Arquivo da tag: Previsões macroeconômicas

Visão Geral da Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Esta seção analisa as seguintes questões: o desempenho recente da economia brasileira; algumas razões para o baixo crescimento; simulações de espaço fiscal com o teto dos gastos públicos (com destaque para os gastos com saúde e educação e para os efeitos da Reforma da Previdência); e projeções macroeconômicas 2019/2020 (com destaque para as estimativas de hiato do produto).

Quando se diz que a demanda está fraca, normalmente pensa-se no consumo em primeiro lugar: esse, de fato, desacelerou-se em relação às taxas de crescimento observadas em meados de 2017, quando a recuperação ganhava corpo, mas o crescimento recente tem se mantido positivo, e pode mesmo acelerar com a perspectiva de redução dos preços de alimentos – cuja alta nos primeiros meses de 2019 pode ter “roubado espaço” dos demais bens e serviços nos orçamentos das famílias, especialmente as de renda mais baixa. Argumenta-se também que o consumo está fraco devido ao elevado desemprego, o que é verdade, mas não ajuda muito a compreender a dinâmica da economia na medida em que a taxa de desemprego, assim como o consumo, são variáveis endógenas. Medidas localizadas, como a liberação parcial dos saldos de contas do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), podem estimular o consumo – e tiveram papel no segundo trimestre de 2017 nesse sentido –, mas o choque que pode tirar a economia do ciclo vicioso em que se encontra deve vir das expectativas, isto é, do aumento da confiança, começando pelo equacionamento do problema fiscal.

Nesse contexto, o aumento da confiança é justamente a base de nossos modelos de previsão, que apontam para uma aceleração do crescimento, em 2020, para 2,5%. Além disso, assumimos que a taxa de juros básica será reduzida a partir do segundo semestre de 2019 e que, em conjunto com a melhora nos índices de confiança, contribuirá para um ambiente econômico que induza mais investimentos e consumo. Segundo os mesmos modelos, o crescimento em 2019 será de 0,8%. Para o segundo trimestre de 2019, estimamos um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior.

190627_cc_43_visao_geral_tabela_3

190627_cc_43_visao_geral_tabela_4

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Paulo Mansur Levy, Francisco Eduardo de L. A. Santos e Leonardo Mello de Carvalho

Tendo como base um cenário em que a reforma da previdência seja aprovada com impacto relevante sobre a confiança dos empresários e consumidores já no segundo semestre deste ano, projetamos a aceleração do crescimento trimestral ao longo do ano, condição necessária para atingir o crescimento anual esperado de 2,0%. Ainda assim, a inflação deverá se manter abaixo da meta, fechando o ano em 3,85%.

Nesse cenário, a expectativa é que a redução das incertezas permitirá um avanço maior dos investimentos e abrirá espaço para uma queda maior do desemprego no ano que vem, favorecendo uma dinâmica mais positiva do consumo. Tais fatores, aliados a uma agenda de medidas de caráter microeconômico como a oferta de concessões via parceiras público-privadas, melhoras nos marcos regulatórios e medidas de racionalização no mercado de crédito, potencializarão os benefícios via aumentos de produtividade e criarão um ciclo virtuoso que propiciará um cresci-mento maior em 2020, mais próximo de 3,0%.

O cenário alternativo, de continuidade do desequilíbrio estrutural das contas públi-cas em função do crescimento explosivo dos gastos com transferências de renda, poderia levar o país a enfrentar uma nova piora de expectativas e, até mesmo, uma nova recessão. Considerando que o mercado de trabalho ainda se encontra em situação ruim (desemprego elevado e baixa da qualidade do emprego) e que os governos subnacionais apresentam, em muitos casos, quadros críticos de falta de recursos para serviços públicos essenciais, uma nova recessão poderia ter efeitos muito negativos sobre o país. Aliás, a reforma da previdência teria também efeitos diretos importantes sobre as finanças dos estados e municípios. CC42_Visão Geral_Tabela 3

CC42_Visão Geral_Tabela 4

Veja também, nesta seção, uma análise sobre a política fiscal, o teto dos gastos e a reforma da previdência.

