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Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

Os principais indicadores recentes de emprego no país demonstram que a trajetória de retomada do mercado de trabalho brasileiro se intensificou ao longo dos últimos meses, combinando crescimento da população ocupada e redução da desocupação, mesmo em um contexto de expansão da força de trabalho. Em abril, na série mensal extraída da série trimestral da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desocupação ficou em 9,5%, recuando de forma significativa na comparação com o mesmo período de 2021 (14,4%). Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação de 9,4%, apurada em abril, se encontra no menor patamar desde outubro de 2015.

Assim como vem ocorrendo desde o início de 2021, esse movimento de redução da taxa de desocupação é decorrente da recuperação da população ocupada, cujo contingente, em abril, chegou a 97,8 milhões de trabalhadores, atingindo o maior patamar já obtido a partir da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. Na comparação com o mesmo período de 2021, a população ocupada registra alta de 10,8%, enquanto na série livre de sazonalidade, o montante é 2,1% maior que o registrado em março. A análise dos dados da PNAD Contínua revela ainda que a expansão da ocupação vem ocorrendo de forma generalizada, abrangendo todas as regiões, todos os segmentos etários e educacionais e todos os setores da economia.

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Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

Os principais indicadores recentes de emprego no país demonstram que a trajetória de retomada do mercado de trabalho brasileiro vem se consolidando, refletindo, sobretudo, a forte expansão da população ocupada e seus efeitos sobre a redução do desemprego. Em janeiro, o contingente de ocupados no país somava 94,1 milhões de trabalhadores, já retornando ao patamar verificado no período pré-pandemia – 94,5 milhões em janeiro de 2020. Na comparação com o mesmo período de 2021, a população ocupada registra alta de 8,1%, tornando-se o principal fator responsável pela queda de 3,3 pontos percentuais (p.p.) da taxa de desocupação, que recuou de 14,7% em janeiro de 2021 para 11,4% em janeiro deste ano.

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A partir da análise dos microdados da PNAD Contínua, observa-se que essa expansão da ocupação vem ocorrendo de forma generalizada, atingindo todos os segmentos etários e educacionais, além de praticamente todos os setores da economia. No entanto, no quarto trimestre de 2021, o crescimento da população ocupada foi mais intenso entre os trabalhadores mais jovens e aqueles com ensino fundamental.

Deve-se ressaltar, no entanto, que apesar dos dados recentes retratarem um cenário mais favorável, o mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta uma série de desafios a serem superados. Em que pese a melhora da desocupação, em janeiro, o país ainda possuía um contingente de 12,1 milhões de desempregados, dos quais mais de 30% estão nesta situação há mais de dois anos.

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Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

O desempenho recente dos principais indicadores revela que a retomada do mercado de brasileiro se intensificou no último trimestre. Segundo dados da PNAD Contínua, apesar do contingente elevado de desempregados – 13,5 milhões –, a taxa de desocupação dessazonalizada no terceiro trimestre ficou em 12,5%, atingindo o menor nível desde o trimestre móvel encerrado em abril de 2020. Esta queda do desemprego – que ocorre de modo generalizado, abrangendo todas as regiões e praticamente todos os segmentos etários e educacionais – é resultado de uma expansão significativa da população ocupada, que avançou 11,4%, no terceiro trimestre, na comparação interanual, superando o ritmo de crescimento da força de trabalho (8,6%). O crescimento da ocupação, entretanto, vem ocorrendo de modo mais intenso nos setores informais, refletindo, especialmente, retomada a dos serviços mais beneficiados com o relaxamento das medidas de restrição social. No terceiro trimestre do ano, na comparação interanual, o número de trabalhadores sem carteira e por conta própria registraram alta de 23,1% e 18,4%, respectivamente, enquanto os empregos com carteira assinada apresentaram um desempenho mais moderado (8,6%). Essa melhora das condições do mercado de trabalho, impactada pela aceleração do ritmo de criação de empregos nos últimos meses, pode ser apontada como o principal fator de redução do desalento no país, cujo contingente passou de 5,8 milhões para 5,1 milhões entre 2020 e 2021.

Entretanto, mesmo diante de dados positivos, a situação do mercado de trabalho ainda é bastante desafiadora, combinado desocupação, ainda em patamar elevado, alta proporção de subocupados – 8,2% da ocupação total e 29% de desocupados nesta situação há mais de dois anos.

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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Mendonça Russo

Os dados mais recentes mostram que embora já se verifique alguns sinais positivos, o mercado de trabalho brasileiro ainda apresenta um quadro desafiador, com taxas de desocupação, subocupação e informalidade ainda em patamares elevados. No entanto, o ritmo de recuperação da população ocupada vem se acentuando nos últimos meses, a ponto de conseguir reduzir a taxa de desemprego mesmo num cenário de recuperação da taxa de participação. Segundo a desagregação dos trimestres móveis da PNAD Contínua, observa-se que, após atingir 15,1%, em março, a taxa de desocupação vem decrescendo, de modo que, em junho, já havia recuado para 13,7%. De modo similar, os dados dessazonalizados indicam que a taxa de desocupação em junho (13,8%) é a menor apurada desde maio de 2020.

