Por Leonardo Mello de Carvalho e Claudio Hamilton Matos dos Santos
O produto interno bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na série com ajuste sazonal, desacelerando em relação à alta de 1,1% registrada no período anterior. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a economia avançou 2,0%, enquanto as taxas acumuladas no primeiro semestre e em quatro trimestres ficaram em 1,9%. Esses resultados vieram em linha com as previsões apresentadas na Nota de Conjuntura nº 24 da Carta de Conjuntura no 71, publicada em julho de 2026 pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a nova divulgação, o carry-over para 2026 passou de 1,4% para 1,8%.
O resultado mantém, em linhas gerais, o diagnóstico apresentado nas notas anteriores. Os efeitos defasados da política monetária restritiva continuam visíveis, embora amortecidos por um mercado de trabalho aquecido, pelo crescimento real dos rendimentos, pelas transferências às famílias e pelo desempenho favorável de atividades menos dependentes do ciclo doméstico. No segundo trimestre, todavia, essa combinação produziu uma composição menos favorável do que a observada no início do ano. O consumo das famílias recuou, a indústria de transformação permaneceu em contração e o crescimento dos serviços perdeu intensidade. A economia continuou avançando, portanto, mas com maior sustentação de fatores exógenos.








