Atividade Econômica

Carta de Conjuntura nº 34

Por Leonardo Mello de Carvalho

A economia brasileira apresenta sinais de que a retomada esteja se iniciando. Embora os efeitos negativos associados à longa e intensa recessão brasileira ainda se façam presentes em vários setores da economia – refletidos na queda de 3,6% do PIB em 2016 –, vários indicadores referentes aos primeiros meses de 2017 confirmam a percepção de que a atividade econômica tem apresentado alguma melhora. Após a produção industrial permanecer praticamente estável em janeiro (de acordo com o último dado divulgado pelo IBGE), o Indicador Ipea de Produção Industrial prevê avanço de 0,3% ante o período anterior, o que deixaria um carry-over de 1,8% para o primeiro trimestre de 2017 – ou seja, caso a produção tenha crescimento nulo em março, o trimestre fecharia com aumento de 1,8%. A melhora dos indicadores que medem os níveis de confiança também reforça o quadro de início de retomada da economia. Apesar disso, dada a elevada capacidade ociosa na indústria, os investimentos seguem uma trajetória ainda marcada por instabilidade. O Indicador Ipea de FBCF, após registrar alta de 2,3% em dezembro, voltou a cair em janeiro, recuando 3,0% na comparação livre de efeitos sazonais.

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Produção industrial avança em fevereiro de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Produção Industrial prevê crescimento de 0,3% para o resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE, referente a fevereiro, frente ao mês anterior, na série dessazonalizada. Caso se confirme, este resultado deixaria um carry-over de 1,8% para o primeiro trimestre de 2017. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção teria ficado 0,9% abaixo do patamar de fevereiro de 2016.

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o desempenho exibido na comparação entre fevereiro e janeiro, na série dessazonalizada, voltou a ser heterogêneo (ver tabela). Por um lado, a produção de automóveis, de acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), registrou alta na margem, avançando 5,9%. Este resultado sucedeu queda de 13,3% no período anterior. Vale destacar que a produção do setor vem sendo afetada positivamente pelo bom desempenho das exportações de veículos. O volume de tráfego de carga em estradas com pedágio também avançou em fevereiro, com alta de 2,0%, segundo a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

Por outro lado, outros indicadores apresentaram desempenho negativo no segundo mês de 2017. Entre os destaques, a produção de aço registrou recuo de 3,5%, segundo o Instituto Aço Brasil. Além disso, a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) indica que a venda de papel e papelão caiu 0,4% ante o mês de janeiro. Na comparação entre fevereiro de 2017 e o mesmo período de 2016, o desempenho positivo foi novamente generalizado. A exceção ficou por conta do volume de tráfego de carga em estradas com pedágio, que registrou queda de 4,9%.

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Economia Mundial

Carta de Conjuntura Nº 34

Por Paulo Mansur Levy

A economia mundial encontra-se em um momento paradoxal: por um lado, os sinais de crescimento da atividade econômica e de aceleração da inflação tornaram-se mais fortes; por outro, a chegada de Donald Trump à presidência nos Estados Unidos da América (EUA), associada ao Brexit e à realização de eleições em países-chave da Área do Euro (AE) ao longo de 2017, colocou novos elementos de incerteza no cenário mundial. No caso de Trump, o risco se refere às políticas econômicas e à postura da nova administração em relação ao comércio internacional e à imigração; no caso dos países europeus, o risco relaciona-se à própria sobrevivência do euro como moeda em caso de vitória de partidos que defendem a saída de seus países da AE.

Em relação às perspectivas de crescimento da economia mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou em janeiro a atualização de suas projeções, mantendo-as nos mesmos níveis das de outubro do ano passado. Isso não acontecia desde 2014. Nesse período, as atualizações em relação às projeções anteriores sempre foram para baixo. Como se pode ver pelo Gráfico 1, a aceleração do crescimento da economia mundial – de 3,1% em 2016 para 3,4% em 2017 e 3,6% em 2018 – refletiria principalmente a recuperação do crescimento em economias emergentes – de 4,1% em 2016 para 4,5% em 2017 e 4,8% em 2018 -, enquanto o movimento de alta nos países avançados seria mais modesto, de 1,6% em 2016 para 1,9% em 2017 e 2,0% em 2018.

