Revisão da estimativa do PIB agropecuário brasileiro em 2020 e em 2021

Por Pedro M. Garcia, Ana Cecília Kreter, Fabio Servo e José Ronaldo de C. Souza Jr.

Com base nas novas estimativas divulgadas no mês de outubro para a produção agrícola em 2020 do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, e em projeções próprias para a pecuária a partir dos dados das Pesquisas Trimestrais do Abate, Produção de Ovos de Galinha e Leite, o Grupo de Conjuntura da Dimac do Ipea revisou a projeção da taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) do setor agropecuário de 1,6% (como divulgado na Visão Geral da Carta de Conjuntura nº 48) para 1,9% em 2020.

Para o ano de 2021, o Grupo de Conjuntura revisou a projeção de crescimento do PIB Agropecuário de 2,4% para 2,1%. A revisão para baixo da elevação do PIB Agropecuário em 2021 se deu por conta do aumento da base de comparação – com o melhor resultado esperado para 2020.

Grafico 1

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PNAD COVID-19 – Divulgação de 16/10/2020 – Principais destaques

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Lauro Ramos

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19, a taxa de desocupação foi de 14,4% na semana de 20 a 26 de setembro, atingindo 14% na média do mês de setembro e continuando o processo de elevação em relação aos meses anteriores (10,7% em maio, 12,4% em junho, 13,1% em julho e 13,6% em agosto).

A elevação da taxa de desocupação em setembro deveu-se ao aumento da taxa de participação na força de trabalho, que passou de 55,8% na média de agosto para 56,5% em setembro. O aumento do número de pessoas procurando trabalho mais do que compensou a variação também positiva do número de ocupados, que passou de 82,2 milhões em agosto para 82,9 milhões em setembro. O nível da ocupação (razão entre pessoas ocupadas e população em idade ativa) também apresentou alta entre agosto (48,2%) e setembro (48,6%).

Apesar do aumento da taxa de participação na força de trabalho, o contingente de pessoas não ocupadas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram trabalho permanece elevado: 25,6 milhões na semana de referência e 26,1 milhões na média de setembro. Esse número vem caindo (foi de 28,3 milhões em julho e 27,2 milhões em agosto), mas muito lentamente. Chama atenção, no total dessas pessoas, o ainda elevado percentual de pessoas que não procuraram trabalho possivelmente por conta da pandemia (61,3% na média de setembro), indicando que, apesar de estarem arrefecendo gradualmente, os efeitos diretos da pandemia no mercado de trabalho ainda são relevantes.

Na medida em que a evolução da pandemia permita a continuidade dos processos de flexibilização das restrições às atividades socioeconômicas e de recuperação do nível de atividade, e tendo em vista também a redução do valor do auxílio emergencial nos próximos meses, espera-se que o nível de participação na força de trabalho aumente até o final do ano. O nível de ocupação também deverá aumentar, mas é razoável esperar que, conforme ocorrido até agora, não em um ritmo forte o suficiente para impedir que a taxa de desocupação continue a elevar-se.

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O setor cultural na pandemia: o teletrabalho e a Lei Aldir Blanc

Por Geraldo Góes, Leonardo Q. Athias, Felipe S. Martins, Frederico A. B. Silva

As estimativas de participação do setor cultural na economia brasileira, antes da pandemia, variavam de 1,2% a 2,67% do PIB, e o conjunto de ocupados no setor cultural representava, em 2019, 5,8% do total de ocupados, ou seja, em torno de 5,5 milhões de pessoas. Esta Nota Técnica visa analisar duas questões do setor cultural durante a pandemia: o potencial de trabalho remoto e a Lei Aldir Blanc, sancionada para mitigar os impactos da pandemia de Covid-19 na economia da cultura. Em relação ao teletrabalho, estimou-se esse potencial a partir da metodologia desenvolvida por Dingel e Neiman (2020), aplicada ao mercado de trabalho brasileiro (considerando suas especificidades e idiossincrasias laborais) por Góes, Martins e Nascimento (2020). A partir dos microdados da PNAD Covid-19, estimou-se o trabalho remoto no setor cultural, valendo-se do recorte delineado no Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) do IBGE. A pandemia impactou significativamente a dinâmica do mercado de trabalho cultural, e o teletrabalho foi uma das alternativas encontradas para acomodar a necessidade das empresas. Representa uma forma alternativa de criação de valor e sinergias nas redes e circuitos de produção cultural. Ao mesmo tempo, a Lei Aldir Blanc procura enfrentar essas vulnerabilidades, pois uma das suas dimensões é a proteção de trabalhadores do campo cultural. Por essa razão, faz-se o esforço de estimar o número potencial de trabalhadores que seriam beneficiários dos auxílios emergenciais. É possível que essa estimativa seja a única a servir de parâmetro para priorizar os recursos na direção dos auxílios individuais ou para o fomento. Exploram-se neste texto perspectivas para o setor a partir do trabalho remoto, que já existia e não desaparecerá após o fim da pandemia, da mesma forma que explora alguns desafios para a implementação e sucesso da Lei Aldir Blanc em apoio ao setor.

