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Comércio exterior de produtos do agronegócio: Balanço de 2020 e perspectivas para 2021

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre e Guilherme S. Bastos Filho

Nesta nota apresentamos o fechamento da balança comercial de produtos do agronegócio para 2020, destacamos os principais fatores que contribuíram para este resultado e apontamos algumas tendências para 2021. Mesmo com queda no preço médio de quase todos os principais produtos de exportação, o Brasil conseguiu se manter como um dos principais fornecedores de commodities agropecuárias no mercado mundial em 2020, com destaque para a soja, as carnes – bovina, suína e de frango –, o açúcar, o café e o algodão. O país foi favorecido pela desvalorização do real frente ao dólar, que tornou os preços brasileiros ainda mais competitivos, pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que favoreceu o setor sojicultor, pela quebra de safra nos países concorrentes, como no caso do açúcar, pelo aumento da demanda internacional, como no comércio do algodão, ou sim- plesmente por condições climáticas favoráveis, como a bienalidade positiva do café. Paralelo a isso, a balança comercial do agronegócio contou ainda com excelentes resultados do setor triticultor que, sendo o trigo o principal produto importado pelo Brasil, impactou positivamente o saldo final.

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Contas externas e taxa efetiva real de câmbio

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Observa-se que a desvalorização da taxa real/dólar entre janeiro de 2020 e janeiro de 2021 foi de 29,1%, muito próxima da obtida pela taxa efetiva real de câm- bio (TERC), calculada com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 29,9%. No entanto, quando se calcula a TERC usando o Índice de Preços no Atacado (IPA), verifica-se uma valorização de 1,7%, em ambos os casos para as exportações totais. Considerando-se ainda o IPA, há também uma grande distância por fator agregado. Enquanto, no caso dos básicos, houve uma valoriza- ção de 14%, no caso dos manufaturados a desvalorização foi de 8,8%.

As exportações alcançaram US$ 16,2 bilhões em fevereiro, acumulando US$ 31,0 bilhões no ano, ao mesmo tempo que as importações registraram US$ 15,0 bilhões em fevereiro e US$ 31 bilhões nos dois primeiros meses do ano. Dessa forma, o saldo comercial, em fevereiro, foi de US$ 1,2 bilhão e praticamente zero no acu- mulado do ano. Tomando por base as médias diárias dessazonalizadas, é possível observar que as exportações tiveram um crescimento expressivo de 13,5% em feve- reiro, na comparação com o mês anterior. Simultaneamente, as importações, após caírem em janeiro, apresentaram crescimento de 9,6%.

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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio desvalorizou-se ligeiramente nos últimos meses, acompanhando as incertezas do processo de tramitação da proposta de reforma da previdência. Mas deve-se notar também que, quando se mede a taxa de câmbio pela taxa efetiva real, para o conjunto das exportações e importações, nos últimos anos, a variação foi bem inferior ao da taxa real/dólar.

As exportações e importações estão apresentando claramente uma tendência de­clinante nos primeiros quatro meses do ano, tanto em comparação com os meses anteriores como com o mesmo período do ano anterior, ainda que o saldo comer­cial venha se mantendo relativamente constante desde setembro do ano passado. Em abril, as exportações cresceram 3% com relação ao mês anterior, ao mesmo tempo que as importações tiveram queda de apenas 0,3%. Ambas as variáveis, entretanto, caíram quando comparadas com os valores atingidos no segundo se­mestre do ano passado. No acumulado do ano até abril, as exportações sofre­ram queda de 2,7%, apesar da elevação de 5,8% dos básicos. Em compensação, os manufaturados tiveram queda de 7,3% e os semimanufaturados, redução de 1,1%. A recessão na Argentina vem cobrando um preço alto especialmente no que concerne à queda das exportações de produtos manufaturados. As importações nos primeiros quatro meses do ano caíram 0,8%, devido a reduções de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-1%), bens de consumo duráveis (-16%) e combustíveis e lubrificantes (-10%). Em compensação, as de bens de capital (2%) e bens intermediários (1,6%) experimentaram elevação.