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Demanda interna por bens industriais exibe segundo resultado positivo seguido na comparação interanual

Por Leonardo Mello de Carvalho

O indicador de consumo aparente (CA) de bens industriais – definido como produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações[1] – cresceu 2,6% na comparação entre janeiro deste ano com o mesmo mês de 2016, o que representou o segundo resultado positivo seguido, após longa sequência de retrações. Já na comparação entre janeiro e dezembro, na série com ajuste sazonal, o indicador recuou 0,9%, devolvendo uma parte do crescimento verificado no período anterior (ver tabela). Por sua vez, a taxa acumulada em 12 meses desacelerou seu ritmo de queda, passando de -8,5% para -7,0%. Ainda assim, quando comparado à produção doméstica, medida pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), cuja taxa ficou em -5,4%, este resultado continua sugerindo um escoamento líquido para o setor externo. Nessa mesma base de comparação, enquanto o volume importado de bens industriais diminuiu 8,7%, as exportações acumularam alta de 5,4% nos 12 meses terminados em janeiro de 2017.

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Considerando-se o consumo aparente por grandes categorias econômicas, a comparação entre os meses de janeiro e dezembro, na série dessazonalizada, mostrou resultados heterogêneos. O destaque positivo ficou por conta do setor de bens intermediários, que registrou a terceira variação positiva seguida, avançando 1,1% na margem. Categoria econômica com o maior peso na indústria, seu resultado acumulado em 12 meses (-5,9%) acompanha mais de perto aquele verificado na produção doméstica (-5,5%), evidenciando um efeito mais neutro da contribuição externa. Já o setor de bens de capital apresentou contração de 6,6% em janeiro, refletindo o mau desempenho tanto da produção doméstica quanto das importações. Nas comparações contra o mesmo período do ano anterior, as categorias de bens intermediários e de bens de consumo duráveis destacaram-se com altas de 7,1% e 6,2%, respectivamente.

Com relação às classes de produção, a queda de 0,9% verificada em janeiro foi explicada pelo mau desempenho da extrativa mineral, que recuou expressivos 22,4% sobre o período anterior. Por outro lado, a indústria de transformação registrou avanço de 0,3% na mesma base de comparação. Entre as atividades, a expansão foi pouco disseminada, verificando-se crescimento em apenas sete de um total de 22 atividades, o que levou o índice de difusão[2] para 32,0%. Entre as atividades com maior peso, contribuíram positivamente a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com alta de 6,9% na margem, e a metalurgia, que registrou expansão de 3,2%. Por outro lado, a fabricação de veículos contribuiu negativamente para o resultado na margem, recuando 12,1% ante o mês de dezembro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, 13 atividades registraram variação positiva ante janeiro de 2016, com destaque também para a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+9,8%). Em relação ao resultado acumulado em 12 meses, a fabricação de produtos químicos continua sendo o único setor a registrar variação positiva (+0,7%).

[1] http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=25722&Itemid=383

[2] O índice de difusão mede a porcentagem das atividades que compõem a indústria de transformação, que apresentou aumento na comparação com o período anterior, após ajuste sazonal.



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Indicador Ipea de FBCF – janeiro de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos mantêm comportamento instável no início de 2017

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta queda de 3,0% em janeiro de 2017 em relação a dezembro de 2016, na série com ajuste sazonal. Este resultado reverteu o aumento verificado no período anterior, e deixa um carregamento estatístico (carry-over) de -1,9% para o primeiro trimestre de 2017. Ou seja, caso a FBCF apresente crescimento nulo nos meses de fevereiro e março, encerraria o primeiro trimestre do ano registrando contração de 1,9% sobre o período anterior, também na série ajustada sazonalmente. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador registrou queda de 4,9% sobre janeiro de 2016. Com isso, o resultado acumulado em doze meses ficou em -9,0%.

