Arquivos da categoria: Atividade Econômica

Boletim de expectativas- Fevereiro de 2023

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim de expectativas destaca as projeções para o PIB e seus componentes, pelo lado da oferta e da demanda, coletadas de diversas fontes. A expectativa para o PIB de 2023, conforme coletada pelo BCB em seu Sistema Expectativas de Mercado elevou-se de 0,5% no meio do ano passado para 0,8%, na divulgação mais recente. Divulgada em 16 de dezembro de 2022, a projeção do Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea é de 1,4%. O FMI revisou para cima sua previsão, agora de 1,2%, segundo o World Economic Outlook de janeiro.  Na abertura das projeções para o PIB pelo lado da oferta, chama a atenção, no Focus, a evolução da previsão para 2023 da Agropecuária, que, em meados de 2022 estava em 2,5% e, agora, alcança 6,5%. O Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea também previa 2,5% na divulgação de junho de 2022, mas, em setembro, elevou o crescimento esperado para 10,9%, revendo-o, em dezembro, para 11,6%. No seu relatório trimestral de inflação, o BCB previu, para o PIB da agropecuária de 2023, 7,0% na edição de dezembro. A participação da agropecuária no PIB subiu recentemente: nos dez anos terminados em 2019, foi, em média, de 4,4%, com pouca variação, mas subiu a partir de 2020, alcançando 7,5% em 2021 e 7,6% nos três primeiros trimestres de 2022.

Pelo lado da demanda, o maior componente do PIB é o consumo das famílias que, em 2021, correspondeu a 61% do total. Sua taxa de crescimento esperada de acordo com a mediana do Focus para 2023 passou de 0,5% no começo de julho de 2022 para 0,9% na coleta mais recente. A previsão do Ipea está em 1%, a do BCB em 1,2% e a mediana da Bloomberg, em 1,3%.

Para 2024, a coleta do BCB apontava para 1,7% na maior parte do segundo semestre do ano passado, mas, a partir de dezembro, começou a cair e está, atualmente, em 1,5%.

Gráficos 1 e 2

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Indicador Ipea Mensal de FBCF – resultado de novembro de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma queda de 2,1% na comparação entre novembro e outubro na série com ajuste sazonal. Com isso, o trimestre móvel encerrado em novembro registrou um acréscimo de 0,7%. Esta foi a sétima variação positiva nessa base de comparação, embora represente desaceleração em relação ao período anterior (1,7%). Nas comparações com os mesmos períodos de 2021, enquanto novembro apresentou uma alta de 4,5%, o trimestre móvel aumentou 5,6%. No acumulado em doze meses, os investimentos totais apresentaram um crescimento nulo em novembro.

Na comparação com ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentou uma queda de 3,6% em novembro, encerrando o trimestre móvel com uma alta de 0,6%. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos avançou 0,2% em novembro, a importação cedeu 7,6% no mesmo período. Ainda assim, as importações cresceram 20,8% no trimestre móvel. A produção nacional, por sua vez, encerrou o período com uma queda de 8,1%. No acumulado em doze meses, a demanda interna por máquinas e equipamentos registrou uma queda de 6,8%.

Os investimentos em construção civil, por seu turno, também recuaram em novembro, na série dessazonalizada, registrando uma queda de 1,9%. Com isso, o segmento registrou uma perda de 2,7% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, a expansão foi de 5,2%.

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Dados indicador



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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Novembro de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 2,9% na comparação entre novembro e outubro na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu uma alta de 0,3% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em novembro recuou 2,4% na margem, segunda variação negativa seguida nesta base de comparação. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) recuou 0,5% em novembro e 2,9% no trimestre móvel, as importações de bens industriais cederam 8,9% em novembro e 3,4% no trimestre móvel, conforme mostra a tabela 1.

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais caiu 3,2% contra novembro do ano passado, interrompendo sequência positiva de quatro meses. Com isso, o trimestre móvel aumentou 0,1% em relação ao verificado no mesmo período de 2021. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda cedeu 0,9%, enquanto a produção industrial, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), acumulou uma queda de 1%, como visto no gráfico 1. Na mesma base de comparação, as importações de bens industriais cresceram 4,2%.

