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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Desde o início de setembro, o risco país, medido pela taxa de Credit Default Swaps (CDS), caiu significativamente, contribuindo de forma decisiva para a valorização da taxa de câmbio real/dólar. Nos próximos meses, é possível que haja reduções adicionais desse indicador, com o cenário interno ficando mais claro. Em contrapartida, a esperada elevação das taxas de juros externas encurta a distância com relação às taxas domésticas. As variações do Indicador Ipea de Taxa Efetiva Real de Câmbio (TERC) para as exportações se alteram substancialmente de acordo com o indexador utilizado. No caso das exportações totais baseadas no Índice de Preços por Atacado (IPA), a desvalorização entre setembro de 2017 e setembro de 2018 foi de 15,4%, enquanto o cálculo baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) indica variação de 25,8%. A desvalorização para as importações totais baseada no IPA é de 15,7%, ao passo que a baseada no INPC é de 25,8%. No caso específico da TERC das importações dos bens de consumo não duráveis, a desvalorização foi de 27,7%, enquanto, no mesmo período, a TERC das importações de combustíveis e lubrificantes valorizou-se 4,1%.

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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Os indicadores Ipea de taxa efetiva real de câmbio (TERC) seguiram o movimento de desvalorização da taxa de câmbio nominal real/dólar, que se desvalorizou em mais de 20% no ano. As TERCs ponderadas pelas exportações, no período de julho de 2017 a julho de 2018, apresentam uma grande diferença de acordo com as categorias de produtos. Para o total das exportações, utilizando-se os índices de preços ao consumidor, a desvalorização foi de 18,2%, quase a mesma observada para os manufaturados. No entanto, no caso dos básicos, a desvalorização foi de apenas 7,7%, e de 9,4% no caso dos semimanufaturados. No mesmo período, taxas ponderadas pelas importações com base no Índice de Preços por Atacado (IPA) sofreram desvalorização de 10%, ao passo que se usando como deflator o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), essa desvalorização é de 17,5%.

O saldo da balança comercial atingiu US$ 37,8 bilhões no acumulado do ano em agosto, abaixo dos US$ 48,1 bilhões alcançados no mesmo período de 2017. O superavit comercial, medido pelas médias diárias dessazonalizadas, vem caindo sistematicamente desde maio deste ano, na medida em que as importações crescem mais do que as exportações. Boa parte dessa queda (US$ 7,3 bilhões), no entanto, deve-se à nova forma de contabilização de plataformas de petróleo, iniciada neste ano em função de mudanças na legislação tributária.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 39

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio vem se desvalorizando com relação ao dólar desde o início do ano. Esse movimento vem sendo provocado, principalmente, pelo aumento do risco-país, pela redução do diferencial entre as taxas de juros domésticas e dos Estados Unidos, e também com relação aos principais países emergentes. Esses movimentos, por sua vez, refletem, em parte, a piora do cenário externo, com aceleração prevista do crescimento dos Estados Unidos e aumento das expectativas inflacionárias, além do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, em especial no Oriente Médio. Entre março de 2017 e março de 2018, a taxa efetiva real de câmbio ponderada pelas exportações (veja na seção os dados detalhados desse indicador), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sofreu desvalorização de 13,2% e, com base no Índice de Preços por Atacado (IPA), de 15,7%. Mas essa taxa varia entre 0,3% e 47,9%, quando calculada entre os diversos setores da economia.

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Além da análise sobre as taxas de câmbio, esta seção analisa também os resultados acumulados no ano da balança comercial e do balanço de pagamentos.



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Câmbio e Balanço de Pagamentos

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

As taxas de câmbio permanecem relativamente estáveis em razão da queda simultânea do risco país e das taxas de juros. Para os próximos meses, é possível que haja alguma valorização cambial em decorrência da queda dos juros internos e da esperada elevação gradual dos juros dos EUA. O déficit em transações correntes continua a cair, num movimento iniciado há três anos. O déficit caiu de US$ 23,5 bilhões em 2016 para US$ 9,8 bilhões em 2017, uma queda de US$ 13,8 bilhões. Isso significou que o déficit passou de 1,3% do PIB em 2016 para 0,5% em 2017. Essa queda continuou a ocorrer em janeiro deste ano. A previsão do Banco Central do Brasil (BCB), entretanto, é de um déficit maior, de US$ 18,4 bilhões, em 2018, ou 0,9% do PIB, em razão da recuperação esperada da economia brasileira. A principal contribuição para a redução do déficit corrente veio do forte aumento do superávit comercial, que aumentou US$ 19 bilhões em 2017. No primeiro bimestre do ano, o saldo comercial foi de US$ 7,7 bilhões, contra US$ 7,3 bilhões no mesmo período do ano passado. Entretanto, o valor das exportações foi artificialmente elevado em razão de uma exportação ficta de plataforma de petróleo, de cerca de US$ 1,5 bilhão. Assim, deduzindo este valor, o saldo teria sido de US$ 6,1 bilhões, inferior, portanto, ao registrado em igual período do ano passado, em linha com as projeções apresentadas.

