Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 39

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio vem se desvalorizando com relação ao dólar desde o início do ano. Esse movimento vem sendo provocado, principalmente, pelo aumento do risco-país, pela redução do diferencial entre as taxas de juros domésticas e dos Estados Unidos, e também com relação aos principais países emergentes. Esses movimentos, por sua vez, refletem, em parte, a piora do cenário externo, com aceleração prevista do crescimento dos Estados Unidos e aumento das expectativas inflacionárias, além do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, em especial no Oriente Médio. Entre março de 2017 e março de 2018, a taxa efetiva real de câmbio ponderada pelas exportações (veja na seção os dados detalhados desse indicador), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sofreu desvalorização de 13,2% e, com base no Índice de Preços por Atacado (IPA), de 15,7%. Mas essa taxa varia entre 0,3% e 47,9%, quando calculada entre os diversos setores da economia.

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Além da análise sobre as taxas de câmbio, esta seção analisa também os resultados acumulados no ano da balança comercial e do balanço de pagamentos.



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Crescimento desacelera no início do ano, mas retomada continua

Síntese da Conjuntura – maio de 2018

Os dados disponíveis de atividade econômica permitem prever que o resultado do PIB do primeiro trimestre deve vir inferior ao que era esperado na última Visão Geral da Conjuntura, divulgada em março de 2018. Esse fato deve ensejar uma revisão da nossa previsão pontual de crescimento para este ano, sem alterar de forma substancial, porém, a expectativa de continuidade do processo de reversão cíclica gradual. Na ausência de novas fontes significativas de volatilidade ou instabilidade no cenário externo ou no front político doméstico, a atividade deverá continuar em sua trajetória de recuperação gradual ao longo do ano.

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Demanda Interna por Bens Industriais Recua 2% em Março

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente (CA) de Bens Industriais – definido como a produção industrial doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – registrou queda de 2% na comparação entre março e fevereiro de 2018, na série com ajuste sazonal. Com isso, o resultado ficou negativo em 0,9% no primeiro trimestre do ano. Entre os componentes do consumo aparente, ainda no comparativo entre março e fevereiro, enquanto a produção doméstica líquida de exportações recuou 1,7% na margem, as importações de bens industriais caíram 5,2%.

Indicador Léo consumo aparente

Na comparação interanual, apesar da queda de 0,3% sobre março do ano passado, o primeiro trimestre de 2018 acumulou alta de 3,4%. Tomando por base o resultado acumulado em 12 meses, a demanda por bens industriais segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (3,7%) que o apresentado pela produção doméstica, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE (2,9%).

PNG Graf

Os números de cada segmento industrial e a análise completa do indicador podem ser acessados aqui.

Acesse a planilha completa com os resultados



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Indicador Ipea de FBCF – março e 1º trimestre de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos voltam a crescer em março, fechando o 1o trimestre com alta de 0,3%

O Indicador Ipea de formação bruta de capital fixo (FBCF) aponta alta de 0,8% em março em relação a fevereiro de 2018, na série com ajuste sazonal. Com este resultado, que sucedeu um crescimento de 1,9%, o indicador de investimentos encerra o primeiro trimestre com variação positiva de 0,3% sobre o trimestre anterior, também na série ajustada sazonalmente. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador atingiu patamar 3,4% superior ao verificado em março de 2018. Já na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o investimento registrou uma expansão de 3,3%. Com isso, a queda no resultado acumulado em doze meses ficou em 0,1%.

Tabela - Indicador Ipea FBCF mar18

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção interna líquida das exportações e acrescida das importações – apresentou avanço de 2,2% em março. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital cresceu 1,8%, a importação de bens de capital recuou 4,8% na margem, devolvendo parte do forte crescimento observado no período anterior (12,8%).

O indicador de construção civil, por sua vez, apresentou crescimento mais modesto, avançando 0,2% na série dessazonalizada, resultado este que sucedeu duas quedas consecutivas. Com isso, o setor encerrou o primeiro trimestre de 2018 com retração de 0,6% ante o último trimestre do ano passado. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, também contribuiu positivamente para o desempenho dos investimentos, registrando avanço de 0,6% em março.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados continuam bastante positivos. O destaque voltou a ser o Came, que encerrou o primeiro trimestre com alta de 15,7%, após novo avanço em março. Já a construção civil foi o único componente a registrar queda na comparação interanual, ficando 0,9% abaixo do patamar verificado no primeiro trimestre de 2017.

