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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos e Caio Rodrigues Gomes Leite

O déficit em transações correntes em 2023 foi significativamente menor do que em 2022, principalmente devido à balança comercial. O déficit na balança de serviços ficou aproximadamente estável. O déficit na conta de rendas primárias (salários, lucros, dividendos e juros) aumentou significativamente. O investimento direto no país reduziu-se.

No primeiro trimestre de 2024, o déficit em transações correntes acumulado em quatro trimestres foi de 1,5% do PIB, um pouco maior do que no quarto trimestre de 2023. De acordo com os dados da Secex, do MDIC, o saldo da balança comercial no primeiro trimestre de 2024 foi consideravelmente maior do que no primeiro trimestre de 2023. Os termos de troca, no primeiro trimestre de 2024, estiveram 8,1% acima do primeiro trimestre do ano passado. A taxa de câmbio nominal real/dólar passou por desvalorização significativa em abril de 2024, em parte refletindo a valorização internacional do dólar, mas superando-a.

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Nas perspectivas, são apresentadas previsões para contas do balanço de pagamentos, em 2024, de três fontes. A taxa de câmbio nominal, de acordo com a Focus, deve ficar virtualmente estável nos próximos anos, até 2028. São ainda apresentadas projeções de crescimento de importantes parceiros comerciais, como Estados Unidos e China, e para o volume de importações mundiais.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio: evolução recente e perspectivas

Por Andreza Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O saldo da balança comercial registrado em 2023 foi o maior de toda a série histórica, totalizando US$ 98,8 bilhões, com aumento de 60% em relação ao ano anterior. Em relação ao balanço de pagamentos, considerando os três meses encerrados em novembro, o déficit em transações correntes foi de US$2,7 bilhões, em comparação com US$ 14,4 bilhões no mesmo período do ano anterior. A redução se deveu, principalmente, ao crescimento do superávit na balança comercial de bens, que, nos três meses encerrados em novembro, apresentou saldo de US$ 21,7 bilhões, comparados a US$ 8,7 bilhões no mesmo período de 2022. No que se refere à conta capital e financeira, o investimento direto no país (IDP) permanece como destaque, embora tenha havido tendência de queda no período recente. Mesmo com a redução de sua intensidade, as entradas líquidas de IDP continuam expressivas, considerando a série histórica.

A taxa de câmbio apresentou importante movimento de valorização e redução da sua volatilidade. Desde 1o de novembro de 2023, a moeda brasileira vem sendo cotada abaixo de R$ 5,00/US$. O saldo comercial forte e a diminuição do risco doméstico medidos pelo credit default swap (CDS) podem explicar a tendência mais otimista. Em contrapartida, a redução do diferencial de juros pode ter algum impacto na trajetória cambial para os próximos meses.

No cenário externo, houve importante aumento dos riscos geopolíticos. Além do conflito Rússia versus Ucrânia, a guerra no Oriente Médio pode ter impactos relevantes para a economia brasileira. A situação do Iêmen também é motivo de preocupação, pois envolve uma rota crucial para o transporte marítimo e já vem elevando os custos de frete. A inflação ainda pressionada em algumas regiões do mundo, as políticas monetárias contracionistas e a incerteza sobre o início e a intensidade do ciclo de queda das taxas de juros persistem como fatores de preocupação.

Por fim, esta nota inclui dois boxes: o primeiro explora de forma descritiva a diferença entre o valor da balança comercial calculado pelo Banco Central do Brasil (BCB) e o apurado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex); o segundo apresenta exercício econométrico sobre as elasticidades renda e preço das exportações e importações brasileiras.​​

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O desempenho do setor externo permanece favorável, mesmo diante do aumento das incertezas globais.  Em relação ao balanço de pagamentos, o saldo na balança comercial é o principal responsável pela redução do déficit em transações correntes. Na conta capital e financeira, o investimento direto no país permanece como o destaque, apesar da tendência de queda no período recente.  Em relação à taxa de câmbio, houve relevante depreciação desde a última divulgação desta nota do setor externo, em julho de 2023. O panorama global permanece bastante volátil. Além do conflito entre Rússia e Ucrânia, a situação no Oriente Médio requer monitoramento. A inflação ainda pressionada no cenário internacional, as políticas monetárias restritivas em diversos países e as incertezas sobre o início e a magnitude do ciclo de redução das taxas de juros no exterior também são temas a serem monitorados.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma e Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