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Macroeconomia ambiental e pandemia: impactos da Covid-19 no setor mineral

Por Geraldo Góes, Daniel M. Cardoso, José A. Sena, Ana E. N. Reymão, Ligia H. Begot, Cinthia P. Rodrigues

Esta Nota Técnica tem como tema o rebatimento da piora do ambiente macro- econômico no Brasil e no mundo, devido à pandemia da Covid-19, sobre o se- tor mineral brasileiro. Aspectos do montante da produção mineral (ferro, ouro e cobre), recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e nível de empregos, entre outros, serão descritos. A epidemia de Covid-19 afetou o desempenho do setor mineral brasileiro por meio da redução da demanda por exportações dos minérios brasileiros, da queda no preço dos minérios e da piora nos termos de troca, além da redução no fluxo de pessoas e mercadorias por conta das políticas de distanciamento social que afetam tanto a demanda quanto a oferta do mercado mineral. Em termos da CFEM arrecadada, no primeiro trimestre, houve uma queda de 18%, comparativamente ao quarto trimestre de 2019, com redução de quase todas as principais substâncias minerais, que cresceu 14,1% no primeiro trimestre de 2020. Já no segundo trimestre, a arrecadação total teve alta de 6,4%, puxada pelo aumento de preços das principais substâncias minerais. Em relação ao mercado de trabalho, observou-se forte queda dos empregos formais da indústria extrativa mineral em abril, com saldo negativo de 1.244 postos de trabalho, provavelmente relacionada aos impactos da pandemia sobre a indústria extrativa mineral.

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Inflação por faixa de renda – Setembro/2020

Por Maria Andreia P. Lameiras

Em setembro, o indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou aceleração na taxa de crescimento dos preços em todas as classes pesquisadas. Novamente, a taxa de inflação das famílias de renda mais baixa (0,98%) foi maior que à observada no conjunto mais rico da população (0,29%). No acumulado do ano, enquanto a inflação das famílias mais pobres aponta alta de 2,5%, a taxa de variação registrada pela classe de renda mais alta é de apenas 0,2%.

Assim como vem ocorrendo desde março, o expressivo crescimento dos preços dos alimentos no domicílio, grupo de maior peso na cesta de consumo das famílias mais pobres, explica a pressão inflacionária mais forte para esse segmento de renda. Nos primeiros nove meses de 2020, os alimentos no domicílio apontam alta de 9,2%, com destaque para as variações do arroz (41%), feijão (34%), leite (30%) e óleo de soja (51%). Já os serviços livres registram, no acumulado do ano, deflação de 0,05%, refletindo as quedas de 55% das passagens aéreas, de 9% nos preços de hospedagem e de 1,7% das mensalidades das creches. A desaceleração dos preços dos serviços vem gerando um alívio maior para a faixa de renda mais alta, cuja parcela do orçamento gasta com a aquisição destes itens é bem superior à despendida pela classe de renda mais baixa.

Gráficos

Tabela 02

Veja texto completo sobre o resultado de setembro

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O que está acontecendo com os preços do arroz no Brasil?

Por Marcelo Nonnenberg, Michelle Martins e Alícia Cechin

Com o início da pandemia e o aumento da alimentação no domicílio, a demanda por produtos estocáveis e, consequentemente, por arroz voltou a crescer e a pressionar os preços. De acordo com os dados da Conab, o preço no varejo do saco de 5 kg do arroz longo fino tipo 1 cotado em São Paulo passou de R$ 17,46 em janeiro para R$ 21,19 em agosto de 2020, uma elevação de 21,3%, com crescimento contínuo esperado ao longo de setembro. Isso levou o governo a anunciar, no início do mês, uma redução a zero do imposto de importação, com o objetivo de conter o aumento.

Como o arroz consumido no país é basicamente produzido internamente, é interessante responder a duas perguntas. Primeiro, o que causou o aumento tão forte, em um período de recessão acentuada? Segundo, será que a redução de tarifa poderá ter o efeito desejado de conter/reduzir os preços? Obviamente, a resposta a essas duas questões é apenas aproximativa.

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Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais – Agosto de 2020 Demanda interna por bens industriais avançou 5,9% no mês

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno acrescida das importações – registrou um crescimento de 5,9% na comparação entre agosto e julho na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, que sucedeu uma alta de 3,9% no período anterior, o trimestre móvel encerrado em agosto avançou 5,5% na margem. Entre os componentes do consumo aparente, ainda na comparação dessazonalizada, enquanto a produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) aumentou 3,1% em agosto, as importações de bens industriais aumentaram 9,8%.

