Arquivos da categoria: Setor Externo

Estimativas de reservas internacionais ótimas sob baixos níveis de dívida externa de curto prazo

Por Christian Vonbun

Esta Nota Técnica mostra o cálculo do nível ótimo de reservas internacionais para o Brasil no período entre o primeiro trimestre de 2004 e o primeiro de 2022, por meio da metodologia proposta por Jeanne e Ranciére (2011). Essa abordagem baseia-se em modelo microfundamentado de determinação de reservas ótimas que considera o uso das reservas como um seguro contra eventos extremos e relativamente raros de paradas súbitas de fluxos de financiamentos externos para a rolagem de dívidas de curto prazo.

Os valores ótimos das reservas internacionais são estimados sob diversos cenários para os principais parâmetros do modelo. De acordo com os resultados obtidos, o nível de reservas observado recentemente no Brasil parece encontrar-se substancialmente acima do nível ótimo em todos os cenários considerados, o que levaria a custos desnecessários para o país.

Entre as limitações do modelo, cabe destacar que não são considerados os efeitos das reservas sobre os spreads pagos internacionalmente e sobre a percepção de risco do país. Além disso, ainda que a maior parte dos usos das reservas internacionais possa ser reduzida a um conceito de seguro, é inegável que a opção de usar reservas para fazer intervenções discricionárias e com objetivos diversos, como, por exemplo, afetar a volatilidade cambial, também podem ser objetivos válidos. Contudo, esses objetivos não são considerados no modelo de Jeanne e Ranciére, de modo que sua consideração explícita requer pesquisas adicionais.​

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma

O setor externo continua apresentando uma dinâmica favorável, mesmo diante das incertezas externas. O saldo comercial em agosto de 2022 foi de US$ 4,2 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou US$ 30,8 bilhões. Já o valor das importações foi o maior de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 1997 (US$ 26,7 bilhões). Apesar do recuo recente nos preços das commodities e do crescimento mais robusto das importações, o saldo permanece positivo.

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Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes registrou sucessivos déficits entre setembro de 2021 e março de 2022. Houve superávit em abril de 2022 no valor de US$ 1,1 bilhão. No entanto, em maio de 2022, o déficit foi de US$ 3,5 bilhões, ante superávit de US$ 2,5 bilhões em maio de 2021. Para os dados acumulados em doze meses, a trajetória de redução do déficit observada desde novembro de 2021 foi revertida a partir de março de 2022. Em relação à conta capital e financeira, observou-se trajetória de relativa recuperação. Embora os níveis pré-pandemia ainda não tenham sido plenamente atingidos, os ingressos de investimento direto no país (IDP) se encontram em níveis satisfatórios e crescentes. No acumulado em doze meses até maio, o saldo atingiu US$ 60,2 bilhões (3,45% do produto interno bruto – PIB), ante US$ 47,3 bilhões (3,2% do PIB) no mesmo período do ano anterior. A princípio, a trajetória de aumento da taxa de juros Selic poderia potencializar a recuperação da conta financeira. No entanto, o recente aumento na taxa de juros norte-americana gera incerteza sobre o balanço de risco dos investidores.

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Quanto à taxa de câmbio, a sua dinâmica permanece bastante volátil devido à elevada incerteza externa e interna. Durante os primeiros meses de 2022, houve um movimento de apreciação da taxa nominal de câmbio, revertido a partir de maio. Na ​comparação com os demais emergentes, o desempenho da moeda brasileira apresentou alguma melhora no período recente.  As expectativas do relatório Focus apontam para um câmbio de R$ 5,20/US$ em dezembro de 2022 e ao fim de 2023, previsão mais otimista que a expectativa vigente ao final de 2021 (em 31 de dezembro, a previsão da taxa de câmbio para 2022 era de R$ 5,60/US$ e, para 2023, de R$ 5,40). Porém, persistem vários elementos de incerteza devido ao cenário mundial e interno, especialmente considerando a existência do conflito entre Rússia e Ucrânia, a crise energética na Europa, políticas monetárias contracionistas ao redor do mundo e o ano eleitoral no Brasil. Como pontos positivos para a dinâmica da taxa de câmbio, há que se destacar os fluxos cambial (houve entrada líquida de US$ 20,97 bilhões no acumulado do ano até julho, de acordo com dados do Banco Central do Brasil (BCB) e comercial positivos durante o ano de 2022.  ​

