Desagregação temporal da série de estoque de capital

Por José Ronaldo Souza Júnior e Felipe Cornelio

Em Souza Júnior e Cornelio (2020a; 2020b), optou-se por fazer a desagregação temporal dos fluxos anuais de depreciação (do estoque de capital prévio) utilizando os dados mensais do Indicador Ipea de FBCF como indicador de frequência mais alta do método de Denton. Esse procedimento suavizou a série de investimento líquido (FBCF menos a depreciação), resultando numa série mensal/trimestral de estoque de capital, de certo modo, em linha com a sugestão mencionada por OECD (2001) – de interpolação dos dados anuais. Porém, com essa suavização, as variações de curto prazo do estoque de capital podem não expressar as oscilações esperadas da variável quando se leva em consideração o comportamento da FBCF mensal.

Para resolver essa questão e oferecer uma outra opção para os usuários das séries mensal e trimestral, esta Nota Técnica propõe uma alternativa metodológica para desagregar temporalmente os fluxos de depreciação – distribuindo-os mais uniformemente ao longo do ano. Essa proposta se baseia na ideia de que a depreciação ocorre de forma relativamente estável ao longo do ano, independentemente dos movimentos mensais da FBCF. Por sua vez, com a depreciação calculada dessa forma, a série mensal de investimento líquido torna-se muito mais volátil – até mesmo que a de FBCF –, porém, no acumulado de doze meses, muito parecida com a metodologia anterior.

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O trabalho remoto nos setores formal e informal na pandemia

Por Geraldo Góes, Felipe Martins e José A. S. Nascimento

Este estudo tem como objetivos analisar o perfil dos trabalhadores remotos do país – segmentados em formal e informal e por grupo ocupacional – e também atualizar o seu acompanhamento durante a pandemia, comparando, sempre que possível, com os resultados da pesquisa sobre o potencial de teletrabalho no Brasil publicada na Carta de Conjuntura no 47 Por fim, é apresentada a distribuição regional e estadual do trabalho remoto no país.

As estimativas para o mês de julho apontam uma diminuição marginal no percentual de pessoas trabalhando de forma remota no país, quando comparado com os dois meses imediatamente anteriores. Nota-se o predomínio do setor formal no trabalho remoto, assim como o de grupos ocupacionais típicos de trabalhos que exigem uma maior qualificação. O grupo ocupacional de profissionais das ciências e intelectuais, por exemplo, conta com cerca de 40% de sua massa de trabalhadores em atividade remota. Entre profissionais com cargos de diretor e de gerente, 22,8% estavam trabalhando de forma remota em julho. Quanto à distribuição regional, apesar de uma diminuição do percentual de trabalhadores não afastados e ocu- pados de forma remota na grande maioria das unidades federativas, os líderes do ranking se mantiveram constantes. Em contrapartida, Bahia, Paraná, Minas Gerais, Alagoas e Santa Catarina foram os estados que mais subiram no ranking, enquanto Espírito Santo e Piauí foram os que registraram as maiores quedas.

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PNAD COVID-19 – Divulgação de 18/9/2020 – Principais destaques

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Lauro Ramos

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19 referente à semana de 23 a 29 de agosto, a taxa de desocupação atingiu 14,3%, maior nível desde o início da pesquisa em maio deste ano. Na média de agosto, a taxa foi de 13,6%, continuando o processo de elevação em relação aos meses anteriores (10,7% em maio, 12,4% em junho e 13,1% em julho).

A elevação da taxa de desocupação no mês deveu-se ao aumento da taxa de participação na força de trabalho, que passou de 55,1% em julho para 55,8% em agosto. O nível da ocupação, por sua vez, apresentou leve alta em agosto (48,2%) em relação ao mês anterior (47,9%).

Espera-se que o nível de participação na força de trabalho aumente nos próximos meses diante da redução do efeito renda positivo associado ao auxílio emergencial e da continuidade do processo de melhora nos indicadores econômicos. O nível de ocupação também deverá aumentar, mas é razoável esperar que a taxa de desocupação volte a elevar-se nas próximas semanas e mantenha-se em patamar elevado por algum tempo.

Os efeitos diretos da pandemia do novo coronavírus sobre o mercado de trabalho continuam a arrefecer gradualmente. O número de pessoas ocupadas mas afastadas do trabalho devido ao distanciamento social atingiu 3,6 milhões na semana de referência, nível mais baixo observado na pesquisa até o momento; em maio, esse número havia chegado a 15,8 milhões. O contingente de pessoas fora da força de trabalho que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego por conta da pandemia, também atingiu seu patamar mais baixo na semana de referência: 16,8 milhões; em maio, esse número havia sido de 18,4 milhões.

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Finanças públicas estaduais

Por Mônica Mora e Felipe Martins

A queda da receita corrente líquida (RCL) para o conjunto dos estados iniciou-se em março e se acentuou em abril e maio. Conforme o esperado, observou-se uma forte queda da arrecadação dos três principais tributos domésticos, levando a uma queda de receita das transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de 21% e de 17% do ICMS, entre abril e junho, vis-à-vis o mesmo período do ano anterior.

