Inflação por faixa de renda – Junho/2026

Por Maria Andréia P. Lameiras

 Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, em junho, houve uma desaceleração da inflação, na margem, para todas as classes pesquisadas, repercutindo, sobretudo, a deflação dos alimentos no domicílio e o menor reajuste da tarifa de energia elétrica. Em termos absolutos, o segmento de renda alta foi o que apresentou a maior taxa de inflação em junho (0,24%), enquanto as menores variações de preços foram registradas nas faixas de renda muito baixa e média alta (0,12%). Por certo, a queda dos alimentos no domicílio, ocorrida em junho, explica essa desaceleração mais intensa da inflação nas classes de renda mais baixas, dado o peso desse item nas suas cestas de consumo, ao passo que a alta das passagens aéreas manteve a inflação do segmento de renda alta mais pressionada.

No acumulado do ano, até junho, as faixas de renda muito baixa e baixa são as que apresentam a maior inflação (3,59%), impactadas, especialmente, pelos reajustes de 5,3% dos preços dos alimentos no domicílio, de 3,6% da energia elétrica e de 6,5% dos produtos de higiene nos seis primeiros meses de 2026. Por sua vez, a faixa de renda alta é a que aponta a taxa menos elevada (3,07%), beneficiada pelas deflações de 13,2% e de 5,4% dos transportes por aplicativo e dos pacotes turísticos. Já no acumulado de doze meses, a faixa de renda muito baixa ainda registra a menor inflação (4,21%), ao passo que o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (5,22%).

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Dados Xls



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Panorama Fiscal: evolução recente e perspectivas

Até junho de 2026, o resultado primário do governo central foi inferior ao registrado no mesmo período de 2025. No acumulado de janeiro a junho, o déficit de R$ 9,8 bilhões do ano anterior ampliou-se para déficit de R$ 92,3 bilhões, a preços constantes de junho de 2026. Em doze meses, o resultado também se deteriorou, passando de superávit de R$ 16,2 bilhões para déficit de R$ 145,2 bilhões. Essa reversão, na comparação interanual, refletiu o crescimento real da despesa primária, de 12,2%, bem acima do avanço da receita líquida, de 5,5%, em um contexto de expansão das despesas discricionárias e de antecipação do pagamento de precatórios, concentrados em março de 2026.

Pelo lado das receitas, o crescimento concentrou-se nas administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB) e na arrecadação líquida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), com alta real de 6,8% e 5,9%, respectivamente, até junho. Entre as receitas administradas, destacaram-se os aumentos de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), outras receitas administradas, Imposto de Importação, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Renda, enquanto o PIS/Pasep registrou retração. As receitas não administradas caíram 5,5%.

Em perspectiva mais ampla, a trajetória das contas públicas desde 2008 revela recuperação importante da receita no pós-pandemia, especialmente das receitas administradas pela RFB, que atingiram cerca de 14,9% do PIB em junho de 2026, além de crescimento gradual da arrecadação líquida do RGPS, para aproximadamente 5,6% do PIB. Ao mesmo tempo, as transferências por repartição de receitas voltaram a subir e passaram a operar em nível elevado, enquanto a despesa primária acumulada em doze meses chegou a cerca de 19,6% do PIB, pressionada pela expansão das transferências sociais, pelo aumento recente dos gastos com precatórios e sentenças judiciais e pela volatilidade dos componentes discricionários e extraordinários. Nesse contexto, as despesas discricionárias continuam a desempenhar papel central como variável de ajuste fiscal.

No que se refere ao endividamento, a dívida pública federal alcançou cerca de R$ 9,0 trilhões em maio de 2026, em ambiente de custo ainda elevado e maior participação de títulos pós-fixados e indexados à inflação. No mesmo período, a dívida bruta do governo geral e a dívida líquida do setor público atingiram 81,07% e 67,91% do PIB, respectivamente, enquanto as taxas implícitas de juros seguiram em patamares elevados, reforçando a pressão do serviço da dívida sobre a dinâmica fiscal.

No Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do segundo bimestre de 2026, a projeção do resultado primário do governo central permaneceu dentro do intervalo de tolerância da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2026, afastando a necessidade de limitação de empenho por meta fiscal. Ainda assim, a projeção das despesas sujeitas ao limite da Lei Complementar no 200/2023 apontou excesso de R$ 23,7 bilhões em relação ao teto do exercício, exigindo bloqueio adicional. Já o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) 2027 projeta superávit primário de R$ 8,0 bilhões em 2027, com possibilidade de compensação de até R$ 65,66 bilhões em despesas excepcionalizadas para o cumprimento da meta.

A comparação entre os PLDOs de 2026 e 2027 para o exercício de 2027 aponta ampliação do espaço para despesas discricionárias. Esse resultado reflete o aumento da receita líquida projetada, a redução das transferências por repartição de receitas, a queda das despesas obrigatórias e uma meta de resultado primário menos restritiva, em razão dos abatimentos admitidos em seu cálculo. O PLDO 2027 projeta trajetória ascendente da dívida bruta do governo geral até 2029, quando alcançaria 87,8% do produto interno bruto (PIB), com recuo gradual nos anos seguintes.

No que se refere às expectativas de mercado, as projeções mais recentes apontam relativa estabilidade do resultado primário em 2026 relativamente a 2025. A partir de 2027, espera-se gradual melhora desse resultado, mas este se manteria deficitário até 2029. Para a relação dívida/PIB, projetam-se aumentos mais significativos do que aqueles projetados nos relatórios oficiais, com essa razão atingindo entre 89% e 90% em 2028. No caso do boletim Focus, a dívida bruta do governo geral (DBGG) continuaria a crescer em proporção do PIB pelo menos até 2030, quando atingiria 94,1% do produto.

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Análise e Projeções de Inflação​

Por:  Maria Andréia P. Lameiras

Embora o ano tenha se iniciado com a sinalização de que o processo de desinflação, iniciado na segunda metade de 2025, se consolidaria ao longo de 2026, os dados do último trimestre retrataram um cenário bastante distinto do projetado anteriormente. Além da eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã, o impacto dos efeitos climáticos sobre os preços dos alimentos no mercado doméstico e a desaceleração menos intensa da atividade econômica reconfiguraram de maneira significativa o ambiente inflacionário brasileiro, impondo uma reversão das expectativas e ampliando o grau de incerteza para o restante do ano. Nesse contexto, após encerrar fevereiro com uma alta acumulada em doze meses de 3,8%, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio acelerando, de modo que, em maio, essa variação já alcançava 4,7%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,2%.

Por certo, um dos vetores centrais da deterioração do quadro inflacionário brasileiro reside no conflito no Oriente Médio. Desde o início dos ataques norte-americanos às instalações iranianas, o fechamento intermitente do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, gerou um choque de oferta de energia de magnitude considerável. O barril do petróleo Brent, que estava em torno de US$ 72 ao final de fevereiro, escalou até superar US$ 130 no início de abril, permanecendo próximo de US$ 100 até meados de maio, quando iniciou um movimento de recuo. No fim de junho, o Brent já havia retornado a níveis próximos de US$ 75, refletindo expectativas mais otimistas quanto à possibilidade de acordos diplomáticos, ainda que a incerteza geopolítica permanecesse elevada.

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Boletim de expectativas – julho de 2025

Os destaques nesta edição são as finanças públicas e a inflação. Na parte fiscal, são apresentadas as projeções do sistema de expectativas do Banco Central e as da Instituição Fiscal Independente, do Senado. A combinação das projeções de resultado primário, despesa com juros e PIB leva a trajetórias ascendentes da relação dívida/PIB. Quanto à inflação, a expectativa para 2026 se elevou por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio, mas também as previsões para 2027 subiram, enquanto as taxas esperadas para 2028 em diante continuam acima da meta de 3%.260714_Gráficos 7 e 13

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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em junho de 2026

De acordo com dados da execução orçamentária registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, os quais fornecem boa aproximação dos dados oficiais relativos ao resultado primário a serem divulgados posteriormente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), estima-se que o governo central tenha registrado déficit primário de R$ 49,0 bilhões em junho de 2026. Conforme a tabela 1, a receita líquida atingiu R$ 193,6 bilhões no mês, com variação real positiva de 9,4% frente a junho de 2025, ao passo que a despesa total somou R$ 242,6 bilhões, alta real de 8,6% na mesma comparação. No acumulado de janeiro a junho, o resultado primário foi deficitário em R$ 92,3 bilhões, ante déficit de R$ 9,8 bilhões em igual intervalo de 2025, a preços constantes de junho de 2026.

