Todos os posts de Rodrigo Rangel da Costa

Economia mundial

Por Paulo Mansur Levy

O final de 2018 e os meses iniciais de 2019 caracterizaram-se por um aumento de incertezas e uma perda de dinamismo da economia mundial. As principais fontes de incerteza são: i) a desaceleração do comércio internacional, em parte associada a conflitos comerciais, em particular entre Estados Unidos e China; ii) questões políticas, com destaque para a até agora tumultuada perspectiva de saída (Brexit) do Reino Unido da União Europeia (UE); e iii) questões econômicas, associadas às perspectivas de crescimento nos Estados Unidos e ao risco de uma recessão na Europa, especialmente na Alemanha e na Itália. Na China, uma redução do ritmo de crescimento mais acentuada, que a já embutida nas projeções, permanece como um risco relevante para a economia global, não obstante as medidas fiscais e monetárias de estímulo que vêm sendo adotadas.

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Visão Geral de Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Tendo como base um cenário em que a reforma da previdência seja aprovada com impacto relevante sobre a confiança dos empresários e consumidores já no segundo semestre deste ano, projetamos a aceleração do crescimento trimestral ao longo do ano, condição necessária para atingir o crescimento anual esperado de 2,0%. Ainda assim, a inflação deverá se manter abaixo da meta, fechando o ano em 3,85%.

Nesse cenário, a expectativa é que a redução das incertezas permitirá um avanço maior dos investimentos e abrirá espaço para uma queda maior do desemprego no ano que vem, favorecendo uma dinâmica mais positiva do consumo. Tais fatores, aliados a uma agenda de medidas de caráter microeconômico como a oferta de concessões via parceiras público-privadas, melhoras nos marcos regulatórios e medidas de racionalização no mercado de crédito, potencializarão os benefícios via aumentos de produtividade e criarão um ciclo virtuoso que propiciará um cresci-mento maior em 2020, mais próximo de 3,0%.

O cenário alternativo, de continuidade do desequilíbrio estrutural das contas públi-cas em função do crescimento explosivo dos gastos com transferências de renda, poderia levar o país a enfrentar uma nova piora de expectativas e, até mesmo, uma nova recessão. Considerando que o mercado de trabalho ainda se encontra em situação ruim (desemprego elevado e baixa da qualidade do emprego) e que os governos subnacionais apresentam, em muitos casos, quadros críticos de falta de recursos para serviços públicos essenciais, uma nova recessão poderia ter efeitos muito negativos sobre o país. Aliás, a reforma da previdência teria também efeitos diretos importantes sobre as finanças dos estados e municípios. CC42_Visão Geral_Tabela 3

CC42_Visão Geral_Tabela 4

Veja também, nesta seção, uma análise sobre a política fiscal, o teto dos gastos e a reforma da previdência.

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Atividade econômica: Indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

De modo generalizado, o nível de atividade desacelerou no final do ano passado. Os primeiros meses de 2019 não indicam que cenário tenha sofrido alterações significativas. Enquanto as informações provenientes da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam recuo de 0,8% em janeiro, na comparação dessazonalizada, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), também do IBGE, calcula um crescimento de 1% das vendas no varejo no mesmo período. Apesar do novo recuo da produção manufatureira, a demanda interna por bens industriais no segmento da transformação avançou 0,5% na margem. Portanto, a demanda interna mostra desempenho melhor que a produção industrial, como ocorrera no ano passado.Por sua vez, segundo o Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF), os investimentos cresceram 1,3% no primeiro mês do ano, impulsionados novamente pela importação de plataformas de petróleo – sem essas operações, teria havido uma queda. Em relação ao mês de fevereiro, com as informações disponíveis até o momento, a Diretoria de Estudos e Pesquisas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea estima que a produção industrial tenha avançado 1,5% na margem, enquanto as vendas no comércio teriam recuado 2% ante o mês de janeiro. Em relação às perspectivas para os próximos meses, o balanço de riscos associado à trajetória da atividade econômica sugere um ritmo de crescimento ainda lento. Embora a melhora em alguns fundamentos continue dando sustentação para uma recuperação da demanda agregada, outros fatores tendem a retardar o ritmo de crescimento da economia. Além disso, a aprovação da reforma da previdência continua sendo condição necessária para a aceleração dos investimentos por meio da redução dos níveis de incerteza, e aumento da confiança.

