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Inflação por faixa de renda – Março/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, à exceção da classe de renda alta, todos os demais segmentos pesquisados registraram aceleração inflacionária em relação a fevereiro. Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa passou de 0,50% em fevereiro para 0,85% em março, a taxa observada no segmento de renda alta recuou de 1,15% para 0,85% no mesmo período. Se, por um lado, a alta mais intensa dos alimentos no domicílio contribuiu para a aceleração da inflação em março, especialmente entre as classes de rendas mais baixas, por outro, o fim do impacto do reajuste das mensalidades escolares, ocorrido em fevereiro, explica o arrefecimento da inflação da faixa de renda alta, mesmo em um contexto de aumento de preços de combustíveis.

Com a incorporação do resultado de março, no primeiro trimestre do ano, a classe de renda muito baixa é a que apresenta a menor taxa de inflação (1,67%), enquanto a taxa mais elevada é apontada pela faixa de renda alta (2,19%). De modo semelhante, no acumulado em doze meses, as famílias de renda mais baixa seguem registrando a menor variação (3,50%), ao passo que o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (4,85%).

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Dados Xls



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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Leite Corseuil, Leo Veríssimo Fernandes e Júlia Freitas de Lima

Em consonância com o arrefecimento do nível de atividade da economia brasileira, os dados mais recentes mostram que, mesmo com alguns sinais de perda de fôlego, o mercado de trabalho brasileiro vem se mantendo em trajetória bastante favorável, combinando taxas de desemprego em patamar historicamente baixos e aumentos dos rendimentos reais. Os dados mensalizados do trimestre móvel da PNAD Contínua indicam que, em fevereiro deste ano, a taxa de desocupação na economia brasileira era de 6,2%, situando-se 0,9 pontos percentuais (p.p.) abaixo da observada no mesmo período de 2025 (7,1%). Na comparação com janeiro, a dessazonalização mostra que, em fevereiro, a desocupação ficou estável em 5,6%. De fato, desde abril de 2025, a taxa de desocupação mantém-se abaixo de 6,0%.

Embora parte da redução da taxa de desemprego esteja parcialmente influenciada por fatores estruturais como menor crescimento da força de trabalho e mudanças demográficas, mantendo a taxa de participação em níveis reduzidos, o ritmo de crescimento da população ocupada ainda surpreende positivamente, contribuindo para a manutenção deste cenário virtuoso do mercado de trabalho no país.

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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em março de 2026

Por Sérgio Fonseca Ferreira

De acordo com os resultados da execução orçamentária registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, que servem como referência confiável para a estimativa dos resultados oficiais posteriormente divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o mês de março de 2026 apresentou déficit primário de R$ 73,4 bilhões nas contas do governo central. Conforme demonstrado na tabela 1, a receita líquida do governo central atingiu R$ 196,0 bilhões nesse período, em comparação aos R$ 182,4 bilhões observados em março de 2025, refletindo um crescimento real de 7,4%. As despesas somaram R$ 269,4 bilhões, em relação aos R$ 180,8 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior, representando um aumento real de 49,0%. No acumulado do ano, observa-se o déficit primário de R$ 15,5 bilhões até março, a valores constantes de março de 2026, ante o superávit de R$ 58,8 bilhões apurado no mesmo intervalo de 2025.

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

Os indicadores mensais mais recentes sugerem que a economia iniciou 2026 com desempenho mais favorável do que o observado no encerramento do ano passado. O IBC-Br avançou 0,8% em janeiro, na série dessazonalizada, após recuo de 0,2% em dezembro, recuperando parte da perda registrada no fim de 2025 e sinalizando melhora do nível de atividade na abertura do primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador cresceu 1,0%, enquanto a média móvel trimestral interanual alcançou 1,8%. Com os resultados de janeiro, o carry-over para o primeiro trimestre de 2026 ficou positivo em 0,9% na margem e em 0,7% na comparação interanual, reforçando a leitura de um ponto de partida mais favorável para a atividade no início do ano. Em linhas gerais, as pesquisas setoriais do IBGE corroboram esse cenário relativamente mais positivo para a atividade econômica no começo de 2026. A produção industrial voltou a crescer na margem em janeiro e fevereiro, as vendas do comércio varejista registraram recuperação tanto no conceito restrito quanto no ampliado e o volume de serviços manteve desempenho favorável. Na mesma direção, os dados da Renda Nacional Disponível Bruta (RNDBF), divulgados pelo BCB, indicam que os rendimentos das famílias seguiram apresentando bom desempenho, reforçando a percepção de que, apesar do ambiente financeiro ainda restritivo, a renda continua oferecendo suporte relevante à demanda doméstica.