O recuo na comparação entre os meses de dezembro e janeiro foi consequência do mau desempenho do consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – que é uma estimativa dos investimentos em máquinas e equipamentos e corresponde à produção industrial doméstica acrescida das importações e diminuída das exportações. Após a alta de 2,6% no período anterior, este indicador apresentou queda de 6,6%. Por outro lado, o indicador de construção civil avançou 0,6% frente ao mês de dezembro, ainda na comparação com ajuste sazonal. Contra o mesmo mês do ano anterior, ambos componentes apresentaram retração, com quedas de 9,8% e 2,7%, respectivamente.

Entre os componentes do Came, a produção doméstica de bens de capital recuou 6,6% em janeiro, na comparação dessazonalizada. Outro importante fator que ajuda a explicar o mau resultado na comparação mensal, também na série com ajuste sazonal, foi o comportamento do volume de importações de bens de capital. Após a forte alta registrada entre novembro e dezembro (+10,2%), o volume de bens de capital importado sofreu redução em janeiro (-12,4%), afetando negativamente o resultado do Came no mês.

Tabela - Indicador Ipea FBCF jan17

Gráfico indicador Ipea FBCF jan17

Acesse aqui a planilha completa com os dados do Indicador Ipea de FBCF de janeiro de 2017



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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 34

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A alta de 0,33% no IPCA em fevereiro, beneficiada pela deflação de 0,75% dos alimentos no domicílio, reforça ainda mais trajetória de desaceleração da inflação  iniciada no último trimestre de 2016. Esta melhora no ambiente inflacionário vem sendo possibilitada não só pelo forte recuo de preços dos alimentos, como também pelos efeitos da apreciação cambial e do baixo dinamismo da demanda interna. Adicionalmente, a aprovação do teto das despesas do governo e as propostas de reformas importantes enviadas ao Congresso vêm desencadeando um aumento da confiança dos agentes econômicos, que juntamente com a maior credibilidade do Banco Central, está ancorando as expectativas futuras de inflação, mesmo em um ambiente de redução de taxas de juros.

Para o restante do ano, a expectativa é de continuada desaceleração da inflação, especialmente dos preços livres. No caso dos alimentos, as boas projeções de safra e a baixa probabilidade da ocorrência de fenômenos climáticos devem garantir a manutenção deste comportamento mais favorável. Já os serviços se beneficiarão não apenas do baixo dinamismo do mercado de trabalho, como também da alta menor do salário mínimo em 2017 e da própria desaceleração da inflação em curso, reduzindo o componente inercial na composição dos seus reajustes. Por fim, a lenta retomada da economia brasileira, a provável estabilidade do câmbio e a manutenção dos preços das commodities em níveis próximos aos atuais também contribuem para a composição deste ambiente de maior alívio inflacionário.

Dentro deste contexto, com a incorporação dos próximos resultados do IPCA, cujas variações se manterão bem abaixo das registradas no ano anterior, a curva de inflação em 12 meses recuará ainda mais Nos próximos meses. A partir do último trimestre, entretanto, com o fim deste efeito estatístico, o IPCA apresentará uma leve aceleração, sem ultrapassar, entretanto, o centro da meta de inflação. A previsão específica para este ano está sendo elaborada agora pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) e será divulgada em breve.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 34

 Por Marcelo José Nonnenberg

O comércio exterior brasileiro parece estar entrando em um novo ciclo de preços. Nos últimos 12 meses, os preços das exportações começam a dar mostras de forte recuperação. Esse aumento é mais intenso nas commodities, mas é observado também nos demais produtos de exportação. Ao mesmo tempo, os preços das importações se mantêm constantes, causando uma expressiva melhora dos termos de troca. Por outro lado, a taxa de câmbio vem se valorizando, com efeitos opostos sobre as exportações e as importações.

No acumulado do ano até fevereiro, as exportações cresceram 23,6%, principalmente devido ao aumento de 41,7% dos básicos. Esse crescimento, por sua vez, reflete tanto um aumento generalizado dos preços de exportação quanto um aumento das quantidades exportadas de básicos e semimanufaturados. Já as importações cresceram 12% no acumulado do ano, devido basicamente ao aumento de 22,6% dos produtos intermediários, em especial dos produtos agrícolas e alimentícios.

