Por Maria Andreia Parente Lameiras
O mercado de trabalho brasileiro segue em terreno favorável, mas começa a dar sinais de acomodação, em linha com um quadro macroeconômico de atividade mais moderada, decorrente de uma monetária mantida em patamar restritivo, tendo em vista que, mesmo em trajetória de desaceleração, a inflação ainda se mantém acima da meta.
Segundo os dados mais recentes da PNAD Contínua, a população ocupada atingiu o patamar recorde de 102,4 milhões de pessoas no trimestre móvel encerrado em julho de 2025 e, desde então, passou a mostrar leve recuo. No trimestre encerrado em outubro, o número de ocupados recuou para 101,9 milhões de pessoas, apontando queda de 0,4% na margem. Na comparação interanual, a ocupação ainda cresce 0,9%, mas essa já é a menor taxa de expansão desde o trimestre móvel encerrado em setembro de 2023, indicando que o forte ciclo de recomposição pós-pandemia começa a perder força.
Apesar desse recuo recente da população ocupada, a taxa de desocupação continua em trajetória de queda, refletindo uma perda de dinamismo ainda maior da força de trabalho. No trimestre de agosto a outubro de 2025, a força de trabalho somou 108,3 milhões de pessoas, retração de 0,5% em relação ao trimestre móvel encerrado em julho, e avanço de apenas 0,1% frente ao mesmo período de 2024, portanto bem abaixo da expansão da população ocupada (0,9%). Nesse contexto, no qual a ocupação veio crescendo mais do que a força de trabalho, e na margem, a queda do emprego é menos intensa, e a taxa de desocupação segue recuando tanto na comparação interanual quanto em relação aos trimestres imediatamente anteriores.