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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio vem se mantendo razoavelmente constante desde o início de novembro, graças à redução dos riscos associados ao cenário político e também ao movimento dos fundamentos econômicos. Enquanto a taxa DI manteve-se constante, o spread do credit default swap (CDS) caiu recentemente, compensando a elevação das taxas de alto rendimento dos Estados Unidos (high yield) entre o início de outubro e o final de dezembro.

Nos últimos anos, a desvalorização das taxas efetivas de câmbio real tem sido bem inferior à da taxa real/dólar. Apenas entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018, enquanto a taxa real/dólar mostrou desvalorização de 18%, as taxas efetivas deflacionadas pelo índice de preços por atacado (IPA), tanto com base nas exportações como nas importações, mostraram desvalorização de 7,3%.

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Esta seção analisa também a trajetória recente das contas externas brasileiras.

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Setor Externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

Os indicadores Ipea de taxa efetiva real de câmbio (TERC) seguiram o movimento de desvalorização da taxa de câmbio nominal real/dólar, que se desvalorizou em mais de 20% no ano. As TERCs ponderadas pelas exportações, no período de julho de 2017 a julho de 2018, apresentam uma grande diferença de acordo com as categorias de produtos. Para o total das exportações, utilizando-se os índices de preços ao consumidor, a desvalorização foi de 18,2%, quase a mesma observada para os manufaturados. No entanto, no caso dos básicos, a desvalorização foi de apenas 7,7%, e de 9,4% no caso dos semimanufaturados. No mesmo período, taxas ponderadas pelas importações com base no Índice de Preços por Atacado (IPA) sofreram desvalorização de 10%, ao passo que se usando como deflator o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), essa desvalorização é de 17,5%.

O saldo da balança comercial atingiu US$ 37,8 bilhões no acumulado do ano em agosto, abaixo dos US$ 48,1 bilhões alcançados no mesmo período de 2017. O superavit comercial, medido pelas médias diárias dessazonalizadas, vem caindo sistematicamente desde maio deste ano, na medida em que as importações crescem mais do que as exportações. Boa parte dessa queda (US$ 7,3 bilhões), no entanto, deve-se à nova forma de contabilização de plataformas de petróleo, iniciada neste ano em função de mudanças na legislação tributária.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 39

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A taxa de câmbio vem se desvalorizando com relação ao dólar desde o início do ano. Esse movimento vem sendo provocado, principalmente, pelo aumento do risco-país, pela redução do diferencial entre as taxas de juros domésticas e dos Estados Unidos, e também com relação aos principais países emergentes. Esses movimentos, por sua vez, refletem, em parte, a piora do cenário externo, com aceleração prevista do crescimento dos Estados Unidos e aumento das expectativas inflacionárias, além do agravamento das tensões geopolíticas internacionais, em especial no Oriente Médio. Entre março de 2017 e março de 2018, a taxa efetiva real de câmbio ponderada pelas exportações (veja na seção os dados detalhados desse indicador), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sofreu desvalorização de 13,2% e, com base no Índice de Preços por Atacado (IPA), de 15,7%. Mas essa taxa varia entre 0,3% e 47,9%, quando calculada entre os diversos setores da economia.

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Além da análise sobre as taxas de câmbio, esta seção analisa também os resultados acumulados no ano da balança comercial e do balanço de pagamentos.



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Setor Externo – Balança Comercial

Carta de Conjuntura nº 38

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A partir desta edição da Carta de Conjuntura, a análise do setor externo será desmembrada em duas seções: a primeira com os dados relativos à balança comercial, aí incluídos os dados de preços e quantidades, e a segunda com a análise relativa ao balanço de pagamentos.