O setor externo continua apresentando dinâmica favorável, mesmo com a persistência das incertezas externas.  Considerando o acumulado até junho de 2023, ou seja, o primeiro semestre do ano, as exportações totalizaram US$ 165,7 bilhões (aumento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior) e as importações, US$ 120,6 bilhões (queda de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior), resultando em um saldo da balança comercial de US$ 45,1 bilhões (aumento de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior).

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes registrou superávit de US$ 649 milhões em maio de 2023, ante déficit de US$ 4,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. No acumulado em doze meses, o déficit em transações correntes é de US$ 48,5 bilhões (2,45% do produto interno bruto – PIB), ante US$ 51,2 bilhões (2,89% do PIB) em maio de 2022.  A balança comercial (bens) fechou maio com superávit de US$ 9,7 bilhões ante US$ 3,4 bilhões em maio de 2022, sendo uma das principais responsáveis pela redução no déficit em transações correntes em doze meses e pelo superávit observado em maio de 2023. Em relação à conta de viagens, fortemente afetada pela pandemia e restrições de mobilidade, observou-se aumento do déficit desde meados de 2021. No entanto, os níveis pré-pandemia não foram ainda recuperados.

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Em relação à conta capital e financeira, o destaque continua sendo os investimentos diretos no país (IDPs). No acumulado em doze meses para maio, atingiu US$ 83,4 bilhões (4,21% do PIB) – ante US$ 57,0 bilhões (3,22% do PIB) no mesmo período do ano anterior. Apesar da queda recente na margem, a série apresentou trajetória de acentuada recuperação em 2022, atingindo até mesmo os níveis anteriores ao período da pandemia.

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Em relação à taxa de câmbio, houve importante movimento de apreciação desde a divulgação da última nota do setor externo, em abril de 2023. O valor máximo da cotação da moeda, desde o início do ano, ocorreu em 4 de janeiro de 2023, chegando a R$ 5,45/US$. Já o valor mínimo foi de R$ 4,77/US$, em 26 de junho de 2023. Cabe notar, ainda, que desde 2 de junho de 2023 a moeda brasileira vem sendo cotada abaixo de R$ 5,00/US$. A percepção de risco também mostra trajetória mais favorável, com diminuição importante do credit default swap (CDS) de cinco e dez anos.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza A. Palma

O setor externo continua apresentando dinâmica favorável, mesmo com a persistência de incertezas externas e internas. O saldo comercial em março de 2023 foi de US$ 11 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou US$ 33 bilhões, o maior de toda a série histórica, enquanto as importações totalizaram US$ 22 bilhões. Considerando o acumulado até março de 2023, as exportações totalizaram US$ 76 bilhões e as importações, US$ 60 bilhões, resultando em um saldo da balança comercial de US$ 16 bilhões.

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes tem registrado sucessivos déficits desde julho de 2022, conforme é o usual para a série brasileira. O déficit em transações correntes para fevereiro de 2023 foi de US$ 2,8 bilhões ante US$ 9,1 bilhões no mês anterior. No acumulado em doze meses, o déficit em transações correntes é de US$54,4 bilhões (2,8% do produto interno bruto – PIB), ante US$ 46,8 bilhões (2,8% do PIB) em fevereiro de 2022. A balança comercial (bens) fechou fevereiro com superávit de US$ 2,5 bilhões ante US$ 3,6 bilhões em fevereiro de 2022. Ainda em relação à balança comercial de bens, as importações líquidas de criptoativos (importações menos exportações) têm se intensificado no período mais recente e, junto com as importações de pequeno valor, contribuído para aumentar a diferença entre o valor calculado pelo BCB e o valor apurado pela Secex. As importações de criptoativos totalizaram US$ 3,0 bilhões em 2019 e US$ 3,3 bilhões em 2020. Já em 2021, o valor saltou para US$ 5,9 bilhões e, em 2022, US$ 7,5 bilhões. No acumulado de 2023 até fevereiro, as importações somam US$ 1,4 bilhões, ante US$ 1,0 bilhão no mesmo período do ano anterior e US$ 804,8 milhões no mesmo período de 2021.
Gráficos 2 e 3