Tabela 1

Em relação às grandes categorias econômicas, o bom desempenho de agosto na comparação dessazonalizada foi disseminado. Entre os destaques, a demanda por bens de consumo duráveis avançou 14,2% na margem, enquanto os bens intermediários cresceram 5,7%. Já o segmento bens de capital permaneceu praticamente estagnado, com uma pequena baixa de 0,2%. Na comparação interanual, todos os grupos voltaram a cair.

Tabela 2

A análise dos resultados completos por classes de produção e por segmentos pode ser vista no texto completo do indicador.

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Indicador Ipea de FBCF – Julho de 2020 Investimentos iniciam o terceiro trimestre com avanço de 3,4% em julho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma alta de 3,4% na comparação entre julho e junho de 2020, na série com ajuste sazonal. Com isso, o trimestre móvel encerrado em julho fechou com um crescimento de 7%, também na série dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2019, enquanto julho registrou uma queda de 3,8%, o trimestre móvel encerrou com uma retração de 6%. No acumulado em doze meses, os investimentos caíram 2,4%.

Na comparação com o ajuste sazonal, o consumo aparente de máquinas e equipamentos – cujo valor corresponde à sua produção nacional destinada ao mercado interno, acrescida às importações – apresentou uma alta de 10,9% em julho (após queda de 18,1% em junho), encerrando o trimestre móvel com uma expansão de 8,2%. De acordo com os seus componentes, enquanto a produção nacional de máquinas e equipamentos cresceu 21,5% em julho (terceira alta consecutiva), a importação caiu 7,6% no mesmo período.

O indicador de construção civil, por sua vez, avançou 2,7% em julho, na série dessazonalizada. O resultado sucedeu altas de 7,8% e 17,4% nos meses de junho e maio, respectivamente. Com isso, o segmento registrou um avanço de 8,5% no trimestre móvel.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os resultados foram heterogêneos. Enquanto os segmentos máquinas e equipamentos e outros ativos fixos registraram queda, o componente da construção apresentou crescimento de 3,3% sobre julho de 2019. Na comparação trimestral, todos os componentes registraram queda.

tabela

Gráfico

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – julho de 2020

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado pelo Ipea, apresentou variação de 0,96% em julho de 2020, situando-se 0,63 ponto percentual (p.p.) acima da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a aceleração foi de 0,55 p.p.

Como uma incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 5,94% nos últimos doze meses, alcançando patamar superior ao registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), mas inferior aos observados tanto pelo Índice de Preços por Atacado segundo Estágios de Processamento (IPA-EP), quanto pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV), como mostra a tabela 1.

Tabela 1 - Julho 20

Na desagregação pelos oito grupos de serviços que compõem o ICTI, observa-se que, no acumulado em doze meses, a maior contribuição veio dos segmentos de pessoal e de demais despesas operacionais, que, juntos, contribuíram com 3,61 p.p., sendo responsáveis por aproximadamente 61% da variação total apresentada pelo índice. Ainda que em menor intensidade, o segmento material de consumo também afetou significativamente o ICTI, com impacto de 1,32%.

Tabela 2 - jul20

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PNAD COVID-19 – Divulgação de 2/10/2020 – Principais destaques

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Marco Antônio F. de H. Cavalcanti e Lauro Ramos

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Covid-19, a taxa de desocupação foi de 14,1% na semana de 6 a 12 de setembro, atingindo 13,9% na primeira quinzena do mês e continuando o processo de elevação em relação aos meses anteriores (10,7% em maio, 12,4% em junho, 13,1% em julho e 13,6% em agosto).

A elevação da taxa de desocupação na primeira metade de setembro deveu-se ao aumento da taxa de participação na força de trabalho, que passou de 55,8% na média de agosto para 56,2% em setembro. O aumento do número de pessoas procurando trabalho mais do que compensou a variação também positiva do número de ocupados, que passou de 82,2 milhões em agosto para 82,5 milhões em setembro. O nível da ocupação apresentou leve alta entre agosto (48,2%) e as primeiras duas semanas de setembro (48,4%).

Na medida em que a evolução da pandemia permita a continuidade dos processos de flexibilização das restrições às atividades socioeconômicas e de recuperação do nível de atividade, e tendo em vista também a redução do valor do auxílio emergencial nos próximos meses, espera-se que o nível de participação na força de trabalho aumente até o final do ano. O nível de ocupação também deverá aumentar, mas é razoável esperar que, conforme ocorrido até agora, não em um ritmo forte o suficiente para impedir que a taxa de desocupação continue a elevar-se.

A taxa de informalidade tem apresentado leve tendência de alta desde julho, quando foi de 33,6%, tendo atingido 33,9% em agosto e 34,4% nas primeiras duas semanas de setembro – o que indica que a retomada do nível de ocupação tem sido mais forte para os empregos informais.

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