Análise e Projeções de Inflação​

Por:  Maria Andréia P. Lameiras

Embora o ano tenha se iniciado com a sinalização de que o processo de desinflação, iniciado na segunda metade de 2025, se consolidaria ao longo de 2026, os dados do último trimestre retrataram um cenário bastante distinto do projetado anteriormente. Além da eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã, o impacto dos efeitos climáticos sobre os preços dos alimentos no mercado doméstico e a desaceleração menos intensa da atividade econômica reconfiguraram de maneira significativa o ambiente inflacionário brasileiro, impondo uma reversão das expectativas e ampliando o grau de incerteza para o restante do ano. Nesse contexto, após encerrar fevereiro com uma alta acumulada em doze meses de 3,8%, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) veio acelerando, de modo que, em maio, essa variação já alcançava 4,7%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,2%.

Por certo, um dos vetores centrais da deterioração do quadro inflacionário brasileiro reside no conflito no Oriente Médio. Desde o início dos ataques norte-americanos às instalações iranianas, o fechamento intermitente do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, gerou um choque de oferta de energia de magnitude considerável. O barril do petróleo Brent, que estava em torno de US$ 72 ao final de fevereiro, escalou até superar US$ 130 no início de abril, permanecendo próximo de US$ 100 até meados de maio, quando iniciou um movimento de recuo. No fim de junho, o Brent já havia retornado a níveis próximos de US$ 75, refletindo expectativas mais otimistas quanto à possibilidade de acordos diplomáticos, ainda que a incerteza geopolítica permanecesse elevada.

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Boletim de expectativas – julho de 2025

Os destaques nesta edição são as finanças públicas e a inflação. Na parte fiscal, são apresentadas as projeções do sistema de expectativas do Banco Central e as da Instituição Fiscal Independente, do Senado. A combinação das projeções de resultado primário, despesa com juros e PIB leva a trajetórias ascendentes da relação dívida/PIB. Quanto à inflação, a expectativa para 2026 se elevou por causa dos efeitos da guerra no Oriente Médio, mas também as previsões para 2027 subiram, enquanto as taxas esperadas para 2028 em diante continuam acima da meta de 3%.260714_Gráficos 7 e 13

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Estimativa preliminar do resultado primário do governo central em junho de 2026

De acordo com dados da execução orçamentária registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) do governo federal, os quais fornecem boa aproximação dos dados oficiais relativos ao resultado primário a serem divulgados posteriormente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), estima-se que o governo central tenha registrado déficit primário de R$ 49,0 bilhões em junho de 2026. Conforme a tabela 1, a receita líquida atingiu R$ 193,6 bilhões no mês, com variação real positiva de 9,4% frente a junho de 2025, ao passo que a despesa total somou R$ 242,6 bilhões, alta real de 8,6% na mesma comparação. No acumulado de janeiro a junho, o resultado primário foi deficitário em R$ 92,3 bilhões, ante déficit de R$ 9,8 bilhões em igual intervalo de 2025, a preços constantes de junho de 2026.

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Indicadores mensais de indústria, comércio e serviços

Por Leonardo Mello de Carvalho

O PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, na série dessazonalizada, acelerando em relação ao ritmo modesto observado no encerramento de 2025. Com base nos indicadores de atividade já disponíveis para o segundo trimestre, o quadro segue compatível com continuidade da expansão, ainda que com diferenças relevantes entre setores. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,5% em abril, na série dessazonalizada, após recuo de 0,2% em março, deixando alta de 0,7% no trimestre móvel encerrado no mês e carry-over positivo de 0,6% para o segundo trimestre. A abertura setorial do indicador também reforça essa leitura: indústria e serviços cresceram na margem, assim como o agregado ex-agropecuária, enquanto a agropecuária ficou praticamente estável em abril, após o forte desempenho observado nos meses anteriores. Na mesma direção, os dados da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF), também calculada pelo Banco Central do Brasil (BCB), continuaram apontando sustentação relevante da renda: em maio, a RNDBF acumulava alta real de 4,4% em doze meses, enquanto sua parcela mais diretamente associada aos rendimentos recorrentes das famílias avançava 5,0% na mesma comparação. Em conjunto, esses resultados sugerem que a melhora observada no primeiro trimestre não foi revertida no início do segundo. Mais do que isso, indicam que a expansão de 2026 vem apresentando composição menos concentrada do que a observada no ano passado – ponto detalhado nos parágrafos seguintes.

Em linhas gerais, as pesquisas setoriais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corroboram esse cenário relativamente mais positivo para a atividade econômica ao longo 2026. A produção industrial apresentou acomodação em maio, mas após sequência expressiva de altas e com continuidade do crescimento da indústria de transformação na margem. O comércio varejista recuou em abril, sinalizando moderação após resultados positivos nos meses anteriores, mas ainda preservou desempenho favorável nas métricas trimestrais. Já os serviços voltaram a crescer no início do segundo trimestre, recuperando integralmente a queda de março e mantendo o setor em patamar próximo ao pico histórico. Em síntese, os indicadores disponíveis sugerem uma economia ainda aquecida no início do segundo trimestre, com sinais positivos em indústria e serviços, acomodação localizada do comércio na ponta e suporte persistente vindo da renda das famílias e das políticas de sustentação da renda e acesso ao crédito.

