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Balanço de pagamentos e balança comercial

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

O déficit em transações correntes do balanço de pagamentos, depois de aumentar bastante em 2024, estabilizou-se. O saldo da balança comercial tem crescido ao longo deste ano, especialmente devido ao aumento das quantidades exportadas. Nas exportações brasileiras por bloco econômico, destaca-se a redução nos embarques para a América do Norte, refletindo, principalmente, a queda nas vendas para os Estados Unidos. O real continua em sua trajetória de valorização que vem caracterizando o ano. A taxa de câmbio prevista para o fim de 2026, de acordo com o sistema de expectativas de mercado do BCB, é de R$ 5,49/US$.

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Balanço de pagamentos e balança comercial

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

O déficit em transações correntes do Brasil vem aumentando rapidamente, principalmente devido ao aumento das importações. Observando-se os principais destinos das exportações brasileiras por blocos de países no período acumulado de janeiro a julho, houve aumento das exportações, em relação a 2024, para a América do Norte (+4,4%), a Europa (+6,8%) e, sobretudo, para a América do Sul (+20,6%). Em contrapartida, houve retração de 5,7% nas exportações para a Ásia, reflexo principalmente da queda de 6,8% nas vendas para a China.  As exportações para os Estados Unidos, no acumulado do ano até julho, cresceram 4%, alcançando US$ 24 bilhões, e mantiveram alta em relação a 2024 em todos os meses após a implementação das tarifas em abril. A série em dólares dessazonalizada mostra tendência de queda desde o início deste ano, com acentuação a partir de abril. A observação dessas séries nos últimos três anos, entretanto, não permite tirar conclusões, por enquanto, a respeito de efeitos das tarifas.

O instituto Robert Triffin International escreveu uma resposta crítica ao texto Guia do usuário para a reestruturação do sistema global de comércio, de Stephen Miran, atual presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente dos Estados Unidos e recentemente indicado para ocupar uma diretoria no FED. Essa resposta é resumida no box desta seção, dando sequência à abordagem do tema, crucial para compreender a nova política econômica e geopolítica dos Estados Unidos.

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O tarifaço de Trump : organizando fatos e ideias

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e  Caio Rodrigues Gomes Leite

As medidas de comércio exterior do novo governo dos Estados Unidos têm causado confusão e apreensão. Neste texto, procuramos organizar os fatos, analisando-os em ordem cronológica e observando efeitos sobre algumas variáveis econômicas, bem como explorar as ideias por trás das medidas. Partindo do diagnóstico de que o fato do dólar ser a moeda internacional de reserva faz com que esteja sempre valorizado, as tarifas têm múltiplos objetivos: reequilibrar fluxos comerciais, induzir a reindustrialização – inclusive por motivo de defesa –, redividir os custos da segurança internacional e arrecadar para o Tesouro.

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Balança comercial, balanço de pagamentos e câmbio

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

A análise dos dados recentes da balança comercial mostra redução do saldo, causada tanto por queda nas exportações quanto por aumento nas importações, mas principalmente pelo último. Os termos de troca, relevantes para o nível de atividade, que cresceram em 2023, têm oscilado em 2024, mas a média dos primeiros oito meses deste ano é 5,6% superior à do mesmo período do ano passado.

No balanço de pagamentos, o déficit em transações correntes nos primeiros sete meses deste ano foi maior em US$ 13 bilhões do que no mesmo período do ano passado, aproximadamente dobrando de valor – em percentual do PIB, passou de 1% para 2%. Uma reclassificação dos criptoativos eliminou uma das fontes de diferenças entre a balança comercial do Banco Central e a da Secretaria de Comércio Exterior.

