Arquivo da tag: População ocupada

Desempenho recente do mercado de trabalho

Por Maria Andreia Parente lameiras, Carlos Henrique Corseuil e Lauro Ramos

No primeiro trimestre deste ano, apesar da melhora da atividade econômica acima do esperado e do crescimento da população ocupada (PO), as condições gerais do mercado de trabalho brasileiro ainda se encontram significativamente afetadas pela pandemia. De acordo com as estatísticas extraídas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), em março, a taxa de desocupação ficou em 15,1%, 2,3 pontos percentuais (p.p.) acima da taxa registrada no mesmo período de 2020. O desemprego vem sendo pressionado pelo retorno à força de trabalho de uma parcela de indivíduos que haviam ficado inativos por conta da pandemia. Já a PO que se declarava subocupada chegou a 8,2% do total da ocupação, no primeiro trimestre de 2021, avançando 1,0 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. Não obstante a alta da desocupação e da subocupação, o crescimento do número de desalentados corrobora essa situação pouco favorável do mercado de trabalho.

A análise dos fluxos de entrada e saída dos trabalhadores entre as diferentes posições no mercado de trabalho – extraídos dos microdados da PNAD Contínua – revela que a pandemia gerou mudanças importantes nessas dinâmicas de transição. No caso da ocupação, observa-se que houve não só um forte aumento no fluxo de saída, mas também uma queda expressiva no fluxo de entrada, de modo que a taxa de saída da PO que costumava apresentar leves oscilações ao redor de 40% passou a registrar 45,3% no segundo trimestre de 2020. Já a taxa de entrada, que também costumava oscilar em patamares próximos a 40% até o fim de 2019, registrou 27,9% no segundo trimestre de 2020. Nota-se, no entanto, que, já a partir do terceiro trimestre de 2020, o fluxo de entrada de trabalhadores na PO passa a superar o de saída, porém a taxas ainda modestas, de modo que essa reversão não foi suficiente para que a PO recuperasse, no primeiro trimestre de 2021, o patamar registrado no primeiro trimestre de 2020. Ainda de acordo com os microdados de transição, observa-se que, enquanto os fluxos de entrada no emprego formal apresentam movimentos similares aos do mercado como um todo, os fluxos de saída do emprego formal crescem menos que os observados na ocupação total. Isso significa que o comportamento do emprego formal durante a pandemia foi mais afetado pela diminuição nas contratações que por um aumento nos desligamentos.

Por fim, registra-se que o aumento do desemprego se deve a uma queda mais abrupta no fluxo de saída do desemprego que no fluxo de entrada, indicando que os trabalhadores estão passando mais tempo na desocupação. Por certo, 69,8% dos desempregados deixavam essa condição no primeiro trimestre de 2020, enquanto apenas 55,2% faziam essa transição no primeiro trimestre de 2021. Nesse mesmo período, o fluxo de entrada no desemprego passou de 77,5%, no primeiro trimestre de 2020, para 64,1%, neste mesmo trimestre de 2021.​

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Desempenho recente do mercado de trabalho e perspectivas para o ano

Por Maria Andréia P. Lameiras

Apesar da melhora dos indicadores iniciada no segundo semestre de 2020, o mercado de trabalho brasileiro segue deteriorado. De fato, mesmo diante da expansão do contingente de ocupados – que avançou de 80,3 milhões para 86,1 milhões, entre julho de 2020 e janeiro de 2021 –, a taxa de desocupação ficou em 14,1%, em janeiro, mantendo-se em patamar elevado.

De maneira geral, o impacto da pandemia tem sido mais prejudicial para os indivíduos mais jovens e os menos escolarizados. No quarto trimestre de 2020, a taxa de desocupação dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos atingiu 29,8%, o que significa que há quase 4,1 milhões de jovens à procura de um emprego. Já o corte por escolaridade mostra que a crise acentuou ainda mais a desocupação entre os trabalhadores com ensino médio incompleto, cuja taxa aumentou de 18,5% para 23,7% entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020.