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

O PIB deve fechar 2018 com crescimento de apenas 1,3%, taxa bem abaixo da esperada pela maioria dos analistas no início do ano. A eclosão da greve dos caminhoneiros no segundo trimestre do ano certamente afetou de forma negativa o ritmo de retomada da atividade econômica, mas este desempenho decepcionante deveu-se primordialmente a outros fatores. Primeiro, ao ambiente de incerteza associado ao desequilíbrio estrutural das contas públicas, cujo equacionamento requer a aprovação, no Congresso Nacional, de reformas constitucionais com relativamente baixo apoio popular. Segundo, à implementação apenas incompleta do amplo conjunto de medidas requeridas para remover as restrições ao investimento e ao aumento da produtividade geral da economia – apesar dos avanços na agenda microeconômica registrados nos anos recentes.

A questão fiscal, em particular, continua sendo o nó que aprisiona a economia brasileira na atual armadilha de baixo crescimento e o principal desafio de política econômica a ser enfrentado nos próximos anos. A estratégia definida pela atual equipe econômica foi de uma redução gradual do deficit primário, tendo por base a Emenda Constitucional (EC) no 95, que limita a taxa de crescimento das despesas, com pequenas exceções, à inflação do ano anterior. Essa estratégia, ao restringir o crescimento real das despesas totais do governo, deve reduzir o deficit primário em 2 pontos percentuais do PIB em quatro anos. Com o crescimento econômico e a esperada recuperação cíclica das receitas, seria possível levar o resultado primário para um nível compatível com a estabilidade da relação dívida-PIB – e, após esse horizonte, com a sua redução. O sucesso dessa estratégia, contudo, depende de forma crucial da aprovação da reforma da Previdência Social – simulações feitas pelo Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea indicam que, na ausência desta, e mantida a regra atual de correção do salário mínimo, o respeito ao teto do gasto faria com que as despesas não obrigatórias caíssem a um valor equivalente a um quarto do observado em 2018, o que significaria, na prática, paralisar o governo.

CC41_Visão Geral_Tabela

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

O desempenho da economia no terceiro trimestre vem se caracterizando pelo aumento da instabilidade no mercado financeiro combinado com a continuidade do lento processo de recuperação da atividade econômica. Na comparação com o segundo trimestre, a evolução do PIB apresenta alguma aceleração (crescimento com ajuste sazonal de 1,1%), mas esta aceleração na margem ocorre após o agudo choque de oferta adverso causado pela greve dos caminhoneiros, devendo-se, assim, em grande medida, à fraca base de comparação. O aumento da instabilidade, por sua vez, vem sendo causado por uma série de fatores domésticos e externos. No front externo, o cenário revela-se menos favorável às economias emergentes, devido ao processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos, ao recrudescimento da guerra comercial promovida pelo governo Trump e aos episódios envolvendo Turquia e Argentina, cujas moedas desvalorizaram fortemente, contribuindo para aumentar a percepção de risco no mercado internacional. No âmbito doméstico, as incertezas associadas ao período eleitoral, em um quadro fiscal ainda marcado por desajuste estrutural significativo, têm provocado o aumento dos prêmios de risco e o aperto das condições financeiras, afetando de forma negativa as decisões de investimento e consumo dos agentes econômicos.

A relativamente baixa taxa de crescimento esperada para este ano (1,6%) e a elevada volatilidade macroeconômica derivam das mesmas fragilidades estruturais da economia: estagnação da produtividade e desequilíbrio fiscal. No curto prazo, o efeito negativo da baixa produtividade sobre as taxas de crescimento tende a ser minimizado pela capacidade ociosa ainda existente na economia – dado o elevado hiato de produto observado (3,7%, de acordo com o Indicador Ipea), é possível projetar uma retomada mais forte da economia no próximo ano sem pressões inflacionárias significativas. O desequilíbrio fiscal, em contrapartida, ao colocar a dívida pública em trajetória de alta não sustentável, tem gerado incertezas que afetam as decisões de investimento e consumo de mais longo prazo e aumentam o risco financeiro percebido pelos investidores. Este é, de longe, o principal fator interno de risco para o cenário traçado nas previsões apresentadas nesta seção, que discute também a trajetória esperada para a dívida pública e o papel do teto dos gastos na estratégia de reversão de sua tendência de alta.