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Inflação

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Os dados mais recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicam que, mesmo diante de uma leve aceleração – 0,03 ponto percentual (p.p.) – da sua taxa de variação em doze meses, o cenário de inflação para 2019 não só se mantém favorável como também começa a sinalizar que a trajetória dos preços esperada para o ano pode ser ainda mais benigna que a prevista anteriormente. De fato, a alta de 0,32% em janeiro surpreendeu positivamente, ficando um pouco abaixo do esperado, ao repercutir um aumento menos expressivo dos alimentos e a continuidade da queda no preço da gasolina. Dentro deste contexto, as estimativas de um aumento de safra superior a 2,0% e a expectativa de melhora no comportamento do câmbio vêm desencadeando uma queda nas expectativas de mercado para a inflação de 2019, que já se encontram abaixo de 4%. Adicionalmente, verifica-se que, mesmo diante de um ambiente de maior dinamismo do nível de atividade, o mercado de trabalho deve continuar se recuperando lentamente, impedindo uma aceleração mais forte da demanda.

Apesar desse resultado melhor em janeiro, a alta de 4,4% da alimentação no domicílio nos últimos doze meses, medida pelo IPCA, é a principal responsável pela maior aceleração da inflação das classes mais pobres, comparativamente aos segmentos de renda mais alta. Em janeiro de 2019, a taxa de inflação acumulada em doze meses, na faixa de renda mais baixa, registrou variação de 3,8%, avançando 1,1 p.p. em relação ao observado neste mesmo mês de 2018. Em contrapartida, mantendo-se a mesma base de comparação, a inflação das famílias de maior poder aquisitivo apresentou incremento de apenas 0,1 p.p., passando de 3,7% para 3,8%. Além dos alimentos, a forte alta das tarifas de energia elétrica ao longo do ano também pressionou muito mais a inflação das camadas de renda mais baixa. De fato, esta combinação de reajustes de preços de alimentos e energia fez com que, em janeiro, enquanto a inflação dos mais pobres apontasse alta de 0,41%, a dos mais ricos variasse 0,25%.

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Economia Agrícola

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Júnior

O Ipea estima que o produto interno bruto (PIB) agropecuário tenha caído 0,5% em 2018, principalmente devido à lavoura (-3,4%). A pecuária, em contrapartida teve resultado positivo, de 3,2%. Para o ano de 2019, o Ipea projeta crescimento de 0,4% do PIB agropecuário, levando em conta o prognóstico de safra e as pesquisas trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especificamente, o crescimento previsto para o valor adicionado da lavoura é de 0,7%.

Esta seção conta ainda com a análise detalhada dos mercados e preços agropecuários no quarto trimestre de 2018, período no qual a maior parte dos produtos analisados apresentou quedas em relação ao trimestre anterior, sobretudo para os grãos. Porém, importantes mercados pecuários, como boi gordo e carnes suína e frango, tiveram elevação dos preços. Em relação aos preços médios de 2018, soja, milho, trigo, algodão, laranja, batata, leite, boi gordo e frango tiveram aumento frente a 2017. Já os preços médios do arroz, banana, café, carne suína e ovos registraram redução.

No que se refere ao comércio externo do setor, os três principais produtos da pauta de exportação – soja em grãos, celulose e farelo de soja – apresentaram crescimento elevado de 2017 e 2018, tanto em valor como em quantidade, compensando o desempenho negativo de praticamente todos os demais produtos. Apesar de o valor das importações brasileiras de produtos agroindustriais ser bem inferior ao das exportações, o trigo continua sendo o produto importado mais significativo, cujo valor aumentou em 31% em 2018.

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Política fiscal

Por Paulo Mansur Levy, Felipe dos Santos Martins e Adriana Cabrera Baca

O deficit primário de 2018 do setor público consolidado (SPC) foi de 1,7% do produto interno bruto (PIB) – ligeiramente inferior ao de 2017 e, também, à própria meta fixada para o ano passado, de 2,3% do PIB.

Apesar deste desempenho, o deficit ainda continua muito elevado, especialmente quando se considera o valor total, que inclui o pagamento de juros sobre a dívida pública: estes pagamentos atingiram 5,5% do PIB em 2018, levando o deficit nominal a 7,1% do PIB. Com isso, a dívida líquida total do SPC aumentou para 53,8% do PIB em 2018, e a dívida bruta do governo geral alcançou 76,7% do PIB.

O deficit primário do governo central – Tesouro, Previdência Social e Banco Central do Brasil (BCB) – caiu em relação a 2017 e foi também inferior à meta fixada para o ano, mas segue em patamar elevado. Em relação a 2017, cresceram tanto as receitas líquidas de transferências quanto as despesas primárias – com crescimento maior das receitas. Além disso, houve saque de recursos do Fundo Soberano para ajudar a melhorar o resultado primário. Pelo lado das receitas, destaca-se o crescimento das não administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB), em especial royalties sobre petróleo. Pelo lado das despesas, pessoal e encargos e benefícios previdenciários cresceram 1,2% e 1,5%, respectivamente – taxas consideravelmente inferiores às médias anuais que prevaleceram entre 1997 e 2014, de 4,2% e 4,3% ao ano (a.a.), respectivamente.

