Todos os posts de Rodrigo Rangel da Costa

Análise e Projeções de Inflação

Por  Maria Andréia P. Lameiras e Marcelo Lima de Moraes

Ao contrário do que vem ocorrendo em grande parte dos países, no último trimestre, a inflação brasileira surpreendeu favoravelmente, beneficiada, sobretudo, pela melhora no comportamento dos preços administrados. Por certo, após registrar alta de 11,7%, no acumulado em doze meses, em maio, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 8,7% em agosto. Já no acumulado do ano, a variação apontada pelo IPCA de 4,4%.

Nota-se, ainda, que, ao longo das últimas semanas, o cenário prospectivo para a inflação vem se tornando mais benigno. Por certo, além do recuo da taxa de inflação corrente, a sinalização de uma deflação ainda mais intensa dos preços administrados, aliada a uma melhora no desempenho dos bens industriais – beneficiado por uma trajetória mais favorável das commodities no mercado internacional e pelo processo de normalização das cadeias produtivas – devem gerar uma alta mais moderada da inflação em 2022. Adicionalmente, o ciclo de elevação da taxa básica de juros – completando agora um ano e meio –, certamente contribuirá para este quadro de redução da inflação.

220929_cc_56_nota_30_inflacao_setembro_22_tabela_1

A partir deste contexto, as novas projeções do Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea indicam variação menor do IPCA, em 2022, (5,7%), comparativamente à estimada na edição anterior da visão geral da Carta de Conjuntura (6,6%). No caso dos preços administrados, a projeção atual é de deflação de 4,2%, em comparação à alta de 1,1%, prevista anteriormente. Em relação aos bens industriais, a expectativa de inflação recuou de 9,1% para 8,7%. Todavia, as projeções de inflação para os alimentos no domicílio e para os serviços foram elevadas, avançando de 12,3% e 6,9% para 13,2% e 7,6%, respectivamente.

220929_cc_56_nota_30_inflacao_setembro_22_tabela_2

No caso do Índice de Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a projeção do Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea também foi revista para baixo, de modo que a taxa estimada recuou de 6,3% para 6,0%. Em relação aos preços administrados, os modelos mostram que a deflação projetada para o ano deve ser ainda mais intensa, passando de -0,9% para -3,9%. Ainda que em menor intensidade, a inflação esperada para os bens industriais também foi reduzida – alta de 8,3% ante taxa de 8,9% projetada anteriormente. No entanto, há uma previsão maior para a inflação dos alimentos e dos serviços livres, cujas taxas de variação projetadas avançaram de 12,6% e 6,6% para 13,8% e 7,2%, respectivamente.

Para 2023, as projeções de inflação foram mantidas em 4,7%, tanto para o IPCA, quanto para o INPC. ​

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

 

O mercado de trabalho brasileiro vem apresentando trajetória de forte dinamismo, marcada por expressiva expansão da população ocupada, com efeito significativo sobre a redução do desemprego. Em julho de 2022, o dado mensal produzido pelo Ipea, com base nas séries de trimestres móveis da PNAD Contínua, revela que a taxa de desocupação chegou a 8,9%, atingindo o menor patamar desde julho de 2015. Por conseguinte, a população desocupada recuou 28,7% entre julho de 2021 e 2022, passando de 13,6 milhões para 9,7 milhões. Esta queda do desemprego reflete o bom desempenho da população ocupada, cujo contingente avançou 7,5%, em julho, na comparação interanual, abarcando aproximadamente 100,2 milhões de pessoas. Nota-se, ainda, que essa expansão da ocupação vem ocorrendo de forma generalizada, abrangendo todas as regiões, todos os segmentos etários e educacionais e praticamente todos os setores da economia. ​

220920_cc_56_nota_26_mercado_de_trabalho_grafico_1_e_2

Acesse o texto completo

PNADC (xlsx)



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – julho de 2022

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,35% em julho de 2022, situando-se 0,35 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2021, a variação foi 0,29 p.p. maior. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 5,96% nos últimos doze meses.