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na série dessazonalizada, acelerando em relação ao ritmo modesto observado no encerramento de 2025. Com base nos indicadores de atividade já disponíveis para o segundo trimestre, o quadro segue compatível com continuidade da expansão, ainda que com diferenças relevantes entre setores. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,5% em abril, na série dessazonalizada, após recuo de 0,2% em março, deixando alta de 0,7% no trimestre móvel encerrado no mês e carry-over positivo de 0,6% para o segundo trimestre. A abertura setorial do indicador também reforça essa leitura: indústria e serviços cresceram na margem, assim como o agregado ex-agropecuária, enquanto a agropecuária ficou praticamente estável em abril, após o forte desempenho observado nos meses anteriores. Na mesma direção, os dados da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), também calculada pelo Banco Central do Brasil (BCB), continuaram apontando sustentação relevante da renda: em maio, a RNDBF acumulava alta real de 4,4% em doze meses, enquanto sua parcela mais diretamente associada aos rendimentos recorrentes das famílias avançava 5,0% na mesma comparação. Em conjunto, esses resultados sugerem que a melhora observada no primeiro trimestre não foi revertida no início do segundo. Mais do que isso, indicam que a expansão de 2026 vem apresentando composição menos concentrada do que a observada no ano passado – ponto detalhado nos parágrafos seguintes.

Em linhas gerais, as pesquisas setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corroboram esse cenário relativamente mais positivo para a atividade econômica ao longo 2026. A produção industrial apresentou acomodação em maio, mas após sequência expressiva de altas e com continuidade do crescimento da indústria de transformação na margem. O comércio varejista recuou em abril, sinalizando moderação após resultados positivos nos meses anteriores, mas ainda preservou desempenho favorável nas métricas trimestrais. Já os serviços voltaram a crescer no início do segundo trimestre, recuperando integralmente a queda de março e mantendo o setor em patamar próximo ao pico histórico. Em síntese, os indicadores disponíveis sugerem uma economia ainda aquecida no início do segundo trimestre, com sinais positivos em indústria e serviços, acomodação localizada do comércio na ponta e suporte persistente vindo da renda das famílias e das políticas de sustentação da renda e acesso ao crédito.

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Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica no 26, Carta de Conjuntura no 70, de abril de 2026), os dados do primeiro trimestre indicam que a economia brasileira começou o ano de 2026 em aceleração, com crescimento de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 1,1% em relação ao quarto trimestre de 2025. Como também já era previsível em abril, o referido crescimento – que se mostrou um pouco maior do que antecipávamos – foi liderado, pelo lado da produção, pelo setor agropecuário e, pelo lado do gasto, pelo consumo das famílias e pela formação bruta de capital fixo.

Mas os dados do primeiro trimestre de 2026 – e os que já estão disponíveis para o segundo trimestre – não trouxeram apenas confirmações do que já antecipávamos. Os dados suscitaram também questionamentos sobre a extensão do “pouso suave (…) sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna” que explicou tão bem a desaceleração da economia verificada no segundo semestre do ano passado (Nota Técnica no 22, Carta de Conjuntura no 69, de dezembro de 2025). Não será surpresa, em particular, se o crescimento da economia neste ano vier a ser próximo ou maior do que o verificado em 2025, mesmo com as taxas de juros reais em patamares historicamente muito altos.