O déficit em transações correntes caiu fortemente entre 2015 e 2016, passando de US$ 59,4 bilhões para US$ 23,5 bilhões. A queda do déficit corrente em 2016 foi devida, principalmente, ao aumento do superávit comercial em US$ 27,4 bilhões, ao mesmo tempo em que o déficit da conta Serviços experimentou uma redução de US$ 6,5 bilhões com relação a 2015. Já o déficit da conta de Renda Primária manteve-se razoavelmente constante, alcançando US$ 41,0 bilhões em 2016. Em janeiro deste ano, esse valor foi um pouco superior ao verificado no mesmo mês do ano passado, atingindo US$ 5,3 bilhões. Em compensação, o ingresso líquido de capitais externos também caiu bastante em 2016, na comparação com o ano anterior. O saldo da Conta Capital e Financeira passou de US$ 55,6 bilhões em 2015 para US$ 16,4 bilhões em 2016, uma queda de US$ 39,2 bilhões. Apesar de essa queda ser maior do que a observada na Conta de Transações Correntes, é preciso lembrar que a Conta Erros e Omissões também cresceu fortemente em 2016.

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Três Medidas de Inflação Esperada

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O Blog da Carta de Conjuntura passará a divulgar, periodicamente, na seção Moeda e Crédito, expectativas de inflação e juros obtidas dos sistemas de expectativas do Banco Central do Brasil (BCB) e de cotações de mercados, como de títulos públicos, swaps e futuros de juros. Este texto descreve as medidas de expectativas de inflação a serem divulgadas. Textos futuros apresentarão as medidas de expectativas de juros e trarão breves comentários sobre os dados recentes.

As expectativas de inflação mais conhecidas do público em geral são as coletadas semanalmente pelo BCB junto ao mercado. Outra maneira de se obterem expectativas de inflação é por meio dos retornos dos títulos públicos indexados à variação dos preços, em comparação com os retornos de títulos prefixados. Uma terceira fonte de expectativa de inflação, também implícita em cotações de mercado, são contratos de swaps na BMFBovespa. A inflação implícita assim calculada – tanto no caso de títulos públicos quanto no de swaps – não corresponde exatamente à expectativa da inflação embutida nos retornos dos ativos, mas a essa expectativa adicionada de um prêmio de risco. Por outro lado, as negociações de mercado com títulos indexados a índices de preços e com swaps poderiam revelar de maneira mais precisa e realística a expectativa quanto à inflação futura, já que as pesquisas de mercado tendem a refletir a análise e a opinião, mas não necessariamente as apostas das instituições.

O gráfico mostra, nos últimos 36 meses, a inflação implícita em negociações com títulos públicos, a implícita nos swaps e a expectativa coletada pelo BCB, sempre para os 12 meses seguintes e todas referentes ao IPCA. Nota-se que as três medidas costumam andar na mesma direção, inclusive na queda que se observou ao longo de 2016 e início de 2017.

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Produção industrial avança em janeiro, na comparação interanual

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Produção Industrial prevê uma alta de 2,1%, em janeiro de 2017, frente ao mesmo mês do ano anterior, no resultado da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) do IBGE. Seria o primeiro resultado positivo em 34 períodos. Já na comparação com dezembro de 2016, na série dessazonalizada, a expectativa é de estabilidade.

Em relação aos indicadores coincidentes da produção industrial, o desempenho exibido na comparação entre janeiro e dezembro, na série dessazonalizada, foi bastante heterogêneo (ver tabela). Por um lado, a produção de automóveis, de acordo com os dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), registrou queda na margem, recuando 14,4%. Este resultado sucedeu dois meses de forte crescimento, quando o setor acumulou ganho de 43%. O volume de tráfego de carga em estradas com pedágio também caiu em janeiro, com recuo de 2,3%, segundo a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).

