Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – agosto de 2019 Demanda interna por bens industriais recuou 1,4% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna não exportada acrescida das importações – registrou queda de 1,4% na comparação entre os meses de agosto e julho, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu alta de 2,9% no período anterior, o trimestre móvel terminado em agosto encerrou com crescimento de 2,7% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna não exportada (bens nacionais) retrocedeu 0,3% na margem em agosto, as importações de bens industriais registraram queda de 4,6%, conforme mostra a tabela 1.

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Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais caiu 2% contra agosto do ano passado. O resultado superou o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 2,2%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o trimestre móvel mostrou recuo de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou variação negativa (-1,7%), mesmo resultado exibido pela produção industrial, como visto no gráfico 1.

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Boletim de expectativas

Estêvão Kopschitz X. Bastos

A cada instante, os agentes econômicos têm expectativas sobre a evolução das diversas variáveis-chave da economia, e essas projeções vão mudando à medida que novos dados são divulgados e diferem do esperado, e que circunstâncias políticas, econômicas e internacionais se alteram. Este boletim apresenta as expectativas para diversas variáveis, coletadas de diferentes fontes. O quadro geral que emerge é de juros mais baixos de forma duradoura; inflação respeitando a meta até 2022; taxa de câmbio estável nos próximos quatro anos; crescimento do produto interno bruto (PIB) convergindo para 2,5% a partir de 2021; resultado primário das contas públicas equilibrado em 2022 e positivo em 2023; e dívida pública tendendo à estabilidade até 2022, em torno de 81% do PIB.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – agosto de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,38% no mês de agosto, ou seja, 0,03 ponto percentual (p.p.) abaixo do observado em julho. Em relação aos anos anteriores, o ICTI apontou a segunda menor taxa para um mês de agosto desde o início da série histórica em 2013.

Nos últimos doze meses, o ICTI registra variação acumulada de 5,26%, mantendo-se em patamar superior ao observado tanto nos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) – quanto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 4,91 p.p. respondeu por 93% da variação total apontada pelo indicador.

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Indicador Ipea de FBCF – Agosto de 2019 Investimentos apresentam acomodação em agosto, com queda de 0,7% na margem

Por Leonardo Melo de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta recuo de 0,7% na comparação entre os meses de agosto e julho de 2019, na série com ajuste sazonal, deixando um carregamento estatístico de 1,1% para o terceiro trimestre de 2019. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em agosto registrou alta de 2,1%, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a FBCF atingiu patamar 0,5% superior ao verificado em agosto de 2018. No acumulado em doze meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 3% para 2,5%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica descontadas as exportações e acrescidas as importações – apresentou retração de 1,3% em agosto. Com esse resultado, o trimestre móvel desacelerou de 5,2% em julho para 2,7% em agosto. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos recuou 2,9%, a importação cresceu 8,1% no mesmo período. No acumulado em doze meses, o resultado aponta expansão de 4,1% para o segmento.

O indicador de construção civil, por sua vez, recuou 1,1% em agosto, resultado que sucedeu alta de 2,4% no período anterior, na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel avançou 1,2% ante o período imediatamente anterior. No acumulado em doze meses, o setor segue com fraco desempenho, registrando queda de 0,7%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,7% na passagem de julho para agosto, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 0,3%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho mensal foi heterogêneo. Enquanto a construção civil registrou variação positiva de 1,1%, o segmento máquinas e equipamentos registrou queda de 1,7% em agosto. Parte desse resultado foi novamente explicado pela retração das importações no período, que, devido à alta base de comparação – importações de plataformas de petróleo ocorridas em agosto de 2018 –, recuou 14,8% em termos anuais. O componente outros, por seu turno, atingiu patamar 5% superior ao observado em agosto de 2018.

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A Política Fiscal e o Teto dos Gastos Públicos

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo M. Levy, Felipe dos Santos Martins, Adriana C. Baca e Francisco Eduardo de L. A. Santos

A estratégia de política fiscal em curso caracteriza-se por um ajuste gradual do desequilíbrio estrutural das contas públicas – somente em meados dos anos 2020 é que se voltará a ter superavit primários. O cumprimento do teto de gastos é a âncora que vem permitindo corrigir aos poucos os desequilíbrios nas contas públicas e manter a credibilidade da política fiscal apesar de a dívida pública continuar em elevação. Propostas sugerindo a flexibilização do teto, ainda que partindo da constatação correta de que, segundo as regras atuais, seu cumprimento poderá se tornar inviável devido ao aumento das despesas obrigatórias e à redução do espaço fiscal para despesas primárias discricionárias, ignoram os efeitos negativos que a medida poderia ter sobre as expectativas e sobre a própria trajetória de redução dos juros que se desenha para os próximos meses. Além disso, novas reformas econômicas podem atenuar o crescimento das despesas obrigatórias e, por conseguinte, ampliar o espaço para as despesas discricionárias. Nesta nota, algumas dessas possíveis medidas são mencionadas.

