Influenciada pela greve dos caminhoneiros, demanda interna por bens industriais cai 8,3% em maio

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais – definido como a produção industrial doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – registrou queda de 8,3% na comparação entre maio e abril de 2018, na série com ajuste sazonal. Com isso, o resultado ficou negativo em 3,7% no trimestre encerrado em maio. Entre os componentes do consumo aparente, ainda no comparativo entre maio e abril, enquanto a produção doméstica líquida de exportações recuou 9,9% na margem, as importações de bens industriais caíram 4,3% (ver tabela 1).

180719_indicador_ipea_consumo_aparente_industrial_mai18_tabela

Na comparação interanual, a queda de 6,4% em maio também foi explicada, em grande medida, pela paralisação dos caminhoneiros ocorrida no período. O resultado foi similar à queda ocorrida na produção industrial (6,7%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base o resultado acumulado em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (3,9%) que o apresentado pela produção interna (2,9%).

180719_indicador_ipea_consumo_aparente_industrial_mai18_grafico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Por que os alimentos levaram o IPCA de junho de 2018 à maior alta desde 1995?

Carta de Conjuntura nº 40

Por Ana Cecília Kreter, Jefferson Staduto e José Ronaldo de Castro S. Júnior

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no dia 6 de julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de junho. O setor agropecuário, que vinha contribuindo fortemente para a estabilidade do IPCA, acabou sendo um dos responsáveis pela maior alta do índice desde 1995.

De fato, este setor tem assumido um papel cada vez mais estratégico na economia do país. Dada sua contribuição decisiva tanto para a oferta interna de alimentos e matérias-primas quanto para o equilíbrio na balança comercial, o setor vem impactando expressivamente no comércio exterior e no nível de atividade, com forte encadeamento para frente. Também há uma relação direta entre preço de produtos agropecuários e inflação. Representados pelo grupo “alimentos e bebidas”, estes produtos são responsáveis por 24,27% do IPCA, possuindo a maior participação percentual. Dentro deste grupo encontra-se ainda a “alimentação no domicílio”, que representa 15,61% do IPCA global.

Esta Nota Técnica tem como objetivo analisar o comportamento dos preços dos produtos agropecuários que compõem o grupo alimentos e bebidas e apresentar por que razão o impacto desses produtos foi tão alto no IPCA do mês de junho.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Inflação por Faixa de Renda – Junho/2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em junho, o impacto da greve dos caminhoneiros sobre os preços dos alimentos penalizou, sobretudo, a inflação das classes mais pobres da população – veja aqui a análise completa do indicador. Segundo os dados descritos na tabela 1, a inflação das famílias com menor poder aquisitivo apresentou alta de 1,5%, ou seja, mais que o triplo da observada em maio. No caso das famílias mais ricas, nota-se que, embora também aponte aceleração em junho, a inflação desta faixa foi a que registrou menor valor (1,03%).

180710_tabela_01_indicador

Acesse aqui a planilha com a Taxa mensal de Inflação por faixa de renda – junho de 2018



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Os últimos dois meses assistiram a significativas revisões do crescimento do produto interno bruto (PIB) e da inflação em 2018. O crescimento previsto para o PIB este ano passou de 2,7% para 1,5%, entre o início de maio e a primeira semana de julho, de acordo com o boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) esperado passou de 3,5% para 4,2%. A inflação projetada para os próximos doze meses vinha subindo nas três fontes acompanhadas neste Boletim: Focus/BCB, Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e BM&FBovespa, mas a do Focus reduziu-se significativamente em julho. Quanto à Selic, sua trajetória esperada, que pode ser obtida do Focus/BCB e das cotações do DI Futuro, exibe grande diferença entre as duas fontes: as expectativas coletadas pelo BCB apontam para manutenção da meta para a Selic em 6,5% até a reunião de 20 de março próximo, enquanto as previsões implícitas no DI futuro convergem para a elevação da taxa básica da economia ainda neste segundo semestre. Nos últimos sessenta dias, a estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) elevou-se, em média, em 0,9 ponto percentual (p.p.) em termos reais e em 1,2 p.p. em termo nominais. Para as variáveis fiscais, além do Focus/BCB, foi introduzida no Boletim uma nova fonte de expectativas, o Prisma Fiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE/MF), também obtidas por coleta de previsões. Além de ser uma fonte adicional para as projeções de resultado primário, tem a vantagem de trazer previsões também para a evolução da dívida bruta.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea Mensal de FBCF – maio de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos sofrem forte queda de 11,3% em maio