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Dados Consumo XLS



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Indicador Ipea Mensal de FBCF – Resultado de Outubro de 2022 e Nota Metodológica

Por Leonardo Mello de Carvalho e Marco Antonio F. de H. Cavalcanti

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma alta de 2,2% na comparação entre outubro e setembro na série com ajuste sazonal. Com isso, o trimestre móvel encerrado em outubro registrou um acréscimo de 1,5%. Nas comparações com os mesmos períodos de 2021, enquanto outubro apresentou uma alta de 6,6%, o trimestre móvel aumentou 5,9%. No acumulado em doze meses, os investimentos totais apresentaram um crescimento de 0,4% em outubro.

Na comparação com ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentou um avanço de 2,9% em outubro, encerrando o trimestre móvel com uma alta de 1,9%. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos avançou 7,4% em outubro, a importação cedeu 14% no mesmo período. Ainda assim, as importações cresceram 22,6% no trimestre móvel. A produção nacional, por sua vez, encerrou o período com uma queda de 5,1%. No acumulado em doze meses, a demanda interna por máquinas e equipamentos registrou uma queda de 7,2%.

Os investimentos em construção civil, por sua vez, também avançaram em outubro, na série dessazonalizada, registrando uma alta de 0,6%. Ainda assim, o segmento registrou uma queda de 2,7% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, a expansão foi de 5,2%.

Tabela 1 (19)

Gráfico 1 (5)

Gráfico 2

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Dados indicador



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Investimento líquido e estoque de capital – atualização de dados desagregados de 2020 e agregados do terceiro trimestre de 2022​

Por José Ronaldo Souza Jr. e Felipe Cornelio

Esta nota atualiza as séries dos indicadores Ipea de investimento líquido e de esto- que de capital até o terceiro trimestre de 2022. Devido à divulgação dos dados anuais de 2020 do Sistema de Contas Nacionais (SCN/IBGE), todos os dados a partir desse ano foram revisados. No caso do estoque de capital, os dados anuais de 2020 permitem não só estimativas de melhor qualidade como também a desagregação por componente, inclusive três categorias de construção – infraestrutura, residencial e demais estruturas. Particularmente, destaca-se a recuperação do crescimento do estoque de infraestrutura devido às elevadas taxas de crescimento dos investimentos brutos no segmento por dois anos consectivos, 18,8% em 2019 e 13% em 2020. Com isso, o investimento líquido, que havia ficado negativo em 2017 e 2018, voltou a ficar positivo em 2019 e avançou significativamente em 2020 (ano da recessão causada pela pandemia), indicando que o estoque de capital de infraestrutura voltou a aumentar, passando de 0,1% em 2019 para 0,7% em 2020. Em relação às estimativas trimestrais agregadas com dados mais recentes, apesar da desaceleração do crescimento da formação bruta de capital fixo (FBCF), os investimentos líquidos (excluído o valor da depreciação) apresentaram aceleração do crescimento, por muito influenciado pela redução da depreciação. O resultado em termos de estoque de capital foi a continuidade de crescimento, atingindo uma taxa de crescimento interanual de 1,0% em setembro de 2022 – depois de ter fechado 2021 com 0,7%.

Gráficos 9 e 13

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Visão Geral da Conjuntura

Por Marco A. F. H. Cavalcanti,  Francisco E. de Luna A. Santos, Estêvão Kopschitz X. Bastos, Maria Andréia P. Lameiras e Leonardo Mello de Carvalho

O quadro mundial continua piorando, com inflação alta, juros em elevação e desaquecimento do nível de atividade. No Brasil, sob o impacto da política monetária apertada, o ritmo de expansão da atividade econômica em outubro e novembro dá sinais de arrefecimento na indústria e nos serviços. O mercado de trabalho, por sua vez, segue em trajetória positiva, marcado pela queda da taxa de desocupação e, mais recentemente, pela recuperação dos rendimentos; o crescimento da massa salarial real também corrobora o quadro positivo do mercado de trabalho. Quanto à inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), após encerrar o primeiro semestre do ano com taxa de variação acumulada em doze meses de 11,9%, veio se reduzindo continuamente, até 5,9% em novembro. No mercado de crédito, enquanto a inadimplência e o comprometimento de renda preocupam, o volume de concessões apresenta acomodação, após a elevação do início do ano. A taxa média de juros de operações de crédito é outro fator que limita o mercado de crédito, encontrando-se em sua máxima dos últimos anos, embora, no último trimestre, tenha havido desaceleração no seu crescimento. As contas do setor externo continuam apresentando comportamento positivo, apesar das incertezas e turbulências externas e internas. As contas públicas do governo central se encaminham para fechar 2022 com resultados muito positivos, relativamente a 2021. Para 2023, a discussão recente tem se concentrado nas mudanças a serem realizadas no orçamento federal e no arcabouço de regras fiscais, visando acomodar os aumentos de despesas desejados pelo governo eleito. No front subnacional, as finanças públicas estaduais mantiveram, em termos agregados, resultados primários positivos nos primeiros dez meses de 2022.

