Por Sandro Sacchet de Carvalho
Os dados dos rendimentos do trabalho do quarto trimestre de 2025 apresentaram uma elevação da renda em relação ao trimestre anterior, renovando outra vez o pico da série histórica iniciada em 2012. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 5,5%. No trimestre móvel terminado em abril de 2026, a renda média reduziu-se para R$ 3.732, estando 5,3% acima do valor registrado no mesmo trimestre do ano anterior. Com tal resultado, atinge-se o total de catorze trimestres consecutivos com o crescimento interanual da renda acima de 3%.
Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Centro-Oeste, entre os trabalhadores mais velhos (acima de 60 anos) e com ensino fundamental completo. Piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores jovens (entre 14 e 24 anos) e entre aqueles com ensino médio completo.
Na análise por tipo de vínculo, assim como no trimestre anterior, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo (6% e 9,9%, respectivamente). Por sua vez, os trabalhadores privados com carteira mostraram um crescimento de 2,8%, mantendo, desde o início de 2022, taxas de crescimento inferiores às registradas entre as categorias informais.
Por setor, no primeiro trimestre de 2026, os maiores aumentos interanuais da renda habitual foram observados nos setores de serviços pessoais e coletivos (11,4%), nos serviços profissionais (6,4%) e na administração pública (5,3%). O menor crescimento da renda média habitual foi na indústria, com apenas 2,4% no primeiro trimestre de 2026, seguido do setor de transporte, com elevação de 2,9%.
Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. Noprimeiroo trimestre de 2026, O índice de Gini da renda domiciliar caiu para 0,516. Já o índice de Gini da renda individual caiu de 0,490 para 0,488 entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026.