O saldo comercial em dezembro de 2017 atingiu um recorde histórico, com superavit de US$ 67 bilhões, resultado de exportações de US$ 217,7 bilhões e importações de US$ 150,7 bilhões no ano. Em janeiro, as exportações alcançaram US$ 17 bilhões e as importações US$ 14,2 bilhões, com um superavit comercial de US$ 2,8 bilhões. Com base em dados da média diária dessazonalizada, tanto as exportações quanto as importações têm crescido a um ritmo acelerado nos últimos meses, sendo que as importações vêm mostrando um ritmo de crescimento superior ao das exportações, à exceção de janeiro. O crescimento das exportações, de 3,1% ao mês, na média dos últimos três meses, tem sido impulsionado pelos bens básicos e manufaturados, ao mesmo tempo em que as maiores taxas de crescimento das importações, de 4,4% na mesma base de comparação, são de bens intermediários e de bens de capital. O crescimento recente das exportações vem sendo provocado principalmente pelos aumentos de preços, ao passo que o das importações vem sendo estimulado basicamente pelas quantidades.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 35

 Por Marcelo José Nonnenberg

Os dados positivos do setor externo ajudam a manter a estabilidade da economia brasileira diante de um cenário interno de incertezas. O saldo comercial atingiu níveis elevados que ajudaram a reduzir o deficit em transações correntes para patamares bem confortáveis.

O comércio exterior brasileiro parece dar sinais de arrefecimento nos meses recentes, após um período de recuperação tanto das exportações quanto das importações. Pelo critério das médias diárias dessazonalizadas, as exportações voltaram a cair em maio, ao mesmo tempo que as importações demonstram tendência de queda nos três últimos meses. Porém, no acumulado do ano, ainda se nota bastante vigor nas exportações, com aumento de 19,6%, impulsionadas pelos básicos, sobretudo, e das importações, que cresceram 9,4% principalmente em razão do forte crescimento dos produtos intermediários.

Após um período de mais de um ano se recuperando, os preços de exportação parecem ter se estabilizado. Como os preços de commodities nos mercados internacionais estão em queda desde fevereiro, é bastante provável que ao menos os preços de básicos e semimanufaturados também caiam nos próximos meses. As quantidades exportadas também tiveram um comportamento ruim em abril, fortemente influenciadas pelos produtos básicos. Contudo, boa parte dessa queda é explicada pela redução das exportações de petróleo, ao passo que o volume exportado de produtos agrícolas e pecuários continua em alta. As quantidades importadas de bens intermediários voltaram a cair em abril pelo terceiro mês consecutivo, constituindo a principal causa da queda do quantum importado total. Mas as demais categorias também vêm apresentando um comportamento oscilante nos últimos meses.

O deficit em Transações Correntes reduziu-se consideravelmente nos meses recentes, caindo de US$ 7,2 bilhões nos primeiros quatro meses de 2016 para US$ 3,5 bilhões em igual período deste ano. Esta queda foi provocada exclusivamente pelo aumento do superavit comercial, que passou de US$ 12,4 bilhões para US$ 20,6 bilhões.

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Setor Externo

Carta de Conjuntura nº 34

 Por Marcelo José Nonnenberg

O comércio exterior brasileiro parece estar entrando em um novo ciclo de preços. Nos últimos 12 meses, os preços das exportações começam a dar mostras de forte recuperação. Esse aumento é mais intenso nas commodities, mas é observado também nos demais produtos de exportação. Ao mesmo tempo, os preços das importações se mantêm constantes, causando uma expressiva melhora dos termos de troca. Por outro lado, a taxa de câmbio vem se valorizando, com efeitos opostos sobre as exportações e as importações.

No acumulado do ano até fevereiro, as exportações cresceram 23,6%, principalmente devido ao aumento de 41,7% dos básicos. Esse crescimento, por sua vez, reflete tanto um aumento generalizado dos preços de exportação quanto um aumento das quantidades exportadas de básicos e semimanufaturados. Já as importações cresceram 12% no acumulado do ano, devido basicamente ao aumento de 22,6% dos produtos intermediários, em especial dos produtos agrícolas e alimentícios.