220915_cc_56_nota_24_icti_jul22_tabela 1

220915_cc_56_nota_24_icti_jul22_tabela 2

Acesse o texto completo

ICTI – Série Completa – Julho de 2022 (xlsx)



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Estimativas de reservas internacionais ótimas sob baixos níveis de dívida externa de curto prazo

Por Christian Vonbun

Esta Nota Técnica mostra o cálculo do nível ótimo de reservas internacionais para o Brasil no período entre o primeiro trimestre de 2004 e o primeiro de 2022, por meio da metodologia proposta por Jeanne e Ranciére (2011). Essa abordagem baseia-se em modelo microfundamentado de determinação de reservas ótimas que considera o uso das reservas como um seguro contra eventos extremos e relativamente raros de paradas súbitas de fluxos de financiamentos externos para a rolagem de dívidas de curto prazo.

Os valores ótimos das reservas internacionais são estimados sob diversos cenários para os principais parâmetros do modelo. De acordo com os resultados obtidos, o nível de reservas observado recentemente no Brasil parece encontrar-se substancialmente acima do nível ótimo em todos os cenários considerados, o que levaria a custos desnecessários para o país.

Entre as limitações do modelo, cabe destacar que não são considerados os efeitos das reservas sobre os spreads pagos internacionalmente e sobre a percepção de risco do país. Além disso, ainda que a maior parte dos usos das reservas internacionais possa ser reduzida a um conceito de seguro, é inegável que a opção de usar reservas para fazer intervenções discricionárias e com objetivos diversos, como, por exemplo, afetar a volatilidade cambial, também podem ser objetivos válidos. Contudo, esses objetivos não são considerados no modelo de Jeanne e Ranciére, de modo que sua consideração explícita requer pesquisas adicionais.​

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Estimativa preliminar do resultado primário do Governo Central em agosto de 2022

Por Sergio Ferreira e Felipe Martins

De acordo com dados da execução orçamentária registrada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), obtidos através do Tesouro Gerencial, que fornecem boa aproximação aos dados oficiais relativos ao resultado primário que será divulgado posteriormente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o mês de agosto de 2022 apresentou um déficit primário de R$ 52,5 bilhões nas contas do Governo Central. A receita líquida do governo central atingiu R$ 137,9 bilhões nesse mês, tendo crescido, em termos reais, 7,1% quando comparada com o mesmo mês do ano anterior, ao passo que a despesa totalizou R$ 190,4 bilhões, crescimento de cerca de 37,4% na mesma base de comparação. Esse resultado foi fortemente impactado pelo pagamento de sentenças judiciais e precatórios e pelo pagamento do acordo relativo ao “Campo de Marte” em São Paulo, os quais totalizaram R$ 49,9 bilhões. No acumulado do ano até agosto, o superávit primário está em R$ 22,9 bilhões, contra um déficit de R$ 89,3 bilhões em igual período de 2021.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma

O setor externo continua apresentando uma dinâmica favorável, mesmo diante das incertezas externas. O saldo comercial em agosto de 2022 foi de US$ 4,2 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou US$ 30,8 bilhões. Já o valor das importações foi o maior de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 1997 (US$ 26,7 bilhões). Apesar do recuo recente nos preços das commodities e do crescimento mais robusto das importações, o saldo permanece positivo.

220909_cc_56_nota_20_setor_externo_grafico_1

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes registrou sucessivos déficits entre setembro de 2021 e março de 2022. Houve superávit em abril de 2022 no valor de US$ 1,1 bilhão. No entanto, em maio de 2022, o déficit foi de US$ 3,5 bilhões, ante superávit de US$ 2,5 bilhões em maio de 2021. Para os dados acumulados em doze meses, a trajetória de redução do déficit observada desde novembro de 2021 foi revertida a partir de março de 2022. Em relação à conta capital e financeira, observou-se trajetória de relativa recuperação. Embora os níveis pré-pandemia ainda não tenham sido plenamente atingidos, os ingressos de investimento direto no país (IDP) se encontram em níveis satisfatórios e crescentes. No acumulado em doze meses até maio, o saldo atingiu US$ 60,2 bilhões (3,45% do produto interno bruto – PIB), ante US$ 47,3 bilhões (3,2% do PIB) no mesmo período do ano anterior. A princípio, a trajetória de aumento da taxa de juros Selic poderia potencializar a recuperação da conta financeira. No entanto, o recente aumento na taxa de juros norte-americana gera incerteza sobre o balanço de risco dos investidores.