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação – março de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti, Leonardo S. Vasconcelos e Mariana C.M. Martins

O Indicador Ipea de Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) do mês de março apresentou variação de 0,13% e ficou abaixo do 0,50% registrado no mesmo mês do ano anterior. O acumulado em 2018, que corresponde ao primeiro trimestre, foi de 0,34%. Tanto a variação mensal quanto o acumulado no ano registraram o menor nível para um mês de março desde o início da série histórica, em 2014.

Em 12 meses até março, o ICTI manteve sua trajetória de desaceleração e apresentou o menor resultado acumulado desde abril de 2015 (4,52%). Na comparação do acumulado de 12 meses, o ICTI situa-se acima dos índices gerais de preços; no entanto, observa-se que o indicador apresenta o menor aumento, no acumulado do ano, dentre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

Tabela 1_mar2018

Dentre os oito grupos que compõem o índice, Material de consumo e Depreciação e amortização, que acompanham o IPA-OG – Equipamentos de Informática, apresentaram deflação entre março de 2018 e o mesmo período de 2017, com variações próximas a -3%. Já os demais grupos vieram com altas variando entre 0,20% e 8,81%, conforme pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2_mar2018

O maior impacto no ICTI ocorreu pelo grupo Pessoal, que foi responsável pelo avanço de 4,23 pontos percentuais (p.p.) no índice, seguido de Serviços Profissionais e Outros, com 0,66 p.p. Os impactos negativos vieram de Material de Consumo, com -0,39 p.p. e Depreciação e Amortização, com -0,09 p.p..

Acesse aqui a planilha com a série completa do ICTI



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Finanças Públicas Estaduais

Carta de Conjuntura nº 39

Por Mônica Mora, Claudio Hamilton Matos dos Santos, Marco Aurélio Alves de Mendonça e Felipe dos Santos Martin

Os Estados brasileiros realizaram, em 2017, uma série de medidas e políticas de ajuste para mitigar os efeitos da forte crise financeira a que ainda estão submetidos. Porém, apesar da melhora observada ao longo de 2017, os dados anuais referentes às finanças públicas subnacionais ainda indicam um panorama desfavorável.

As finanças estaduais defrontam-se com dois grandes desafios, a saber: (i) há clara necessidade de se reestabelecer a capacidade de arrecadação; e (ii) é preciso reverter o quadro de aumento persistente dos gastos de pessoal, notadamente os com inativos. Todas essas questões foram focalizadas em diferentes notas técnicas publicadas na Carta de Conjuntura. Esta seção, por sua vez, traça um panorama sobre 2017 e discorre sobre as tendências para 2018 e os próximos anos.

Limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal (ainda assim um instrumento fundamental) e interpretações idiossincráticas da legislação contribuíram para a crise das finanças públicas estaduais, que retratam um desequilíbrio de longo prazo entre receitas e despesas. Pode-se dizer que as finanças públicas enfrentam problemas estruturais que despontam na análise conjuntural.

O esforço dos governos estaduais, em 2017, foi direcionado para aumentar o espaço fiscal através da renegociação da dívida (atenuando o peso dos juros e da amortização nas contas públicas) e do processo de recuperação da capacidade de arrecadação, que foi ajudada pela recuperação da atividade econômica.

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Boletim de expectativas

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim resume o comportamento dos indicadores das expectativas de inflação e meta para a Selic obtidos em três fontes: pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB); cotações de títulos públicos (Anbima); e contratos de DI Futuro e swaps (da BM&FBovespa). Também analisa o comportamento da estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) reais, destacando que a mudança de inclinação pela qual tem passado caracteriza-se como uma “normalização” da curva, que deixou de ser negativamente inclinada no início e horizontal nos trechos mais longos para se tornar positivamente inclinada, que é seu formato mais comum. Essa mudança de inclinação se deu pela maior redução dos vértices mais curtos, em relação aos mais longos, que também caíram em relação a um ano atrás. Consistentemente com essa queda dos vértices mais curtos da ETTJ, a taxa real de juros ex-ante de um ano, obtida do swap DI Pré 360 dias e da expectativa para o IPCA, continua a cair, chegando a 2,2% em 20 de abril.

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O texto apresenta ainda as projeções captadas pela pesquisa Focus para resultado primário do setor público, crescimento do PIB e deficit do balanço de pagamentos.

