Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Desde o início de setembro, o risco país, medido pela taxa de Credit Default Swaps (CDS), caiu significativamente, contribuindo de forma decisiva para a valorização da taxa de câmbio real/dólar. Nos próximos meses, é possível que haja reduções adicionais desse indicador, com o cenário interno ficando mais claro. Em contrapartida, a esperada elevação das taxas de juros externas encurta a distância com relação às taxas domésticas. As variações do Indicador Ipea de Taxa Efetiva Real de Câmbio (TERC) para as exportações se alteram substancialmente de acordo com o indexador utilizado. No caso das exportações totais baseadas no Índice de Preços por Atacado (IPA), a desvalorização entre setembro de 2017 e setembro de 2018 foi de 15,4%, enquanto o cálculo baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) indica variação de 25,8%. A desvalorização para as importações totais baseada no IPA é de 15,7%, ao passo que a baseada no INPC é de 25,8%. No caso específico da TERC das importações dos bens de consumo não duráveis, a desvalorização foi de 27,7%, enquanto, no mesmo período, a TERC das importações de combustíveis e lubrificantes valorizou-se 4,1%.

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Indicador Ipea de FBCF – setembro e 3º trimestre de 2018 Novo regime aduaneiro especial gera crescimento elevado dos investimentos no terceiro trimestre de 2018

Por Leonardo Mello de Carvalho e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

A introdução do novo regime aduaneiro especial de utilização econômica destinado a bens a serem utilizados nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás natural (Repetro-Sped) exerceu impactos significativos, tanto no cálculo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) quanto na contabilidade da balança comercial brasileira (como mostra a Nota Técnica desta Carta de Conjuntura).

Essas mudanças, em grande parte responsáveis pelas elevadas importações de plataformas de petróleo ocorridas em alguns meses deste ano, causaram um aumento significativamente acima do esperado para o Indicador Ipea de FBCF, especialmente no terceiro trimestre. Após um forte crescimento dessazonalizado em julho, com alta de 13,5% sobre o período anterior, os investimentos teriam registrado duas quedas consecutivas em agosto e setembro, caindo 4,2% e 6,1%, respectivamente. Com isso, os investimentos teriam crescido 9,6% na comparação entre o terceiro e o segundo trimestres, ainda na série com ajuste sazonal. Vale mencionar que parte desse forte crescimento se deve aos efeitos da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio, que ajudou a reduzir a média do segundo trimestre.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados também são expressivos. Após quatro variações mensais positivas seguidas, o indicador apontaria crescimento interanual de 13,1% no terceiro trimestre. Por fim, o crescimento no resultado acumulado em doze meses ficaria em 6,1%. Esse resultado representa um incremento de 2,3 pontos percentuais à taxa de crescimento da FBCF, excluídas as importações e exportações de plataformas de petróleo.

FBCF set-18

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Efeitos do Repetro-Sped sobre o Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo

Por José Ronaldo de Castro S. Júnior e Leonardo Mello de Carvalho

A introdução do novo regime aduaneiro especial de utilização econômica destinado a bens a serem utilizados nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e de gás natural (Repetro-Sped) exerceu impactos significativos, tanto no cálculo da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) quanto na contabilidade da balança comercial brasileira. Esta nota resume as principais modificações ocorridas em relação ao novo regime, buscando detalhar em que medida afetam o Indicador Ipea Mensal de FBCF.

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Política fiscal

Por Paulo Mansur Levy e Felipe dos Santos Martins

A política fiscal manteve, ao longo do terceiro trimestre, a postura austera que vem se caracterizando desde 2017. Austeridade, no contexto de fortes pressões para expansão dos gastos, significa continuidade de deficit ainda altos, porém em trajetória ligeiramente declinante. O deficit primário, pela ótica “abaixo da linha”, para o setor público consolidado no acumulado no ano até setembro foi de 1,2% do PIB, meio ponto percentual (p.p.) inferior ao registrado em igual período do ano passado (1,7% do PIB). No acumulado em doze meses, o defict primário de setembro (1,3% do PIB) também apresenta forte queda na comparação com o mesmo mês do ano passado (2,4% do PIB), bem como em relação ao ano de 2017 como um todo (1,7% do PIB).

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Crédito

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Os dados mais recentes confirmaram as tendências que já vinham sendo verificadas e que podem ser resumidas como melhoria gradual das condições de crédito na economia, porém com significativas discrepâncias entre o crédito concedido com recursos livres ou direcionados para pessoas físicas ou jurídicas e por bancos públicos ou privados, com a dinâmica mais forte ocorrendo nos livres, para pessoa física e no crédito oriundo das instituições privadas. A inadimplência com recursos livres atingiu níveis historicamente baixos, tanto para pessoas físicas quanto para jurídicas. O comprometimento do orçamento doméstico com juros e amortizações tem ficado relativamente estável nos últimos meses, enquanto o endividamento com crédito não habitacional cresce moderadamente e o habitacional se mantém aproximadamente estável, no mesmo nível dos últimos três anos. Os juros e os spreads médios estabilizaram-se em setembro, depois de um período de queda de cerca de dezoito meses. Uma seção extra, ao final do texto, destaca os indicadores de crédito no setor de veículos.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação – setembro de 2018

Por Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Leonardo S. Vasconcelos

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, mostrou variação de 0,24% no mês de setembro e ficou 0,07 ponto percentual (p.p.) acima da taxa de 0,17% registrada em agosto. Esse foi o menor nível para um mês de setembro desde o início da série histórica em 2013.

