Inflação

Por Maria Andréia Parente Lameiras

Ao contrário do verificado no primeiro trimestre do ano, os principais índices de preços mostram que, nos últimos meses, a inflação brasileira não apenas reverteu sua trajetória de aceleração, como também vem apresentando sinais de arrefecimento maior do que se esperava. A recente desaceleração da alta dos alimentos e o comportamento mais benevolente dos preços administrados contribuíram para um significativo recuo da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumula apenas 3,2% em doze meses, até julho. Com essa melhora do quadro atual, a projeção do Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea para o IPCA de 2019 passou de 3,9% (projeção feita em junho, na edição anterior da Carta de Conjuntura) para 3,75%.

Dentro desse contexto de alívio inflacionário, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda também aponta um recuo da inflação em doze meses para todas as faixas pesquisadas. No entanto, essa queda vem ocorrendo mais significativamente entre as famílias de maior poder aquisitivo. De fato, embora em desaceleração, os preços dos alimentos e as tarifas de ônibus – dois itens de grande peso na inflação dos mais pobres – ainda apresentam variação relativamente alta no período, com taxas de 4,7% e 6,8%, respectivamente. Todavia, a deflação de 2,8% dos combustíveis, no acumulado em doze meses, vem contribuindo para uma desaceleração inflacionária um pouco maior para as classes de renda mais alta. No acumulado até julho, enquanto a inflação da faixa de renda mais baixa aponta alta de 3,4%, a das camadas mais ricas encontra-se em patamar levemente inferior (3,2%).

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Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

A previsão do Grupo de Conjuntura da Dimac do Ipea para o PIB do setor agropecuário é de crescimento de 0,5% em 2019 e de uma aceleração para 2% em 2020. Por componente, a previsão para 2019 é de alta de 0,2% no valor adicionado da lavoura e de 2,3% no valor adicionado da pecuária. Os segmentos que mais devem contribuir para o resultado positivo no valor adicionado da lavoura são os de produção de milho e algodão, com aumento previsto de 21,4% e 32,5%, respectivamente, no volume produzido no ano. As culturas de soja e café́, por outro lado, devem registrar desempenho negativo em 2019, com quedas previstas de 4,0% e 13,1%, respectivamente. Em relação à pecuária, todos os segmentos devem fechar o ano com crescimento. Para o ano de 2020, as primeiras informações indicam que o setor deve apresentar resultados superiores ao esperado para 2019. Estimativas preliminares da Conab sugerem que as safras de soja, arroz e algodão devem crescer 6,0%, 6,1% e 6,0%, respectivamente. A safra de milho, que vem sendo destaque no ano de 2019, deve se manter estável segundo as mesmas estimativas.

Gráficos Economia agrícola - CC44

Esta seção conta ainda com a análise detalhada feita pelo Cepea da USP dos mercados e preços agropecuários domésticos e com uma subseção de crédito rural, que apresenta o fechamento do ano safra 2018/2019, as condições de crédito e o Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020.



