Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos
O produto interno bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na série dessazonalizada, acelerando em relação ao ritmo modesto observado no encerramento de 2025. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a economia expandiu 1,8%, enquanto o crescimento acumulado em quatro trimestres desacelerou de 2,3% para 2,0%. Esses resultados vieram acima das previsões apresentadas na Nota de Conjuntura no 70, publicada em abril de 2026 pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projetava altas de 0,8% na margem, de 1,4% na comparação interanual. Com esse resultado, o carry-over para 2026 passou de 0,2% para 1,4%.
É útil reagrupar as atividades pelo lado da produção em dois blocos: i) um conjunto menos sensível ao ciclo doméstico e, portanto, mais “exógeno” às condições correntes da demanda interna; e ii) um conjunto mais sensível ao ciclo, no qual tendem a pesar com mais força as condições financeiras, o custo do crédito e a dinâmica do gasto privado. Essa lente continua ajudando a organizar o quadro conjuntural recente em torno de uma economia que ainda opera em duas velocidades, embora com alguma recomposição do impulso doméstico no início de 2026. O gráfico mostra que os segmentos mais exógenos mantiveram uma trajetória de crescimento mais intensa ao longo do período recente, permanecendo em patamar bastante superior ao do valor adicionado total, enquanto o bloco mais cíclico seguiu uma trajetória de expansão mais moderada.

















