Arquivos da categoria: Inflação

Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica no 26, Carta de Conjuntura no 70, de abril de 2026), os dados do primeiro trimestre indicam que a economia brasileira começou o ano de 2026 em aceleração, com crescimento de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 1,1% em relação ao quarto trimestre de 2025. Como também já era previsível em abril, o referido crescimento – que se mostrou um pouco maior do que antecipávamos – foi liderado, pelo lado da produção, pelo setor agropecuário e, pelo lado do gasto, pelo consumo das famílias e pela formação bruta de capital fixo.

Mas os dados do primeiro trimestre de 2026 – e os que já estão disponíveis para o segundo trimestre – não trouxeram apenas confirmações do que já antecipávamos. Os dados suscitaram também questionamentos sobre a extensão do “pouso suave (…) sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna” que explicou tão bem a desaceleração da economia verificada no segundo semestre do ano passado (Nota Técnica no 22, Carta de Conjuntura no 69, de dezembro de 2025). Não será surpresa, em particular, se o crescimento da economia neste ano vier a ser próximo ou maior do que o verificado em 2025, mesmo com as taxas de juros reais em patamares historicamente muito altos.

Com efeito, mesmo com a expectativa de uma Selic nominal maior do que a prevista em março passado, optamos por aumentar a nossa previsão de crescimento do PIB em 2026 para 2,3%, puxada, pelo lado da despesa, por previsões de crescimento do consumo das famílias e das exportações da ordem de 2% e 4,5%, respectivamente, e, pelo lado da produção, por crescimentos de 2,4% nos serviços e 2% na indústria, neste último caso por conta da perspectiva de mais um bom ano para a indústria extrativa mineral. Para o segundo trimestre, a projeção é que o PIB cresça 0,5% em relação ao resultado do primeiro trimestre na série dessazonalizada e 2% em relação ao resultado do segundo trimestre de 2025. Para 2027, mantemos a expectativa de crescimento de 2,0%, em um cenário no qual a atividade segue se expandindo, mas com ritmo mais moderado do que o projetado para 2026, em parte porque o carry-over deixado para o próximo ano é menor, de 0,8%.
Ademais, diante de um cenário inflacionário claramente menos benigno do que o verificado em março, e levando em consideração os resultados já observados até maio, a projeção do Grupo de Conjuntura do Ipea para o IPCA no ano avançou de 4,2% para 5,3%. Nesse novo quadro, as projeções para a alta dos alimentos e dos serviços livres foram majoradas, passando de 3,9% e 5,5% para 7,3% e 5,8%, respectivamente. Já a projeção para os bens industriais e para os preços administrados saltaram de 2,6% e 4,3% para 3,6% e 4,8%, nesta ordem.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado Ipea, apresentou taxa de variação de 0,25% em maio de 2026, situando-se 0,7 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 1,02 p.p. Maior.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 4,45% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Inflação por faixa de renda – Maio/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, em maio, à exceção da faixa de renda alta, houve uma desaceleração da inflação, na margem, para todas as classes pesquisadas, repercutindo, sobretudo, a deflação dos combustíveis e a melhora no comportamento dos preços dos produtos farmacêuticos. Em termos absolutos, o segmento de renda muito baixa foi o que apresentou a maior taxa de inflação em maio (0,83%), ao passo que a menor variação de preços foi registrada na faixa de renda alta (0,38%). Por certo, o aumento dos alimentos no domicílio e o reajuste da tarifa de energia elétrica, ocorridos em maio, explicam esta alta mais forte da inflação nas classes de renda mais baixas, dado o peso destes itens nas suas cestas de consumo.

No acumulado do ano, até maio, a faixa de renda muito baixa é a que apresenta a maior inflação (3,46%), pressionada, especialmente, pela alta de 5,7% dos preços dos alimentos no domicílio nos cinco primeiros meses de 2026. Por sua vez, a faixa de renda alta é a que aponta a taxa menos elevada (2,83%), beneficiada pelas deflações de 5,0% e de 15,8% das passagens aéreas e dos transportes por aplicativo. Já no acumulado de doze meses, a faixa de renda muito baixa ainda registra a menor inflação (4,29%), ao passo que o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (5,26%).