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Comércio exterior do agronegócio: julho de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre, Fabio Servo e José Ronaldo de C. Souza Jr

A balança comercial do agronegócio em julho apresentou um superávit de US$ 12,8 bilhões, contribuindo para o saldo positivo de US$ 5,4 bilhões na balança comercial total – com produtos de todos os setores – no mesmo período . Os demais setores da economia, por sua vez, encerraram com um déficit de US$ 7,4 bilhões.

As exportações do agronegócio somaram US$ 14,3 bilhões no mês – um crescimento de 26,8% se comparado com o mesmo período do ano anterior. Vale dizer que, no período de janeiro a julho deste ano, o valor médio das exportações do agronegócio é 29,0% maior que o observado no ano passado, incremento de cerca de US$ 3 bilhões por mês.

De janeiro a julho, o saldo da balança comercial do agronegócio acumulou um superávit de US$ 84,0 bilhões, representando 31,6% acima do acumulado no mesmo período do ano passado. O saldo total foi positivo em US$ 39,9 bilhões, enquanto os demais setores da economia apresentaram um déficit de US$ 44,1 bilhões no ano até julho.

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Comércio exterior do agronegócio: primeiro semestre de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre, Fabio Servo e José Ronaldo de C. Souza Jr.

O agronegócio brasileiro fechou o primeiro semestre com superávit de US$ 71,2 bilhões – crescimento de 32,3% frente ao mesmo período do ano anterior. As exportações do setor somaram US$ 79,3 bilhões, enquanto as importações, US$ 8,1 bilhões – valores 29,4% e 8,6% acima dos observados em 2021. Considerando os produtos de todos os setores – balança comercial total –, o primeiro semestre também foi superavitário (US$ 34,3 bilhões), ligeiramente abaixo dos US$ 37 bilhões registrados no primeiro semestre de 2021.

Em junho, o agronegócio apresentou um superávit comercial d​e US$ 14,2 bilhões, mais do que compensando o déficit de US$ 5,4 bilhões nos demais produtos, o que permitiu ao país fechar junho com superávit comercial de US$ 8,8 bilhões (na soma de todos os setores).

O período de março a maio costuma ser o mais forte para o agronegócio brasileiro, e é impactado fortemente pela colheita da soja e pelo abate de bovinos antes do período de estiagem nas principais regiões produtoras. Em 2022, no entanto, as exportações continuaram aquecidas em junho, superando em 31,2% o mesmo mês do ano anterior – o que corresponde a US$ 15,7 bilhões.​

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Boletim de expectativas- Julho de 2022

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

Este Boletim apresenta uma compilação de expectativas de mercado para diversas variáveis econômicas. Neste número, exploramos as diferenças nas projeções para diversas variáveis coletadas e divulgadas pelo Banco Central em duas datas: 29 de abril, a última divulgação antes da interrupção das publicações, e 8 de julho, data de referência da primeira divulgação após a retomada da disponibilização ao público dos resultados das coletas. Houve melhora no PIB de 2022 e queda no de 2023; a inflação de 2022 ficou aproximadamente estável e a de 2023 subiu; a Selic esperada também subiu, de 2022 a 2024, refletindo a expectativa de um aperto monetário mais duradouro; a taxa de câmbio esperada para o fim de 2022 e dos dois anos seguintes subiu um pouco (mas espera-se que a taxa de câmbio esteja, no fim de 2024, abaixo dos níveis do fim de 2022 e 2023); os resultados fiscais – primário, nominal e dívida – melhoraram; o saldo da balança comercial subiu; as previsões para déficit em conta corrente e investimento direto no país (IDP), no balanço de pagamentos, não se alteraram muito e, portanto, nem as proporções entre eles: o IDP quatro vezes maior do que o déficit em 2022 e aproximadamente o dobro em 2023 e 2024.

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Comércio exterior do agronegócio: maio de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre, Fabio Servo e Jose Ronaldo de C. Souza Jr.