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Produção industrial deve crescer 1,1% em março de 2018, fechando o primeiro trimestre com alta de 0,4%

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Produção Industrial prevê crescimento de 1,1% para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, referente a março, frente ao mês anterior, na série dessazonalizada. Esse resultado representaria um avanço de 0,4% no primeiro trimestre de 2018, quando comparado aos três últimos meses do ano passado. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção teria ficado 4,4% acima do patamar de março de 2017.

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o bom desempenho exibido na comparação entre março e fevereiro, na série dessazonalizada, foi bastante disseminado. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção total de autoveículos avançou 5,6% na margem, resultado que sucedeu dois recuos seguidos. Por sua vez, a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) indica que a venda de papel e papelão subiu 1,3% na margem. Outro destaque positivo ficou por conta do Indicador de Confiança da Indústria, calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE), com alta de 1,3% sobre o mês de fevereiro. Por outro lado, segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a importação de bens intermediários caiu 3,8%, terceira contração seguida.

Na comparação entre março de 2018 e o mesmo período de 2017, o desempenho positivo foi novamente generalizado. A exceção, novamente, ficou por conta do volume de bens intermediários importados, que registrou queda de 3,8%.  Com isso, a indústria teria encerrado o primeiro trimestre com alta de 4,3% sobre o mesmo período do ano passado.

Tabela-Indicador-Ipea-Produção Industrial-mar-18



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Indicador Ipea Mensal de FBCF – fevereiro de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos apresentam avanço de 1,7% em fevereiro

O Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma alta de 1,7% em fevereiro em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal. Esse resultado compensa parte do recuo registrado no primeiro mês de 2018 (–2,4%). Na comparação dessazonalizada em médias móveis, o trimestre terminado em fevereiro cresceu 1,9% sobre o trimestre terminado em novembro de 2017. Por sua vez, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador voltou a crescer, atingindo patamar 2,9% superior ao verificado em fevereiro de 2017. Dessa forma, o indicador acumula alta de 3,4% no primeiro bimestre do ano.

Na comparação dessazonalizada, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações e acrescida das importações – foi o destaque positivo, apresentando avanço de 6,2% entre os meses de fevereiro e janeiro. Entre os componentes do Came, enquanto a produção doméstica de bens de capital líquida de exportações cresceu 2,9%, a importação de bens de capital registrou forte alta na margem, com expansão de 12,3%.

O indicador de construção civil se manteve praticamente estável em fevereiro, registrando crescimento de 0,1% na série dessazonalizada, resultado este que sucedeu queda de 2,3% no período anterior. Na média móvel trimestral, o setor registrou alta de 1,2%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como “outros ativos fixos”, também contribuiu positivamente para o desempenho dos investimentos, registrando avanço de 0,2% em fevereiro.

Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, o resultado foi heterogêneo entre os componentes do FBCF. Enquanto o Came registrou alta de 17,3%, a construção civil e o componente outros recuaram 1,9% e 0,5%, respectivamente.

Indicador FBCF fev-18

Acesse aqui a planilha com o Índice Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (índice 1995=100)



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Inflação por Faixa de Renda – Março/18

Por Maria Andréia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, apresentou, em março, pelo quinto mês consecutivo, uma taxa de inflação menor para as famílias das faixas mais baixas de renda. De fato, segundo os dados da tabela 1, em março, a taxa de variação de preços de bens e serviços observada na classe de maior poder aquisitivo (0,11%) foi quase o triplo da registrada pelas famílias de renda mais baixa (0,04%). Com esse resultado, no acumulado do primeiro trimestre de 2018, a inflação da camada mais pobre da população aponta alta de apenas 0,35%, situando-se bem abaixo da calculada para as famílias de renda mais alta (1,13%). De modo similar, nos últimos 12 meses, a inflação da classe mais baixa (1,8%) é praticamente metade da apresentada pela classe mais alta (3,5%).

Na comparação com março de 2017, nota-se que, ao contrário do ano anterior, quando a inflação foi menor quanto maior fosse a faixa de renda, em 2018 a trajetória é oposta. Essa mudança de composição é explicada pelo comportamento dos alimentos no domicílio, cuja retração de 0,18% em março 2018 agiu como fonte de alívio inflacionário, ao passo que a alta de 0,31% no ano passado desse mesmo grupo de produtos pressionou mais fortemente a inflação dos mais pobres. Adicionalmente, o reajuste de 4,43% da energia elétrica observado em março de 2017 também impactou de modo mais significativo a inflação das famílias de renda mais baixa.

Leia a análise completa dos resultados

Acesse aqui a planilha com as taxas mensais de Inflação por faixa de renda



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