Já quanto à conta capital e financeira, o destaque fica para a série de investimentos diretos no país (IDPs). Apesar da queda recente na margem, a série apresentou trajetória de acentuada recuperação em 2022, atingindo até mesmo os níveis anteriores ao período da pandemia. No acumulado em doze meses até fevereiro de 2023, o saldo atingiu US$ 88 bilhões (4,5% do PIB) – ante US$ 50,2 bilhões (3,0% do PIB) no mesmo período do ano anterior.

Quanto à taxa de câmbio, houve valorização importante no período recente, com a moeda sendo cotada abaixo de R$ 5,00/US$ em 12 de abril de 2023. Considerando ainda os dados disponíveis até 12 de abril de 2023, houve valorização de 3,29% em relação a fevereiro de 2023. As expectativas do relatório Focus apontam para um câmbio de R$ 5,25/US$ em dezembro de 2023 e R$ 5,27/US$ ao fim de 2024. Já a pesquisa coletada pela Bloomberg é mais otimista, com a mediana das expectativas em R$ 5,15/US$ para o final de 2023 e R$ 4,90/US$ ao final de 2024. Como pontos positivos para a dinâmica da taxa de câmbio, há que se destacar o fluxo cambial positivo (houve entrada líquida de US$ 12,5 bilhões no acumulado do ano até março, de acordo com dados do Banco Central do Brasil – BCB) e a recente divulgação do arcabouço fiscal, que tem potencial para diminuir as incertezas internas, sinalizando que haverá cuidado com a trajetória das contas públicas. Além disso, é importante destacar que o dólar vem perdendo valor perante uma cesta relevante de moedas.

Tabela 3

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma

O setor externo continua apresentando comportamento resiliente, apesar das incertezas e turbulências externas e internas. O saldo comercial em dezembro de 2022 foi de US$ 4,8 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou US$ 26,6 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,9 bilhões. Considerando o acumulado de 2022, as exportações totalizaram US$ 334,5 bilhões e as importações, US$ 272,7 bilhões, resultando em um saldo da balança comercial de US$ 61,8 bilhões, recorde para a série histórica.

Em relação ao balanço de pagamentos, a conta de transações correntes registrou sucessivos déficits em 2022, com exceção apenas em abril e junho. Houve superávit em abril, no valor de US$ 86 milhões, e em junho, no valor de US$ 260 milhões. Entre julho de 2022 e setembro de 2022, o déficit se intensificou, alcançando US$ 7,1 bilhões em setembro de 2022, ante US$ 3,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. No entanto, essa tendência foi revertida e, para novembro de 2022, o déficit foi de US$ 60 milhões, ante US$ 8,5 bilhões no mesmo período do ano anterior. A balança comercial (bens) fechou novembro com superávit de US$ 5,1 bilhões, ante US$ 2,3 bilhões em novembro de 2021, sendo a principal responsável pela redução no déficit em transações correntes. Em relação à conta de viagens, fortemente afetada pela pandemia e por restrições de mobilidade, observou-se aumento do déficit desde meados de 2021. Os níveis pré-pandemia, porém, não foram ainda recuperados. Já quanto à conta capital e financeira, o destaque fica para a série de investimentos diretos no país (IDPs), que apresenta trajetória de acentuada recuperação, atingindo até mesmo os níveis anteriores ao período da pandemia. No acumulado em doze meses até novembro, o saldo atingiu US$ 77,1 bilhões – 4,1% do produto interno bruto (PIB) –, ante US$ 52,7 bilhões (3,2% do PIB) no mesmo período do ano anterior.