O agronegócio brasileiro exportou US$ 15,1 bilhões em maio, valor 14,2% acima do registrado em igual mês de 2021. O resultado do mês representa o maior valor já registrado de toda a série histórica. De fato, o Brasil tem mantido uma trajetória crescente nas exportações em valor. Além das altas mais significativas de dezembro de 2021 a março de 2022, período de entressafra no Brasil e que costuma ter menor comercialização, os meses posteriores também apresenta ram alta. Já as importações do setor, que iniciaram 2022 em patamares próximos ao de 2021, tiveram alta mais significativa em maio, 25% acima frente ao mesmo mês do ano anterior.

O saldo da balança comercial do agronegócio apresentou, portanto, um superávit de US$ 13,6 bilhões em maio, enquanto que os demais setores da economia brasileira tiveram aumento no déficit – de US$ 3,5 bilhões para US$ 8,6 bilhões, deixando como resultado final um superávit comercial de quase US$ 5 bilhões.

No acumulado do ano, de janeiro a maio, tanto as exportações quanto as importações apresentam alta, de US$ 63,7 bilhões e US$ 6,6 bilhões, respectivamente, ou crescimento de 29,0% e 6,3%. Este resultado elevou o superávit do agronegócio de US$ 43,1 bilhões para 57 bilhões.​

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio: evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma

O setor externo continua apresentando um cenário de solidez. O saldo comercial em maio de 2022 foi de US$ 4,9 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou recorde histórico para toda a série, iniciada em janeiro de 1997 (US$ 29,6 bilhões), favorecido, novamente, pela alta do preço das commodities. O valor das importações também foi o maior de toda a série histórica (US$ 24,7 bilhões). O conflito entre Rússia e Ucrânia trouxe um aumento dos preços de produtos básicos, o que favorece economias exportadoras como o Brasil. Mesmo com incertezas a respeito de insumos importados, especialmente fertilizantes e semicondutores, o saldo permanece positivo.

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes tem apresentado redução do déficit, especialmente nos últimos meses, permanecendo ainda em níveis bem inferiores ao período anterior à pandemia – em fevereiro de 2022, o déficit em transações correntes foi de 1,6% do produto interno bruto (PIB), contra 3,7% do PIB em fevereiro de 2020. Quanto à conta capital e financeira, observou-se uma trajetória de relativa recuperação durante o ano de 2021 e, mais recentemente, de estabilização. Embora os níveis pré-pandemia ainda não tenham sido plenamente atingidos, houve melhora na entrada de capitais, além de relativa recuperação do investimento direto no país (IDP) no período recente. O IDP acumulado em doze meses em fevereiro de 2022 foi de US$ 50,7 bilhões (3,1% do PIB), contra US$ 44,8 bilhões no mesmo período do ano anterior (3,2% do PIB). A princípio, a trajetória de aumento da taxa de juros Selic poderia potencializar a recuperação da conta financeira. No entanto, com a retirada paulatina dos estímulos monetários da economia dos Estados Unidos, há incerteza sobre o balanço de risco dos investidores.

Quanto ao câmbio, mesmo com a turbulência gerada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, houve valorização até o mês de maio. A taxa de câmbio, que havia permanecido na média mensal acima de R$ 5,00/US$, fechou os meses de março, abril e maio de 2022 abaixo desse valor. Em relação aos fatores que podem influenciar a taxa de câmbio, do lado externo, há uma preocupação especial sobre a trajetória da China, que implementou novos lockdowns no período recente. Em relação à pandemia, as novas subvariantes da ômicron trazem alguma turbulência. Também a mudança na política monetária nos Estados Unidos, já mencionada, adiciona pressão de desvalorização do real. A alta global nos preços de energia também é um fator de preocupação, junto com os desdobramentos do conflito russo-ucraniano. Do lado interno, há as incertezas inerentes ao ano eleitoral, com relação às futuras políticas econômicas.

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Comércio exterior do agronegócio: abril de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre, Fabio Servo e José Ronaldo de C. Souza Jr.

