Por Leonardo Mello de Carvalho
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, confirmando a desaceleração do nível de atividade econômica como consequência de efeitos defasados e contemporâneos da política monetária contracionista. Mesmo num contexto interno ainda caracterizado por um mercado de trabalho pujante, com ocupação elevada e massa de rendimentos em expansão moderada, sobressaem os impactos da manutenção de patamares elevados da taxa nominal de juros básica por um período já bastante longo. Descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses, os juros reais se situam atualmente acima de 10,0%, o que não apenas desestimula decisões de investimento privado – ao encarecer o custo de capital e aumentar a exigência de retorno dos novos projetos – como também pressiona o orçamento das famílias, à medida que encarece o custo do crédito ao consumidor.
Nesse cenário, os dados mensais de atividade econômica de outubro de 2025 revelam um panorama heterogêneo para a abertura do quarto trimestre. De maneira geral, os três principais levantamentos setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reportaram variações positivas na margem, ainda que com performances distintas entre os segmentos desagregados. Enquanto as vendas do comércio varejista exibiram recuperação após período de fraqueza, o setor de serviços mantém a performance positiva observada ao longo do ano. A produção industrial, embora tenha apresentado variação favorável, continua evidenciando fragilidades relevantes, particularmente na indústria de transformação, onde os efeitos da restrição monetária têm sido mais acentuados. Em síntese, a resiliência em determinados segmentos mais cíclicos, combinada à contribuição favorável de outros mais exógenos, indicam a preservação de um cenário de relativa estabilidade no horizonte próximo.














