Todos os posts de Luiz Filipe Soares da Silva

Indicadores de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025, na série dessazonalizada, confirmando a desaceleração do nível de atividade econômica como consequência de efeitos defasados e contemporâneos da política monetária contracionista. Mesmo num contexto interno ainda caracterizado por um mercado de trabalho pujante, com ocupação elevada e massa de rendimentos em expansão moderada, sobressaem os impactos da manutenção de patamares elevados da taxa nominal de juros básica por um período já bastante longo. Descontando a inflação projetada para os próximos 12 meses, os juros reais se situam atualmente acima de 10,0%, o que não apenas desestimula decisões de investimento privado – ao encarecer o custo de capital e aumentar a exigência de retorno dos novos projetos – como também pressiona o orçamento das famílias, à medida que encarece o custo do crédito ao consumidor.

Nesse cenário, os dados mensais de atividade econômica de outubro de 2025 revelam um panorama heterogêneo para a abertura do quarto trimestre. De maneira geral, os três principais levantamentos setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reportaram variações positivas na margem, ainda que com performances distintas entre os segmentos desagregados. Enquanto as vendas do comércio varejista exibiram recuperação após período de fraqueza, o setor de serviços mantém a performance positiva observada ao longo do ano. A produção industrial, embora tenha apresentado variação favorável, continua evidenciando fragilidades relevantes, particularmente na indústria de transformação, onde os efeitos da restrição monetária têm sido mais acentuados. Em síntese, a resiliência em determinados segmentos mais cíclicos, combinada à contribuição favorável de outros mais exógenos, indicam a preservação de um cenário de relativa estabilidade no horizonte próximo.

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Indicador Ipea mensal de FBCF – resultado de setembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, registrou uma queda de 7,2% na comparação entre outubro e setembro na série com ajuste sazonal, resultado que sucedeu à alta de 8,5%. Com isso, o trimestre móvel encerrado em outubro registrou expansão de 0,9% na comparação dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2024, o indicador mensal apresentou retração de 2,1% em outubro, e alta de 0,9% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais apresentaram uma expansão de 4,8%.

Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram uma queda de 14,7% em outubro, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 3,2%. Quanto a seus componentes, enquanto a produção nacional cresceu apenas 0,1% na margem, as importações recuaram 34,5%, afetadas pelo efeito base em setembro, quando foram impulsionadas pela compra de uma plataforma de petróleo. Já na comparação em médias móveis, a produção nacional caiu 6,0%, ao passo que as importações avançaram 16,6%.

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Dados Xls



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Balanço de pagamentos e balança comercial

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

O déficit em transações correntes do balanço de pagamentos, depois de aumentar bastante em 2024, estabilizou-se. O saldo da balança comercial tem crescido ao longo deste ano, especialmente devido ao aumento das quantidades exportadas. Nas exportações brasileiras por bloco econômico, destaca-se a redução nos embarques para a América do Norte, refletindo, principalmente, a queda nas vendas para os Estados Unidos. O real continua em sua trajetória de valorização que vem caracterizando o ano. A taxa de câmbio prevista para o fim de 2026, de acordo com o sistema de expectativas de mercado do BCB, é de R$ 5,49/US$.

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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – setembro de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais recuou 2,1% na comparação entre setembro e agosto na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Por trás deste resultado, a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) cresceu 1,8%, enquanto as importações de bens industriais avançaram 6,3%, conforme mostra a tabela.

O crescimento na série dessazonalizada interrompeu uma sequência de duas quedas. Com isso, o trimestre móvel encerrado em setembro registrou alta 0,2% na margem, quando comparado com aquele encerrado em junho. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal subiu 3,5% em relação a setembro de 2024, a variação em médias móveis trimestrais também foi positiva (0,6%). No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou alta de 3,6% em setembro, contrastando com a elevação de 1,5% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE). Ambas apontam para uma desaceleração, como ilustra o gráfico.

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Dados Xls



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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – agosto de 2025

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais recuou 0,3% na comparação entre agosto e julho na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Por trás deste resultado, a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) cresceu 0,8%, enquanto as importações de bens industriais recuaram 1,5%, conforme mostra a tabela 1.

A retração na série dessazonalizada foi a segunda consecutiva. Com isso, o trimestre móvel encerrado em agosto caiu 0,5% na margem, quando comparado com aquele encerrado em maio. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal caiu 2,3% em relação a agosto de 2024, a variação em médias móveis trimestrais também foi negativa (-1,0%). No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou alta de 3,9% em agosto, contrastando com a elevação de 1,6% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE). Ambas apontam para uma desaceleração, como ilustra o gráfico 1.

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Dados Xls



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Boletim de expectativas – outubro de 2025

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e  Caio Rodrigues Gomes Leite

Este Boletim de Expectativas fornece uma visão panorâmica das expectativas para al­gumas das principais variáveis macroeconômicas brasileiras e internacionais. No caso do Brasil, as projeções são do Sistema Expectativas de Mercado, também conhecido como relatório Focus, do Banco Central. Para juros e infla­ção, recorre-se ainda à estrutura a termo da taxa de juros derivada do merca­do secundário de títulos públicos, calculada pela Anbima. As previsões para Estados Unidos, China, área do euro e Argentina são de coleta da Bloomberg com analistas.

