Arquivo da tag: Taxa de câmbio

Boletim de expectativas – Setembro de 2021

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para o PIB, IPCA, juros, taxa de câmbio, conta corrente e investimento direto no país (balanço de pagamentos) e variáveis fiscais. Os gráficos ilustram a evolução, ao longo deste ano, das projeções para 2021, 2022 e 2023. O crescimento do PIB previsto para os três anos vem sofrendo revisões para baixo recentemente. A inflação ao consumidor, por sua vez, para cima, nos casos de 2021 e 2022, enquanto mantém-se ancorada na meta de 3,25% em 2023. A taxa Selic é esperada em 8% no fim deste ano e também no de 2022; o nível esperado para fechar 2023 é de 6,5%. A alta nos juros se reflete também nas taxas dos leilões primários de títulos do Tesouro e na estrutura a termo do mercado secundário. As taxas de câmbio esperadas para o fim deste ano, de 2022 e de 2023 estão mais baixas do que no segundo trimestre, mas o quadro geral é de relativa estabilidade nas expectativas, que variam entre R$ 5,00 e R$ 5,30. As previsões para o deficit em conta corrente do balanço de pagamentos e para o investimento direto no país (IDP) têm se mantido mais ou menos estáveis, com o IDP cerca de três vezes maior do que o deficit em conta corrente em 2022 e 2023. Por fim, destaca-se a melhoria, ao longo de 2021, dos números esperados para variáveis de finanças públicas – receita, despesa, resultados primário e nominal, dívida líquida e dívida bruta.

210917_cc_52_nota_27_boletim_de_expectativas_graficos_2_e_7

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Contas externas: trajetória favorável em meio à pandemia

Por Andreza Aparecida Palma

De uma forma geral, o desempenho do setor externo tem sido favorável no período da pandemia, com sucessivos superavits na balança comercial. Isso se deve principalmente ao desempenho das exportações, com crescimento de 22,5% na média diária dessazonalizada em relação a janeiro de 2021; à diminuição do deficit em transações correntes do balanço de pagamentos, com o deficit acumulado em doze meses recuando de 1,64% do produto interno bruto (PIB) para 1,33% do PIB em relação a janeiro de 2021; e à retomada do ingresso de investimento em carteira, com variação de 40% em relação a janeiro de 2021.

Contribuem para esse cenário a alta no preço das commodities, a diminuição de viagens internacionais, a recuperação global, a alta na taxa de juros e o câmbio desvalorizado. Apesar da melhora dos fundamentos e de melhoras marginais na sua evolução, a taxa de câmbio brasileira continua sendo destaque negativo por se manter desvalorizada e volátil. Possíveis causas para esse comportamento incluem o risco fiscal e ainda as incertezas sobre a evolução da pandemia no país.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Boletim de expectativas – Agosto de 2021

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste número, são apresentadas previsões para o PIB, IPCA, juros, taxa de câmbio e preços de commodities. A previsão de crescimento do PIB em 2021 passou, desde o início da pandemia, por dois momentos de mudança de patamar: abril do ano passado e entre maio e julho deste ano. Na primeira mudança, a projeção média do Sistema Expectativas de Mercado do BCB passou de 2,5% para 3,5%, nível em que permaneceu por vários meses, para depois declinar para 3,1%, em abril de 2021. Em seguida, a nova rodada de revisões trouxe a projeção média para a taxa de 5,2%, que vigora desde os últimos dias de julho. A projeção para 2022 não se alterou logo depois do começo da pandemia, oscilando em torno de 2,5%; a partir de meados de junho deste ano, no entanto, as expectativas começaram a ser revistas para baixo, com a média caindo para o valor atual de 2,1%.