Na ótica dos últimos doze meses, o ICTI apresentou um acumulado de 3,84%. Na comparação do acumulado de doze meses, ele se situa abaixo dos índices gerais de preços, a saber: Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP). Enquanto isso, no acumulado do ano, o indicador exibe o menor aumento entre os índices analisados, como mostra a tabela 1.

tabela 1_ setembro de 2018

Entre os oito grupos de serviços que compõem o ICTI, energia elétrica continuou apresentando a maior variação no acumulado de doze meses até setembro de 2018, com incremento de 20,38%; contudo, devido a seu pequeno peso no índice, esse grupo contribuiu com apenas 0,10 p.p. para a variação do ICTI. Os demais grupos vieram com altas variando entre 0,40% e 10,05%, conforme pode ser observado na tabela 2. Os maiores impactos no ICTI ocorreram pelo grupo demais despesas operacionais, que foi responsável por 1,81 p.p. do índice, e por pessoal, que impactou em 1,08 p.p.

tabela 2 - setembro de 2018

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Demanda interna por bens industriais recua 0,6% em agosto

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 0,6% na comparação entre agosto e julho de 2018, na série com ajuste sazonal. Apesar desse resultado, que sucedeu recuo de 0,5% no período anterior, o trimestre encerrado em agosto teve alta de 4,6% na margem.
Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações caiu 0,8% na margem, as importações de bens industriais cresceram 1,1%, conforme mostra a tabela 1.

181018_tabela01_consumo_aparente_agosto_2018

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 3,7%, terceiro avanço seguido após a queda de 3,5% ocorrida em maio. O resultado de agosto voltou a superar a alta da produção industrial (2%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (5,5%) que o apresentado pela produção industrial (3,1%), como visto no gráfico 1.

181018_gradfico01_demanda_bens_industriais_agosto_2018

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Inflação por faixa de renda – Setembro/2018

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Em setembro, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela uma forte aceleração em todos os segmentos pesquisados, tanto na margem quanto no acumulado em doze meses (tabela 1). Na desagregação por renda, nota-se que, embora a forte alta do grupo transportes – em especial, combustíveis (4,2%) e passagens aéreas (16,8%) – tenha pressionado a inflação de todas as faixas, este impacto foi bem mais intenso no segmento composto pelas famílias de maior poder aquisitivo, dado o peso destes itens na cesta de consumo desta classe (tabela 2). Ainda em termos relativos, observa-se que o grupo despesas pessoais, influenciado pelas altas dos serviços pessoais (0,42%) e de recreação (0,30%), gerou maior contribuição para a inflação das classes mais ricas.

No entanto, a alta dos grupos alimentos e bebidas e habitação gerou incrementos maiores para a inflação das famílias mais pobres em comparação com as mais abastadas. De fato, por serem itens de maior peso no dispêndio das classes mais baixas, os reajustes do aluguel (0,24%), da energia elétrica (0,46%), dos cereais (1,7%) e dos panificados (0,9%) influenciaram mais fortemente a inflação dos segmentos de menor renda.

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Economia Mundial

Por Paulo Mansur Levy

A guerra comercial entre Estados Unidos e China alcançou um novo patamar em setembro, quando o presidente Donald Trump anunciou a imposição de tarifas sobre US$ 200 bilhões de produtos importados da China. Com essa nova escalada, já é possível esperar efeitos negativos bastante significativos sobre o comércio mundial. Em primeiro lugar, porque boa parte dos produtos exportados pela China para os Estados Unidos contém parcela bastante elevada de insumos produzidos em diversos outros países, que também serão afetados indiretamente. Segundo, porque essas tarifas provocarão uma elevação dos preços dos produtos afetados no mercado doméstico norte-americano, com redução do consumo.

Os índices amplos de preços de commodities do Banco Mundial, até agosto, mostram um movimento recente de queda nos preços de produtos agrícolas e minérios e metais. A queda nas commodities ligadas à energia, no entanto, não capta o movimento de alta do preço do petróleo ocorrido em setembro, e que o levou a mais de US$ 80/barril. Os dados recentes de atividade econômica seguem mostrando uma economia aquecida nos Estados Unidos, recuperação do crescimento no Japão e desaceleração na Área do Euro (AE). Na China, os sinais recentes também apontam para uma certa desaceleração, principalmente dos investimentos, movimento que pode estar relacionado ao esforço da política econômica no sentido de reduzir o excesso de endividamento acumulado nos últimos dez anos.

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Indicador Ipea Mensal de FBCF – agosto de 2018 Investimentos cresceram 0,3% no mês de agosto

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta aumento de 0,3% em agosto em relação a julho de 2018, na série com ajuste sazonal. Este resultado sucedeu queda de 0,3% verificada no mês anterior. Com isso, na comparação entre o trimestre terminado em agosto e o terminado em maio, os investimentos avançaram 1,8%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador também registrou variação positiva, atingindo patamar 3,5% superior ao verificado em agosto de 2017. Por fim, o crescimento no resultado acumulado em doze meses chegou a 3,5%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou crescimento de 3% em agosto. Entre os componentes do Came, enquanto a produção interna de bens de capital líquida de exportações permaneceu estável, a importação de bens de capital aumentou 14,9% na margem.

O indicador de construção civil, por sua vez, recuou 2,2%, interrompendo sequência de dois avanços na série dessazonalizada. Apesar disso, o trimestre móvel terminado em agosto cresceu 2,2% ante o período imediatamente anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou queda de 1% na passagem de julho para agosto.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho foi heterogêneo. O ritmo de crescimento do Came permaneceu estável, passando de 12,6% em julho para 12,9% em agosto. Já a construção civil e o componente outros registraram fraco desempenho, com quedas na comparação interanual de 1,2% e 1,1%, respectivamente.

Tabela - Indicador Ipea FBCF ago18 Indicador Ipea mensal de FBCF Out18

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