220909_cc_56_nota_20_setor_externo_tabela_1

220909_cc_56_nota_20_setor_externo_tabela_2

Quanto à taxa de câmbio, a sua dinâmica permanece bastante volátil devido à elevada incerteza externa e interna. Durante os primeiros meses de 2022, houve um movimento de apreciação da taxa nominal de câmbio, revertido a partir de maio. Na ​comparação com os demais emergentes, o desempenho da moeda brasileira apresentou alguma melhora no período recente.  As expectativas do relatório Focus apontam para um câmbio de R$ 5,20/US$ em dezembro de 2022 e ao fim de 2023, previsão mais otimista que a expectativa vigente ao final de 2021 (em 31 de dezembro, a previsão da taxa de câmbio para 2022 era de R$ 5,60/US$ e, para 2023, de R$ 5,40). Porém, persistem vários elementos de incerteza devido ao cenário mundial e interno, especialmente considerando a existência do conflito entre Rússia e Ucrânia, a crise energética na Europa, políticas monetárias contracionistas ao redor do mundo e o ano eleitoral no Brasil. Como pontos positivos para a dinâmica da taxa de câmbio, há que se destacar os fluxos cambial (houve entrada líquida de US$ 20,97 bilhões no acumulado do ano até julho, de acordo com dados do Banco Central do Brasil (BCB) e comercial positivos durante o ano de 2022.  ​

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desempenho do PIB no segundo trimestre de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O PIB avançou 1,2% no segundo trimestre de 2022, na comparação com o trimestre anterior, já livre de efeitos sazonais, e 3,2% na comparação interanual, de acordo com o IBGE. Na comparação com o trimestre anterior, os resultados do quarto trimestre de 2021 e primeiro de 2022 sofreram revisão para cima, ambos em 0,1 ponto percentual (p.p.), passando de 0,7% para 0,8% e de 1% para 1,1%, respectivamente. Nas comparações sobre o mesmo período do ano anterior, não houve modificações. O resultado veio acima da nossa previsão, que era de 0,6% na margem e de 2,3% na comparação interanual. Em relação ao último trimestre de 2019, período imediatamente anterior ao início da crise causada pela pandemia de covid-19, o PIB encontra-se em patamar 3% superior. O avanço de 1,2% no segundo trimestre representou a quarta variação positiva na margem em sequência, com o crescimento em aceleração nesse período. Com isso, o carry-over para 2022 ficou em 2,6% – ou seja, caso permaneça estagnado nos dois próximos trimestres, o PIB fechará o ano com alta de 2,6%.

 Em relação à ótica da produção, o PIB da agropecuária apresentou o desempenho mais modesto, com avanço de 0,5% na margem e queda de 2,5% na comparação interanual. O resultado, que veio abaixo da nossa projeção de 0,7% sobre o mesmo trimestre de 2021, foi impactado pelas contribuições negativas das lavouras de soja (-12%) e arroz (-8,5%) no período. Já o setor de serviços voltou a se destacar no segundo trimestre, ficando acima do projetado. Desde a forte queda ocorrida no segundo trimestre de 2020, quando a crise sanitária provocou uma retração de 10% na margem, o setor vem apresentando trajetória de recuperação. Refletindo a normalização dos níveis de mobilidade urbana, assim como a melhora nos indicadores do mercado de trabalho, o setor voltou a acelerar seu ritmo de crescimento no segundo trimestre, com altas de 1,3% na margem e 4,5% em termos anuais (nossa projeção era de 0,4% e 3,5%, respectivamente). Por fim, o setor industrial, cujos gargalos relacionados à oferta de insumos vêm diminuindo, foi o grande destaque positivo. Após a queda de 0,9% ocorrida no quarto trimestre de ano passado, o setor registrou a segunda variação positiva seguida na comparação dessazonalizada, acelerando sua taxa de crescimento de 0,6% para 2,2% na passagem entre o primeiro e o segundo trimestre de 2022. Na comparação com o mesmo período de 2021, a alta de 1,9%, que interrompeu uma sequência de dois trimestres em queda, foi maior que nossa previsão (-0,3%). Em termos dessazonalizados, o bom desempenho no segundo trimestre ocorreu de modo generalizado entre os segmentos industriais, com destaque para a construção, cuja alta de 2,7% foi a oitava variação positiva em sequência.