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta retração de 11,3% em maio em relação a abril de 2018, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, explicado em grande parte pelos efeitos da greve dos caminhoneiros, os investimentos recuaram 1,2% no trimestre terminado em maio, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 4,5% inferior ao verificado em maio de 2017. No acumulado em doze meses, o indicador ainda registra resultado positivo, com alta de 1,3%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção interna líquida das exportações, e acrescida das importações – apresentou recuo de 14,6% em maio. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações caiu 12,8%, a importação de bens de capital retraiu 9,8% na margem, resultado que sucedeu alta de 6% observada no período anterior.

O indicador de construção civil, por sua vez, também foi afetado pela greve em maio, recuando 11,5% na série dessazonalizada. Com isso, o setor encerrou o trimestre terminado em maio com retração de 3,6% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, voltou a exercer efeito negativo no desempenho dos investimentos em maio, registrando queda de 4,7% na margem.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho foi menos negativo. Após a expressiva alta de 33,5% em abril, o ritmo de crescimento do Came desacelerou, caindo para 1,3% em maio. Por sua vez, enquanto a construção civil registrou queda de 7,6%, o componente outros ativos fixos atingiu patamar 0,9% inferior ao verificado em maio de 2017.

Tabela-Indicador-Ipea-FBCF-mai18

Gráfico-Indicador-Ipea-FBCF-mai18

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Impactos macroeconômicos do choque fiscal de 2015: a regularização de despesas públicas não contabilizadas

Por Marco Antônio F. H. Cavalcanti, Luciano Vereda, Rafael Zanderer e Matheus Rabelo

Este Texto para Discussão analisa os impactos macroeconômicos da explicitação e regularização, ao longo de 2015, de despesas públicas não contabilizadas no passado a partir de um modelo dinâmico estocástico de equilíbrio geral (dynamic stochastic general equilibrium – DSGE) com setor público detalhado, desenvolvido e calibrado para o Brasil. A gradual explicitação da existência e a magnitude desses passivos fiscais, com a consequente piora do resultado primário e elevação da dívida pública, teria configurado uma série de “choques informacionais” para os agentes privados, que teriam aumentado sua percepção de risco em relação à sustentabilidade da dívida e passado a esperar um ajuste fiscal mais profundo do que o antecipado anteriormente, com vistas à estabilização das contas públicas. Diante destas novas condições e da efetiva implementação de um programa de ajuste fiscal pelas autoridades, os agentes privados teriam sido levados a rever suas decisões relativas a consumo, alocação de tempo, poupança, investimento e produção, gerando efeitos macroeconômicos potencialmente relevantes. Os principais resultados são: i) os choques de regularização de despesas públicas não contabilizadas podem ter exercido efeitos significativos sobre a economia brasileira, com queda do produto e aumento da inflação; ii) a adoção de uma combinação de instrumentos envolvendo a redução do emprego público e o aumento da tributação sobre a renda teria permitido estabilizar a dívida com menor perda de produto, relativamente à política efetivamente adotada, baseada na redução de gastos de investimento e consumo público; e iii) a protelação ou a adoção de um ajuste mais brando no curto prazo teriam gerado deterioração mais significativa dos indicadores fiscais, levando a um ajuste ainda mais custoso em termos de perda de produto e aumento da inflação.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação – Maio de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Leonardo S. Vasconcelos

O Indicador Ipea de Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) do mês de maio deste ano registrou alta de 0,42%, acima do resultado do mesmo mês do ano anterior, que foi de 0,32%, e o maior nível para um mês de maio desde 2016.