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Visão geral da conjuntura

Por Claudio Hamilton Matos dos Santos, Cláudio Roberto Amitrano e Mônica Mora Y Araujo

Conforme previsto na última Visão Geral da Conjuntura (Nota Técnica no 26, Carta de Conjuntura no 70, de abril de 2026), os dados do primeiro trimestre indicam que a economia brasileira começou o ano de 2026 em aceleração, com crescimento de 1,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 1,1% em relação ao quarto trimestre de 2025. Como também já era previsível em abril, o referido crescimento – que se mostrou um pouco maior do que antecipávamos – foi liderado, pelo lado da produção, pelo setor agropecuário e, pelo lado do gasto, pelo consumo das famílias e pela formação bruta de capital fixo.

Mas os dados do primeiro trimestre de 2026 – e os que já estão disponíveis para o segundo trimestre – não trouxeram apenas confirmações do que já antecipávamos. Os dados suscitaram também questionamentos sobre a extensão do “pouso suave (…) sem ruptura abrupta do nível de atividade, mas com clara perda de tração da demanda interna” que explicou tão bem a desaceleração da economia verificada no segundo semestre do ano passado (Nota Técnica no 22, Carta de Conjuntura no 69, de dezembro de 2025). Não será surpresa, em particular, se o crescimento da economia neste ano vier a ser próximo ou maior do que o verificado em 2025, mesmo com as taxas de juros reais em patamares historicamente muito altos.

Com efeito, mesmo com a expectativa de uma Selic nominal maior do que a prevista em março passado, optamos por aumentar a nossa previsão de crescimento do PIB em 2026 para 2,3%, puxada, pelo lado da despesa, por previsões de crescimento do consumo das famílias e das exportações da ordem de 2% e 4,5%, respectivamente, e, pelo lado da produção, por crescimentos de 2,4% nos serviços e 2% na indústria, neste último caso por conta da perspectiva de mais um bom ano para a indústria extrativa mineral. Para o segundo trimestre, a projeção é que o PIB cresça 0,5% em relação ao resultado do primeiro trimestre na série dessazonalizada e 2% em relação ao resultado do segundo trimestre de 2025. Para 2027, mantemos a expectativa de crescimento de 2,0%, em um cenário no qual a atividade segue se expandindo, mas com ritmo mais moderado do que o projetado para 2026, em parte porque o carry-over deixado para o próximo ano é menor, de 0,8%.
Ademais, diante de um cenário inflacionário claramente menos benigno do que o verificado em março, e levando em consideração os resultados já observados até maio, a projeção do Grupo de Conjuntura do Ipea para o IPCA no ano avançou de 4,2% para 5,3%. Nesse novo quadro, as projeções para a alta dos alimentos e dos serviços livres foram majoradas, passando de 3,9% e 5,5% para 7,3% e 5,8%, respectivamente. Já a projeção para os bens industriais e para os preços administrados saltaram de 2,6% e 4,3% para 3,6% e 4,8%, nesta ordem.

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Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI) – maio de 2026

Por Maria Andreia Parente Lameiras

O Índice de Custo da Tecnologia da Informação (ICTI), calculado Ipea, apresentou taxa de variação de 0,25% em maio de 2026, situando-se 0,7 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a variação foi 1,02 p.p. Maior.

Com a incorporação desse resultado, o ICTI acumula uma variação de 4,45% nos últimos doze meses.

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Dados Xls



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Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente Lameiras, Carlos Henrique Leite Corseuil e Júlia Freitas de Lima

Em consonância com um quadro de desaquecimento de atividade da economia menos intenso que o previsto, os indicadores mais recentes confirmam a continuidade de uma trajetória favorável do mercado de trabalho, ainda que com sinais de perda de fôlego na margem. Por certo, embora a taxa de desocupação se mantenha estável em nível historicamente baixo, a queda no ritmo de criação de novas vagas e a desaceleração na taxa de crescimento dos salários indicam uma dinâmica mais moderada no cenário de emprego no país. Em abril, após a mensalização dos dados do trimestre móvel, a taxa de desocupação medida pela PNAD Contínua ficou em 5,3%, recuando 0,05 ponto percentual (p.p.) em relação ao observado no mesmo período de 2025. Em termos dessazonalizados, a taxa de desocupação de 5,5%, em abril é ligeiramente maior que a observada em março (5,4%) e a mais alta desde outubro de 2025.