 Pela ótica da despesa, o destaque ficou por conta da formação bruta de capital fixo (FBCF), que, recuperando-se da queda de 3,0% nos primeiros três meses do ano, em relação ao último trimestre de 2021, registrou altas de 4,8% na margem e de 1,5% na comparação interanual. Este resultado foi explicado pelo bom desempenho da construção civil e da demanda por softwares. Com isso, a taxa de investimento manteve-se em 18,7% no segundo trimestre, o que representou um aumento de 0,1 p.p. em relação ao mesmo período de 2021. Já o consumo das famílias registrou forte aceleração na passagem entre o primeiro e o segundo trimestres. Na comparação com ajuste sazonal, o avanço de 2,6% sucedeu uma alta de 0,5%, sendo esta a quarta variação positiva seguida. Na comparação interanual, o crescimento de 5,3% veio acima da nossa previsão, que era de 2,8%. Por fim, as exportações líquidas registraram contribuição negativa para o resultado do segundo trimestre, seja na comparação com ajuste sazonal, seja em termos interanuais, refletindo o crescimento da absorção interna acima do registrado pelo PIB, de 2,9% sobre o primeiro trimestre deste ano e de 3,8% sobre o segundo do ano passado.

220902_cc_56_nota_18_atividade_economica_grafico_1

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Retrato dos rendimentos do trabalho – resultados da PNAD contínua do segundo trimestre de 2022

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os rendimentos habituais reais médios apresentaram uma queda de 5,1% no segundo trimestre de 2022 em comparação com o mesmo trimestre de 2021, sendo o quinto trimestre consecutivo de queda interanual na renda(uma queda menos acentuada que a do trimestre anterior, 8,7%). Apesar de parte desse movimento descendente ser apenas o inverso do observado ao longo de 2020, quando os rendimentos habituais apresentaram um crescimento acelerado, a renda habitual encontra-se abaixo dos níveis observados antes da pandemia. A renda média habitual real de R$ 2.652 do segundo trimestre de 2022. Estimativas mensais mostram que o rendimento médio real em junho (R$ 2641) foi igual ao observado no mês anterior, porém 1,5% maior ao observado em março (R$2601).  Em relação à renda efetiva, ela caiu 4% na comparação interanual, aproximando-se ainda mais da queda da renda habitual. E na comparação com o segundo trimestre de 2019, a renda efetiva caiu 4,4%.

Por grupos demográficos, as maiores quedas na renda na comparação com o mesmo período do ano passado foram registradas no Sudeste e Sul, entre os trabalhadores mais velhos e com ensino superior. Trabalhadores do Norte, não chefes de família, entre 25 e 39 anos e com ensino fundamental foram os que não apresentaram quedas na renda habitual no segundo trimestre de 2022. Estes mesmos grupos foram os que apresentaram aumento da renda efetiva.

