Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Maio de 2020 Demanda interna por bens industriais avançou 3% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou uma alta de 3% na comparação entre maio e abril, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu o recuo de 15,8% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em maio cedeu 16,9% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional aumentou 1,9% em maio, as importações de bens industriais cresceram 10,5%, conforme mostra a tabela.

Tabela 1

Na comparação interanual, a demanda interna por bens industriais cedeu 21,2% contra maio do ano passado. Com isso, o trimestre móvel apresentou retração de 15,8% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Tomando por base a variação acumulada em doze meses, a demanda registrou queda de 3,6%, enquanto a produção industrial, conforme mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulou uma baixa de 5,4%, como visto no gráfico.

Grafico 1

A análise dos resultados por grandes categorias econômicas, por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Teletrabalho na pandemia: efetivo versus potencial

Por Geraldo Góes, Felipe Martins e José Antônio Sena

Esta Nota Técnica tem por objetivo apresentar a mensuração do trabalho remoto efetivo para maio no Brasil, com base na PNAD Covid-19 do IBGE, e comparar com os resultados potenciais estimados em nota técnica publicada na Carta de Conjuntura nº 47. Serão apresentadas características das pessoas em trabalho remoto no país, nos recortes de gênero, raça/cor e escolaridade, e também as distribuições regionais e estaduais do trabalho remoto no Brasil, realizando uma análise de estática comparativa entre o potencial de teletrabalho e esse trabalho remoto efetivo. Os resultados indicam que 13,3% das pessoas ocupadas exerceram suas atividades de forma remota no país, o que revela que o percentual observado foi menor que o potencial de teletrabalho – estimado em 22,7% pela metodologia desenvolvida por Dingle e Neiman (2020) aplicada ao Brasil.

Assim como na nota técnica anterior, tem-se uma elevada heterogeneidade nos resultados por estado, com o Distrito Federal apresentando a maior proporção de trabalhadores exercendo suas atividades de forma remota (25,0%), vis-à-vis o Mato Grosso, onde somente 4,5% das pessoas ocupadas estavam efetivamente em trabalho remoto em maio.

Comparando com o potencial de teletrabalho calculado anteriormente, o Piauí, que apresentara o menor percentual de teletrabalho potencial, é, pela PNAD Covid-19 de maio, o sétimo estado com maior percentual de pessoas ocupadas exercendo suas atividades de forma remota. Ao mesmo tempo, Santa Cataria, estado que era o quarto maior potencial de teletrabalho, foi o 19o no percentual de ocupados efetivamente trabalhando remotamente.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Indicador Ipea de FBCF – Maio de 2020 Investimentos apresentam avanço de 28,2% em maio

Por Leonardo M. de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentou uma alta de 28,2% na comparação entre maio e abril de 2020, na série com ajuste sazonal. O resultado representou recuperação dos investimentos em relação às quedas verificadas nos dois meses anteriores, resultantes da crise gerada pela pandemia de Covid-19. Ainda assim, o trimestre móvel encerrado em maio fechou com uma retração de 20,6%, também na série dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2019, enquanto maio registrou uma queda de 19,6%, o trimestre móvel ficou 18,4% abaixo do patamar verificado no ano passado. No acumulado em doze meses, os investimentos caíram 2,8%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cujo valor corresponde à sua produção nacional destinada ao mercado interno acrescida às importações – apresentou um crescimento de 68,7% em maio, encerrando o trimestre móvel com uma queda de 25,5%. Desagregando por componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos avançou 22% em maio, a importação cresceu 145,6% no mesmo período.

O indicador de construção civil, por sua vez, apresentou alta de 14,1% em maio, na série dessazonalizada. Com isso, o segmento registrou um recuo de 14,7% na passagem entre o trimestre terminado em fevereiro e aquele terminado em maio.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a queda foi generalizada. Enquanto o segmento máquinas e equipamentos recuou 23,7%, a construção civil e o componente outros registraram baixas de 16% e 18,5% sobre maio de 2019, respectivamente.

 Gráfico Tabela
Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2020

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou uma taxa de variação de 0,26% em maio de 2020, situando-se 0,37 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com abril de 2019, o recuo observado foi de 0,18 p.p.

Após a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 5,61% nos últimos doze meses, atingindo patamar superior ao registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas abaixo das taxas apontadas tanto pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) quanto pelo Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.

200707_icti_tabela_1_maio_20

Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, os maiores impactos ao índice vieram dos segmentos pessoal e demais despesas operacionais, cuja contribuição conjunta de 4,12 p.p. respondeu por mais de 73% da variação total apontada pelo indicador.

200707_icti_tabela_2_maio_20

Acesse aqui a planilha com a série histórica do indicador



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A evolução do emprego setorial em 2020: quão heterogêneo foi o tombo entre os setores?