Os governos estaduais não dispunham de meios suficientes para enfrentar a crise, que demandava recursos em um contexto de queda acentuada da arrecadação tributária. Nesse contexto, a Medida Provisória no 938 e a Lei Complementar no 173 foram fundamentais para mitigar os efeitos da crise econômica sobre as finanças públicas estaduais. O desempenho da RCL respondeu às políticas compensatórias levadas a cabo pelo governo federal, descolou-se do comportamento dos tributos e já alcançava níveis pré-pandemia em junho de 2020.

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Inflação por faixa de renda – Agosto/2020

Por Maria Andreia Parente Lameiras

Como vem ocorrendo desde março de 2020, os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de agosto ratificam um cenário inflacionário marcado por uma aceleração de preços maior para a classe de renda mais baixa quando comparada ao segmento mais rico da população. Em agosto, enquanto a inflação das famílias mais pobres apontou alta de 0,38%, a faixa de renda mais alta registrou uma deflação de 0,10%. Com a incorporação deste resultado, no acumulado do ano, a inflação da classe de renda muito baixa é de 1,5%, mantendo-se em patamar bem acima da observada na faixa de renda mais alta (-0,07%).

Na desagregação dos índices, mais uma vez, evidencia-se uma pressão altista vinda dos alimentos no domicílio – que formam o grupo de maior peso na cesta de consumo das famílias mais pobres – e uma queda nos preços dos serviços, cujo alívio é bem mais intenso sobre o orçamento das famílias mais ricas. De fato, em agosto, o subgrupo alimentos e bebidas contribuiu com 0,20 ponto percentual (p.p.) para a inflação da classe de renda mais baixa, respondendo por 53% da variação total da inflação deste segmento. Já no caso da faixa de renda mais alta, o impacto do reajuste dos alimentos sobre a taxa de inflação foi bem mais modesto (0,05 p.p.). Deve-se destacar ainda que, no acumulado de 2020, boa parte dessas altas de preços dos alimentos está concentrada em itens de grande consumo para as famílias, como arroz (19,2%), feijão (35,9%), leite (23%) e ovos (7,1%).

Gráficos 1 e 2

Tabela 1

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Ajustes nas despesas de pessoal do setor público: cenários exploratórios para o período 2020-2039

Por Marco Cavalcanti, Cláudio Hamilton Santos, José Ronaldo Souza Júnior, Ana Paula R. Berçot, Gustavo Martins Venâncio Pires e Igor Ribeiro Mendonça

O objetivo desta Nota é apresentar possíveis cenários de redução das despesas de pessoal do setor público, levando-se em consideração os impactos de medidas já adotadas, como a LC no 173/2020, e de medidas futuras que possam ser viabilizadas por um conjunto amplo de alterações constitucionais e infraconstitucionais, em conformidade com as linhas propostas no âmbito da reforma administrativa. Esta Nota, entretanto, não tem o objetivo de defender qualquer conjunto específico de medidas, ou avaliar a probabilidade de sua adoção. O que se pretende, aqui, é apenas auxiliar a sociedade e os tomadores de decisão (executivo e parlamento) a entender os possíveis impactos fiscais de diferentes conjuntos de medidas, bem como algumas das condições necessárias para torná-las efetivas.

Cabe alertar que os cenários aqui apresentados devem ser vistos como exploratórios, por vários motivos. Primeiro, há grande incerteza sobre a parametrização adequada dos modelos de simulação utilizados. Segundo, os dados para alguns entes federativos são precários, dificultando a construção e a validação de cenários. Terceiro, a efetivação dos cenários apresentados depende de um conjunto amplo e incerto de condicionantes econômicas, políticas e legais. Ainda assim, espera-se que a apresentação desses cenários contribua para a discussão de trajetórias potenciais para as despesas de pessoal do setor público no contexto do esforço de consolidação a ser realizado nos próximos anos.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Julho de 2020 Demanda interna por bens industriais avançou 5% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou um crescimento de 5% na comparação entre julho e junho na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu uma alta de 4,4% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em julho cedeu 8,3% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) aumentou 5,4% em junho, as importações de bens industriais recuaram 2,2%.

Tabela 1

Em relação às grandes categorias econômicas, o bom desempenho de julho na comparação dessazonalizada foi generalizado. Entre os destaques, a demanda por bens de consumo duráveis avançou 27% na margem, enquanto os bens da capital cresceram 5,8%. Já o segmento de intermediários registrou a segunda alta consecutiva (4,2%). Na comparação interanual, em contrapartida, todos grupos apresentaram queda.

Essa alta de 5,8% do consumo aparente de bens de capital indica que os investimentos podem ter crescido em julho. A estimava mais completa dos investimentos, que é feita por meio do Indicador Ipea de FBCF, ainda não foi publicada devido ao adiamento da divulgação dos dados da PNAD Contínua, do IBGE – que é uma das fontes de dados do indicador.

