Demografia de empresas e pandemia em São Paulo: Evidências preliminares

Por Alexandre Samy de Castro e Bruno Filomeno da Rocha

Este texto apresenta dados sobre a abertura e o fechamento de empresas e filiais no estado de São Paulo, nas sete semanas posteriores ao início da vigência das medidas de distanciamento social no estado – entre 18 de março e 5 de maio de 2020. Os dados da pesquisa foram extraídos do Diário Oficial do Estado de São Paulo, da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), que publica semanalmente todas as anotações relativas a alterações de empresas. Analisam-se dois indicadores, antes e depois da pandemia: o volume médio semanal de aberturas e fechamentos e a participação de cada setor ou atividade no total de empresas abertas. Os resultados apontam quedas, pós-pandemia, de 72% nas aberturas e de 93% nos encerramentos de empresas, no agregado. Já as aberturas e os encerramentos de filiais apresentaram quedas semelhantes, da ordem de 73%. Desagregando-se os dados por atividade econômica, observamos diferenças significativas na criação de empresas: os setores de informação e comunicação (-55%), saúde humana (-59%) e atividades profissionais, científicas e técnicas (-65%) apresentaram quedas inferiores à média da economia. Em contrapartida, destacaram-se negativamente os setores de artes, cultura, esporte e recreação (-83%), outras atividades de serviços (-83%), construção (-80%) e alojamento e alimentação (-80%), com quedas significativamente superiores à média da economia. Apesar da queda abrupta na natalidade, quase 8 mil empresas foram abertas após o início da pandemia. Para analisar essa informação, observamos as divisões da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) responsáveis por 90% das aberturas pós-pandemia, com o objetivo de identificar quais segmentos têm melhor desempenho diante do distanciamento social. No comércio varejista, vestuário, calçados, tecidos, colchoaria, iluminação e linha branca reduziram fortemente a participação nas aberturas, enquanto equipamentos de informática, telefonia e comunicações e gás liquefeito de petróleo (GLP) aumentaram. Nas atividades de serviços de escritório, a organização de eventos perdeu participação para serviços de escritório e apoio administrativo. No comércio atacadista, máquinas, aparelhos e equipamentos, exceto de tecnologias de informação e comunicação, perderam para outros segmentos, como o de alimentos e insumos agropecuários. Nos transportes terrestres, o segmento de passageiros apresentou uma forte queda, em contraste com o segmento de cargas, com uma forte alta. Por fim, deve-se destacar a força do empreendedorismo nas atividades profissionais, científicas e técnicas e também dos serviços financeiros, com destaque positivo para publicidade, consultoria em gestão empresarial, outras atividades profissionais, científicas e técnicas, serviços de arquitetura e engenharia e atividades de contabilidade e de auditoria. Esses segmentos, em conjunção com o setor de informação e comunicação, constituem o polo econômico com maior dinamismo no mundo pós-pandemia.

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Setor externo

Por Marcelo José Braga Nonnenberg

A pandemia da Covid-19, que atinge o mundo inteiro, teve consequências devastadoras sobre a produção, o comércio mundial e os mercados financeiros globais. Como sempre ocorrem em momentos de grande estresse econômico, os investidores correm na direção da moeda americana, provocando desvalorização das taxas de câmbio na maioria dos países. No Brasil, apenas entre o início de março e o início de maio, o real sofreu desvalorização de cerca de 23%, mas a volatilidade dos mercados financeiros tem sido muito alta, o que significa que essa porcentagem pode flutuar bastante nas próximas semanas. Todavia, as taxas efetivas reais de câmbio nos doze meses até março desvalorizaram-se 20%, quando ponderadas tanto pelas exportações como pelas importações.