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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Este boletim apresenta as expectativas de mercado para diversas variáveis, cole¬tadas de diferentes fontes. Depois da reunião do Copom de 31 de julho, que reduziu a meta para a Selic, a expectativa captada pelo boletim Focus/BCB passou a ser de a Selic chegar a 5,0% em dezembro deste ano. O movimento de redução de juros nos últimos trinta dias aparece nas curvas nominais e reais, incluindo os vértices mais longos, indicando que os novos níveis de taxas de juros são percebidos como duradouros. Para cinco anos, por exemplo, a taxa nominal é de 6,8% e a real, de 2,8%. Essa redução ocorre em ambiente de taxas projetadas de inflação ancoradas nas metas para os próximos três anos, en¬quanto a taxa de câmbio nominal permanece virtualmente estável no nível atual. O resultado primário do setor público seguiria se recuperando paulatinamente, com impactos positivos na trajetória da dívida pública. O crescimento do PIB converge para 2,5% ao ano a partir de 2021, mas esse resultado depende da aprovação da reforma da Previdência: sem ela, a taxa de crescimento do PIB tenderia a 1% a.a., de acordo com sondagem da SPE/ME. As curvas de juros dos títulos do te¬souro norte-americano têm trazido importantes alertas sobre a probabilidade de uma recessão se iniciar nos Estados Unidos nos próximos doze ou 24 meses.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – junho de 2019 Demanda interna por bens industriais recuou 0,5% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 0,5% na comparação entre os meses de junho e maio, na série com ajuste sazonal. Apesar desse resultado, que interrompeu dois avanços consecutivos, o segundo trimestre de 2019 encerrou com alta de 0,7% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações cresceu 0,2% na margem em junho, as importações de bens industriais registraram queda de 1,6%.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais recuou 6,8% contra junho do ano passado. O resultado foi pior que o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 5,9%), mensurada pela PIM-PF do IBGE. Com isso, o segundo trimestre apresentou queda de 1,6% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou variação negativa, embora num ritmo menos intenso (-0,4%) que o apresentado pela produção industrial (-0,8%).

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_jun-19Gráfico_Indicador Ipea CA_jun-19

A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Entre junho deste ano e junho do ano passado, enquanto o Indicador Ipea de Taxa Efetiva Real de Câmbio (TERC) ponderada pelas exportações e deflacionada pelo Índice de Preços por Atacado (IPA) sofreu valorização de 6% e a deflacionada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 2%, a taxa nominal real/dólar se desvalorizou em 2,3%. Quando se examinam as TERCs ponderadas pelas importações totais, verifica-se uma valorização de 6% quando deflacionadas pelo IPA e de 2% quando deflacionadas pelo INPC.

Tabela 2 - Setor externo Tabela 1 - Setor externo

Esta seção analisa também o desempenho recente da balança comercial; dos índices de preços e de volume do comércio exterior; e do balanço de pagamentos.



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Indicador Ipea de FBCF – junho e segundo trimestre de 2019 Investimentos avançam 0,7% em junho, encerrando o segundo trimestre de 2019 com alta de 2,3%

Por Leonardo Melo de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 0,7% em junho em relação a maio de 2019, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, o indicador de investimentos, também ajustado sazonalmente, encerra o segundo trimestre registrando avanço de 2,3% sobre o trimestre anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a FBCF atingiu patamar 3,2% superior ao verificado em junho de 2018. Já na comparação do segundo trimestre de 2019 com o mesmo período do ano passado, o investimento registrou expansão de 5,3%. Com isso, o resultado acumulado em doze meses ficou em 4,3%.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jun19

 O consumo aparente de máquinas e equipamentos – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou alta de 0,5% em junho em relação ao mês anterior. Enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos caiu 0,8% no mês, a importação subiu 1,2%. Com o resultado de junho, os investimentos em máquinas e equipamentos encerraram o segundo trimestre com crescimento de 5,9% e, no acumulado em doze meses, com uma expansão de 10,5%.

 O segmento de construção civil, por sua vez, avançou 0,8% em junho, resultado que sucedeu a alta de 0,7% no período anterior, na série dessazonalizada. Com isso, o segundo trimestre de 2019 avançou 0,6% ante o período imediatamente anterior. No acumulado em doze meses, o setor segue com fraco desempenho, registrando queda de 1,2%.

 Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 0,3% na passagem de maio para junho, encerrando o segundo trimestre com alta de 2,6%.

 Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o bom desempenho mensal foi generalizado. Enquanto o segmento nacional de máquinas e equipamentos registrou aumento de 3% em junho, a construção civil registrou variação positiva de 2,3%. O componente outros, por sua vez, atingiu um patamar 6,3% superior ao observado em junho de 2018.

