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Crédito e juros

Por Estêvão Kopschitz X. Bastos

Nos últimos doze meses, há uma tendência de elevação no spread bancário médio para pessoas físicas (PFs), mas essa tendência e o nível atual do spread são menores do que se vinha avaliando, de acordo com dados revisados pelo Banco Central do Brasil (BCB). O spread médio no Sistema Financeiro Nacional (SFN) caiu de 20,2% para 19,4% em setembro, de acordo com a série revisada. O de PF, de 27,3% para 26,1%. Este texto analisa as mudanças e apresenta gráficos comparativos das séries de spreads e de taxas de captação antes e depois da revisão. O volume de crédito continua crescendo, com destaque para a substituição do crédito direcionado para pessoas jurídicas (PJs) por captações via mercado de capitais. As novas concessões têm mantido elevadas taxas de crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Nos últimos meses, a inadimplência de PFs no segmento livre, embora permaneça baixa em termos da série histórica, tem crescido. Um aspecto da evolução dessa taxa de inadimplência é um aparente ciclo de duração de três a quatro anos, com pico em meses de maio e vales em fevereiro ou março. A atual ascensão pode ser a repetição desse ciclo rumo a um máximo em maio de 2020.  O endividamento das famílias, medido pela dívida como proporção da renda em doze meses, está em 44,6%, continuando o movimento de elevação que se observa desde o primeiro semestre do ano passado. Esse aumento é devido ao endividamento não imobiliário, enquanto o relativo à aquisição de habitação está virtualmente estável desde os últimos meses de 2015. O comprometimento da renda familiar com o pagamento de juros e amortizações das dívidas tem aumentado e, em agosto, situava-se em 20,6%.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – setembro de 2019 Demanda interna por bens industriais avançou 0,5% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou alta de 0,5% na comparação entre os meses de setembro e agosto, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu um recuo de 1,3%, o terceiro trimestre de 2019 encerrou com crescimento de 2,8% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção doméstica não exportada (bens nacionais) caiu 2,1% na margem em setembro, as importações de bens industriais registraram alta de 10,3%, conforme mostra a tabela 1.

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Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 4,3% contra setembro do ano passado. O resultado superou o desempenho apresentado pela produção industrial (alta de 1,1%), mensurado pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o terceiro trimestre apresentou um crescimento de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou uma variação negativa, embora num ritmo menos intenso (-1%) que o apresentado pela produção industrial (-1,3%), como visto no gráfico 1.

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A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – agosto de 2019 Demanda interna por bens industriais recuou 1,4% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a produção industrial interna não exportada acrescida das importações – registrou queda de 1,4% na comparação entre os meses de agosto e julho, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu alta de 2,9% no período anterior, o trimestre móvel terminado em agosto encerrou com crescimento de 2,7% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção interna não exportada (bens nacionais) retrocedeu 0,3% na margem em agosto, as importações de bens industriais registraram queda de 4,6%, conforme mostra a tabela 1.

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Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais caiu 2% contra agosto do ano passado. O resultado superou o desempenho apresentado pela produção industrial (queda de 2,2%), mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o trimestre móvel mostrou recuo de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou variação negativa (-1,7%), mesmo resultado exibido pela produção industrial, como visto no gráfico 1.

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Boletim de expectativas

Estêvão Kopschitz X. Bastos

A cada instante, os agentes econômicos têm expectativas sobre a evolução das diversas variáveis-chave da economia, e essas projeções vão mudando à medida que novos dados são divulgados e diferem do esperado, e que circunstâncias políticas, econômicas e internacionais se alteram. Este boletim apresenta as expectativas para diversas variáveis, coletadas de diferentes fontes. O quadro geral que emerge é de juros mais baixos de forma duradoura; inflação respeitando a meta até 2022; taxa de câmbio estável nos próximos quatro anos; crescimento do produto interno bruto (PIB) convergindo para 2,5% a partir de 2021; resultado primário das contas públicas equilibrado em 2022 e positivo em 2023; e dívida pública tendendo à estabilidade até 2022, em torno de 81% do PIB.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – agosto de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,38% no mês de agosto, ou seja, 0,03 ponto percentual (p.p.) abaixo do observado em julho. Em relação aos anos anteriores, o ICTI apontou a segunda menor taxa para um mês de agosto desde o início da série histórica em 2013.

Nos últimos doze meses, o ICTI registra variação acumulada de 5,26%, mantendo-se em patamar superior ao observado tanto nos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) – quanto no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 4,91 p.p. respondeu por 93% da variação total apontada pelo indicador.

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Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Esta seção faz uma síntese da conjuntura econômica brasileira e apresenta previsões macroeconômicas para 2019 e 2020.

Em relação às previsões, os dados mais recentes de atividade, divulgados entre junho e setembro de 2019, apontam para uma variação dessazonalizada de 0,2% no terceiro trimestre, menor do que a variação de 0,4% observada no trimestre anterior. Com relação à revisão das previsões anuais, a taxa de crescimento do PIB esperada para 2019 foi mantida em 0,8%, mesma previsão na Carta de Conjuntura nº 43. Espera-se, por um lado, efeitos positivos advindos principalmente da política de saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, em menor grau, do ciclo de redução dos juros. Por outro lado, os efeitos negativos do cenário externo mais desafiador reforçam as evidências de uma recuperação em ritmo ainda lento. Para 2020, a previsão é de aceleração do crescimento, para 2,1%. Projetamos um ritmo mais acelerado de redução de taxa de juros, de forma que a taxa de juros real ex-post deve ficar estável em cerca de 1% ao ano (a.a.) no ano que vem. Tal interpretação está em linha com as últimas comunicações do Banco Central do Brasil (BCB), que indicam a continuidade do ciclo de redução de juros.