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As estatísticas extraídas da PNAD Contínua mostram ainda que esse aumento do emprego no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior, ocorreu de forma disseminada entre os diferentes segmentos da população, com destaque para a expansão da ocupação entre as mulheres (2,2%), os jovens (11,8%) e os trabalhadores com ensino médio (7,0%).

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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente lameiras, Carlos Henrique Corseuil e Lauro Ramos

No primeiro trimestre deste ano, apesar da melhora da atividade econômica acima do esperado e do crescimento da população ocupada (PO), as condições gerais do mercado de trabalho brasileiro ainda se encontram significativamente afetadas pela pandemia. De acordo com as estatísticas extraídas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), em março, a taxa de desocupação ficou em 15,1%, 2,3 pontos percentuais (p.p.) acima da taxa registrada no mesmo período de 2020. O desemprego vem sendo pressionado pelo retorno à força de trabalho de uma parcela de indivíduos que haviam ficado inativos por conta da pandemia. Já a PO que se declarava subocupada chegou a 8,2% do total da ocupação, no primeiro trimestre de 2021, avançando 1,0 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. Não obstante a alta da desocupação e da subocupação, o crescimento do número de desalentados corrobora essa situação pouco favorável do mercado de trabalho.

A análise dos fluxos de entrada e saída dos trabalhadores entre as diferentes posições no mercado de trabalho – extraídos dos microdados da PNAD Contínua – revela que a pandemia gerou mudanças importantes nessas dinâmicas de transição. No caso da ocupação, observa-se que houve não só um forte aumento no fluxo de saída, mas também uma queda expressiva no fluxo de entrada, de modo que a taxa de saída da PO que costumava apresentar leves oscilações ao redor de 40% passou a registrar 45,3% no segundo trimestre de 2020. Já a taxa de entrada, que também costumava oscilar em patamares próximos a 40% até o fim de 2019, registrou 27,9% no segundo trimestre de 2020. Nota-se, no entanto, que, já a partir do terceiro trimestre de 2020, o fluxo de entrada de trabalhadores na PO passa a superar o de saída, porém a taxas ainda modestas, de modo que essa reversão não foi suficiente para que a PO recuperasse, no primeiro trimestre de 2021, o patamar registrado no primeiro trimestre de 2020. Ainda de acordo com os microdados de transição, observa-se que, enquanto os fluxos de entrada no emprego formal apresentam movimentos similares aos do mercado como um todo, os fluxos de saída do emprego formal crescem menos que os observados na ocupação total. Isso significa que o comportamento do emprego formal durante a pandemia foi mais afetado pela diminuição nas contratações que por um aumento nos desligamentos.

Por fim, registra-se que o aumento do desemprego se deve a uma queda mais abrupta no fluxo de saída do desemprego que no fluxo de entrada, indicando que os trabalhadores estão passando mais tempo na desocupação. Por certo, 69,8% dos desempregados deixavam essa condição no primeiro trimestre de 2020, enquanto apenas 55,2% faziam essa transição no primeiro trimestre de 2021. Nesse mesmo período, o fluxo de entrada no desemprego passou de 77,5%, no primeiro trimestre de 2020, para 64,1%, neste mesmo trimestre de 2021.​

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A redução no número de entrevistas na PNAD contínua durante a pandemia e sua influência para a evolução do emprego formal

Por Carlos Henrique Corseuil e Felipe Russo

Procuramos mostrar neste texto em que medida a anunciada queda do número de entrevistas realizadas pela PNAD Contínua pode ter interferido na evolução do emprego formal proveniente dessa fonte de informação. Isso ocorre se a queda não for distribuída uniformemente pela população, levando a mudanças na composição da amostra, de forma a alterar a representatividade de indivíduos com maior ou menor propensão a ocupar um posto de trabalho formal.

Os nossos resultados confirmam esse quadro de mudança na composição da amostra, apontando ser possível registrar quedas menores nas taxas de formalização da ordem de 0,85 p.p. na PNAD Contínua do segundo trimestre de 2020 e de 0,69 p.p. no terceiro trimestre de 2020, num cenário em que a queda no número de entrevistados não alterasse a composição da amostra.

É importante frisar que os nossos resultados apontam como plausível a hipótese de que a queda no número de entrevistas foi decorrente da dificuldade que o IBGE teve de obter um cadastro de telefones para conduzir as entrevistas por esse meio durante a pandemia. Tal conjectura é respaldada pelo fato de a queda ser concentrada, sobretudo, no grupo de indivíduos que seriam entrevistados pela primeira vez no segundo trimestre de 2020, ou seja, no início da pandemia.

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