O agronegócio exportou US$ 14,9 bilhões em abril, o que contribuiu para um superávit de US$ 13,6 bilhões no saldo da balança comercial do setor, crescimento de 15,2% diante de abril de 2021. Em contrapartida, os demais bens – todos os produtos comercializados, exceto os produtos do agronegócio – fecharam abril com déficit de US$ 5,5 bilhões, US$ 3,7 bilhões a mais que no mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o resultado total da balança comercial, que considera os produtos de todos os setores, encerrou abril com superávit de US$ 8,1 bilhões. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve um crescimento em valor exportado de 14,9%. Este resultado segue uma tendência de alta observada desde fevereiro de 2021, que teve seu pico nos primeiros meses deste ano – período de entressafra e típico de baixas importações para o Brasil.

O resultado da balança comercial do agronegócio no acumulado do ano (de janeiro a abril) foi bastante expressivo, com superávit de US$ 43,7 bilhões, com as exportações apresentando alta de 34,9% e as importações registrando estabilidade, diante de igual período de 2021. Com esse resultado, o agronegócio foi um dos setores que mais contribuíram para o crescimento de 24,1% no total das exportações nestes primeiros meses do ano. O saldo da balança comercial total, que é a soma de todos os setores da economia, apresentou superávit de US$ 20,2 bilhões, diante dos US$ 18,1 bilhões em 2021, crescimento de 11,8% até agora.

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Comércio exterior do agronegócio: março de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre, Fabio Servo e José Ronaldo Souza Jr.

Março é um mês típico de início de alta nas exportações do agronegócio brasileiro, explicada em parte pelo avanço das colheitas da safra 2021-2022, em especial dos grãos. Mesmo sendo um mês em que é esperada maior comercialização frente a janeiro e fevereiro, o setor apresentou significativo crescimento do valor exportado ante mesmo mês do ano passado, com alta de 29,4%, totalizando US$ 14,5 bilhões. As importações do agronegócio fecharam o mês com US$ 1,4 bilhão, também com alta frente ao mesmo mês do ano anterior, de 5,9%.

Com isso, o primeiro trimestre do ano se encerra com a intensificação do fluxo comercial do agronegócio brasileiro, tanto nas exportações quanto nas importações, mesmo frente a novos desafios como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e o conjunto de sanções que afetou os fluxos internacionais de comércio. Do lado das exportações, merece destaque o bom desempenho do complexo de soja; das carnes bovina e de frango; e de produtos florestais, como a celulose. Já açúcar, café, algodão e milho registraram baixas, resultado das quebras observadas na safra 2020- 2021, fortemente afetadas por questões climáticas adversas e cuja produção ainda está sendo embarcada. A carne suína apresenta retração devido ao excesso de oferta no mercado chinês.

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Comércio exterior do agronegócio: fevereiro de 2022

Por Ana Cecília Kreter, Rafael Pastre e Fabio Servo

O agronegócio brasileiro fechou fevereiro de 2022 com superávit na balança comercial, de US$ 9,3 bilhões, crescimento de 78,8% frente a fevereiro de 2021 e de 20,8% frente a janeiro de 2022. O valor das exportações do setor cor- respondeu a 45,9% do total exportado pelo Brasil neste mês, ou US$ 10,5 bilhões, enquanto as importações representaram apenas 6,6%, ou US$ 1,2 bilhão, aumento de 64,5% e 2,0%, respectivamente, frente ao mesmo mês do ano anterior. O resultado do agronegócio contribuiu de forma positiva e decisiva para a balança comercial total, que considera os produtos de todos os setores, encerrando fevereiro com superávit de US$ 4,0 bilhões.

O resultado do acumulado dos últimos doze meses foi ainda mais expressivo. O valor das exportações do agronegócio teve alta de 27,1% ante igual período do ano anterior e o valor das importações de 8,0%, contribuindo para a alta de 30,1% no saldo da balança comercial do setor, o que corresponde a US$ 113,6 bilhões neste período. Já os demais setores, que representam o total menos o agronegócio, apresentaram queda de US$ 49,8 bilhões no acumulado dos últimos doze meses. Portanto, o saldo total, que é a soma de todos os setores da economia, permaneceu positivo nesse período, fechando em US$ 63,7 bilhões.

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