Com efeito, mesmo com a expectativa de uma Selic nominal maior do que a prevista em março passado, optamos por aumentar a nossa previsão de crescimento do PIB em 2026 para 2,3%, puxada, pelo lado da despesa, por previsões de crescimento do consumo das famílias e das exportações da ordem de 2% e 4,5%, respectivamente, e, pelo lado da produção, por crescimentos de 2,4% nos serviços e 2% na indústria, neste último caso por conta da perspectiva de mais um bom ano para a indústria extrativa mineral. Para o segundo trimestre, a projeção é que o PIB cresça 0,5% em relação ao resultado do primeiro trimestre na série dessazonalizada e 2% em relação ao resultado do segundo trimestre de 2025. Para 2027, mantemos a expectativa de crescimento de 2,0%, em um cenário no qual a atividade segue se expandindo, mas com ritmo mais moderado do que o projetado para 2026, em parte porque o carry-over deixado para o próximo ano é menor, de 0,8%.
Ademais, diante de um cenário inflacionário claramente menos benigno do que o verificado em março, e levando em consideração os resultados já observados até maio, a projeção do Grupo de Conjuntura do Ipea para o IPCA no ano avançou de 4,2% para 5,3%. Nesse novo quadro, as projeções para a alta dos alimentos e dos serviços livres foram majoradas, passando de 3,9% e 5,5% para 7,3% e 5,8%, respectivamente. Já a projeção para os bens industriais e para os preços administrados saltaram de 2,6% e 4,3% para 3,6% e 4,8%, nesta ordem.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado Ipea, apresentou taxa de variação de 0,25% em maio de 2026, situando-se 0,7 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 1,02 p.p. Maior.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 4,45% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Leite Corseuil e Júlia Freitas de Lima

Em consonância com um quadro de desaquecimento de atividade da economia menos intenso que o previsto, os indicadores mais recentes confirmam a continuidade de uma trajetória favorável do mercado de trabalho, ainda que com sinais de perda de fôlego na margem. Por certo, embora a taxa de desocupação se mantenha estável em nível historicamente baixo, a queda no ritmo de criação de novas vagas e a desaceleração na taxa de crescimento dos salários indicam uma dinâmica mais moderada no cenário de emprego no país. Em abril, após a mensalização dos dados do trimestre móvel, a taxa de desocupação medida pela PNAD Contínua ficou em 5,3%, recuando 0,05 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado no mesmo período de 2025. Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação de 5,5%, em abril é ligeiramente maior que a observada em março (5,4%) e a mais alta desde outubro de 2025.

Deve-se ressaltar, ainda, que assim como vem ocorrendo nos últimos anos os dados do trimestre encerrado em abril mostram que boa parte deste bom comportamento da taxa de desocupação deve-se ao desempenho mais fraco da força de trabalho. De fato, no último trimestre móvel, encerrado em abril, enquanto a força de trabalho – estimada em 108,7 milhões – mostrou crescimento de interanual de apenas 0,2%, a população em idade ativa que se mantém fora da força de trabalho (66,5 milhões) apontou alta de 1,6%. Por conseguinte, a taxa de participação no mercado de trabalho brasileiro foi de 62,1%, neste trimestre, mantendo-se abaixo tanto do observado no mesmo trimestre do ano anterior (62,3%) quanto do registrado na média dos dois últimos anos anteriores à pandemia (63,2%). Logo, caso a taxa de participação tivesse se mantido próxima ao nível registrado anteriormente, a taxa de desocupação estaria em patamar mais elevado. Nota-se, também, que entre esse contingente que se mantém fora da força de trabalho vem crescendo a participação de pessoas que não desejam retornar ao mercado de trabalho, mesmo diante de uma oportunidade de emprego. No primeiro trimestre de 2026, esse grupo representava 87,6% do total, o que significa uma alta de 1,5 p.p. ante o registrado no mesmo período do ano passado e de 5,6 p.p. em relação ao observado no período pré-pandemia (primeiro trimestre de 2020).

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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – abril de 2026

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais avançou 0,8% na comparação entre abril e março na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Esse resultado ocorreu em razão das altas de 1,4% da produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) e 0,5% das importações de bens industriais, conforme mostra a tabela.

O crescimento na série dessazonalizada foi o quarto consecutivo nesta base de comparação. Com isso, o trimestre móvel encerrado em abril cresceu 3,5% na margem, quando comparado com aquele encerrado em janeiro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal subiu 3,2% em relação a abril de 2025, o indicador em médias móveis trimestrais aumentou 1,4%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou recuo de 0,1% em abril, contrastando com a elevação de 0,7% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), como ilustra o gráfico.

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