A evolução esperada da inflação ao consumidor indica que as expectativas de médio e longo prazo estão ancoradas nas metas definidas, apesar da elevação atual da taxa de inflação. De acordo com a mediana das projeções da pesquisa do BCB junto ao mercado, o IPCA de julho deste ano, de 0,96%, terá sido a taxa mensal mais elevada até pelo menos julho de 2023, período no qual ela oscilará entre 0,2% e 0,5%. A taxa acumulada em doze meses alcançará o pico de 9,3% em agosto deste ano e, depois de registrar 7,1% em dezembro, voltará, a partir de julho do ano que vem, para abaixo do limite superior de tolerância da meta de inflação (5,0%), chegando em dezembro de 2022 a 3,9%, ainda acima da meta de 3,5%. Após a definição da meta para 2024, em 24 de junho último, a mediana das expectativas para o IPCA em 2024 e 2025 migrou para a meta de 3,00%, em lugar dos 3,25% em que se encontrava até então, equivalente à meta de 2023, a última que estava definida. O BCB tem reagido à alta da inflação com elevação da Selic e indicações de que o aumento total ao fim do processo de aperto monetário será maior do que o incialmente antecipado. Como decorrência, as taxas de juros de curto, médio e longo prazos têm se elevado, com maior aumento nos prazos mais curtos, como se observa no mercado de DI futuro e na estrutura a termo da taxa de juros (ETTJ) de títulos da dívida pública.

O comportamento dos preços das commodities tem relevância para o nível de atividade e para a taxa de inflação. São apresentadas projeções trimestrais até o fim de 2022 para as quatro commodities que, em conjunto, responderam por 40% das exportações brasileiras no ano passado: soja em grão, minério de ferro, petróleo e açúcar. As projeções para os preços da soja, do ferro e do açúcar indicam que os preços teriam atingido um pico no segundo trimestre deste ano, passando a cair em seguida, permanecendo, no entanto, pelo menos até o fim de 2022, acima dos níveis de 2019. A expectativa para o preço do petróleo é também que pare de subir, mas que permaneça em patamar elevado nos próximos trimestres.

Gráficos 4 e 5

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Câmbio e Balanço de Pagamentos

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

As taxas de câmbio permanecem relativamente estáveis em razão da queda simultânea do risco país e das taxas de juros. Para os próximos meses, é possível que haja alguma valorização cambial em decorrência da queda dos juros internos e da esperada elevação gradual dos juros dos EUA. O déficit em transações correntes continua a cair, num movimento iniciado há três anos. O déficit caiu de US$ 23,5 bilhões em 2016 para US$ 9,8 bilhões em 2017, uma queda de US$ 13,8 bilhões. Isso significou que o déficit passou de 1,3% do PIB em 2016 para 0,5% em 2017. Essa queda continuou a ocorrer em janeiro deste ano. A previsão do Banco Central do Brasil (BCB), entretanto, é de um déficit maior, de US$ 18,4 bilhões, em 2018, ou 0,9% do PIB, em razão da recuperação esperada da economia brasileira. A principal contribuição para a redução do déficit corrente veio do forte aumento do superávit comercial, que aumentou US$ 19 bilhões em 2017. No primeiro bimestre do ano, o saldo comercial foi de US$ 7,7 bilhões, contra US$ 7,3 bilhões no mesmo período do ano passado. Entretanto, o valor das exportações foi artificialmente elevado em razão de uma exportação ficta de plataforma de petróleo, de cerca de US$ 1,5 bilhão. Assim, deduzindo este valor, o saldo teria sido de US$ 6,1 bilhões, inferior, portanto, ao registrado em igual período do ano passado, em linha com as projeções apresentadas.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 31

 Por Marcelo José Nonnenberg

Após forte desvalorização cambial ocorrida no segundo semestre de 2015, o real voltou a se valorizar este ano, tendo registrado uma relativa estabilidade em abril e maio. O contínuo aumento do superavit comercial tem sido uma das poucas notícias favoráveis na economia brasileira nos últimos meses. De fato, o superavit alcançou um recorde em maio deste ano, de US$ 6,4 bilhões e, no acumulado do ano, de US$ 19,7 bilhões, quando em igual período de 2015, este valor foi de US$ 2,3 bilhões negativos. Na margem, o crescimento deste saldo vem resultando tanto do aumento das exportações quanto da redução das importações. No acumulado do ano, as exportações ainda registram uma pequena queda na comparação com o mesmo período de 2015, mas, pelo critério das médias diárias dessazonalizadas, o valor de maio já é cerca de 9,9% superior ao registrado em janeiro, enquanto as importações caíram 4,9% na mesma base de comparação. Vale notar, também, que todas as categorias de produtos das exportações registraram aumento nos últimos meses.  E que o crescimento das exportações medidas em dólares tem sido ajudado, nos últimos meses, pelos preços de exportação, principalmente de produtos básicos, que passaram a acompanhar o crescimento das quantidades exportadas.