Todavia, analisando por tipo de vínculo, revela-se que o pior impacto da queda nos rendimentos no segundo trimestre de 2022 foi encontrado nos trabalhadores do setor público, com quedas da renda habitual e efetiva de 9,8%. Os trabalhadores do setor privado, que no trimestre anterior haviam apresentado uma melhora na margem, apresentaram uma queda da renda no segundo trimestre de 2022 (cerca de 4,5%). Por sua vez, foram os trabalhadores informais os que apresentaram um aumento da renda efetiva, com acréscimo de 6% para os trabalhadores por conta-própria e de 1,5% para os sem carteira. Isso se reflete no comportamento da renda por setor de atividade. Setores mais informais, e que foram mais atingidos pela pandemia, são os que agora mostram algum crescimento da renda (transporte, construção, serviços pessoais e coletivos e alojamento e alimentação). Enquanto que setores mais formais, como administração púbica, educação e saúde, indústria e serviços profissionais, continuam apresentando uma queda da renda habitual ou efetiva.

A queda maior da renda entre os servidores públicos em parte se reflete na maior queda dos rendimentos dos domicílios de renda mais alta e explica parte da queda da desigualdade de renda captada pelo índice de Gini nos últimos trimestres. Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice se reduziu continuamente em 2021. Contudo, no segundo trimestre de 2022, houve uma reversão dessa tendência de queda, tendo o Gini subido para 0,515 para a renda domiciliar do trabalho e 0,489 para a renda individual.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Duas décadas de finanças públicas estaduais e do Distrito Federal: O que dizem os dados de receitas e despesas primárias por unidade da federação divulgados pela STN de 2002 até 2021?

Por Cláudio Hamilton Matos dos Santos

O objetivo deste texto é apresentar séries históricas por Unidade da Federa­ção (UF) das despesas e receitas primárias anuais das administrações públicas esta­duais e do Distrito Federal (DF) entre 2002 e 2021, construídas a partir dos dados contábeis enviados por estas administrações para a Secretaria do Tesouro Nacional por conta do art.51 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Antecipando nossas conclusões gerais, se de um lado os últimos anos se mostraram favoráveis para o conjunto das administrações públicas estaduais e do DF – tanto pelo lado da receita quanto pelo lado da despesa – de outro lado os dados desagregados pintam um quadro bastante nuançado, com algumas UFs em posições confortáveis e outras em situações difíceis.

Embora se possa falar em UFs com receitas mais e menos dinâmicas nas últimas duas décadas, os dados apresentados no texto deixam claro que o baixo dinamismo das receitas por si só não impediu a manutenção de altos níveis de esforço fiscal por períodos relativamente longos em um conjunto significativo de UFs, possibilitando a estas últimas trajetórias fiscais de médio prazo benignas mesmo partindo de condições iniciais difíceis. Estas boas experiências contrastam, entretanto, com os maus desempenhos relativos de um conjunto um pouco maior de UFs com receitas pouco dinâmicas e baixo esforço fiscal.

Por fim, o estudo sugere que a pressão orçamentária exercida pela tendência de aumento dos gastos com pessoal inativo – característica da última década – deverá permanecer até 2030 na maioria das UFs brasileiras, com algumas poucas exceções dignas de nota.

Acesse o texto completo

Dados nominais e a preços constantes



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – junho de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 1,1% na comparação entre junho e maio na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, o trimestre móvel terminado em junho avançou 2,9% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) recuou 0,9% em junho (com alta de 2,7% no trimestre móvel), as importações de bens industriais, após crescerem 3,3% em maio, cederam 2,7% em junho, com alta de 5,8% no trimestre móvel, conforme mostra a tabela 1.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 0,1% contra junho do ano passado. Com isso, o trimestre móvel permaneceu estável em relação ao verificado no mesmo período de 2021. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda cedeu 1,2%, enquanto a produção industrial, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou uma queda de 2,8%, como visto no gráfico 1. Na mesma base de comparação, as importações de bens industriais cresceram 11,9%.

220823_cc_56_nota_15_consumo_aparente_tabela_1

220823_cc_56_nota_15_consumo_aparente_grafico_1

Acesse o texto completo

Indicador IPEA de Consumo Aparente de Bens Industriais (xlsx)



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------