Indicador Ipea de FBCF – novembro de 2018 Investimentos crescem 1,7% em novembro, impulsionados pela importação de plataformas

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta avanço de 1,7% em novembro em relação a outubro de 2018, na série com ajuste sazonal. Esse resultado, no entanto, decorre do forte crescimento das importações de máquinas e equipamentos no período, especificamente das importações de plataformas de petróleo. Sem esse efeito, os investimentos teriam recuado 2,3% na margem. O resultado interrompe três meses de queda, período em que os investimentos acumularam perda de 3,6%. Na comparação entre o trimestre terminado em novembro e o terminado em agosto, os investimentos apresentam alta de 5,7%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador também registrou aumento, atingindo patamar 7,8% superior ao verificado em novembro de 2017. Por fim, o crescimento no resultado acumulado em doze meses chegou a 4,9%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou crescimento de 8,7% em novembro, sendo o responsável pelo bom desempenho da FBCF no período. Assim como já havia ocorrido nos meses de fevereiro, julho e agosto, esse resultado foi bastante influenciado pelas operações de comércio exterior envolvendo plataformas de petróleo, estimuladas pelas mudanças no regime aduaneiro Repetro. Excluindo esse efeito, a consequência teria sido uma queda de 1,7%. De acordo com os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações caiu 22,6%, a importação de bens de capital cresceu 91,9% na margem.

O indicador de construção civil, por sua vez, recuou 1,6%, sendo a segunda queda consecutiva na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel terminado em novembro caiu 0,5% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 1,7% na passagem de outubro para novembro.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho foi heterogêneo. Enquanto o ritmo de crescimento do Came acelerou, passando de 13,7% em outubro para 28,4% em novembro, a construção civil registrou variação negativa de 1,9%. Por fim, o componente outros cresceu 4,1% em relação a novembro de 2017.

Gráfico indicador Ipea FBCF dez18

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Inflação por faixa de renda – dezembro de 2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em dezembro, embora o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda tenha registrado uma aceleração no ritmo de crescimento dos preços em todas as classes, esta foi bem mais intensa nos segmentos de renda mais baixa. De fato, observa-se que a inflação das famílias de menor poder aquisitivo (0,21%) foi mais que o dobro da observada nas classes mais ricas (0,09%). Este resultado deve-se, sobretudo, à alta dos preços dos alimentos no domicílio, impactados pelo comportamento dos produtos in natura como legumes (9,0%), verdura (2,3%), frutas (3,0%) e carnes (2,0%), que gerou um incremento inflacionário maior para as pessoas de renda mais baixa, dado o peso destes itens na sua cesta de consumo (tabela 2). Adicionalmente, o aumento de itens de vestuário, como roupas femininas (2,3%), e o reajuste de 0,5% nos preços dos aluguéis também exerceram uma pressão maior sobre a inflação das camadas de renda mais baixa, anulando, inclusive, o alívio originado pela deflação de 2,0% das tarifas de energia.

Em contrapartida, a queda de 4,8% no preço da gasolina foi o principal fator de descompressão inflacionária nas faixas de renda mais alta, que também se beneficiaram, ainda que em menor proporção, da queda das tarifas de energia elétrica. Nota-se que, em dezembro, a inflação das famílias mais ricas só não foi ainda mais baixa devido aos aumentos de 29,1% nos preços das passagens aéreas e 0,8% dos planos de saúde.

Inflação por renda_dez18_tabela

Veja análise completa do indicador

Acesse aqui a planilha com a série completa das taxas mensais de inflação por faixa de renda



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – novembro de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Leonardo S. Vasconcelos

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) calculado pelo Ipea apresentou variação de -0,01% no mês de novembro e ficou 0,50 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,51% registrada em outubro. Esse foi o segundo menor nível para um mês de novembro desde o início da série histórica em 2013.

Na ótica dos últimos doze meses, o ICTI apresentou um acumulado de 3,25%. Na comparação do acumulado de doze meses, o ICTI se situa abaixo dos demais índices, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) –, enquanto, no acumulado do ano, o indicador apresenta o menor aumento entre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

ICTI e índices amplos de preços (novembro de 2018)

Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, demais despesas operacionais apresentou a maior variação no acumulado de doze meses até novembro de 2018, com incremento de 9,69%. Os demais grupos vieram com altas variando entre 0,90% e 7,46%, com exceção de comunicação, que teve diminuição de 0,20%, conforme pode ser observado na tabela 2. Os maiores impactos no ICTI ocorreram pelo grupo demais despesas operacionais, que foi responsável por 1,74 p.p. do índice, e serviços profissionais e outros, que impactou em 0,50 p.p.

