,7% na comparação interanual, de acordo com os dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma economia crescendo a uma taxa anualizada em torno de 2% pelo terceiro trimestre seguido. Com isso, o PIB encerrou 2019 com alta de 1,1%, em linha com a previsão da visão geral da Carta da Conjuntura divulgada em dezembro de 2019,1 o que representou uma pequena desaceleração em relação ao desempenho observado nos dois anos anteriores, quando registrou avanço de 1,3%. A demanda interna, por sua vez, cresceu 1,7% no ano, novamente acima do PIB. O resultado do quarto trimestre deixa um carry-over de 0,8% para 2020. Isso significa que, caso permanecesse estagnado ao longo dos próximos quatro trimestres, o PIB fecharia o ano com alta de 0,8%.

Tabela 2

Grafico 1

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – janeiro de 2020

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou uma taxa de variação de 0,44% em janeiro de 2020, 0,19 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior (dezembro). Na comparação com o mesmo mês de 2019, a variação foi 0,24 p.p. menor.

Como uma incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 5,99% nos últimos doze meses, patamar acima do que foi registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV) – como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio do segmento de despesas com pessoal, cuja alta de 4,66 p.p. foi responsável por aproximadamente 78% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento demais despesas operacionais também afetou significativamente o ICTI, com impacto de 1,38 p.p. No sentido contrário, a queda de 2,92% nos preços dos materiais de consumo vem gerando redução de custos.

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