 O deficit em transações correntes também retrocedeu significativamente nos quatro primeiros meses do ano, em comparação com igual período de 2015, passando de US$ 31,9 bilhões para US$ 7,2 bilhões no período. Esse movimento resultou, em grande parte, do saldo comercial, que passou de um deficit de US$ 5,5 bilhões para um superavit de US$ 12,4 bilhões. Contribuiu também a conta de serviços, cujo deficit passou de US$ 13,6 bilhões para US$ 8,7 bilhões no período.

 Ao mesmo tempo, o ingresso líquido na Conta Capital e Financeira caiu de US$ 32,2 bilhões para apenas US$ 5,3 bilhões. Os Investimentos Externos aumentaram o ingresso líquido, passando de US$ 10 bilhões para US$ 21,1 bilhões, seja por conta de menores investimentos brasileiros no exterior, seja por maiores aportes de investidores no país. Contudo, apesar do aparente aumento do apetite dos investidores estrangeiros por empresas brasileiras, o aumento do risco país tem afugentado os empréstimos externos e as aplicações de curto prazo. Assim, os Investimentos em Carteira retrocederam em US$ 29,2 bilhões no período e os Outros Investimentos sofreram queda de US$ 13,9 bilhões.

Para o ano de 2016, as projeções mais recentes do mercado financeiro apontam para um superavit comercial próximo a US$ 50 bilhões e um deficit em conta corrente de cerca de US$ 15 bilhões.  Supondo um ingresso de capitais entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões, um pouco abaixo da mais recente previsão do Banco Central (de US$ 25 bilhões), as reservas internacionais continuariam relativamente estáveis, próximas ou mesmo um pouco acima dos níveis atuais, de US$ 376 bilhões.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Setor Externo

Carta de Conjuntura Nº 30

Por Marcelo Nonnenberg

A forte volatilidade cambial parece ter se arrefecido discretamente nos últimos 5 meses, após um período de grande instabilidade e com significativa desvalorização do real. Esses movimentos parecem estar fortemente correlacionados com a variação do risco país. Tanto a desvalorização cambial quanto a recessão estão provocando uma intensa mudança nas principais contas do Balanço de Pagamentos. A Balança Comercial vem apresentando superávits sucessivos desde março do ano passado. No acumulado do ano até fevereiro, passou de um déficit de US$ 6,0 bilhões em 2015 para um superávit de US$ 4,0 bilhões. Entre 2014 e 2015, o saldo comercial passou de um déficit de US$ 6,6 bilhões para um superávit de US$ 17,7 bilhões. O déficit da conta de serviços foi reduzido em US$ 11,1 bilhões e o da renda primária em 9,8 bilhões, no mesmo período. Desta forma, o déficit em conta corrente passou de US$ 104,2 bilhões em 2014, equivalente a 4,3% do PIB, para US$ 58,9 bilhões em 2015, ou 3,3% do PIB. Do lado da conta financeira, há uma redução em virtualmente todos os componentes, mas numa dimensão maior em Outros Investimentos, com queda de US$ 23,8 bilhões no ano passado e em Investimentos em Carteira, com queda de US$ 18 bilhões no ano passado. Nos dois primeiros meses deste ano, a redução dos fluxos líquidos de Outros Investimentos foi de US$ 3,6 bilhões e nos Investimentos em Carteira, de impressionantes US$ 22,5 bilhões. A maior parte desta queda foi em títulos de renda fixa. Em compensação, houve um forte aumento no saldo líquido de investimentos diretos em janeiro e fevereiro, num total de US$ 11,1 bilhões. Para 2016, enquanto o Banco Central prevê um déficit em transações correntes de US$ 41,0 bilhões, as projeções mais recentes do mercado financeiro, conforme o boletim Focus, já apontam para cerca de US$ 20 bilhões, em parte graças a um superávit comercial previsto de US$ 44 bilhões, contra US$ 30,0 bilhões na projeção oficial do Banco Central. Alguns analistas já preveem mesmo um saldo próximo a zero em conta corrente em 2016.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------