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Setor Externo – Balança Comercial

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A partir desta edição da Carta de Conjuntura, a análise do setor externo será desmembrada em duas seções: a primeira com os dados relativos à balança comercial, aí incluídos os dados de preços e quantidades, e a segunda com a análise relativa ao balanço de pagamentos.

O saldo comercial em dezembro de 2017 atingiu um recorde histórico, com superavit de US$ 67 bilhões, resultado de exportações de US$ 217,7 bilhões e importações de US$ 150,7 bilhões no ano. Em janeiro, as exportações alcançaram US$ 17 bilhões e as importações US$ 14,2 bilhões, com um superavit comercial de US$ 2,8 bilhões. Com base em dados da média diária dessazonalizada, tanto as exportações quanto as importações têm crescido a um ritmo acelerado nos últimos meses, sendo que as importações vêm mostrando um ritmo de crescimento superior ao das exportações, à exceção de janeiro. O crescimento das exportações, de 3,1% ao mês, na média dos últimos três meses, tem sido impulsionado pelos bens básicos e manufaturados, ao mesmo tempo em que as maiores taxas de crescimento das importações, de 4,4% na mesma base de comparação, são de bens intermediários e de bens de capital. O crescimento recente das exportações vem sendo provocado principalmente pelos aumentos de preços, ao passo que o das importações vem sendo estimulado basicamente pelas quantidades.

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Taxas Efetivas Reais de Câmbio por Setor Exportador

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg, Beatriz Cordeiro Araujo e Helena Nobre de Oliveira

Esta Nota Técnica apresenta a metodologia de cálculo dos novos indicadores Ipea de Taxa Efetiva Real de Câmbio (TERC), que têm como objetivo permitir a análise desagregada da competitividade das exportações por setor exportador.

As taxas efetivas reais de câmbio construídas nesta Nota Técnica têm o propósito de auxiliar a compreensão da competitividade das exportações brasileiras desagregadas por meio do cálculo da taxa efetiva real de câmbio de exportação por setores econômicos. Partindo do princípio de que o câmbio nominal é o mesmo para todos os setores, o cálculo das taxas efetivas reais permite entender como as diferentes composições da pauta segundo países de destino e os diferentes índices de preço impactam de maneira diferente a competitividade da exportação em cada setor.

Assim, são construídas 29 taxas de câmbio efetivas reais de exportação, desagregadas por setores segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 2.0, o que significa uma ampliação da desagregação original dos indicadores Ipea de TERC calculado por Nonnenberg et al. (2015) – que media apenas as taxas agregadas e para produtos manufaturados. São utilizados, como deflatores domésticos, os Índices de Preços ao Produtor Amplo – IPA-OG-DI, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), para cada setor. Como deflatores externos, são utilizados os Índices de Preços aos Produtores de cada país que participa da cesta de parceiros comerciais do Brasil. As taxas são calculadas a partir de janeiro de 1997 e se estendem até o último mês para os quais se dispõem das informações de taxas de câmbio e dos índices de preço nacionais e internacionais − neste momento, agosto de 2017.

Acesse as séries completas no Ipeadata

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Setor Externo

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Marcelo José Nonnenberg

A manutenção de um cenário externo favorável, a redução do risco país, por um lado, e a queda das taxas de juros, por outro, vêm contribuindo para manter a taxa de câmbio relativamente estável. O superavit comercial continua crescendo, atin­gindo US$ 58,5 bilhões nos primeiros dez meses do ano, 51,8% acima do mesmo período do ano passado, resultado de exportações de US$ 183,5 bilhões e impor­tações de US$ 125,0 bilhões.

 As exportações voltaram a crescer, com elevação de 19,9% no acumulado até outubro. Este crescimento vem sendo impul­sionado basicamente pelos preços mais altos, uma vez que as quantidades vêm permanecendo relativamente estáveis. As importações também têm apresentado desempenho positivo nos últimos três meses, com elevação de 9,1% no acumulado do ano, puxadas principalmente pelos bens intermediários (apesar de uma queda em outubro, em termos dessazonalizados), combustíveis e lubrificantes e bens de capital. Nos meses recentes, nota-se um aumento das quantidades importadas, em que pese uma redução em outubro.