Até março, os efeitos da crise sobre os fluxos de exportação e importação do Brasil ainda foram tímidos – entretanto, em abril, já começaram a se fazer sentir. Com base nas médias diárias, o valor de abril das exportações foi de US$ 18,3 bilhões, praticamente igual ao do mesmo mês do ano passado, com uma queda de apenas 0,3%. No entanto, esse número deve ser olhado com mais detalhe para se compreender melhor o resultado, como será feito em seguida. Com base nas médias diárias dessazonalizadas, percebe-se que as exportações caíram 1,7% em abril, pelo segundo mês consecutivo, e esse valor varia muito quando se observam os fatores agregados. Enquanto os básicos tiveram alta de 6,6% na mesma base de comparação, os semimanufaturados sofreram queda de 7,9%, e os manufaturados, de 23,3%. O aumento das exportações de básicos deveu-se principalmente a uma grande elevação das exportações de soja, com crescimento de 73,5% com relação ao mesmo mês do ano passado, e de café e algodão em bruto, com aumentos de 13,2% e 18,7% na mesma base, entre os produtos agropecuários. Entre os demais produtos, destacam-se as elevações das vendas externas de minério de ferro, com 49%, e alguns outros com crescimentos elevados – entretanto, a maioria teve queda no mesmo período. As importações, por sua vez, já começam a apresentar queda. O valor de US$ 11,6 bilhões ficou abaixo dos US$ 13,6 bilhões registrados em abril do ano passado e, com base nas médias diárias, significou queda de 10,5%. Com base nas médias diárias dessazonalizadas, houve uma queda de 13,7% com relação ao mês anterior. O superavit comercial em abril, portanto, foi de US$ 6,7 bilhões no mês e de US$ 12,3 bilhões no acumulado do ano.

O deficit em conta corrente, nos três primeiros meses do ano, ficou em US$ 15,2 bilhões, praticamente igual ao valor observado no mesmo período do ano passado. Em termos de participação no produto interno bruto (PIB), houve um aumento de 3,38% para 4,03%. No acumulado dos doze meses terminados em março deste ano, os investimentos diretos no país, como proporção do PIB (4,49%) continuarem superando o deficit em conta corrente no mesmo período (2,8%). Entretanto, considerando apenas os últimos três meses até março, o financiamento do deficit em conta corrente dependeu de dois fatores que não devem ser recorrentes no tempo. Em primeiro lugar, um regresso de investimentos diretos no exterior extremamente elevado (especialmente em março); em segundo, uma queda de reservas de valor expressivo. Apesar de nossas reservas internacionais ainda estarem num nível bastante elevado, não se pode deixar de notar que, do final de junho do ano passado até o final de março, esse valor já foi reduzido em US$ 45 bilhões.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Março de 2020 Demanda interna por bens industriais recuou 11,9% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma queda de 11,9% na comparação entre março e fevereiro, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu o recuo de 1,2% no período anterior, o primeiro trimestre de 2020 cedeu 1,2% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) caiu 14% em março, as importações de bens industriais recuaram 1,3%, conforme mostra a tabela .

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cedeu 3% contra março do ano passado. Com isso, o primeiro trimestre do ano apresentou um crescimento de 0,7% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou uma variação ligeiramente positiva (0,2%), enquanto a produção industrial, conforme mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou uma baixa de 1%, como visto no gráfico.

Tabela 1
Grafico 1

A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.



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Indicador Ipea de FBCF – Março e Primeiro Trimestre de 2020 Investimentos apresentam recuo de 8,9% em março, mas encerram o primeiro trimestre do ano com alta de 1,7%

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta um recuo de 8,9% na comparação entre março e fevereiro de 2020, na série com ajuste sazonal. O resultado já reflete parcialmente os impactos econômicos da pandemia da Covid-19. Ainda assim, o primeiro trimestre de 2020 fechou com uma alta de 1,7%, também na série dessazonalizada, o que é explicado pela aceleração observada nos primeiros dois meses do ano, além de uma baixa base de comparação referente ao quarto trimestre de 2019. Nas comparações com os mesmos períodos de 2019, enquanto março registrou uma queda de 0,9%, o primeiro trimestre encerrou com uma alta de 4%. No acumulado em doze meses, os investimentos cresceram 3%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cujo valor corresponde à sua produção nacional destinada ao mercado interno acrescida às importações – apresentou uma retração de 15,1% em março, encerrando o primeiro trimestre com um avanço de 6,6%. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos recuou 9,5% em março, a importação caiu 35,9% no mesmo período.

O indicador de construção civil, por sua vez, recuou 6,7% em março, na série dessazonalizada. Com isso, o segmento registrou um recuo de 1% na passagem entre o último trimestre de 2019 e o primeiro de 2020.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto a construção civil e o componente outros registraram ambos uma variação negativa de 2%, o segmento máquinas e equipamentos registrou uma alta de 0,9% em relação a março de 2019. Já na comparação trimestral, o crescimento foi generalizado.

Taxas de crescimento do Indicador Ipea mensal de FBCF

Gráfico

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) de março de 2020

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou uma taxa de variação de 0,73% em março de 2020, 0,34 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o índice apontou estabilidade.

Como uma incorporação desse resultado, o ICTI mantém a variação de 5,7% acumulada nos últimos doze meses, patamar acima do que foi registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas abaixo tanto do Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP) quanto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.