Em relação às perspectivas para o mercado de trabalho, mesmo com a esperada aceleração da atividade econômica no segundo semestre, as vagas geradas não devem ser suficientes para abarcar não apenas os desocupados, mas também os trabalhadores que devem sair da inatividade – em busca de uma nova colocação no mercado – com o fim do auxílio emergencial. Dessa forma, a taxa de desocupação deverá seguir elevada, principalmente nos segmentos mais vulneráveis, ou seja, entre os jovens e os menos escolarizados, cuja probabilidade de transitar da desocupação e da inatividade para a ocupação, que já era baixa, se tornou ainda menor na crise atual.

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Dados mensais de mercado de trabalho



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Mercado de trabalho

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

No último trimestre, o mercado de trabalho manteve uma trajetória de lenta recuperação, refletindo o baixo dinamismo da economia brasileira. Nota-se ainda que, embora apresente um recuo da taxa de desemprego e uma aceleração de rendimentos reais, o cenário de emprego no país vem se deteriorando em alguns aspectos. De forma geral, a queda da desocupação não ocorreu por conta da expansão da população ocupada (PO), e sim devido à retração da força de trabalho. Pelo corte etário, percebe-se que o maior recuo do desemprego aconteceu no conjunto dos trabalhadores com idade entre 18 e 24 anos, cuja taxa caiu de 27,3% (segundo trimestre de 2017) para 26,6% (segundo trimestre de 2018) – de acordo com os microdados extraídos da PNAD Contínua do IBGE. Entretanto, nesse mesmo período, o contingente de jovens ocupados recuou 0,8%, enquanto a população economicamente ativa (PEA) caiu 1,6%. Na abertura por escolaridade, os dados do segundo trimestre de 2018 mostram que, na comparação interanual, as maiores retrações do desemprego ocorreram nos grupos de trabalhadores com o ensino fundamental incompleto e completo, justamente os que apresentaram recuo da ocupação (-3,0% e 2,9%, respectivamente), ainda que em ritmo inferior ao observado na PEA (-3,6% e -4,4%).

Esta seção analisa detalhadamente os dados de mercado de trabalho, com destaque para a análise detalhada do desalento e da relação entre a informalidade e a estrutura setorial da ocupação.

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Mercado de Trabalho

Carta de Conjuntura Nº 39

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho, Carlos Henrique L. Corseuil  e Lauro R. A. Ramos

Embora o mercado de trabalho tenha apresentado sinais de melhora nos últimos trimestres, os dados mais recentes apresentam certa estabilidade, dando margem a dúvidas quanto ao ritmo e à qualidade dessa recuperação. De fato, o cenário de emprego inicialmente projetado para 2018 havia sido baseado em expectativas de uma aceleração mais intensa da economia brasileira, o que não vem se consolidando. Consequentemente, a melhora projetada para o mercado de trabalho vem ocorrendo de maneira mais moderada, concentrada, sobretudo, no setor de serviços e na expansão da ocupação no mercado informal.

Esta seção analisa detalhadamente os dados de mercado de trabalho e traz dois boxes especiais que tratam da dinâmica dos trabalhadores mais idosos no mercado de trabalho e da aparente discrepância entre os dados de empregos formais divulgados pela PNADC e pelo CAGED.

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Mercado de trabalho

Carta de Conjuntura nº 35

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Sandro Sacchet de Carvalho

Esta seção da Carta de Conjuntura revela, por meio de uma análise detalhada dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) trimestral, que o mercado de trabalho brasileiro vem sofrendo importantes mudanças de composição recentemente.

A participação masculina na população desocupada cresceu de 44% para 50% no período de 2012 a 2017, refletindo não só uma contração da ocupação entre os homens (-0,9%), mas também uma expansão de 3,7% da ocupação feminina. Ainda em relação à população ocupada, o estudo mostra que, nos últimos 5 anos, o contingente dos trabalhadores ocupados com idade entre 18 a 24 anos recuou 14,8%, enquanto o dos mais idosos (mais de 60 anos) aumentou 26,3%. Já o corte por escolaridade aponta que a ocupação entre os trabalhadores menos instruídos retroagiu 17,4%, entre 2012 e 2017, contrapondo-se à elevação de 26,3% do grupo de empregados que possuem ensino superior.

O estudo também retrata os dados mais recentes de emprego ao revelar a combinação de uma certa estabilidade da taxa de desemprego com uma recuperação dos rendimentos reais, mostrando que o mercado de trabalho brasileiro continua em processo de ajuste.

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