O real passou por significativa desvalorização em junho e em julho, apesar de o dólar não ter se valorizado em relação a outras modas conversíveis e do diferencial de juros ter se alterado em favor do real. O aumento do risco-país medido pelo CDS, este compatível com a perda de valor da moeda, ocorreu ainda em outros países latino-americanos, que também viram suas moedas sofrerem consideráveis desvalorizações.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

O déficit em transações correntes em 2023 foi significativamente menor do que em 2022, principalmente devido à balança comercial. O déficit na balança de serviços ficou aproximadamente estável. O déficit na conta de rendas primárias (salários, lucros, dividendos e juros) aumentou significativamente. O investimento direto no país reduziu-se.

No primeiro trimestre de 2024, o déficit em transações correntes acumulado em quatro trimestres foi de 1,5% do PIB, um pouco maior do que no quarto trimestre de 2023. De acordo com os dados da Secex, do MDIC, o saldo da balança comercial no primeiro trimestre de 2024 foi consideravelmente maior do que no primeiro trimestre de 2023. Os termos de troca, no primeiro trimestre de 2024, estiveram 8,1% acima do primeiro trimestre do ano passado. A taxa de câmbio nominal real/dólar passou por desvalorização significativa em abril de 2024, em parte refletindo a valorização internacional do dólar, mas superando-a.

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Nas perspectivas, são apresentadas previsões para contas do balanço de pagamentos, em 2024, de três fontes. A taxa de câmbio nominal, de acordo com a Focus, deve ficar virtualmente estável nos próximos anos, até 2028. São ainda apresentadas projeções de crescimento de importantes parceiros comerciais, como Estados Unidos e China, e para o volume de importações mundiais.

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Boletim de expectativas – abril de 2024

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim de Expectativas se baseia nas projeções do Sistema Expectativas de Mercado do Banco Central, também conhecido como Focus, para dar uma visão geral das previsões feitas pelos profissionais que contribuem com a pesquisa, abordando inflação, juros, nível de atividade, finanças públicas e setor externo. Além das médias amostrais, apresentam-se também intervalos de projeção com mais e menos um desvio-padrão. Para a meta Selic recorre-se também ao mercado de DI Futuro e, para a inflação, à estrutura a termo da taxa de juros.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio: evolução recente e perspectivas

Por Andreza Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O saldo da balança comercial registrado em 2023 foi o maior de toda a série histórica, totalizando US$ 98,8 bilhões, com aumento de 60% em relação ao ano anterior. Em relação ao balanço de pagamentos, considerando os três meses encerrados em novembro, o déficit em transações correntes foi de US$2,7 bilhões, em comparação com US$ 14,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. A redução se deveu, principalmente, ao crescimento do superávit na balança comercial de bens, que, nos três meses encerrados em novembro, apresentou saldo de US$ 21,7 bilhões, comparados a US$ 8,7 bilhões no mesmo período de 2022. No que se refere à conta capital e financeira, o investimento direto no país (IDP) permanece como destaque, embora tenha havido tendência de queda no período recente. Mesmo com a redução de sua intensidade, as entradas líquidas de IDP continuam expressivas, considerando a série histórica.

A taxa de câmbio apresentou importante movimento de valorização e redução da sua volatilidade. Desde 1o de novembro de 2023, a moeda brasileira vem sendo cotada abaixo de R$ 5,00/US$. O saldo comercial forte e a diminuição do risco doméstico medidos pelo credit default swap (CDS) podem explicar a tendência mais otimista. Em contrapartida, a redução do diferencial de juros pode ter algum impacto na trajetória cambial para os próximos meses.

No cenário externo, houve importante aumento dos riscos geopolíticos. Além do conflito Rússia versus Ucrânia, a guerra no Oriente Médio pode ter impactos relevantes para a economia brasileira. A situação do Iêmen também é motivo de preocupação, pois envolve uma rota crucial para o transporte marítimo e já vem elevando os custos de frete. A inflação ainda pressionada em algumas regiões do mundo, as políticas monetárias contracionistas e a incerteza sobre o início e a intensidade do ciclo de queda das taxas de juros persistem como fatores de preocupação.

