Arquivos da categoria: Moeda e Crédito

Desempenho recente do mercado de crédito

Por Francisco E. de Luna A. Santos

Os saldos para PF e recursos livres mostram crescimento próximo de 10% em termos reais nos últimos doze meses, e estagnação dos segmentos de pessoa jurídica (PJ) e da categoria recursos direcionados. Em contrapartida, olhando as novas concessões, observamos queda maior no segmento de PF, em especial as concessões para crédito consignado total e no crédito pessoal total.

A análise dos últimos dados mostra que não houve aumento relevante no comprometimento de renda e nas taxas de juros, ainda que ambos permaneçam em níveis altos, e discreto aumento na inadimplência para pessoas físicas (PFs).

Tais observações não alteram a análise prospectiva do mercado de crédito para 2022, em que esperamos um crescimento limitado no ano com oscilações em alguns períodos. No entanto, medidas regulatórias em curso, relacionadas ao fortalecimento das garantias e à securitização, fornecem suporte importante para o crescimento estrutural e sustentável do mercado de crédito.

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Medidas recentes para redução de imperfeições do mercado de crédito brasileiro: visão geral e considerações sobre impactos potenciais

Por Marco A.F.H. Cavalcanti E Francisco E. de Luna A. Santos

Apesar dos avanços obtidos nas últimas duas décadas, o mercado de crédito no país ainda se caracteriza por imperfeições e fricções que dificultam o acesso de empresas e famílias ao financiamento de atividades de produção, investimento e consumo. Em particular, a oferta desigual de crédito é um importante desafio para a política econômica, decorrente de razões estruturais relacionadas à assimetria de informações e questões regulatórias que inibem o avanço do crédito para certos grupos. Um caso emblemático é a dificuldade de os pequenos empreendedores o obterem, apesar de serem potenciais geradores de renda e emprego.

Nesse contexto, os anos recentes têm visto uma série de medidas governamentais e propostas legislativas que visam justamente superar alguns desses problemas, por meio da atenuação dos impactos causados pela assimetria de informação inerente aos mercados de crédito. Entre essas medidas, destacamos o Projeto de Lei no 4.188/2021, que trata do Novo Marco de Garantias, a Medida Provisória no 1.085/2021, referente ao Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (SERP), e as Medidas Provisórias no 1.103, Novo Marco de Securitização, no 1.104, assinatura eletrônica na emissão da Cédula de Produto Rural (CPR) e Fundo Garantidor Solidário (FGS), no 1107, o Programa de Simplificação do Microcrédito Digital (SIM Digital), e no 1.114, Fundo Garantidor de Habitação Popular e participação da União em fundos garantidores de risco de crédito para micro, pequenas e médias empresas – todas de 2022.

O objetivo desta Nota é resumir os principais pontos dessas propostas legislativas mais recentes e discutir brevemente, com base na literatura teórica e empírica, alguns de seus impactos potenciais sobre o mercado de crédito e sobre a economia brasileira em geral.

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Boletim de expectativas – Abril de 2022

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim apresenta uma compilação de expectativas de mercado para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, aborda-se a questão de se a inversão em alguns trechos da curva de juros nos Estados Unidos sinaliza recessão e pode levar o Fed a reduzir o aperto monetário esperado: a conclusão, com base em estudo do próprio Fed, é que não. Em seguida, é mostrada a evolução do juros reais ex-ante no Brasil em 2022, que têm ficado relativamente estáveis em meio à elevação dos juros nominais e da inflação. Por fim, apresenta-se um quadro com projeções anuais medianas de mercado para algumas variáveis macroeconômicas brasileiras: de 2022 a 2024, espera-se paulatino aumento da taxa de crescimento do PIB, redução da inflação ao consumidor, da Selic, da taxa de câmbio e do déficit nominal do setor público, ao lado de estabilidade no déficit em transações correntes do balanço de pagamentos.

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Boletim de expectativas – Março de 2022

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim apresenta uma compilação de expectativas de mercado para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, o contexto mundial é descrito pela evolução dos preços das commodities desde a invasão da Ucrânia pela Rússia. Em seguida, são comparadas as previsões para o Brasil feitas antes e depois do início da guerra, para PIB, inflação e finanças públicas. No mesmo período, foram divulgados importantes indicadores da economia brasileira nesses setores, que influenciam a formação de expectativas. Até o momento, o conjunto de fatos composto de invasão da Ucrânia e divulgação recente de dados no Brasil levaram a: melhoria na previsão do crescimento do PIB em 2022; alta na inflação esperada em 2022; alta nos juros nominais (nos reais, queda nos de prazo até um ano e alta nos de prazo acima de dois); piora, apenas em 2023, do resultado nominal do Governo Central; maior despesa com juros em 2022 e 2023; melhor resultado primário em 2022 e 2023; e reduções da dívida bruta do governo geral equivalentes a 0,9% do PIB, em 2022 e 2023, e 0,5% do PIB, em 2024 e 2025.

