Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Leite Corseuil e Júlia Freitas de Lima
Em consonância com um quadro de desaquecimento de atividade da economia menos intenso que o previsto, os indicadores mais recentes confirmam a continuidade de uma trajetória favorável do mercado de trabalho, ainda que com sinais de perda de fôlego na margem. Por certo, embora a taxa de desocupação se mantenha estável em nível historicamente baixo, a queda no ritmo de criação de novas vagas e a desaceleração na taxa de crescimento dos salários indicam uma dinâmica mais moderada no cenário de emprego no país. Em abril, após a mensalização dos dados do trimestre móvel, a taxa de desocupação medida pela PNAD Contínua ficou em 5,3%, recuando 0,05 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado no mesmo período de 2025. Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação de 5,5%, em abril é ligeiramente maior que a observada em março (5,4%) e a mais alta desde outubro de 2025.
Deve-se ressaltar, ainda, que assim como vem ocorrendo nos últimos anos os dados do trimestre encerrado em abril mostram que boa parte deste bom comportamento da taxa de desocupação deve-se ao desempenho mais fraco da força de trabalho. De fato, no último trimestre móvel, encerrado em abril, enquanto a força de trabalho – estimada em 108,7 milhões – mostrou crescimento de interanual de apenas 0,2%, a população em idade ativa que se mantém fora da força de trabalho (66,5 milhões) apontou alta de 1,6%. Por conseguinte, a taxa de participação no mercado de trabalho brasileiro foi de 62,1%, neste trimestre, mantendo-se abaixo tanto do observado no mesmo trimestre do ano anterior (62,3%) quanto do registrado na média dos dois últimos anos anteriores à pandemia (63,2%). Logo, caso a taxa de participação tivesse se mantido próxima ao nível registrado anteriormente, a taxa de desocupação estaria em patamar mais elevado. Nota-se, também, que entre esse contingente que se mantém fora da força de trabalho vem crescendo a participação de pessoas que não desejam retornar ao mercado de trabalho, mesmo diante de uma oportunidade de emprego. No primeiro trimestre de 2026, esse grupo representava 87,6% do total, o que significa uma alta de 1,5 p.p. ante o registrado no mesmo período do ano passado e de 5,6 p.p. em relação ao observado no período pré-pandemia (primeiro trimestre de 2020).