O resultado do produto interno bruto (PIB) do terceiro trimestre veio em linha com nossas projeções, com a taxa sobre o trimestre anterior (+0,4%) um pouco abaixo do previsto (+0,6%), assim como a variação sobre o mesmo trimestre de 2021 (dado observado de +3,6% e projeção de 3,8%). Em relação à nova previsão de crescimento para 2022, com base na análise de um conjunto amplo de variáveis, a Dimac/Ipea aumenta a previsão para o PIB, passando-a de 2,8% para 3,1%, o que embute ligeira queda de 0,2% do PIB no quarto trimestre de 2022, na comparação com ajuste sazonal. Nossa previsão para a expansão do PIB em 2023 foi revisada de 1,6% para 1,4% e continua acima das expectativas de mercado, que giram em torno de 0,7%. Tal divergência se explica fundamentalmente por nossa previsão mais alta de crescimento do setor agropecuário.

As projeções do Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea para o IPCA e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2022 foram mantidas em 5,7% e 6,0%, respectivamente. Para 2023, a taxa prevista tanto para o IPCA quanto para o INPC é de 4,9%.
Tabela 3_dez22 (3)

Tabela 7
Tabela 5 (1)

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços: outubro e novembro de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho

SUMÁRIO

O ritmo de expansão da atividade econômica nos dois primeiros meses do quarto trimestre começa a dar sinais de arrefecimento. Como já era esperado, os efeitos associados à implementação de uma política monetária contracionista tenderiam a reduzir a demanda, particularmente naqueles bens cuja aquisição é mais dependente de financiamento via crédito. Além disso, ao longo dos últimos meses, a situação financeira das famílias vem deteriorando, resultado de um aumento do comprometimento da renda com os serviços de dívidas passadas. Neste contexto, as decisões de consumo continuam mais direcionadas para os serviços, enquanto o setor de bens tem enfrentado condições um pouco mais adversas. A perda de fôlego da demanda interna também afeta o desempenho do setor industrial que, após se recuperar dos gargalos de oferta impostos pela crise sanitária, se depara com um ritmo menos aquecido da economia. Como consequência, as pesquisas de sentimento vêm indicando de forma generalizada uma forte piora no nível de confiança dos agentes, tanto empresários quanto consumidores. Corroborando este cenário, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) e o Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, registraram desempenho modesto em outubro. Enquanto o IBC-Br permaneceu estagnado na margem pelo segundo mês consecutivo, o Monitor do PIB avançou apenas 0,1% na mesma base de comparação, com alta de 2,8% em termos interanuais. Em relação a novembro, influenciada pelos resultados esperados para a indústria, comércio e serviços, a previsão da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dimac/Ipea) é que o Monitor do PIB apresente novo recuo na margem, com queda de 0,5%. Com este resultado, as perspectivas para o desempenho do PIB no quarto trimestre deterioram, ao reduzir o efeito de carry-over auferido no período anterior.

Tabela 1 (1)

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Projeção do valor adicionado do setor agropecuário para 2022 e 2023

Por Pedro M. Garcia, Fabio Servo e José Ronaldo Souza Jr.

Esta Nota revisa as nossas previsões para o valor adicionado (VA) do setor agropecuário de 2022 e 2023 baseada nas novas estimativas do IBGE divulgadas recentemente no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), no prognóstico de safra e nas Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite e da Produção de Ovos de Galinha. A previsão do VA para este ano, que era de uma queda de 1,7% (como divulgado na Nota no 27 da Carta de Conjuntura no 56),  foi revisada para um recuo menor, de 1,0%. Os principais motivos para a nova previsão são: i) a revisão pelo IBGE do resultado do Sistema de Contas Nacionais anuais e trimestrais para o setor agropecuário no período de 2020 ao primeiro semestre deste ano; e ii) o forte crescimento da produção de bovinos no terceiro trimestre deste ano. Para 2023, a estimativa foi revisada de crescimento de 10,9% para alta de 11,6% com a introdução do novo prognóstico de safra do IBGE e com a atualização das previsões para a produção animal.