O déficit em transações correntes caiu fortemente entre 2015 e 2016, passando de US$ 59,4 bilhões para US$ 23,5 bilhões. A queda do déficit corrente em 2016 foi devida, principalmente, ao aumento do superávit comercial em US$ 27,4 bilhões, ao mesmo tempo em que o déficit da conta Serviços experimentou uma redução de US$ 6,5 bilhões com relação a 2015. Já o déficit da conta de Renda Primária manteve-se razoavelmente constante, alcançando US$ 41,0 bilhões em 2016. Em janeiro deste ano, esse valor foi um pouco superior ao verificado no mesmo mês do ano passado, atingindo US$ 5,3 bilhões. Em compensação, o ingresso líquido de capitais externos também caiu bastante em 2016, na comparação com o ano anterior. O saldo da Conta Capital e Financeira passou de US$ 55,6 bilhões em 2015 para US$ 16,4 bilhões em 2016, uma queda de US$ 39,2 bilhões. Apesar de essa queda ser maior do que a observada na Conta de Transações Correntes, é preciso lembrar que a Conta Erros e Omissões também cresceu fortemente em 2016.

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Setor Externo

CARTA DE CONJUNTURA Nº 33

Por Fernando José da S. P. Ribeiro

Os dados mais recentes do deficit em transações correntes sugerem um estancamento do movimento de ajuste das contas externas, o que não surpreende, tendo em vista que, em pouco mais de um ano, o deficit teve redução de mais de US$ 70 bilhões, ou 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Na verdade, nos últimos meses observou-se um pequeno aumento do deficit na margem, que tem variado entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, em valores anualizados, após atingir um mínimo de cerca de US$ 10 bilhões em maio. O deficit caminha para fechar o ano em cerca de 1% do PIB, abaixo da média histórica de 1,8% do PIB. Novas reduções do deficit, ou mesmo o alcance de um resultado superavitário nas transações correntes, dependeriam de um desempenho das exportações mais dinâmico que o verificado até o momento.

Paralelamente, encontra-se certa recuperação das entradas de capital no país, principalmente em função do crescimento dos investimentos estrangeiros diretos (IED), garantindo um quadro confortável para o financiamento do deficit em transações correntes. No trimestre de agosto a outubro último, o IED alcançou uma média mensal de US$ 7 bilhões, cerca de US$ 2 bilhões acima da média que prevaleceu entre janeiro e julho. Considerando os resultados obtidos até alguns anos atrás, o saldo total da conta financeira, contudo, permanece bem inferior, especialmente em função da redução das aplicações de investidores externos em títulos de dívida do país. Esse movimento se refere tanto aos títulos negociados no mercado doméstico – que são contabilizados como investimento em carteira e que tiveram saldo líquido negativo de US$ 21,5 bilhões no ano – quanto aos negociados no mercado externo, cujas novas emissões tiveram queda de 34,9% comparadas a igual período do ano passado, somando US$ 40 bilhões, valor insuficiente para cobrir as amortizações realizadas.

O aumento recente do deficit deve-se, principalmente, à redução do superavit comercial, que, por sua vez, resulta da perda de fôlego das exportações. Estas iniciaram o ano crescendo bem, passando de cerca de US$ 15 bilhões/mês para quase US$ 16 bilhões na série livre de efeitos sazonais, mas retornaram para o patamar de US$ 15 bilhões nos meses seguintes. Entre fevereiro e maio o quantum total exportado cresceu de maneira acelerada, acumulando alta de 9,2% na série dessazonalizada. Entretanto, o cenário alterou-se nos meses seguintes. Entre junho e outubro a série dessazonalizada do quantum total de exportações acumulou queda de 21,5%, o que representou um retorno ao patamar que prevalecia no final de 2014. Os números de novembro representaram um alento, com as exportações voltando ao patamar de US$ 16 bilhões, mas é cedo para afirmar que esteja em curso uma nova recuperação do dinamismo exportador.

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