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Análise e Projeções de Inflação

Por Maria Andréia P. Lameiras e Tarsylla Godoy de Oliveira

Embora os dados mais recentes mostrem um processo de desinflação consistente, possibilitado, especialmente, pela valorização cambial de 3,5% ocorrida no último trimestre, e de 16% desde o último pico do dólar no final de dezembro de 2024, a eclosão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã trouxe incertezas a respeito da continuidade deste processo de desinflação e riscos de uma possível nova aceleração da inflação.

Após encerrar o ano de 2025 com uma alta de 4,3%, a inflação acumulada em doze meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 3,8%, em fevereiro, repercutindo, especialmente, a deflação de 0,1% dos alimentos no domicílio no período. Adicionalmente, a desaceleração dos preços monitorados e dos bens industriais e a estabilidade da inflação dos serviços livres, ainda que em patamares pouco confortáveis, explicam este quadro de inflação mais benevolente no primeiro bimestre de 2026.

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Panorama Fiscal: evolução recente e perspectivas

Por Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira

Em 2025, o resultado primário do governo central apresentou deterioração em relação ao ano anterior, encerrando dezembro com déficit acumulado de R$ 60,6 bilhões, em valores de dezembro de 2025, contra R$ 45,8 bilhões em 2024. Em proporção do produto interno bruto (PIB), o déficit primário também aumentou, passando de 0,36% em 2024 para 0,48% em 2025. Apesar do crescimento real da receita primária no ano (3,2%), sustentado principalmente pelo bom desempenho das receitas administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB) e pela arrecadação líquida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), a expansão das despesas primárias (3,4%) e o aumento das transferências por repartição de receitas (4,8%) impactaram negativamente o resultado primário de 2025.

Em uma perspectiva de médio prazo, a análise da receita evidencia recuperação relevante no período pós-pandemia, com destaque para tributos incidentes sobre consumo, renda das pessoas físicas e receitas financeiras. Em contraste, as receitas não administradas apresentaram retração recente, refletindo queda em concessões, dividendos e participações, parcialmente compensada pelo aumento das receitas de exploração de recursos naturais. No que se refere às despesas, destaca-se o crescimento das despesas obrigatórias. A previdência social, os benefícios assistenciais, as despesas com pessoal e as transferências constitucionais explicam parcela significativa da expansão do gasto, enquanto as despesas discricionárias permanecem comprimidas e atuam como principal variável de ajuste fiscal, com impactos diretos sobre o investimento público e o custeio de políticas governamentais.

Até fevereiro de 2026, não foram identificadas alterações significativas em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com os dados do Resultado do Tesouro Nacional da Secretaria do Tesouro Nacional (RTN/STN), o superávit primário acumulado do ano atingiu R$ 57,5 bilhões para o governo central, frente a R$ 56,7 bilhões registrados em igual período de 2025 (a preços constantes de fevereiro de 2026). A receita líquida do governo central somou R$ 432,4 bilhões, representando um aumento real de 2,8% comparado ao mesmo intervalo de 2025. As despesas totalizaram R$ 374,9 bilhões, refletindo um crescimento real de 3,0% em relação ao exercício anterior. No acumulado dos últimos doze meses, o déficit primário permaneceu praticamente estável em relação a dezembro, situando-se em R$ 60,4 bilhões, em valores constantes de fevereiro de 2026.

No que se refere ao endividamento público, o estoque da dívida pública federal atingiu R$ 8,6 trilhões em janeiro de 2026, com elevação do custo médio da dívida em função do ciclo recente de alta da taxa Selic. A composição da dívida passou a apresentar maior participação de títulos pós-fixados e indexados à inflação, enquanto os títulos prefixados perderam espaço. A dívida bruta do governo geral e a dívida líquida do setor público retomaram trajetória de crescimento, alcançando cerca de 78,7% e 65,0% do PIB, respectivamente, em janeiro de 2026.

Quanto às perspectivas fiscais, a Lei Orçamentária Anual (LOA) 2026 projetava, para o governo central, receita primária líquida de transferências por repartição de receitas de R$ 2,59 trilhões (18,74% do PIB) e despesas primárias de R$ 2,61 trilhões (18,91% do PIB). O resultado primário estimado para 2026 era deficitário em R$ 22,9 bilhões (0,17% do PIB), mas tornava-se superavitário em R$ 34,9 bilhões (0,25% do PIB) quando considerados os abatimentos relacionados a precatórios (Emenda Constitucional (EC) no 136 e LCs nos 221 e 223), alinhando-se ao centro da meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) (R$ 34,3 bilhões). O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do primeiro bimestre de 2026 reviu essas estimativas, com redução da receita líquida em R$ 13,7 bilhões e aumento da despesa em R$ 23,3 bilhões, chegando a um déficit esperado de R$ 59,8 bilhões no ano. Após as deduções legais, a nova estimativa para o resultado primário atinge R$ 3,5 bilhões – cerca de R$ 31 bilhões abaixo da meta definida na LDO, mas ainda dentro do intervalo de tolerância para fins de cumprimento dessa meta, cujo limite inferior é um resultado nulo. No que se refere ao limite de despesas primárias da LC no 200/2023, o RARDP aponta necessidade de ajuste no montante de R$ 1,6 bilhão, com redução correspondente em despesas discricionárias do Executivo.

