Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo
Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (VG) (Nota de Conjuntura nº 25 da Carta de Conjuntura nº 68 de setembro de 2025), o PIB do terceiro trimestre de 2025 foi 0,1% superior ao valor reportado no segundo trimestre do ano na série dessazonalizada. Na comparação interanual com o terceiro trimestre de 2024, o crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2025 alcançou 1,8%, resultado apenas ligeiramente superior à projeção de 1,6% divulgada na VG de setembro para essa mesma base de comparação.
A acurácia das projeções reportadas nas últimas Visões Gerais da Conjuntura sugere que nossos modelos interpretativos têm sido capazes de capturar os aspectos centrais da dinâmica de curto prazo da economia brasileira. Há algum tempo, temos argumentado que a política econômica tem buscado alcançar simultaneamente quatro objetivos principais, a saber: (i) a manutenção de níveis próximos ao pleno emprego da mão de obra, com crescimento dos rendimentos reais médios do trabalho; (ii) a preservação dos programas públicos de transferência de renda voltados aos mais idosos e aos mais pobres, bem como a expansão dos gastos com serviços públicos de saúde e educação; (iii) a manutenção da inflação dentro da meta estabelecida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central; e (iv) a observância do Regime Fiscal Sustentável (RFS), conforme previsto na Lei Complementar nº 200/2023.
Neste contexto, apesar de o cenário prospectivo permanecer praticamente inalterado, estamos elevando a nossa projeção de crescimento do PIB para 2025 de 2,2% para 2,3%, refletindo, em grande medida, a revisão implementada pelo IBGE, que elevou em 0,2 p.p. o crescimento do primeiro trimestre de 2025. Para 2026, mantemos a expansão esperada em 1,6%, porém com viés de alta. Em relação ao quarto trimestre, conforme colocado anteriormente, a expectativa é de resiliência em alguns segmentos mais cíclicos, combinada à contribuição positiva de componentes mais exógenos, o que sugere a manutenção de um quadro de relativa estabilidade no curto prazo, com crescimento modesto. Nesse sentido, projetamos que o PIB avance 0,2% na margem, com alta de 2,0% em relação ao quarto trimestre de 2024.