Por outro lado, outros indicadores apresentaram desempenho positivo no primeiro mês de 2017. Entre os destaques, a produção de aço registrou avanço de 11,5%, segundo o Instituto Aço Brasil. Além disso, na Pesquisa Sondagem da Indústria de Transformação, da FGV, houve melhora tanto no indicador de confiança do empresário (5,1%) quanto no nível de utilização de capacidade (1,7 ponto percentual). Por fim, a Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) indica que a venda de papel e papelão avançou 0,5% ante o mês de dezembro. Na comparação entre janeiro de 2017 e o mesmo período de 2016, o desempenho positivo foi generalizado.

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Acesse aqui a tabela dos Indicadores Coincidentes da Produção Industrial



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Demanda interna por bens industriais melhora no último mês de 2016

Por Leonardo Mello de Carvalho

Embora o cenário de contração da demanda interna ainda persista, o comportamento dos indicadores de consumo aparente (CA) da indústria – definido como produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações[1] – tem apresentado sinais de melhora nos últimos meses. A oferta final de bens industriais (CA) avançou expressivos 4,6% na comparação entre dezembro e novembro de 2016, na série com ajuste sazonal, mais do que compensando a perda acumulada entre julho e novembro do ano passado (-4,1%). Além disso, o crescimento de 5,4% sobre dezembro de 2015 interrompeu uma longa sequência de 32 resultados negativos. Já no acumulado do ano, o consumo aparente da indústria geral encerrou 2016 com retração de 8,5% (ver tabela). Na mesma base de comparação, a produção doméstica, medida pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), acumulou queda de 6,6%, evidenciando que o comércio exterior de produtos industriais – seja sob a forma de maiores exportações ou de substituição de importações – contribuiu para amortecer o efeito da demanda deprimida sobre a produção. Enquanto o volume importado de bens industriais diminuiu 12,4% em 2016, as exportações acumularam alta de 4,5%.

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Considerando-se o consumo aparente por grandes categorias econômicas, com exceção do setor de bens de consumo duráveis, que recuou 1,0%, todos os demais avançaram entre os meses de novembro e dezembro, na série dessazonalizada. O destaque positivo ficou por conta do setor de bens de investimentos, revertendo a forte queda registrada no período anterior, em grande medida provocada pela contribuição negativa proveniente da exportação de uma plataforma de petróleo em novembro. Nas comparações contra o mesmo período do ano anterior, os resultados em termos do comportamento das categorias de uso foram similares aos da comparação mensal dessazonalizada. Enquanto as categorias bens de capital e bens intermediários foram os destaques, com altas de 20,2% e 4,0%, respectivamente, os bens de consumo duráveis exibiram variação negativa contra dezembro de 2015 (-4,6%). No acumulado em 12 meses, porém, as quedas voltaram a ser generalizadas.

Com relação às classes de produção, o consumo aparente da indústria de transformação avançou 2,2% em dezembro ante o mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. A expansão foi relativamente disseminada, verificando-se crescimento em 13 de um total de 22 atividades, o que levou o índice de difusão[2] para 59,0%. Entre as atividades com maior peso, contribuíram positivamente a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, com alta de 5,4% na margem, e a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que registrou expansão de 7,5%. No entanto, a fabricação de produtos alimentícios contribuiu negativamente para o resultado na margem, recuando 5,7% ante o mês de novembro. Em relação ao resultado acumulado no ano, a queda foi generalizada. A exceção ficou por conta da fabricação de produtos químicos, único setor a registrar variação positiva nessa base de comparação (+0,8%)[3].

[1] http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=25722&Itemid=383

[2] O índice de difusão mede a porcentagem das atividades que compõem a indústria de transformação, que apresentou aumento na comparação com o período anterior, após ajuste sazonal.

[3] A partir desta publicação, o Ipea passará a disponibilizar as séries históricas mensais referentes ao Consumo Aparente de bens industriais desagregados por setor CNAE 2.0.

Acesse aqui a planilha da série histórica dos indicadores de consumo aparente da indústria

Acesse a planilha dos indicadores de consumo aparente da indústria relativos a dezembro



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