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Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição continua sendo originada pelo segmento de despesas com pessoal, cuja alta de 8,24% gerou um impacto da ordem de 4,02 p.p., respondendo por aproximadamente 70% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento demais despesas operacionais também afetou significativamente o ICTI, com alta de 6,82% e impacto de 1,21 p.p. Nota-se ainda que, embora apresente uma variação pouco expressiva (0,06%), a alta nos preços de material de consumo em março interrompeu uma trajetória de deflações sucessivas iniciada em julho de 2019, que vinha gerando alívio sobre os custos.

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Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



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Heterogeneidade do impacto econômico da pandemia

Por Ajax Moreira

A pandemia do Covid-19 não tem precedentes na história recente dos países. A última com porte semelhante foi a gripe espanhola, que ocorreu há cem anos, em um ambiente político, social e econômico totalmente distinto do atual. O impacto econômico da atual pandemia depende da duração e da profundidade das restrições às atividades econômicas e dos efeitos sobre a cadeias de valor, produtividade e grau de interligação econômica entre os países.

Já se encontram na literatura tentativas de prever a evolução da crise, mas, em geral, considerando agentes representativos e não considerando a heterogeneidade dos agentes e que a crise pode tende a afetar as pessoas mais vulneráveis. Neste exercício, utilizando uma hipótese sobre a probabilidade de saída do mercado de trabalho, diferenciada por atividade e posição na ocupação do empregado, implementamos um modelo que simula com os microdados da PNAD 2019 o impacto sobre a ocupação e a renda das pessoas e dos domicílios. Mostramos que o impacto sobre a renda e a taxa de ocupação do primeiro estrato de escolaridade e de renda é, aproximadamente, o dobro do impacto do último estrato, nas duas estratificações, e para as medidas individuais e domicílio. Mostramos também que a duração da crise tem impacto maior do que a intensidade.

Esta abordagem pode ser utilizada para discutir para avaliar o impacto agregado e a heterogeneidade das políticas compensatórias adotadas, e também condicionar os resultados obtidos com os oriundos de outros modelos que façam previsões o PIB ou o emprego agregado.

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Economia mundial

Por Paulo Mansur Levy

A pandemia da Covid-19 representou um choque profundo sobre a economia mundial, cujo alcance e consequências ainda são difíceis de vislumbrar. As medidas de isolamento social impactaram fortemente a oferta e a demanda por bens e serviços, desorganizando as relações de trabalho, produtivas, de comércio e de crédito. Os mercados financeiros reagiram derrubando as bolsas de valores, valorizando o dólar e desvalorizando as commodities – especialmente o petróleo – diante da expectativa de forte retração da atividade econômica.

Os primeiros dados do período pós-Covid-19 já mostram que o impacto foi grande: os índices de gerentes de compras (PMIs na sigla em inglês) desabaram, afetando principalmente os serviços. A única exceção foi a China, onde o ciclo da pandemia já se encontra mais avançado e o índice se recuperou em março. Nos Estados Unidos, caíram fortemente produção industrial, vendas no varejo e indicadores da construção civil residencial. No mercado de trabalho, a perspectiva é de forte aumento do desemprego. As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) são de que o produto interno bruto (PIB) mundial terá uma queda de 3,0% em 2020 – a maior retração desde a grande depressão dos anos 1930 –, mas que deve se recuperar e crescer 5,8% em 2021.

Para enfrentar esse choque, as políticas econômicas vêm sendo intensamente mobilizadas ao redor do mundo. A política monetária voltou à posição “tudo que for necessário” utilizada antes, no período posterior à crise financeira internacional de 2008, incluindo volta dos juros para próximo de zero e expansões quantitativas envolvendo também títulos privados. A política fiscal, por seu turno, tem sido direcionada para aliviar a súbita perda de renda pelas famílias, bem como para garantir empréstimos às empresas de modo a permitir a garantia do emprego e a preservação de seu capital organizacional.