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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em setembro de 2025

Por Sergio Ferreira

De acordo com os dados da execução orçamentária, registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, os quais fornecem boa aproximação com os dados oficiais relativos ao resultado primário que será divulgado posteriormente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), setembro de 2025 apresentou um déficit primário de R$ 15,5 bilhões nas contas do governo central. Conforme mostra a tabela 1, a receita líquida atingiu R$ 171,3 bilhões nesse mês, mesmo valor em termos reais, comparativamente ao apurado em setembro de 2024, ao passo que a despesa totalizou R$ 186,8 bilhões, crescimento real de 5,7% na mesma base de comparação. No acumulado do ano, o resultado primário apresenta um déficit de R$ 99,9 bilhões, a preços constantes de setembro, ante o déficit de R$ 108,7 bilhões no mesmo período de 2024.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – agosto de 2025

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado Ipea, apresentou taxa de variação de 0,22% em agosto de 2025, situando-se 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2024, a variação foi 0,31 p.p. menor. Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 4,4% nos últimos doze meses.

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Análise e projeções de inflação

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Tarsylla da Silva de Godoy Oliveira

O ambiente inflacionário brasileiro apresenta sinais de maior moderação, embora siga desafiador. Após um período de fortes pressões, a trajetória recente mostra arrefecimento, mesmo que os núcleos permaneçam acima do centro da meta, e as expectativas, desancoradas. Em que pese a comercialização da safra recorde de grãos em 2025, o principal fator de alívio inflacionário corrente tem sido a forte apreciação cambial, cuja valorização de, aproximadamente, 5% no último trimestre reduziu pressões sobre alimentos, bens industriais e combustíveis. Dessa forma, o processo de desinflação na economia brasileira avança, mas ainda de maneira bem gradual e com custo elevado em termos de política monetária.

Em agosto, a inflação brasileira, medida pelo IPCA, voltou a surpreender positivamente ao apontar queda de 0,11%. Além das deflações dos alimentos no domicílio e dos combustíveis, o recuo das tarifas de energia elétrica – beneficiadas pelo pagamento do bônus de Itaipu – gerou uma forte descompressão inflacionária, especialmente para as famílias de menor poder aquisitivo. No acumulado em doze meses, a inflação brasileira recuou para 5,1%, em agosto, refletindo as altas de 6,2% dos serviços livres, de 7,0% dos alimentos no domicílio, de 4,2% dos preços administrados e de 3,8% dos bens industriais.

Apesar desta melhora na margem, a análise do cenário de inflação brasileiro ainda exige bastante cautela para que se possa identificar os pontos de pressão persistentes e os fatores de alívio que podem ser apenas conjunturais. Por certo, o principal ponto de atenção atual não está mais nos preços voláteis das commodities – que explicaram grande parte da inflação no período pós-pandemia –, mas no comportamento dos serviços. Nos últimos doze meses, encerrados em agosto, a inflação dos serviços subjacentes, que traduzem melhor a relação entre oferta e demanda, apontam alta de 7,1%, refletindo, sobretudo, a dinâmica do mercado de trabalho. A taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e a renda real em expansão sustentam um nível de demanda por serviços que a oferta, em setores muitos deles intensivos em mão de obra, tem dificuldade de acompanhar. Logo, a pressão salarial nesses setores se torna um custo adicional que vem sendo repassado aos preços finais.

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Indicadores de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

No segundo trimestre de 2025, o PIB cresceu 0,4% na série dessazonalizada, confirmando a desaceleração do ritmo de expansão já antecipada pelos indicadores mensais de atividade econômica ao longo do período. O resultado refletiu uma perda de fôlego da absorção doméstica, provocada em grande medida pelos efeitos restritivos da política monetária contracionista. Em contrapartida, paralelamente a um mercado de trabalho particularmente aquecido – e ainda sem sinais de arrefecimento –, as políticas de suporte à renda (transferências e precatórios) e de estímulo ao crédito (novo consignado) têm procurado amortecer esta desaceleração. Além disso, em contraste com a maior sensibilidade dos segmentos dependentes de crédito e juros, o desempenho da economia em 2025 tem sido caraterizado por uma contribuição positiva daqueles mais exógenos ao ciclo, como é o caso da agropecuária e das indústrias extrativas. Com base no conjunto de informações disponíveis até o momento, o cenário que se avizinha para o terceiro trimestre não sugere maiores alterações neste diagnóstico, embora o fraco desempenho da atividade econômica medida por variados indicadores no mês de julho deixe um efeito de carregamento estatístico (carry-over) negativo para o período.

Nesse contexto, o índice de atividade econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br/BCB), um dos indicadores que buscam retratar o nível geral da atividade econômica brasileira em base mensal, servindo de prévia para o PIB, registrou, em julho de 2025, uma queda de 0,5% na comparação livre de efeitos sazonais. O resultado veio abaixo da mediana das previsões do mercado e representou a terceira retração consecutiva na margem. Já na comparação interanual, o IBC-BR voltou a registrar crescimento, embora o ritmo de expansão tenha desacelerado pelo segundo mês seguido, passando de 1,3% para 1,1%. Com o resultado de julho, o carry-over em relação ao terceiro trimestre de 2025 ficou em -1,1% na margem e em 0,7% em termos interanuais. Caso permaneça estagnado até o fim do ano, este efeito de carregamento estatístico indicaria um crescimento de 1,9% para o ano de 2025.

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