Gráficos 1 e 3

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Outubro de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma alta de 0,2% na comparação entre outubro e setembro na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu uma baixa de 1,4% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em outubro recuou 0,9% na margem, interrompendo uma sequência de seis aumentos nesta base de comparação. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) cresceu 0,3% em outubro e recuou 2,4% no trimestre móvel, as importações de bens industriais cederam 1% em outubro, com alta de 3,9% no trimestre móvel, conforme mostra a tabela 1.
Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cresceu 3% contra outubro do ano passado. Com isso, o trimestre móvel aumentou 3,2% em relação ao verificado no mesmo período de 2021. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda cedeu 0,6%, enquanto a produção industrial, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), acumulou uma queda de 1,4%, como visto no gráfico 1. Na mesma base de comparação, as importações de bens industriais cresceram 5,4%.

Tabela 1 (18)

Gráfico 1 (4)

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Dados Consumo XLS



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Desempenho do PIB no terceiro trimestre de 2022

Por Leonardo Mello de Carvalho e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O PIB avançou 0,4% no terceiro trimestre de 2022, na comparação com o trimestre anterior, já livre de efeitos sazonais, e 3,6% na comparação interanual, de acordo com o IBGE. Com o ajuste realizado em função da divulgação das Contas Nacionais Anuais referentes a 2020, que implicou a atualização de pesos e a incorporação de novas informações, os quatro trimestres de 2021, assim como os dois primeiros de 2022, foram reestimados. Com isso, o resultado acumulado em quatro trimestres para 2021 foi majorado de 4,6% para 5%. Em relação a 2022, na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados do primeiro e segundo trimestres sofreram revisão para cima, passando de 1,7% para 2,4% e de 3,2% para 3,7%, respectivamente; o crescimento acumulado no ano no primeiro semestre passou de 2,5% para 3,1%. Nas comparações sobre o período imediatamente anterior, enquanto o primeiro trimestre aumentou de 1,1% para 1,3%, o segundo foi reduzido de 1,2% para 1%. Com isso, o carry-over para 2022 ficou em 3,1% – ou seja, caso permaneça estagnado no último trimestre, o PIB fechará o ano com alta de 3,1%. Em relação ao último trimestre de 2019, período imediatamente anterior ao início da crise causada pela pandemia de covid-19, o PIB encontra-se em patamar 4,5% superior.

Em relação à ótica da produção, o PIB da agropecuária voltou a apresentar o desempenho mais modesto, com recuo de 0,9% na margem e alta de 3,2% na comparação interanual. Já o setor de serviços foi o destaque positivo no terceiro trimestre. Desde a normalização dos níveis de mobilidade urbana, o setor segue mantendo forte ritmo de recuperação. Menos afetado pelo aumento das taxas de juros, o consumo de serviços pelas famílias tem sido estimulado não somente por uma demanda reprimida, mas também pela melhora nos indicadores do mercado de trabalho. Além disso, a evolução dos seus preços tem sido mais benigna, vis-à-vis os preços dos bens, gerando efeitos de substituição. O resultado registrado no terceiro trimestre, com altas de 1,1% na margem e 4,5% em termos anuais, ficou acima da nossa projeção, que era de 0,8% e 3,9%, respectivamente. Por fim, o setor industrial registrou a terceira alta consecutiva na comparação dessazonalizada. O crescimento de 0,8% na margem desacelerou em relação ao observado no segundo trimestre (1,7%), ficando um pouco acima da nossa previsão, que era de 0,5%. Embora os gargalos relacionados à oferta de insumos estejam diminuindo, a atividade do setor, por ser mais sensível aos efeitos da política monetária, tem demonstrado algum arrefecimento.

Pela ótica da despesa, o destaque positivo ficou novamente por conta da FBCF, que registrou altas de 2,8% na margem e de 5% na comparação interanual. Este resultado, que superou nossas previsões (1,4% e 3,1%, respectivamente), foi explicado pelo bom desempenho da construção civil, pelo consumo aparente de máquinas e equipamentos, particularmente a produção interna e as importações, e pela demanda por softwares. Já o consumo das famílias desacelerou na passagem entre o segundo e terceiro trimestres, afetado pela perda de fôlego no comércio de bens. Na comparação com ajuste sazonal, o avanço de 1% sucedeu uma alta de 2,1%, sendo esta a quinta variação positiva seguida. Por fim, as exportações líquidas registraram contribuição negativa para o resultado do terceiro trimestre, seja na comparação com ajuste sazonal, seja em termos interanuais, refletindo o crescimento da absorção interna acima do registrado pelo PIB – de 1,4% sobre o segundo trimestre deste ano e de 3,9% sobre o terceiro do ano passado.

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