Essa flexibilização da política monetária é compatível com o significativo grau de ociosidade da economia brasileira. O Indicador Ipea de Hiato do Produto está estimado em 3,0% atualmente e, caso nosso cenário macroeconômico se concretize, ele deve fechar 2020 em 2,0%. Temos, portanto, as duas condições mais fundamentais para a validação do ciclo de redução de taxa de juros: inflação esperada inferior à meta e hiato do produto negativo. Nesse contexto, é importante ressaltar que a redução na meta de inflação nos próximos anos reduz a folga na inflação esperada, o que explicaria uma eventual reversão no atual ciclo de expansão monetária no fim de 2020.

Tabela 2

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Atividade econômica: Indicadores mensais

Por Leonardo Mello de Carvalho

A análise dos indicadores de atividade no início do terceiro trimestre sugere um cenário de acomodação, depois da aceleração observada no trimestre anterior. Segundo o Indicador Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), os investimentos cresceram 1% na passagem entre os meses de junho e julho, novamente impulsionados pelo segmento de máquinas e equipamentos e pela construção civil. Já o setor manufatureiro voltou a perder fôlego. Após recuo em julho, a Dimac/Ipea estima um desempenho estável para a indústria de transformação em agosto, com crescimento nulo na margem. As previsões para as vendas no comércio e o volume de serviços, por sua vez, são de quedas de 0,9% e 0,3% ante o mês de julho, respectivamente. Com isso, o produto interno bruto (PIB) mensal, pela metodologia do Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV), registraria queda de 0,6% em agosto na margem.

Grafico 2

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Mercado de Trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique L. Corseuil, Lauro Roberto Albrecht Ramos e Sandro Sacchet de Carvalho

A melhora do mercado de trabalho proporcionou, no segundo trimestre do ano, especialmente para a população mais jovem, cuja desocupação recuou 0,8 ponto percentual (p.p.), resultado de uma alta de 1,7% da ocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos. Deve-ressaltar, ainda, que os efeitos da melhora da ocupação sobre o recuo da taxa de desemprego só não são mais significativos por conta do crescimento mais elevado da força de trabalho. Por certo, de janeiro a julho de 2019, a população economicamente ativa (PEA) aponta uma variação interanual de 1,8%, bem acima da observada no mesmo período do ano anterior (0,8%). Logo, se a força de trabalho apresentasse, em 2019, uma dinâmica similar à observada em 2018, a taxa de desocupação no último trimestre móvel, encerrado em julho, seria de 10,9%, ou seja, quase 1,0 p.p. abaixo da registrada.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – julho de 2019

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,41% no mês de julho, 0,15 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada em junho. Esse foi o terceiro maior nível para um mês de julho desde o início da série histórica em 2013.

No acumulado em doze meses, o ICTI apresentou alta de 5,03%, ficando abaixo dos índices da Fundação Getulio Vargas (FGV) – Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) – e acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 4,56 p.p. respondeu por 91% da variação total apontada pelo indicador.

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Indicador Ipea de FBCF – julho de 2019 Investimentos iniciam terceiro trimestre de 2019 com avanço de 1% em julho

Por Leonardo Melo de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta alta de 1% em julho em relação a junho de 2019, na série com ajuste sazonal, deixando um carregamento estatístico de 1,8% para o terceiro trimestre de 2019. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em julho registrou alta de 3,1%, também na série dessazonalizada. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a FBCF atingiu patamar 0,4% superior ao verificado em julho de 2018. No acumulado em doze meses, os investimentos desaceleraram, com a taxa de crescimento passando de 4,3% para 3,1%.

Na comparação com ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica líquida das exportações acrescida das importações – apresentou alta de 1,2% em julho. Com esse resultado, o trimestre móvel encerrado em julho registrou crescimento de 6,6%. Em julho, enquanto o componente nacional de máquinas e equipamentos avançou 1,9%, a importação cresceu 5,4% no mesmo período. No acumulado em doze meses, o resultado aponta expansão de 6,7% para o segmento.

O indicador de construção civil, por sua vez, avançou 1,1% em julho, resultado que sucedeu alta de 0,6% no período anterior, na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel avançou 2,5% ante o período imediatamente anterior. No acumulado em doze meses, o setor segue com fraco desempenho, registrando queda de 1,2%. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, apresentou alta de 1% na passagem de junho para julho, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 1,4%.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o desempenho mensal foi heterogêneo. Enquanto a construção civil registrou variação positiva de 2,4%, o segmento máquinas e equipamentos registrou queda de 2,9% em julho. Parte desse resultado é explicado pela forte retração das importações no período que, devido à alta base de comparação – importações de plataformas de petróleo ocorridas em julho de 2018 –, recuou 24,7% em termos anuais. O componente outros, por seu turno, atingiu patamar 3,8% superior ao observado em julho de 2018.

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