Tabela 2

A análise dos resultados completos por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador

Acesse a série histórica completa



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Investimento líquido e estoque de capital: desempenho recente

Por José Ronaldo de C. Souza Júnior e Felipe Moraes Cornelio

O Texto para Discussão (TD) de Souza Júnior e Cornelio (2020) apresenta a metodologia de cálculo e as novas séries do Ipea de investimento líquido e de estoque de capital. Os dados são anuais (desagregados por componentes) para o período de 1947 a 2019 e mensais (agregados) para o período de janeiro de 1996 a dezembro de 2019. Esta nota complementa o TD por meio da atualização dessas séries – até o junho de 2020 – e da extensão das séries mensais para o período de janeiro de 1980 a dezembro de 1995.

As estimativas apresentadas indicam que, após um período inédito (na série histórica desde 1947), iniciado em 2016, com investimentos líquidos negativos e, portanto, reduções anuais do estoque de capital fixo, o investimento líquido voltou a ficar positivo no acumulado em doze meses no início deste ano. Isso significa que, apesar da recuperação do crescimento dos investimentos brutos ter se iniciado em 2017, somente no início deste ano, o investimento bruto voltou a ficar maior que o investimento necessário para repor da depreciação – indicando o aumento da capacidade instalada do estoque de capital.

CC48_NT_Estoque de capital_gráfico

As séries completas de investimento líquido e estoque de capital estão disponíveis no site do Ipeadata.

Acesse a nota da Carta de Conjuntura

Acesse o Texto para Discussão



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Economia mundial

Por Paulo M. Levy

Além do aspecto humano, relacionado à perda de vidas e às consequências pessoais do isolamento social, o desempenho das economias dos países avançados no segundo trimestre é eloquente quanto ao impacto da Covid-19. O produto interno bruto (PIB) americano do segundo trimestre caiu 9,1% (-31,9% anualizados) em relação ao trimestre anterior. Na Área do Euro (AE), a queda foi bem maior, de 12,1%, e no Japão, de 7,8%.

Apesar de dramáticas, essas quedas refletem o passado – especificamente, o momento do impacto da pandemia, quando a expansão dos contágios e as medidas de isolamento social estavam em seu auge. Começando em maio, e acompanhando o relaxamento das medidas restritivas à mobilidade, observa-se uma forte recuperação dos indicadores da atividade econômica – no caso dos indicadores de consumo nos Estados Unidos, até mesmo superando os níveis pré-Covid-19.

O estímulo para a retomada dos negócios reflete, em boa medida, as políticas monetária e fiscal mobilizadas para mitigar os efeitos da pandemia sobre a demanda, o emprego, a renda e o crédito. As expectativas, captadas pelos indicadores de confiança, recuperaram-se a partir de maio, mantendo-se em patamares favoráveis desde então. Os mercados de ativos têm refletido o aumento da liquidez e do apetite por ativos de risco. No entanto, o aumento das taxas de transmissão do novo coronavírus em países e/ou regiões localizadas e o impacto da retirada de alguns estímulos fiscais ainda tornam incerta a sustentabilidade de uma recuperação tão rápida dos preços de ativos e da própria atividade econômica.

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Atividade econômica: PIB no segundo trimestre de 2020

Por Marco A. F. H. Cavalcanti, José Ronaldo de C. Souza Júnior e Leonardo M. de Carvalho

Conforme esperado, os resultados referentes ao PIB do segundo trimestre de 2020, divulgados pelo IBGE, apresentaram, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, a maior retração do nível de atividade econômica da série histórica iniciada em 1996. A queda do PIB foi de 11,4% em relação ao mesmo trimestre de 2019 e de 9,7% em comparação com o primeiro trimestre de 2020, em termos dessazonalizados. Cabe notar que essa forte retração veio em linha com as projeções divulgadas pelo Ipea no início de junho,1 mas revelou-se menos intensa que as previsões medianas iniciais dos analistas de mercado participantes da pesquisa Focus do Banco Central do Brasil (BCB) – que previam, no início de junho, uma queda de 14% do PIB na série com ajuste sazonal, e foram gradualmente revendo suas estimativas para o trimestre até chegarem, no final de agosto, a uma queda esperada de 10,5%, mais próxima do valor observado.

Por terem vindo relativamente próximos das previsões divulgadas pela Dimac do Ipea em junho, os dados do segundo trimestre não deverão implicar alterações substanciais em nossas previsões para o PIB em 2020 e 2021. De fato, o cenário macroeconômico esperado continua sendo, na ausência de novo recrudescimento das condições sanitárias associadas à pandemia, de recuperação forte no segundo semestre de 2020 e de crescimento moderado em 2021. Contudo, alguns indicadores macroeconômicos recentes têm apresentado recuperação mais rápida do que nossos modelos previam no início de junho, o que deve refletir-se nas novas previsões a serem divulgadas no final de setembro.

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