ICTI e índices amplos de preços (novembro de 2018)

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Visão Geral de Conjuntura

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

O PIB deve fechar 2018 com crescimento de apenas 1,3%, taxa bem abaixo da esperada pela maioria dos analistas no início do ano. A eclosão da greve dos caminhoneiros no segundo trimestre do ano certamente afetou de forma negativa o ritmo de retomada da atividade econômica, mas este desempenho decepcionante deveu-se primordialmente a outros fatores. Primeiro, ao ambiente de incerteza associado ao desequilíbrio estrutural das contas públicas, cujo equacionamento requer a aprovação, no Congresso Nacional, de reformas constitucionais com relativamente baixo apoio popular. Segundo, à implementação apenas incompleta do amplo conjunto de medidas requeridas para remover as restrições ao investimento e ao aumento da produtividade geral da economia – apesar dos avanços na agenda microeconômica registrados nos anos recentes.

A questão fiscal, em particular, continua sendo o nó que aprisiona a economia brasileira na atual armadilha de baixo crescimento e o principal desafio de política econômica a ser enfrentado nos próximos anos. A estratégia definida pela atual equipe econômica foi de uma redução gradual do deficit primário, tendo por base a Emenda Constitucional (EC) no 95, que limita a taxa de crescimento das despesas, com pequenas exceções, à inflação do ano anterior. Essa estratégia, ao restringir o crescimento real das despesas totais do governo, deve reduzir o deficit primário em 2 pontos percentuais do PIB em quatro anos. Com o crescimento econômico e a esperada recuperação cíclica das receitas, seria possível levar o resultado primário para um nível compatível com a estabilidade da relação dívida-PIB – e, após esse horizonte, com a sua redução. O sucesso dessa estratégia, contudo, depende de forma crucial da aprovação da reforma da Previdência Social – simulações feitas pelo Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea indicam que, na ausência desta, e mantida a regra atual de correção do salário mínimo, o respeito ao teto do gasto faria com que as despesas não obrigatórias caíssem a um valor equivalente a um quarto do observado em 2018, o que significaria, na prática, paralisar o governo.

CC41_Visão GeralCC41_Visão Geral_Tabela

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Indicador Ipea de Hiato do Produto

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

De acordo com o Indicador Ipea de Produto Potencial, estima-se que o hiato tenha fechado o terceiro trimestre de 2018 em 3,4%, o que ainda reflete um elevado nível de ociosidade da economia brasileira. Além do nível atual, outra questão relevante é estimar a velocidade de fechamento do hiato do produto caso a aceleração prevista da economia no ano que vem se concretize. Considerando o crescimento esperado para 2018 e 2019 – mostrado na subseção anterior –, as projeções exibidas nos gráficos 12 e 13 apontam que haveria uma redução (em termos absolutos) do hiato para 1,3% no final do ano que vem.
Embora seja uma redução significativa, ainda restaria uma folga de capacidade para evitar pressões inflacionárias por excesso de demanda no próximo ano. É bom lembrar que a estimativa de produto potencial já apresenta imprecisões no período atual por ser uma variável não observável – quando se utilizam projeções para esta variável e para o PIB efetivo simultaneamente, o grau de incerteza relacionado à estimativa do hiato fica ainda maior e sujeito a revisões.
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Atividade econômica: indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

A análise recente dos indicadores de atividade econômica aponta para uma recuperação gradual da economia brasileira influenciada pelo aumento da demanda interna, diferentemente do que ocorreu em 2017, quando o crescimento foi explicado, em grande medida, pelas exportações e pelo acúmulo de estoques. Apesar disso, o grau de ociosidade dos fatores de produção permanece em patamares elevados, como evidenciado pelo Indicador Ipea de Hiato do Produto. Além do ritmo lento de recuperação do mercado de trabalho, o setor industrial segue operando com um nível de utilização de capacidade bastante inferior à sua média histórica. Embora algumas atividades venham se beneficiando da melhora na demanda, como os setores de bens de capital e bens de consumo duráveis, a trajetória de evolução da produção industrial em 2018 tem sido modesta. Até o mês de outubro, as informações provenientes da PIM-PF, do IBGE, indicam um crescimento acumulado de 1,8% em 2018, bem abaixo do aumento de 3,8% da demanda interna – medida pelo Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais. Após o pequeno avanço de 0,2% registrado entre os meses de outubro e setembro, interrompendo uma sequência negativa de três quedas, prevemos alta de 0,3% para o resultado de novembro. Em termos interanuais, contudo, a previsão é que a produção caia pela mesma taxa.