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Desempenho recente do mercado de crédito

Por Francisco E. de Luna A. Santos

O saldo total de empréstimos no Sistema Financeiro Nacional (SFN) como porcentagem do produto interno bruto (PIB) atingiu 54% em dezembro de 2021, o que representa um aumento de 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação a dezembro de 2020. Em termos reais, o crescimento do saldo da carteira de pessoa física (PF) foi maior do que o crescimento da carteira de pessoa jurídica (PJ) em 2021.

Os atuais indicadores sugerem um mercado de crédito menos dinâmico em 2022. Os níveis de inadimplência, por exemplo, ainda estão confortáveis, apesar do aumento recente na inadimplência para PF e o aumento em categorias específicas. No entanto, o comprometimento da renda e níveis de endividamento se encontram em patamares historicamente altos e em trajetória de crescimento no último trimestre. E as taxas de juros mantiveram trajetória de crescimento. Além disso, chama a atenção a queda nas concessões no último trimestre de 2021 tanto em PF quanto em PJ e preocupa o fato de que há aumento em concessões com taxas de juros maiores, de crédito rotativo.

Acreditamos que a evolução macroeconômica será determinante para o mercado de crédito em 2022, ou seja, a trajetória esperada para o crédito dependerá das surpresas positivas ou negativas da atividade econômica e das principais variáveis, como inflação, juros e câmbio.

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Boletim de expectativas – Fevereiro de 2022

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas de mercado para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para PIB, inflação, juros, finanças públicas, taxa de câmbio e balanço de pagamentos. As projeções para o crescimento do PIB de 2022 vêm passando por significativas revisões desde meados do ano passado, quando estavam em torno de 2,4%, e são agora de 0,3%, em média. Também as taxas de crescimento de 2023, 2024 e 2025 têm sido revistas para baixo. Ao mesmo tempo, as expectativas para a inflação têm sido reavaliadas para cima, com a projeção média para a variação do IPCA em 2022 ultrapassando o limite superior da meta. A expectativa para 2023 sofreu pequena elevação, enquanto as relativas a 2024, 2025 e 2026 continuam ancoradas na meta de 2024, de 3,0%. Outra mudança significativa desde meados do ano passado ocorreu na estrutura a termo da taxa de juros de títulos públicos no mercado secundário, em termos reais: de positivamente inclinada em julho, ela passou pelo formato plano em outubro e chegou ao atual, com inclinação negativa nos primeiros três anos e constante a partir daí, em 5,5% ao ano. Por outro lado, as expectativas para o resultado primário do governo central melhoraram. A taxa de câmbio, após mudar de patamar na crise da pandemia, deve se valorizar um pouco, em termos nominais, nos próximos anos, de acordo com as expectativas de mercado. O deficit em transações correntes do balanço de pagamentos deve crescer, mas sempre superado com folga pelos investimentos diretos no país, que crescem também.

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Boletim de expectativas – Novembro de 2021

 Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para inflação, juros e produto interno bruto (PIB) brasileiros. As projeções de inflação para 2021 e 2022 vêm passando por seguidas revisões para cima e as referentes a 2023 e 2024 se alteraram também para mais, embora pouco, mantendo-se perto da meta. Os juros, sejam de prazos curtos, médios ou longos, têm passado também por elevações significativas, acompanhando a piora nas expectativas de inflação. O crescimento do PIB deste ano e do próximo tem sido revisto para baixo – o do ano que vem de forma especialmente significativa. O movimento tem influenciado as taxas de crescimento esperadas para 2023-2025, que também têm se reduzido. Este número do Boletim de Expectativas traz ainda as projeções do Focus/BCB para a desagregação do PIB pelo lado da oferta e da demanda.

 Gráficos 1 e 9

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Desempenho recente do mercado de crédito

Por Francisco E. de Luna A. Santos

Analisados em conjunto, os principais indicadores do Sistema Financeiro Nacional (SFN) sugerem cautela nas perspectivas para o mercado de crédito para 2021 e 2022. De um lado, os níveis de inadimplência permanecem bem comportados, ainda que algumas categorias específicas (como o caso do capital de giro rotativo para pessoas jurídicas e cartão de crédito no caso das pessoas físicas) apresentem tendência de alta. Por outro lado, apesar da estabilidade recente do comprometimento da renda, esta ocorreu em patamares historicamente altos. As taxas de juros cresceram e tendem a se elevar nos próximos meses, o que, aliado ao aumento da inflação, compromete a tomada de decisões por parte de tomadores de crédito, não ajudando também na oferta de crédito pelos bancos. Além disso, indicadores de crédito apontam para redução de prazo nas concessões de crédito. Do lado das concessões de crédito, há crescimento no segundo trimestre tanto em pessoa física (PF) quanto em pessoa jurídica (PJ). No entanto, há alguns sinais de alerta quanto ao tipo de modalidade de concessão, uma vez que há crescimento expressivo em algumas modalidades mais caras, com juros mais altos. Portanto, será importante observar com atenção os próximos dados a fim de avaliar o efeito do aumento de incertezas na economia, pois, apesar de o mercado de crédito mostrar resistência, não está imune às oscilações macroeconômicas.