Deve-se ressaltar, ainda, que assim como vem ocorrendo nos últimos anos os dados do trimestre encerrado em abril mostram que boa parte deste bom comportamento da taxa de desocupação deve-se ao desempenho mais fraco da força de trabalho. De fato, no último trimestre móvel, encerrado em abril, enquanto a força de trabalho – estimada em 108,7 milhões – mostrou crescimento de interanual de apenas 0,2%, a população em idade ativa que se mantém fora da força de trabalho (66,5 milhões) apontou alta de 1,6%. Por conseguinte, a taxa de participação no mercado de trabalho brasileiro foi de 62,1%, neste trimestre, mantendo-se abaixo tanto do observado no mesmo trimestre do ano anterior (62,3%) quanto do registrado na média dos dois últimos anos anteriores à pandemia (63,2%). Logo, caso a taxa de participação tivesse se mantido próxima ao nível registrado anteriormente, a taxa de desocupação estaria em patamar mais elevado. Nota-se, também, que entre esse contingente que se mantém fora da força de trabalho vem crescendo a participação de pessoas que não desejam retornar ao mercado de trabalho, mesmo diante de uma oportunidade de emprego. No primeiro trimestre de 2026, esse grupo representava 87,6% do total, o que significa uma alta de 1,5 p.p. ante o registrado no mesmo período do ano passado e de 5,6 p.p. em relação ao observado no período pré-pandemia (primeiro trimestre de 2020).

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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – abril de 2026

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais avançou 0,8% na comparação entre abril e março na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Esse resultado ocorreu em razão das altas de 1,4% da produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) e 0,5% das importações de bens industriais, conforme mostra a tabela.

O crescimento na série dessazonalizada foi o quarto consecutivo nesta base de comparação. Com isso, o trimestre móvel encerrado em abril cresceu 3,5% na margem, quando comparado com aquele encerrado em janeiro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal subiu 3,2% em relação a abril de 2025, o indicador em médias móveis trimestrais aumentou 1,4%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou recuo de 0,1% em abril, contrastando com a elevação de 0,7% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), como ilustra o gráfico.

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Dados Xls



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Indicador Ipea de consumo aparente de bens industriais – março de 2026

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais avançou 1,7% na comparação entre março e fevereiro na série com ajuste sazonal. O indicador é uma proxy da demanda interna por bens industriais – definido como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, acrescida das importações. Esse resultado ocorreu em razão da alta de 1,9% da produção interna destinada ao mercado nacional (bens nacionais) e da queda de 1,8% das importações de bens industriais, conforme mostra a tabela 1.

A expansão em março foi a quarta consecutiva na série dessazonalizada. Com isso, o trimestre móvel encerrado nesse mês cresceu 2,3% na margem, quando comparado com aquele em dezembro. Na comparação interanual, enquanto o indicador mensal subiu 6,0% em relação a março de 2025, o indicador em médias móveis trimestrais recuou 0,4%. No acumulado em doze meses, a demanda por bens industriais registrou queda de 0,3% em março, contrastando com a elevação de 0,4% da produção interna, medida na Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PIM-PF/IBGE), como ilustra o gráfico 1.

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Dados Xls



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Indicador IPEA mensal de FBCF: Resultado de Abril de 2026 Por Leonardo Mello de Carvalho

Por Leonardo Mello de Carvalho

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que agrega os investimentos em máquinas e equipamentos, na construção civil e em outros ativos fixos, avançou 1,1% entre abril e março, na série com ajuste sazonal. O resultado sucedeu à queda de 8,8% ocorrida no período anterior, quando devolveu parte do forte crescimento de fevereiro (9,7%). Com isso, o trimestre móvel encerrado em abril registrou expansão de 4,4% na comparação dessazonalizada. Nas comparações com os mesmos períodos de 2025, o indicador mensal apresentou crescimento de 0,1% em abril e queda de 0,5% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, por sua vez, os investimentos totais tiveram uma expansão de 0,2%.

 Na comparação com ajuste sazonal, os investimentos em máquinas e equipamentos – medidos segundo o conceito de consumo aparente, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações – apresentaram um avanço de 1,2% em abril, encerrando o trimestre móvel com crescimento de 6,1%. Quanto a seus componentes, enquanto a produção nacional avançou 2,1%, as importações caíram 2,0%. Já na comparação em médias móveis, enquanto a produção nacional avançou 0,3%, as importações subiram 31,9%. No acumulado em doze meses, o consumo aparente (ou a demanda interna) de máquinas e equipamentos registrou um recuo de 0,9%.

Os investimentos em construção civil, por seu turno, avançaram 0,4% na passagem entre os meses de março e abril, na série dessazonalizada. Com esse resultado, que sucedeu à queda de 1,4%, o segmento avançou 1,0% no trimestre móvel. No acumulado em doze meses, o resultado é negativo, -1,1%. Já o segmento de outros ativos fixos ficou estável na margem em abril, exibindo alta de 3,4% na comparação em médias móveis. No acumulado em doze meses, o crescimento ficou em 5,2%.

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Dados Xls

 



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