Por Leonardo Mello de Carvalho
Os dados mensais de julho mostram que a perda de ritmo prosseguiu no início do terceiro trimestre. O IBC-Br recuou 0,2% no mês, na série dessazonalizada, após queda de 0,9% em junho, e voltou praticamente ao nível de janeiro, 1,1% abaixo do pico da série, registrado em maio. No trimestre móvel encerrado em julho, a queda foi de 0,3%, e o carry-over para o terceiro trimestre ficou em -0,7%. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o indicador cresceu 1,1%, após 2,4% em junho. No acumulado do ano, a alta foi de 0,4% na métrica dessazonalizada e de 1,5% sobre o mesmo período de 2025, mesma taxa acumulada em doze meses. A renda das famílias também desacelerou: em termos reais, a RNDBF cresceu 3,8% no acumulado em doze meses até julho, ante 4,3% até maio, e a RNDBF restrita, que exclui o excedente e as rendas de propriedade, passou de 4,9% para 4,2%. Os estímulos à renda do início do ano, como o reajuste do salário mínimo e a isenção ou redução do imposto de renda para as faixas iniciais, seguem sustentando o nível da renda, mas sua contribuição para o crescimento do consumo diminuiu já no segundo trimestre, e o serviço elevado da dívida limita a conversão da renda em consumo. Com isso, os efeitos defasados da política monetária restritiva passaram a aparecer com mais clareza nos componentes mais sensíveis ao ciclo.
Em linhas gerais, as pesquisas setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corroboram esse início mais fraco do terceiro trimestre. A produção industrial cresceu em julho, mas recuperou pouco das perdas de maio e junho, com a indústria de transformação voltando a avançar na margem e a extrativa em nova queda. O comércio varejista recuou no conceito restrito, na segunda queda do ano, e cresceu no ampliado, após a retração de junho, enquanto os serviços ficaram estáveis, em patamar próximo ao pico histórico. Nos três casos, o carry-over para o terceiro trimestre é negativo ou nulo. Desde fevereiro de 2020, mês imediatamente anterior ao início da pandemia, serviços e renda das famílias continuam como os motores da atividade econômica. Em síntese, a economia iniciou o terceiro trimestre em ritmo mais fraco, com indústria e comércio sem recompor as perdas recentes, serviços estáveis em nível elevado e a renda das famílias ainda como principal suporte, embora em desaceleração.