Fatores como o efeito-base no caso da Previdência Social e o reajuste do salário mínimo inferior ao projetado no orçamento de 2019 permitem esperar um deficit primário inferior à meta do ano, de R$ 139 bilhões para o governo central. Da mesma forma, o cumprimento do teto de gastos deve se beneficiar do desempenho inferior ao teto em 2018, já que abre espaço, diante de eventual necessidade, para um crescimento maior das despesas a ele sujeitas.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – setembro de 2018 Demanda interna por bens industriais recua 2,3%

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 2,3% na comparação entre setembro e agosto de 2018, na série com ajuste sazonal. Apesar desse resultado, que sucedeu recuo de 0,7% no período anterior, o terceiro trimestre teve alta de 2,7% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações caiu 1,3% na margem, as importações de bens industriais encolheram 4,3%.

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_set-18

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais caiu 1,8%, interrompendo sequência de três altas.
O resultado de setembro foi similar ao desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 2%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (5,1%) que o apresentado pela produção industrial (2,7%).

Gráfico_Indicador Ipea CA_set-18

Em relação às grandes categorias econômicas, a queda registrada em setembro, na comparação com ajuste sazonal, foi bastante disseminada – como mostra o relatório completo do indicador.

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



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Ipea Economic Outlook Summary

By José Ronaldo de Castro S. Júnior, Paulo Mansur Levy, Marco Antônio F. de H. Cavalcanti and Christian Vonbun

The performance of the Brazilian economy in the third quarter of 2018 was affected by an increasing instability in the financial markets, combined with a sluggish recovery in economic activity. The forecast of GDP growth accelerated to 1.1% qoqsa, but it must be taken into account that it happened immediately after a severe supply shock due to the truck drivers’ strike, making the basis of comparison a weak one.

The increasing instability is due to several domestic and external motives. On the external front, the economic landscape is becoming less favorable to emerging economies, mainly due to United States’ monetary policy normalization, as well as to devaluation episodes in Argentina and Turkey, increasing the perception of risk in the international markets.

On the domestic front, electoral uncertainties and the deeply unbalanced fiscal stance is spurring heightened risk premia and stark financial conditions. This is negatively affecting consumption and investment decisions by economic agents.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – agosto de 2018 Demanda interna por bens industriais recua 0,6% em agosto

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna líquida das exportações acrescida das importações – registrou queda de 0,6% na comparação entre agosto e julho de 2018, na série com ajuste sazonal. Apesar desse resultado, que sucedeu recuo de 0,5% no período anterior, o trimestre encerrado em agosto teve alta de 4,6% na margem.
Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna líquida de exportações caiu 0,8% na margem, as importações de bens industriais cresceram 1,1%, conforme mostra a tabela 1.

181018_tabela01_consumo_aparente_agosto_2018

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 3,7%, terceiro avanço seguido após a queda de 3,5% ocorrida em maio. O resultado de agosto voltou a superar a alta da produção industrial (2%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda segue registrando ritmo de crescimento mais intenso (5,5%) que o apresentado pela produção industrial (3,1%), como visto no gráfico 1.

181018_gradfico01_demanda_bens_industriais_agosto_2018

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Acesse aqui a planilha completa com a série histórica até agosto de 2018



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Atividade Econômica: Desempenho do PIB

Carta de Conjuntura nº 37

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Produto Interno Bruto (PIB) voltou a apresentar bom desempenho no terceiro trimestre de 2017, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado que confere maior solidez à trajetória de recuperação gradual iniciada pela economia no início desse ano. Na comparação com o período imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, o PIB avançou 0,1%. Essa foi a terceira variação positiva seguida na margem, fato que não ocorria desde 2013. Com esse resultado, o carry-over para 2017 ficou em 1,0%, ou seja, caso permaneça estagnado no último trimestre do ano, o PIB irá registrar alta de 1,0% no ano.

Na comparação interanual, a absorção doméstica registrou alta de 1,2% contra o terceiro trimestre de 2016. Assim como na margem, a variação de estoques contribuiu negativamente, subtraindo 0,1 p.p. à taxa trimestral do PIB. Além do pequeno desacúmulo de estoques, o crescimento do PIB no terceiro trimestre foi explicado pela contribuição de 0,3 p.p. das exportações líquidas. Já no acumulado em quatro trimestres, a absorção doméstica apresentou variação nula.

CC37_Atividade-PIB_gráfico 6

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