 O deficit em conta corrente como proporção do PIB passou de 1,13% nos primeiros 10 meses de 2016 para 0,18% no mesmo período deste ano. A situação mais favorável do balanço de paga­mentos vem proporcionando um aumento da posição de reservas internacionais, que passaram de US$ 372,8 bilhões em novembro do ano passado para cerca de US$ 381 bilhões no final de novembro deste ano, no conceito de liquidez inter­nacional.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 36

 Por Marcelo José Nonnenberg

Os dados do setor externo da economia brasileira apresentaram uma relativa estabilidade nos meses recentes. A taxa de câmbio e o risco país, medido pelo CDS, já reverteram a alta apresentada em maio. O superavit da balança comercial, no acumulado do ano até julho, atingiu US$ 42,5 bilhões, 50,6% acima do registrado em igual período do ano passado. No entanto, quando se observa a evolução recente, pelo critério de médias diárias dessazonalizadas, é possível verificar que o saldo ficou praticamente igual ao do mês anterior e 23% abaixo do pico atingido em abril último.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 35

 Por Marcelo José Nonnenberg

Os dados positivos do setor externo ajudam a manter a estabilidade da economia brasileira diante de um cenário interno de incertezas. O saldo comercial atingiu níveis elevados que ajudaram a reduzir o deficit em transações correntes para patamares bem confortáveis.

O comércio exterior brasileiro parece dar sinais de arrefecimento nos meses recentes, após um período de recuperação tanto das exportações quanto das importações. Pelo critério das médias diárias dessazonalizadas, as exportações voltaram a cair em maio, ao mesmo tempo que as importações demonstram tendência de queda nos três últimos meses. Porém, no acumulado do ano, ainda se nota bastante vigor nas exportações, com aumento de 19,6%, impulsionadas pelos básicos, sobretudo, e das importações, que cresceram 9,4% principalmente em razão do forte crescimento dos produtos intermediários.

Após um período de mais de um ano se recuperando, os preços de exportação parecem ter se estabilizado. Como os preços de commodities nos mercados internacionais estão em queda desde fevereiro, é bastante provável que ao menos os preços de básicos e semimanufaturados também caiam nos próximos meses. As quantidades exportadas também tiveram um comportamento ruim em abril, fortemente influenciadas pelos produtos básicos. Contudo, boa parte dessa queda é explicada pela redução das exportações de petróleo, ao passo que o volume exportado de produtos agrícolas e pecuários continua em alta. As quantidades importadas de bens intermediários voltaram a cair em abril pelo terceiro mês consecutivo, constituindo a principal causa da queda do quantum importado total. Mas as demais categorias também vêm apresentando um comportamento oscilante nos últimos meses.

O deficit em Transações Correntes reduziu-se consideravelmente nos meses recentes, caindo de US$ 7,2 bilhões nos primeiros quatro meses de 2016 para US$ 3,5 bilhões em igual período deste ano. Esta queda foi provocada exclusivamente pelo aumento do superavit comercial, que passou de US$ 12,4 bilhões para US$ 20,6 bilhões.

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Exportações brasileiras de carnes

Carta de Conjuntura nº 34

 Por Marcelo José Nonnenberg

As recentes denúncias envolvendo a produção de carnes do Brasil podem afetar as exportações brasileiras e alguns grandes importadores já anunciaram medidas preliminares de suspensão das compras. Mas qual o dano potencial sobre as exportações brasileiras? Qual o peso das carnes no total das nossas exportações? Essa nota busca fornecer algumas informações sobre o assunto.

As carnes estão entre os principais produtos exportados pelo Brasil. Tomando em conta os cinco anos terminados em fevereiro de 2017, as carnes estão em terceiro lugar. Os dois principais produtos exportados pelo Brasil são a carne bovina e a carne de frango. A TABELA 1 apresenta as exportações brasileiras nos cinco últimos períodos de 12 meses encerrados em fevereiro. Considerando o período mais recente, as exportações de carnes de frango foram de US$ 6,2 bilhões (3% do total exportado), as de carnes bovinas, de US$ 4,3 bilhões (2%) e as carnes suínas de US$ 1,4 bilhão (1%). No total, as exportações passaram de US$ 14,4 bilhões nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2013 para US$ 13,3 bilhões no período encerrado em fevereiro de 2017, representando 6,9 % das exportações totais do país.

As exportações brasileiras de carnes representam uma parcela importante de nossas exportações totais, e são relativamente concentradas tanto em termos de estados produtores quanto em termos de destinos. E o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais destes produtos. Uma suspensão prolongada das vendas externas brasileiras não teria um impacto macroeconômico muito significativo. Entretanto, do ponto de vista das regiões produtoras, possivelmente constituiria um golpe bastante importante. Ademais, por ser o país um dos maiores exportadores mundiais, em especial de carnes bovinas e de frangos, haveria um efeito considerável sobre os preços desses produtos, afetando os maiores consumidores.

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