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Boletim de Expectativas

Este boletim apresenta uma compilação de expectativas para diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Em resumo, há bastante incerteza quanto à magnitude dos efeitos da pandemia e das medidas de sua contenção sobre o PIB e as contas públicas, mas não há dúvida de que as consequências em 2020 serão severas. Outra característica que parece comum é a permanência da ancoragem das expectativas no médio e logo prazos: a inflação continua igual ou abaixo das metas anuais, o PIB volta a crescer como era esperado anteriormente, a taxa de câmbio muda de patamar, mas permanece estável, a Selic continua baixa e o deficit em transações correntes se mantém constante. Como síntese dessas expectativas, a dívida pública como proporção do PIB se eleva em cerca de 10 pontos de porcentagem (p.p.) em 2020, mas depois se estabiliza no novo patamar de 86%, representando a confiança na disciplina fiscal e no caráter transitório dos gastos contra a pandemia. A estrutura a termo da taxa de juros nominal inclinou-se bastante após o início da crise da pandemia, especialmente em março, mas esse movimento foi parcialmente revertido em abril. Mesmo após essa reversão, porém, os juros atuais nos vértices acima de cinco anos estão em níveis comparáveis aos de antes da reforma da Previdência.

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Boletim Agro Revisão da previsão de crescimento do PIB agropecuário brasileiro em 2020 - atualização de abril

Por Pedro Mendes Garcia, José Ronaldo de C. Souza Junior e Ana Cecília Kreter

Com base nos novos dados, divulgados neste mês, da safra 2019/2020 do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e em perspectivas atualizadas para a pecuária brasileira, a Diretora de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea revisou a previsão para o produto interno bruto (PIB) do setor agropecuário de 2020. A tabela 1 mostra que os maiores ajustes foram justamente nos dois produtos com maior peso no PIB do setor, soja e bovinos, o que causou uma redução de 1,4 ponto percentual (p.p.) na previsão de crescimento, que foi reduzida para 2,4% este ano – a nossa previsão anterior era de crescimento de 3,8%. Mesmo com essa redução de previsão, o desempenho do setor destaca-se positivamente nesta conjuntura recessiva atual. Entre os principais produtos agropecuários, em termos de participação no PIB, a crise causada pela pandemia da Covid-19 pode estar causando impactos negativos para o mercado de carne bovina, que é a proteína de maior preço, e para a cana- de-açúcar, em função da redução forte do preço do petróleo, que afeta o preço do álcool. O significativo ajuste feito pelo LSPA em relação à previsão de produção de soja, por sua vez, nada tem a ver com a pandemia – como será explicado neste Boletim.200420_grafico

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Indicadores da política salarial das administrações públicas estaduais brasileiras (2004-2018)

Por Cláudio Hamilton Matos dos Santos, André José Silva de Brito, Diogo Moreira Chaves Cavalcante e Felipe dos Santos Martins.

Embora os gastos com a remuneração de servidores sejam o item mais relevante nos orçamentos estaduais, inexistem estudos que tratam das políticas salariais das administrações públicas estaduais comparadas por estado e categoria de servidores públicos. Daí a iniciativa da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea em produzir indicadores do tipo.

Os indicadores estimados nesta Nota Técnica permitem concluir que: i) diversos estados adotaram políticas salariais bastante diferentes ao longo do período 2004- 2018; ii) os salários de servidores estatutários cresceram em média muito mais rapidamente do que os de não estatutários; iii) os salários de categorias organizadas de servidores estatutários – como professores e militares – cresceram muito mais rapidamente do que os dos demais servidores estatutários; e iv) os salários dos servidores públicos estaduais continuaram subindo, em média, mesmo após a eclosão da crise de 2015, puxados pelos salários de militares e, em menor grau, de professores.

O crescimento dos salários de servidores estatutários estaduais – notadamente daqueles com regras previdenciárias mais brandas, como professores e militares – foi fator determinante para o elevado aumento dos gastos com servidores estaduais inativos em anos recentes – analisados em seguidos estudos da Dimac/ Ipea (Santos et al., 2017; 2018; 2019). Esses aumentos saláriais foram decisivos ainda para a manutenção do crescimento do gasto com pessoal total (ativos + inativos) das administrações públicas estaduais mesmo em tempos de crise. As projeções disponíveis antes da eclosão da pandemia da Covid-19 apontavam a continuidade desse processo, com significativo crescimento dos gastos com pessoal total (liderado pelo crescimento dos inativos) na maioria dos estados esperado ao longo de toda década de 2020, mesmo supondo reduções graduais no número de servidores públicos estatutários ativos por estado e a ausência de ganhos reais dos salários dos servidores estaduais. Antes da Covid-19, era possível discutir se o ritmo esperado de crescimento das receitas permitiria ou não que os estados pudessem ajustar gradualmente os gastos com pessoal. Após a Covid-19 e seus impactos esperados sobre a receita pública e os níveis de renda e emprego da população como um todo, resta claro que a opção pelo gradualismo perdeu o seu apelo.

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