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Dados Xls



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – abril de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,95% em abril de 2026, situando-se 0,49 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,73 p.p. Maior.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 3,38% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Inflação por faixa de renda – Abril/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, à exceção da classe de renda muito baixa, todos os demais segmentos pesquisados registraram desaceleração inflacionária em relação a março. Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa avançou de 0,85% em março para 0,92% em abril, a taxa observada no segmento de renda alta recuou de 0,85% para 0,24% no mesmo período.

Por certo, mesmo diante de uma alta menos intensa dos alimentos no domicílio, os reajustes mais fortes dos preços da energia elétrica e dos produtos farmacêuticos, em abril, explicam esta aceleração da inflação para a classe de renda mais baixa. Em contrapartida, a melhora no comportamento do grupo transportes, refletindo os aumentos menos expressivos dos combustíveis e as deflações das tarifas de ônibus urbano, transporte por aplicativo e das passagens aéreas, explicam grande parte do alívio inflacionário observado, em abril, para as demais classes, especialmente, para a de renda alta. Com a incorporação do resultado de abril, no primeiro quadrimestre do ano, a classe de renda baixa é a que apresenta a maior taxa de inflação (2,66%), enquanto a taxa menos elevada é apontada pela faixa de renda alta (2,44%). No acumulado em doze meses, no entanto, as famílias de renda muito baixa seguem registrando a menor variação (3,83%), ao passo que o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (4,95%).

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Dados Xls



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – março de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,46% em fevereiro de 2026, situando-se 0,20 ponto percentual (pp) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,40 pp maior.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 2,64% nos últimos doze meses

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Dados Xls



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Inflação por faixa de renda – Março/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, à exceção da classe de renda alta, todos os demais segmentos pesquisados registraram aceleração inflacionária em relação a fevereiro. Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa passou de 0,50% em fevereiro para 0,85% em março, a taxa observada no segmento de renda alta recuou de 1,15% para 0,85% no mesmo período. Se, por um lado, a alta mais intensa dos alimentos no domicílio contribuiu para a aceleração da inflação em março, especialmente entre as classes de rendas mais baixas, por outro, o fim do impacto do reajuste das mensalidades escolares, ocorrido em fevereiro, explica o arrefecimento da inflação da faixa de renda alta, mesmo em um contexto de aumento de preços de combustíveis.

Com a incorporação do resultado de março, no primeiro trimestre do ano, a classe de renda muito baixa é a que apresenta a menor taxa de inflação (1,67%), enquanto a taxa mais elevada é apontada pela faixa de renda alta (2,19%). De modo semelhante, no acumulado em doze meses, as famílias de renda mais baixa seguem registrando a menor variação (3,50%), ao passo que o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (4,85%).

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Dados Xls



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Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica n º 22, Carta de Conjuntura n º 69, de dezembro de 2025), o produto interno bruto (PIB) da economia brasileira fechou o ano de 2025 com crescimento de 2,3%. Ademias, os dados do quarto trimestre – com o PIB crescendo 0,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada – se mostraram compatíveis com o diagnóstico do grupo no final do ano passado, segundo o qual a economia estaria em um “pouso suave” “(…) “sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna”.

A recente eclosão do conflito armado envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã – e a consequente perspectiva de altas prolongadas no preço do petróleo – inserem-se em um contexto já potencialmente instável, decorrente do conflito na Ucrânia e dos impactos sobre o comércio mundial da imposição unilateral de tarifas pelos Estados Unidos. Não parece exagerada a afirmação de que o mundo se encontra no momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria.

Dadas as incertezas associadas à própria extensão da guerra, os impactos desta última sobre a economia brasileira são difíceis de antecipar com precisão. Há motivos para moderado otimismo a este respeito, entretanto.

A elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional

O crescimento da renda das famílias brasileiras nos últimos anos se deve, em grande medida, à combinação de crescimento continuado dos gastos públicos sociais e da massa salarial, esse último resultado do desempenho recente muito favorável do mercado de trabalho favorecido pelos efeitos multiplicadores dos referidos gastos sociais5. Não são esperadas mudanças no binômio gastos sociais e massa salarial crescentes ao longo de 2026, o que, por seu turno, sustenta, pelo lado da demanda, a perspectiva de crescimento da atividade econômica no ano.