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Quanto à taxa de câmbio, a sua dinâmica permanece bastante volátil devido à elevada incerteza externa e interna. Durante os primeiros meses de 2022, houve um movimento de apreciação da taxa nominal de câmbio, revertido a partir de maio. Em setembro e novembro, observamos desvalorizações relativamente pequenas e valorização discreta em dezembro. Considerando os dados disponíveis até 9 de janeiro de 2023, houve desvalorização de 1,89% em relação a dezembro de 2022. As expectativas do relatório Focus apontam para um câmbio de R$ 5,28/US$ em dezembro de 2023 e de R$ 5,30/US$ ao fim de 2024. No entanto, cabe notar que ainda persistem vários elementos de incerteza devido ao cenário mundial, especialmente considerando a existência do conflito entre Rússia e Ucrânia, a crise energética na Europa, políticas monetárias contracionistas ao redor do mundo e expectativa de recessão global. Quanto ao cenário interno, passado o período eleitoral, há incerteza residual sobre a trajetória e a direção da política econômica, o que pode gerar volatilidade adicional na cotação da moeda. Como pontos positivos para a dinâmica da taxa de câmbio, há que se destacar os fluxos cambial (houve entrada líquida de US$ 9,6 bilhões no acumulado do ano até dezembro, de acordo com dados do Banco Central do Brasil – BCB) e comercial positivos durante o ano de 2022.

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Balanço de pagamentos, balança comercial e câmbio – evolução recente e perspectivas

Por Andreza Aparecida Palma

A dinâmica favorável do setor externo permanece, mesmo diante das incertezas externas e internas. O saldo comercial em outubro de 2022 foi de US$ 3,9 bilhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor das exportações alcançou US$ 27,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 23,4 bilhões. Apesar do recuo recente nos preços das commodities e do crescimento mais robusto das importações, o saldo permanece positivo.

Em relação ao balanço de pagamentos, a trajetória de IDP é um destaque positivo, apresentando acentuada recuperação, atingindo até mesmo os níveis anteriores ao período da pandemia. Considerando o acumulado no ano até setembro, o investimento direto no país (IDP) totalizou US$ 70,7 bilhões, contra US$ 43,3 bilhões no mesmo período de 2021, déficit de US$ 12,4 bilhões em 2020 e US$ 49,4 bilhões em 2019. No acumulado em doze meses até setembro, o saldo atingiu US$ 73,8 bilhões – 4,10% do produto interno bruto (PIB) –, ante US$ 49,9 bilhões – 3,17% do PIB – no mesmo período do ano anterior.

Quanto à taxa de câmbio, a sua dinâmica permanece bastante volátil devido à elevada incerteza externa e interna. Durante os primeiros meses de 2022, houve um movimento de apreciação da taxa nominal de câmbio, revertido a partir de maio. As expectativas do relatório Focus apontam para um câmbio de R$ 5,20/US$ em dezembro de 2022 e ao fim de 2023, previsão mais otimista que a expectativa vigente ao final de 2021 (em 31 de dezembro, a previsão da taxa de câmbio para 2022 era de R$ 5,60/US$ e, para 2023, de R$ 5,40). Porém, persistem vários elementos de incerteza devido ao cenário mundial, especialmente considerando a existência do conflito entre Rússia e Ucrânia, a crise energética na Europa, políticas monetárias contracionistas ao redor do mundo e expectativa de recessão global. Considerando o cenário interno, passado o período eleitoral, há incerteza residual sobre a trajetória e a direção da política econômica, o que pode gerar volatilidade adicional na cotação da moeda.

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Em relação às reservas internacionais, houve uma queda importante no período recente. Na comparação com janeiro de 2022, a queda nas reservas em setembro foi de 8,6%, passando de US$ 358,4 bilhões (22% do PIB) para US$ 327,6 bilhões (18% do PIB). A principal causa dessa queda se deve a variações de preço, seguidas das variações por paridade.

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