CC40_Visão geral_tabela 1

CC40_Visão geral_tabela 2

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 38

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Seção analisa a conjuntura e apresenta previsões macroeconômicas para 2018 e 2019

O período que abrange o final de 2017 e os meses iniciais de 2018 caracterizou-se pela continuidade da recuperação do nível de atividade econômica, com destaque para o aumento da produção industrial e do consumo e a redução do desemprego. Apesar de alguma perda de ritmo nesse processo, com redução das taxas de crescimento na margem, os dados ainda apontam para um cenário positivo ao longo do ano. O Indicador Ipea de Hiato do Produto, que está em 4,4%, mostra que ainda há elevada capacidade ociosa na economia brasileira. Isso permite que a política monetária estimule o crescimento sem grandes riscos de pressão inflacionária devido a excesso de demanda. Aliás, a principal surpresa do primeiro bimestre de 2018 veio da taxa de inflação, a mais baixa em muitos anos, resultando em que as taxas anuais seguiram em queda – ao contrário do esperado pelo mercado, pelo Banco Central do Brasil (BCB) e pela própria Carta de Conjuntura. A evolução benigna da inflação ratifica as expectativas de que a política monetária permaneça expansionista ao longo de todo o ano, constituindo um dos principais motores da recuperação. Entre as previsões para 2018, a de inflação foi uma das poucas que sofreram alterações mais significativas.

CC38_Visão Geral_tabelas 1 e 2

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão Geral de Conjuntura

Carta de Conjuntura nº 37

Por José Ronaldo de Castro Souza Júnior, Paulo Mansur Levy e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Seção analisa a conjuntura e apresenta previsões macroeconômicas para 2017 e 2018

A continuidade do atual processo de recuperação cíclica da economia brasileira, possivelmente apontando para uma trajetória de convergência gradual rumo a uma situação de crescimento sustentado, depende de modo crucial do equacionamento da questão fiscal. Apesar das dificuldades correntes de aprovação, no Congresso Nacional, de medidas fundamentais de ajuste fiscal estrutural – em particular, da reforma da previdência –, nosso cenário supõe como premissas básicas: (i) que as medidas necessárias serão implementadas, no curto ou no médio prazo; (ii) que a percepção de risco dos agentes privados (em relação à sustentabilidade das contas públicas) se elevará um pouco, porém permanecerá sob controle face à expectativa de ajuste; (iii) que o ambiente externo continuará provendo liquidez suficiente durante o período de transição, enquanto as medidas de ajuste não forem adotadas.

Sob tais premissas espera-se, para o quarto trimestre de 2017, crescimento do PIB de 2,3%, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, e de 0,2% na margem, em termos dessazonalizados. Nos trimestres seguintes, projeta-se a continuidade deste processo de recuperação cíclica, com o PIB atingindo crescimento de 3% em 2018. Pelo lado da oferta, vale destacar a queda esperada do PIB agropecuário (2,5%), em conformidade com a expectativa de safra para 2018 divulgada recentemente pelo IBGE. Apesar dessa queda, o PIB total deve aumentar devido ao crescimento robusto esperado para a indústria (3,7%), bem como à expansão do setor de serviços (2,8%). Pelo lado da demanda, espera-se que o crescimento seja puxado pelos gastos privados de consumo e investimento. O consumo público deve apresentar crescimento nulo, ao passo que as exportações líquidas devem prover contribuição negativa ao crescimento, em decorrência do aumento mais forte esperado para as importações (7,8%) relativamente às exportações (4,3%). A elevada taxa de crescimento das importações é condizente com a expansão da renda doméstica e do investimento ao longo do ano.

As previsões de produto potencial feitas com base no cenário para 2018 mostram que, mesmo com a aceleração do crescimento, o PIB ainda chegaria ao final do período abaixo de seu potencial, o que corrobora o cenário de inflação abaixo da meta no ano que vem.

CC37_Visão Geral_tabelas

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------