Após um fim de 2025 marcado por perda de dinamismo da atividade, os resultados de janeiro das principais pesquisas conjunturais sugerem desempenho positivo disseminado, contemplando tanto segmentos menos cíclicos quanto aqueles mais sensíveis aos efeitos do aperto monetário. Embora, por si só, não alterem de forma substantiva a leitura do grupo de conjuntura do Ipea sobre o ambiente macroeconômico, os números do primeiro bimestre impactam positivamente o resultado esperado para a atividade econômica no primeiro trimestre de 2026.

Com efeito, a projeção do grupo de conjuntura do Ipea para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2026 é de 0,8% contra o trimestre imediatamente anterior na série dessazonalizada e 1,4% na comparação interanual, crescimento esse que se espera puxado, pelo lado da demanda, pelo consumo das famílias e pela formação bruta de capital fixo. Pelo lado da oferta, espera-se que o setor de serviços lidere a expansão, mas cabe registrar também o aparente crescimento do PIB agropecuário no primeiro trimestre de 2026, que, caso se concretize, ocorrerá sobre uma base já elevada pela supersafra colhida em 2025.

Embora o cenário prospectivo do grupo permaneça, em linhas gerais, semelhante ao traçado na última Visão Geral — ressalvadas alterações no que se refere ao aumento da incerteza no ambiente externo — a revisão da nossa projeção para o primeiro trimestre ensejou também uma revisão da estimativa de crescimento do PIB em 2026 de 1,6% para 1,8%. Para 2027, em um cenário sem choques adicionais relevantes, mantemos a expectativa de aceleração moderada da atividade, com expansão de 2,0%, refletindo, em grande medida, a tendência de que os efeitos defasados da flexibilização monetária se tornem mais perceptíveis ao longo do próximo ano.

Optamos, adicionalmente, por manter nossa projeção para a inflação brasileira em 2026, medida pelo IPCA, em 4,2%, embora com mudanças em sua composição. Se, por um lado, houve melhoras no desempenho da safra, da taxa de câmbio e dos serviços aliviando a pressão sobre os preços livres, por outro, a eclosão da guerra e seus efeitos sobre os combustíveis pioraram a projeção para os preços administrados.

Nesse novo quadro, as projeções para a alta dos alimentos e dos serviços livres foram revisadas para baixo, passando de 4,2% e 5,7% para 3,9% e 5,5%, respectivamente. Já a projeção para os bens industriais foi mantida em 2,6%, uma vez que o melhor desempenho do câmbio foi compensado pela alta de 28% das commodities metálicas no último trimestre. Em sentido oposto, a elevação do preço do petróleo no mercado internacional ampliou o diferencial entre os preços domésticos e internacionais da gasolina, que em meados de março já superava 45%, alimentando expectativas de novos reajustes nos combustíveis. Com isso, a estimativa para a alta dos preços administrados em 2026 avançou de 3,8% para 4,3%.

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Análise e Projeções de Inflação

Por Maria Andréia P. Lameiras e Tarsylla Godoy de Oliveira

Embora os dados mais recentes mostrem um processo de desinflação consistente, possibilitado, especialmente, pela valorização cambial de 3,5% ocorrida no último trimestre, e de 16% desde o último pico do dólar no final de dezembro de 2024, a eclosão do conflito entre os Estados Unidos e o Irã trouxe incertezas a respeito da continuidade deste processo de desinflação e riscos de uma possível nova aceleração da inflação.

Após encerrar o ano de 2025 com uma alta de 4,3%, a inflação acumulada em doze meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 3,8%, em fevereiro, repercutindo, especialmente, a deflação de 0,1% dos alimentos no domicílio no período. Adicionalmente, a desaceleração dos preços monitorados e dos bens industriais e a estabilidade da inflação dos serviços livres, ainda que em patamares pouco confortáveis, explicam este quadro de inflação mais benevolente no primeiro bimestre de 2026.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – fevereiro de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou taxa de variação de 0,26% em fevereiro de 2026, situando-se 0,11 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 0,65 p.p. Menor.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 2,23%nos últimos doze meses

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