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Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

As previsões do produto interno bruto (PIB) agropecuário do Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea foram feitas com base em dois cenários para a safra agrícola: o do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o do Acompanhamento de Safra, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com base nos prognósticos de safra do IBGE, a previsão Ipea é de alta do PIB agropecuário, de 0,6% em 2018 para 0,9% em 2019. As previsões ficam melhores quando utilizamos as previsões de produção agrícola da Conab, que resultam em previsão Ipea de crescimento de 0,9% e 2,0% para 2018 e 2019, respectivamente. De qualquer forma, a perspectiva é que o setor apresente crescimento neste e no próximo ano, porém abaixo da média da economia.

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A seção mostra também uma análise detalhada por produto feita pelo Cepea/Esalq/USP.

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Mercado de trabalho

or Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

Embora os dados recentes consolidem um cenário de leve expansão da ocupação e da renda, o mercado de trabalho brasileiro ainda registra uma trajetória de recuperação moderada. A lenta desaceleração da taxa de desocupação, aliada à manutenção do desalento e da subocupação em patamares elevados, sinaliza a necessidade de uma aceleração mais forte do nível de atividade para que seja possível uma melhora significativa no cenário de emprego no país, como mostram os dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.

Em contrapartida, os dados mais recentes do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, já apontam um ambiente mais favorável, marcado por uma geração de mais de 790 mil novas vagas com carteira assinada de janeiro a outubro de 2018. Esse processo de criação de postos de trabalho formais, no entanto, vem ocorrendo de modo diferenciado entre os setores. De fato, nos últimos doze meses, encerrados em outubro, o setor de serviços foi o responsável por 88% de todas as vagas criadas, com destaque para os segmentos “administração de imóveis e valores, serviços mobiliários e técnicos” e “serviços médicos, odontológicos e veterinários”, que, juntos, geraram 81% de todas as vagas do setor. No entanto, a indústria de transformação vem perdendo dinamismo, influenciada, sobretudo, pelo desempenho do subgrupo “têxtil, vestuário e calçados”, com uma destruição de 37 mil postos de trabalho entre novembro de 2017 e outubro de 2018. Ressalta-se ainda o bom comportamento da construção civil, que gerou quase 71 mil vagas de trabalho de janeiro a outubro de 2018, mostrando uma forte recuperação quando comparada ao mesmo período de 2017, quando foram fechados 40 mil postos de trabalho.

CC41_Mercado de trabalho_gráficos 25-26

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A evolução da população ocupada com nível superior no mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Leonardo Siqueira Vasconcelos

O mercado de trabalho foi muito afetado pela crise econômica recente, especialmente em 2015 e 2016. No entanto, mesmo nesse período mais crítico, a população ocupada mais escolarizada – com nível superior – continuou aumentando, enquanto todas as demais faixas de escolaridade sofreram perdas significativas.

Dentro dessa perspectiva, esta Nota Técnica tem por objetivo não apenas retratar a evolução dessa parcela da população mais escolarizada no mercado de trabalho brasileiro, mas também avaliar se, de fato, esses trabalhadores estão desenvolvendo atividades compatíveis com a sua especialização – ou se está ocorrendo uma subutilização dessa mão de obra mais graduada.

Os resultados mostram que, ainda que venha crescendo o número de trabalhadores com ensino superior no mercado de trabalho brasileiro, parte deste contingente não consegue obter uma função compatível com o seu grau de instrução. Logo, apesar de apresentar uma taxa de desemprego abaixo das demais categorias, mais de um terço dos indivíduos mais graduados está ocupando postos de emprego que não requerem o seu nível de conhecimento. Adicionalmente, os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho reforçaram ainda mais esse quadro, de modo que, no terceiro trimestre de 2018, de cada dez trabalhadores ocupados, quatro estavam em funções que prescindiam da sua qualificação. No caso dos mais jovens, o estudo revela que sua inserção nos segmentos de ocupação correspondentes com seu grau de instrução é ainda mais difícil. Se no fim de 2014 38% dos indivíduos de 24 a 35 anos, com ensino superior, possuíam empregos abaixo do seu nível de qualificação, no último trimestre este percentual já havia avançado para 44,2%.

CC41_NT_Emprego-educação superior

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Inflação por faixa de renda – novembro de 2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou, em novembro, deflação em todos os segmentos pesquisados. A análise desagregada, por classe de renda, no entanto, mostra que este alívio inflacionário foi menos intenso para as famílias de menor poder aquisitivo (-0,17%), quando comparadas às de renda mais alta (-0,23%).

Inflação por renda_nov18_Tabela

Inflação por renda_nov18_Gráficos

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