Por Carlos H. Corseuil, Lauro Ramos e Felipe Russo

Nesta nota, analisamos os efeitos das medidas de conteno da pandemia sobre o nvel do emprego ao nvel setorial at maio de 2020. Para tanto, lanamos mo dos registros administrativos de admisses e desligamentos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), dos pedidos do seguro-desemprego e das informaes de abertura de empresas disponveis para o estado de So Paulo, fontes que so restritas ao setor formal, e da Pesquisa Nacional por Amostra deDomiclios Contnua (PNAD Contnua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), para incorporar o segmento informal da economia.

As informaes sobre o setor formal indicam uma forte retrao no nvel do emprego em que a queda das taxas de admisso dita o ritmo. Os setores de comrcio, construo e alimentao e alojamento so os mais afetados nesse universo, tanto pelo Caged como pelos dados de seguro-desemprego e de abertura de empresas. J a PNAD Contnua, alm de reforar essas constataes, revela as atribulaes da categoria de servios domsticos, marcados por vnculos informais.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PNAD COVID-19 – Divulgação de 03/07/2020 – Principais destaques

Por Maria Andreia Parente Lameiras e Marco Antônio F. de H. Cavalcanti

Os novos resultados da PNAD Covid-19, divulgada pelo IBGE, continuam a refletir o duro quadro que a pandemia do novo coronavírus trouxe para o mercado de trabalho no país. Apesar da percepção de que, no que tange ao nível de atividade econômica, o pior momento da crise já teria passado – conforme registrado nas análises do cenário macroeconômico divulgadas pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (DIMAC) do Ipea em 9 e 30 de junho1 –, os efeitos adversos da crise no mercado de trabalho tendem a persistir durante algum tempo. Evidentemente, na medida em que a evolução da Covid-19 permita a continuidade do processo de flexibilização gradual das restrições ao funcionamento das atividades econômicas no Brasil, parece razoável esperar que as condições do mercado de trabalho voltem a melhorar aos poucos. É certo, porém, que o quadro socioeconômico continuará apresentando enormes desafios para as autoridades econômicas, que, diante das restrições impostas pela precariedade das contas públicas no país, deverão buscar um ritmo adequado de transição das medidas excepcionais de política voltadas para a preservação de empregos, renda e produção – que têm se revelado fundamentais para atenuar os impactos econômicos e sociais da crise –, para um regime de política que continue a prover assistência aos mais necessitados, mas seja fiscalmente sustentável.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Os efeitos da pandemia sobre os rendimentos do trabalho e o impacto do auxílio emergencial: o que dizem os microdados da PNAD covid-19

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os impactos da pandemia sobre os rendimentos de maio podem ser medidos pelas diferenças entre a renda média efetivamente recebida e a renda média habitualmente recebida. A análise dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) Covid-19 de maio revela que os rendimentos médios habitualmente recebidos foram no valor de R$ 2.320,24, enquanto os rendimentos médios efetivamente recebidos foram de R$ 1.898,86, ou seja, somente 82% dos rendimentos habituais. Os trabalhadores por conta própria receberam efetivamente apenas 60% do que habitualmente recebiam, tendo seus rendimentos efetivos médios alcançado apenas R$ 1.092,12. Já os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada receberam efetivamente 76% do habitual. Por sua vez, trabalha- dores do setor privado com carteira e funcionários públicos receberam efetiva- mente em média acima de 90% do habitual.

Os dados mostram também que 5,2% dos domicílios (cerca de 3,5 milhões) sobre- viveram apenas com os rendimentos recebidos do auxílio emergencial (AE). Além disso, em média, após considerar o AE, a renda domiciliar alcançou 95% do que seria caso houvesse recebido rendimentos do trabalho habituais. Esse impacto foi maior entre os domicílios de renda baixa, onde, após o AE, os rendimentos atingiram 103% do que seriam com as rendas habituais.

Os microdados da PNAD Covid-19 nos permitem avaliar se o AE foi suficiente para compensar 67% da perda da massa salarial entre os que permaneceram ocupados. Além disso, considerando a perda da massa salarial com a queda da população ocupada observada na PNAD Contínua, pode-se estimar que o AE foi capaz de compensar cerca de 45% do impacto total da pandemia sobre a massa salarial.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Visão geral da conjuntura

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior, Marco A. F. H. Cavalcanti e Paulo Mansur Levy

Esta seção apresenta uma análise da conjuntura econômica internacional e brasileira por meio de um amplo conjunto de indicadores e projeções. A despeito da forte redução da atividade econômica observada no final de março e ao longo de abril, vários indicadores apontam no sentido de que a atividade econômica voltou a crescer a partir de maio. Um fator importante para essa recuperação é a implementação efetiva do auxílio emergencial, que parece ter coberto parcela substancial da renda dos trabalhadores informais e em condição de vulnerabilidade. Sob a hipótese de que o processo de flexibilização gradual das restrições à mobilidade e ao funcionamento das atividades econômicas iniciado em junho se manterá, projeta-se a recuperação gradual do PIB no terceiro e quarto trimestres. A queda projetada para o ano é de 6%, mas a trajetória de recuperação no segundo semestre deixará um carry-over de quase 2% para 2021, cujo crescimento projetado é de 3,6%.