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Indicador Ipea de Hiato do Produto – 2º Trim./2019 Grau de ociosidade da economia brasileira está em 3,0%

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior

O Indicador Ipea de Hiato do Produto, calculado com base na metodologia da função de produção descrita em Nota Técnica da Carta de Conjuntura nº 36, estima que o PIB está 3,0% abaixo de seu potencial.

Grafico Hiato

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Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Esta seção faz uma síntese da conjuntura econômica brasileira e apresenta previsões macroeconômicas para 2019 e 2020.

Em relação às previsões, os dados mais recentes de atividade, divulgados entre junho e setembro de 2019, apontam para uma variação dessazonalizada de 0,2% no terceiro trimestre, menor do que a variação de 0,4% observada no trimestre anterior. Com relação à revisão das previsões anuais, a taxa de crescimento do PIB esperada para 2019 foi mantida em 0,8%, mesma previsão na Carta de Conjuntura nº 43. Espera-se, por um lado, efeitos positivos advindos principalmente da política de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, em menor grau, do ciclo de redução dos juros. Por outro lado, os efeitos negativos do cenário externo mais desafiador reforçam as evidências de uma recuperação em ritmo ainda lento. Para 2020, a previsão é de aceleração do crescimento, para 2,1%. Projetamos um ritmo mais acelerado de redução de taxa de juros, de forma que a taxa de juros real ex-post deve ficar estável em cerca de 1% ao ano (a.a.) no ano que vem. Tal interpretação está em linha com as últimas comunicações do Banco Central do Brasil (BCB), que indicam a continuidade do ciclo de redução de juros.

Essa flexibilização da política monetária é compatível com o significativo grau de ociosidade da economia brasileira. O Indicador Ipea de Hiato do Produto está estimado em 3,0% atualmente e, caso nosso cenário macroeconômico se concretize, ele deve fechar 2020 em 2,0%. Temos, portanto, as duas condições mais fundamentais para a validação do ciclo de redução de taxa de juros: inflação esperada inferior à meta e hiato do produto negativo. Nesse contexto, é importante ressaltar que a redução na meta de inflação nos próximos anos reduz a folga na inflação esperada, o que explicaria uma eventual reversão no atual ciclo de expansão monetária no fim de 2020.

Tabela 2

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Atividade econômica: Indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

A análise dos indicadores de atividade no início do terceiro trimestre sugere um cenário de acomodação, depois da aceleração observada no trimestre anterior. Segundo o Indicador Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), os investimentos cresceram 1% na passagem entre os meses de junho e julho, novamente impulsionados pelo segmento de máquinas e equipamentos e pela construção civil. Já o setor manufatureiro voltou a perder fôlego. Após recuo em julho, a Dimac/Ipea estima um desempenho estável para a indústria de transformação em agosto, com crescimento nulo na margem. As previsões para as vendas no comércio e o volume de serviços, por sua vez, são de quedas de 0,9% e 0,3% ante o mês de julho, respectivamente. Com isso, o produto interno bruto (PIB) mensal, pela metodologia do Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV), registraria queda de 0,6% em agosto na margem.

Grafico 2

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Mercado de Trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro Roberto Albrecht Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho

A melhora do mercado de trabalho proporcionou, no segundo trimestre do ano, especialmente para a população mais jovem, cuja desocupação recuou 0,8 ponto percentual (p.p.), resultado de uma alta de 1,7% da ocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos. Deve-ressaltar, ainda, que os efeitos da melhora da ocupação sobre o recuo da taxa de desemprego só não são mais significativos por conta do crescimento mais elevado da força de trabalho. Por certo, de janeiro a julho de 2019, a população economicamente ativa (PEA) aponta uma variação interanual de 1,8%, bem acima da observada no mesmo período do ano anterior (0,8%). Logo, se a força de trabalho apresentasse, em 2019, uma dinâmica similar à observada em 2018, a taxa de desocupação no último trimestre móvel, encerrado em julho, seria de 10,9%, ou seja, quase 1,0 p.p. abaixo da registrada.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – julho de 2019 Demanda interna por bens industriais avançou 2,6% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna não exportada acrescida das importações – registrou alta de 2,6% na comparação entre os meses de julho e junho, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu um recuo de 0,2% no período anterior, o trimestre móvel terminado em julho encerrou com crescimento de 1,8% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações cresceu 1,1% na margem em julho, as importações de bens industriais registraram alta de 8,9%.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais avançou 1,2% contra julho do ano passado. O resultado superou o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 2,5%), mensurada pela PIM-PF do IBGE. Com isso, o trimestre móvel mostrou crescimento de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou variação negativa (-1,1%), com desempenho próximo ao exibido pela produção industrial (-1,3%).

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_jul-19 Gráfico_Indicador Ipea CA_jul-19

A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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