Para o período de 2027 a 2029, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 2026 projeta melhora gradual do resultado primário do governo central, atingindo 1,25% do PIB em 2029. Para o período de 2028 a 2035, o PLDO pressupõe a manutenção de superávits primários dessa ordem de grandeza.

As previsões de mercado mais recentes para o resultado primário do governo central em 2025 e nos anos seguintes, divulgadas no boletim Focus, do Banco Central do Brasil (BCB), e no relatório Prisma Fiscal, da Secretaria de Política Econômica (SPE), apontam para um déficit primário em 2026 pouco acima, mas próximo daquele projetado no RARDP do primeiro bimestre. A partir de 2027, essas projeções indicam melhora gradual do resultado primário, ainda que em ritmo mais lento do que aquele constante do PLDO 2026.

No que se refere às projeções do PLDO para a dívida bruta do governo geral (DBGG), observa-se que, após atingir o valor máximo de 84,2% em 2028, a relação dívida/PIB passa a cair lentamente, atingindo 81,6% em 2035. Elaborado com base em um conjunto de informação mais atualizado que o PLDO, o Relatório de Projeções Fiscais (RPF) divulgado pela STN em janeiro de 2026 apresenta um cenário ainda mais desafiador, com melhora mais lenta do resultado primário do governo central e aumento da relação dívida/PIB até 2032, quando atingiria 88,6% do PIB. A partir de 2033, a DBGG passaria a cair lentamente em proporção do PIB. Assim como o RPF, as expectativas de mercado também projetam trajetória ascendente da dívida/PIB nos próximos anos, com estabilização em torno de 2034.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – fevereiro de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,26% em fevereiro de 2026, situando-se 0,11 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,65 p.p. Menor.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 2,23%nos últimos doze meses

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Dados Xls



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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – janeiro de 2026

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais avançou 2,8% na comparação entre janeiro e dezembro na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Por trás deste resultado, a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) cresceu 4,5%, enquanto as importações de bens industriais recuaram 0,7%, conforme mostra a tabela.

O avanço na série dessazonalizada interrompeu três quedas consecutivas. Ainda assim, o trimestre móvel encerrado em janeiro registrou queda de 2,5% na margem, quando comparado com aquele encerrado em outubro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal diminuiu 2,5% em relação a janeiro de 2025, a variação em médias móveis trimestrais caiu 2,2%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais desacelerou para 0,5%, igualando a elevação da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), como ilustra o gráfico.

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Dados Xls



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Boletim de expectativas – março de 2026

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

Este Boletim de Expectativas fornece uma visão panorâmica das expectativas para algumas das principais variáveis macroeconômicas brasileiras. As projeções são do Sistema Expectativas de Mercado, também conhecido como relatório Focus, do Banco Central. Para juros e inflação, recorre-se ainda à estrutura a termo da taxa de juros derivada do mercado secundário de títulos públicos, calculada pela Anbima. O destaque é o aumento na inflação prevista, por causa da guerra.

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Inflação por faixa de renda – Fevereiro/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, em fevereiro, todas as classes de renda registraram aceleração inflacionária em relação a janeiro, embora esse movimento tenha sido mais intenso entre as famílias de renda mais elevada. Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa passou de 0,31% em janeiro para 0,50% em fevereiro, a taxa observada no segmento de renda alta avançou de 0,18% para 1,15% no mesmo período.

Além da alta mais intensa dos alimentos no domicílio e dos produtos farmacêuticos, o reajuste das tarifas de energia elétrica contribuiu para a aceleração da inflação em fevereiro, especialmente entre as classes de renda baixa e média. Já para os estratos de renda mais alta, as principais pressões inflacionárias vieram dos reajustes das mensalidades escolares (6,2%) e das passagens aéreas (11,4%). Com a incorporação do resultado de fevereiro, a inflação acumulada em doze meses indica que a faixa de renda mais baixa segue registrando a menor variação (3,2%), enquanto a classe de renda alta apresenta a maior taxa (4,6%).

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Dados Xls



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