Por fim, esta nota inclui dois boxes: o primeiro explora de forma descritiva a diferença entre o valor da balança comercial calculado pelo Banco Central do Brasil (BCB) e o apurado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex); o segundo apresenta exercício econométrico sobre as elasticidades renda e preço das exportações e importações brasileiras.​​

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Boletim de expectativas- Outubro de 2023

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim de Expectativas se baseia nas projeções do Sistema Expectativas de Mercado do Banco Central, também conhecido como Focus, para dar uma visão geral das previsões feitas pelos profissionais que contribuem com a pesquisa, abordando inflação, juros, nível de atividade, finanças públicas e setor externo. Além das médias amostrais, se utiliza também dos desvios-padrão, de maneira a mostrar intervalos de projeção ou a interpretação de três cenários. Para a meta Selic recorre-se também ao mercado de DI Futuro e para a inflação, à estrutura a termo da taxa de juros.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O desempenho do setor externo permanece favorável, mesmo diante do aumento das incertezas globais.  Em relação ao balanço de pagamentos, o saldo na balança comercial é o principal responsável pela redução do déficit em transações correntes. Na conta capital e financeira, o investimento direto no país permanece como o destaque, apesar da tendência de queda no período recente.  Em relação à taxa de câmbio, houve relevante depreciação desde a última divulgação desta nota do setor externo, em julho de 2023. O panorama global permanece bastante volátil. Além do conflito entre Rússia e Ucrânia, a situação no Oriente Médio requer monitoramento. A inflação ainda pressionada no cenário internacional, as políticas monetárias restritivas em diversos países e as incertezas sobre o início e a magnitude do ciclo de redução das taxas de juros no exterior também são temas a serem monitorados.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O setor externo continua apresentando dinâmica favorável, mesmo com a persistência das incertezas externas.  Considerando o acumulado até junho de 2023, ou seja, o primeiro semestre do ano, as exportações totalizaram US$ 165,7 bilhões (aumento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior) e as importações, US$ 120,6 bilhões (queda de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior), resultando em um saldo da balança comercial de US$ 45,1 bilhões (aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior).

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes registrou superávit de US$ 649 milhões em maio de 2023, ante déficit de US$ 4,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. No acumulado em doze meses, o déficit em transações correntes é de US$ 48,5 bilhões (2,45% do produto interno bruto – PIB), ante US$ 51,2 bilhões (2,89% do PIB) em maio de 2022.  A balança comercial (bens) fechou maio com superávit de US$ 9,7 bilhões ante US$ 3,4 bilhões em maio de 2022, sendo uma das principais responsáveis pela redução no déficit em transações correntes em doze meses e pelo superávit observado em maio de 2023. Em relação à conta de viagens, fortemente afetada pela pandemia e restrições de mobilidade, observou-se aumento do déficit desde meados de 2021. No entanto, os níveis pré-pandemia não foram ainda recuperados.

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Em relação à conta capital e financeira, o destaque continua sendo os investimentos diretos no país (IDPs). No acumulado em doze meses para maio, atingiu US$ 83,4 bilhões (4,21% do PIB) – ante US$ 57,0 bilhões (3,22% do PIB) no mesmo período do ano anterior. Apesar da queda recente na margem, a série apresentou trajetória de acentuada recuperação em 2022, atingindo até mesmo os níveis anteriores ao período da pandemia.

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Em relação à taxa de câmbio, houve importante movimento de apreciação desde a divulgação da última nota do setor externo, em abril de 2023. O valor máximo da cotação da moeda, desde o início do ano, ocorreu em 4 de janeiro de 2023, chegando a R$ 5,45/US$. Já o valor mínimo foi de R$ 4,77/US$, em 26 de junho de 2023. Cabe notar, ainda, que desde 2 de junho de 2023 a moeda brasileira vem sendo cotada abaixo de R$ 5,00/US$. A percepção de risco também mostra trajetória mais favorável, com diminuição importante do credit default swap (CDS) de cinco e dez anos.

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