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Boletim de expectativas – Setembro de 2021

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para o PIB, IPCA, juros, taxa de câmbio, conta corrente e investimento direto no país (balanço de pagamentos) e variáveis fiscais. Os gráficos ilustram a evolução, ao longo deste ano, das projeções para 2021, 2022 e 2023. O crescimento do PIB previsto para os três anos vem sofrendo revisões para baixo recentemente. A inflação ao consumidor, por sua vez, para cima, nos casos de 2021 e 2022, enquanto mantém-se ancorada na meta de 3,25% em 2023. A taxa Selic é esperada em 8% no fim deste ano e também no de 2022; o nível esperado para fechar 2023 é de 6,5%. A alta nos juros se reflete também nas taxas dos leilões primários de títulos do Tesouro e na estrutura a termo do mercado secundário. As taxas de câmbio esperadas para o fim deste ano, de 2022 e de 2023 estão mais baixas do que no segundo trimestre, mas o quadro geral é de relativa estabilidade nas expectativas, que variam entre R$ 5,00 e R$ 5,30. As previsões para o deficit em conta corrente do balanço de pagamentos e para o investimento direto no país (IDP) têm se mantido mais ou menos estáveis, com o IDP cerca de três vezes maior do que o deficit em conta corrente em 2022 e 2023. Por fim, destaca-se a melhoria, ao longo de 2021, dos números esperados para variáveis de finanças públicas – receita, despesa, resultados primário e nominal, dívida líquida e dívida bruta.

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Boletim de expectativas – Agosto de 2021

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para o PIB, IPCA, juros, taxa de câmbio e preços de commodities. A previsão de crescimento do PIB em 2021 passou, desde o início da pandemia, por dois momentos de mudança de patamar: abril do ano passado e entre maio e julho deste ano. Na primeira mudança, a projeção média do Sistema Expectativas de Mercado do BCB passou de 2,5% para 3,5%, nível em que permaneceu por vários meses, para depois declinar para 3,1%, em abril de 2021. Em seguida, a nova rodada de revisões trouxe a projeção média para a taxa de 5,2%, que vigora desde os últimos dias de julho. A projeção para 2022 não se alterou logo depois do começo da pandemia, oscilando em torno de 2,5%; a partir de meados de junho deste ano, no entanto, as expectativas começaram a ser revistas para baixo, com a média caindo para o valor atual de 2,1%.

A evolução esperada da inflação ao consumidor indica que as expectativas de médio e longo prazo estão ancoradas nas metas definidas, apesar da elevação atual da taxa de inflação. De acordo com a mediana das projeções da pesquisa do BCB junto ao mercado, o IPCA de julho deste ano, de 0,96%, terá sido a taxa mensal mais elevada até pelo menos julho de 2023, período no qual ela oscilará entre 0,2% e 0,5%. A taxa acumulada em doze meses alcançará o pico de 9,3% em agosto deste ano e, depois de registrar 7,1% em dezembro, voltará, a partir de julho do ano que vem, para abaixo do limite superior de tolerância da meta de inflação (5,0%), chegando em dezembro de 2022 a 3,9%, ainda acima da meta de 3,5%. Após a definição da meta para 2024, em 24 de junho último, a mediana das expectativas para o IPCA em 2024 e 2025 migrou para a meta de 3,00%, em lugar dos 3,25% em que se encontrava até então, equivalente à meta de 2023, a última que estava definida. O BCB tem reagido à alta da inflação com elevação da Selic e indicações de que o aumento total ao fim do processo de aperto monetário será maior do que o incialmente antecipado. Como decorrência, as taxas de juros de curto, médio e longo prazos têm se elevado, com maior aumento nos prazos mais curtos, como se observa no mercado de DI futuro e na estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) de títulos da dívida pública.

O comportamento dos preços das commodities tem relevância para o nível de atividade e para a taxa de inflação. São apresentadas projeções trimestrais até o fim de 2022 para as quatro commodities que, em conjunto, responderam por 40% das exportações brasileiras no ano passado: soja em grão, minério de ferro, petróleo e açúcar. As projeções para os preços da soja, do ferro e do açúcar indicam que os preços teriam atingido um pico no segundo trimestre deste ano, passando a cair em seguida, permanecendo, no entanto, pelo menos até o fim de 2022, acima dos níveis de 2019. A expectativa para o preço do petróleo é também que pare de subir, mas que permaneça em patamar elevado nos próximos trimestres.

Gráficos 4 e 5

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