A pandemia interrompeu temporariamente o processo de consolidação fiscal pelo qual passava a economia brasileira. Durante o período de crise sanitária e econômica, a prioridade passou a ser, evidentemente, a proteção da vida e da saúde das pessoas, bem como a preservação de empregos, renda e empresas. Assim, o governo lançou um amplo conjunto de medidas emergenciais de apoio à saúde e à economia, muitas das quais envolvem um custo fiscal significativo, tanto pelo lado da despesa como pelo lado da receita. Espera-se que, em função da deterioração fiscal causada pela pandemia, a dívida bruta do governo geral (DBGG) em proporção do PIB aumente de 75,8% no final de 2019 para 93,7% no final de 2020. Apesar da expectativa de que as medidas emergenciais não se estendam além de 2020, a crise da Covid-19 aumentou também para o futuro os desafios fiscais do país, que sairá da crise com uma dívida pública muito mais alta, e níveis de produção e arrecadação muito mais baixos que antes. Logo, o esforço fiscal que vinha sendo realizado terá que ser reforçado, visando reafirmar o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e com uma trajetória sustentável para a dívida pública.​

200630_cc_47_visao_geral_grafico

200630_cc_47_visao_geral_tabela

Acesso o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Estimativas mensais não oficiais baseadas na Pnad Contínua

Por Marcos Hecksher

As estimativas aqui disponibilizadas, geradas conforme o método descrito em Nota Técnica do Ipea, desagregam mês a mês os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga agregado por trimestre móvel. Não se trata de dado oficial, mas sim de uma estimativa de responsabilidade do autor.

Destaca-se que o nível de ocupação estimado – ou seja, a proporção da população de 14 anos ou mais que trabalhou, ainda que em alguma ocupação informal – caiu de 54,4% em fevereiro para 51,9% em março, 48,5% em abril e 48,1% em maio. A taxa de participação estimada, por sua vez, caiu de 61,7% em fevereiro para 59,5% em março, 55,8% e abril e 55,2% em maio.

Os dois movimentos citados indicam que parte importante da população deixou de trabalhar, mas não passou a procurar novo trabalho, o que manteve a taxa de desocupação relativamente estável. Esta inclusive recuou em maio, após ter registrado altas nos dois meses anteriores: 11,8% em fevereiro, 12,8% em março, 13,1% em abril e 12,8% em maio.

A massa de rendimentos efetivamente recebidos, deflacionada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou quedas reais crescentes em relação a iguais meses de 2019: 3,1% em fevereiro, -1,6% em março, -5,8% em abril e -12,7% em maio.



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PNAD-Covid – Divulgação de 24/6/2020 – Principais destaques

Por Marco A. F. H. Cavalcanti e Maria Andreia P. Lameiras

De acordo com os dados da PNAD COVID19, do IBGE, referentes a maio, o valor médio do Auxílio Emergencial (AE) recebido pelos domicílios brasileiros foi de R$ 846,50. Para efeito de comparação, esse valor correspondeu a 44,6% do rendimento médio dos ocupados, a 77,5% do rendimento médio dos trabalhadores por conta própria, e foi 21,2% superior ao rendimento médio do trabalhador doméstico. Levando-se em conta que as duas últimas categorias estariam entre as principais populações-alvo do programa, o valor fornecido revelou-se capaz de compensar grande parte da perda potencial de renda domiciliar causada pela pandemia da Covid-19. A abertura dos dados por região mostra que, para o Nordeste e o Norte, esse efeito foi ainda mais significativo, não apenas porque o valor desse benefício emergencial foi maior nessas regiões, mas também porque nessas localidades a média de rendimentos é menor.

A pesquisa indica que 26,3 milhões de domicílios (ou 38,7% dos 68 milhões de domicílios brasileiros) tiveram acesso ao AE, com destaque para os segmentos mais necessitados. Em particular, do total de domicílios contemplados pelo programa, 82% possuíam renda domiciliar per capita de até R$ 832,65, ou seja, renda inferior ao benefício obtido.

O peso do AE na renda domiciliar per capita revelou-se expressivo para os domicílios dos decis de renda mais baixos. No caso do menor decil, observa-se que o auxílio representou a quase totalidade da renda domiciliar per capita (cerca de 95%). No segundo e terceiro decis de renda mais baixa, o AE representou mais de um terço da renda domiciliar per capita (59% e 35%, respectivamente). Nos demais decis de renda mais baixa, a participação do AE na renda domiciliar também foi substancial.

Acesse o texto completo



------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------