Gráfico indicador Ipea FBCF jun19

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Impactos das indústrias extrativas no PIB do segundo trimestre e do ano de 2019

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Leonardo Mello de Carvalho e Felipe Moraes Cornelio

Nesta nota, primeiramente, é feita uma síntese dos principais fatores que afetaram a produção das indústrias extrativas no primeiro semestre deste ano e que devem influenciar a produção do segundo semestre – analisando separadamente os segmentos de petróleo e gás e de mineração com base nos relatórios de produção e vendas das principais empresas brasileiras do setor. Na sequência, é feita uma análise dos impactos dessas questões no produto interno bruto (PIB) do segundo trimestre e do ano de 2019. A previsão é que o PIB das indústrias extrativas recue 18,8% na comparação com o segundo trimestre de 2018, sendo responsável por uma redução de 2,6 ponto percentual (p.p.) na taxa de crescimento do PIB da indústria e de 0,5 p.p. na taxa de crescimento do PIB total no mesmo período. A recuperação da produção dos dois segmentos principais no segundo semestre deve atenuar a perda de valor adicionado no ano e, com isso, o PIB do segmento das indústrias extrativas deve fechar 2019 com queda aproximada de 9,5%. Esse resultado retiraria 1,3 p.p. do PIB da indústria e 0,2 p.p. do PIB total em 2019.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em maio, o Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, registrou variação de 0,44%, recuando 0,09 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado em abril.  Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a taxa em maio de 2019 ficou 0,02 p.p. acima da apontada em 2018.

Com a incorporação desse resultado, no acumulado em doze meses, o ICTI acelerou levemente, passando de 4,74% em abril para 4,76% em maio. Nota-se que, mesmo diante desse pequeno incremento, nos últimos doze meses, a variação acumulada do ICTI mantem-se abaixo dos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP). Entretanto, na comparação com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), nota-se uma alta um pouco mais acentuada do ICTI (tabela 1).

tabela_1_ICTI_mai_19

Ao analisar de forma desagregada os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, nos últimos doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 3,79 p.p. respondeu por 80% da variação total apontada pelo indicador. Nota-se que, no caso da energia elétrica, embora este grupo tenha apresentado a maior variação entre todos os segmentos, o seu peso reduzido na composição do ICTI contribuiu com apenas 0,07 p.p.

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Análise preliminar do acordo Mercosul-União Europeia

Por Marcelo José Braga Nonnenberg e Fernando José Ribeiro

No dia 28 de junho de 2019 foi anunciada a conclusão da negociação do acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), após um longo processo iniciado há vinte anos. Trata-se muito mais que simplesmente um acordo de livre comércio. Engloba diversos temas econômicos, além dos pilares político e de cooperação. Portanto, além do aumento do comércio de bens entre as duas regiões, pode-se esperar crescimento dos investimentos externos − atraídos pela maior estabilidade de regras, convergência regulatória, mecanismos de solução de controvérsias e transparência –, do comércio de serviços e maior integração e convergência nos campos econômico, político, regulatório, de meio ambiente, de tecnologia etc.

Até que os termos do acordo sejam divulgados, não será possível fazer uma avaliação mais profunda sobre seu impacto global. No entanto, o presente trabalho apresenta as informações disponíveis até o momento referentes às alterações tarifárias negociadas bem como às quotas (com e sem tarifas) concedidas para diversos produtos do agronegócio e uma avaliação dos possíveis impactos por categoria de produto a partir do fluxo atual de comércio.

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Economia mundial

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial continuou a exibir, no segundo trimestre do ano, sinais de desaceleração da atividade econômica, embora a intensidade do processo ainda não esteja clara. Além da perspectiva incerta em relação ao Brexit e das tensões geopolíticas envolvendo sanções ao Irã, houve no período um agravamento do conflito comercial entre Estados Unidos e China. As tensões comerciais parecem estar impactando a atividade econômica global tanto direta quanto indiretamente. O comércio internacional nos quatro primeiros meses de 2019 cresceu apenas 0,4%, em volume, em relação a igual período de 2018, o que representa forte desaceleração em relação ao crescimento de 4,1% de meados do ano passado. Indiretamente, a guerra comercial, na medida em que aumenta incertezas num mundo com cadeias de produção cada vez mais integradas, vem afetando o investimento.

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