Em doze meses até maio, o ICTI alterou sua trajetória de desaceleração observada no primeiro quadrimestre do ano, e apresentou um acumulado de 4,43%. Na comparação do acumulado de doze meses, o ICTI se situa acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), e abaixo do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) , enquanto no acumulado do ano, o indicador apresenta o menor aumento entre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

Tabela1_maio2018

Entre os oito grupos que compõem o ICTI, pessoal apresentou a maior variação na comparação entre doze meses até maio de 2018, e o mesmo período acumulado até maio de 2017, com variação de 7,05%. Material de consumo e depreciação e amortização, responsáveis por aproximadamente 17% do ICTI, tiveram deflação. Já os demais grupos vieram com altas variando entre 0,37% e 4,76%, conforme pode ser observado na tabela 2.

O maior impacto no ICTI ocorreu pelo grupo pessoal, que foi responsável por 3,39 p.p., seguido de demais despesas operacionais, com 0,77 p.p.

Tabela 2_maio2018

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 39

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

A economia brasileira exibiu forte volatilidade ao longo do segundo trimestre. Esse aumento da instabilidade refletiu uma mudança do cenário externo e uma piora das condições internas do país. Os impactos diretos dessas mudanças são o aumento da incerteza e a piora das previsões macroeconômicas, que foram revisadas nesta seção. Na Síntese da Conjuntura de maioCrescimento desacelera no início do ano, mas retomada continua – desta Carta de Conjuntura, divulgada antes da greve dos caminhoneiros, já se registrava que os dados abaixo do esperado no primeiro trimestre deveriam ensejar uma revisão das previsões do Grupo de Conjuntura do Ipea. Porém, as surpresas negativas observadas desde então, que podem ser classificadas como variações exógenas, fizeram com que essas revisões fossem mais intensas do que se esperava inicialmente. Com isso, a previsão para o crescimento do produto interno bruto (PIB) deste ano, condicional ao cenário macroeconômico detalhado nesta seção, foi reduzida de 3% (Visão Geral da Carta de Conjuntura nº 38, divulgada em março de 2018) para 1,7%.

Esta seção Visão Geral da Conjuntura também apresenta as atualiações dos indicadores Ipea de Risco Brasil e de Hiato do Produto.

CC39_Visão Geral_tabela 1 CC39_Visão Geral_tabela 2 CC39_Visão Geral_tabela 3

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de Produto Potencial

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior

Como destacado na Visão Geral da Conjuntura, o hiato do produto, reestimado (ver Nota Técnica que descreve a metodologia utilizada) com base nas atualizações recentes, do primeiro trimestre de 2018, do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, ainda se encontra num patamar que evidencia um elevado grau de ociosidade da economia – o PIB está 3,6% abaixo de seu potencial.

As previsões de produto potencial feitas com base no cenário para 2018 e 2019 mostram que, mesmo com a aceleração do crescimento, o PIB ainda chegaria ao final do período abaixo de seu potencial.

CC39_Produto potencial_gráficos

Acesse aqui a série completa atualizada do Indicador Ipea de Produto Potencial



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Atividade Econômica: Indicadores Mensais

Carta de Conjuntura nº 39

Por Leonardo Mello de Carvalho

A análise dos indicadores de atividade ao longo do primeiro quadrimestre de 2018 e, particularmente, no mês de abril, reforça a percepção de que a trajetória de recuperação da economia brasileira começava a ganhar fôlego, impulsionada não somente pelo bom desempenho da produção industrial, como também pela melhora na demanda interna. Durante o mês de maio, no entanto, a crise de desabastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros afetou significativamente esse processo de recuperação da economia, embora a mensuração desses efeitos diretos e indiretos não seja trivial. O grau de contágio entre os segmentos da economia foi elevado, com destaque para o setor manufatureiro, onde a paralisação afetou diversas cadeias produtivas. De acordo com o Indicador Ipea de Produção Industrial, estima-se uma queda de 13,4% na comparação entre maio e abril, na série com ajuste sazonal. Em termos interanuais, o tombo chegaria a 9,8%.

CC39_Atividade Econômica_indicadores mensais_gráfico

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------