Por Maria Andréia P. Lameiras
Os dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que, em julho, à exceção da faixa de renda alta, houve nova desaceleração da inflação, na margem, para todas as classes pesquisadas, repercutindo, sobretudo, as deflações dos alimentos no domicílio e dos combustíveis. Em termos absolutos, o segmento de renda alta foi o que apresentou a maior taxa de inflação em julho (0,32%), ao passo que a faixa de renda muito baixa registrou a menor variação de preços entre as classes pesquisadas (-0,05%). Por certo, mesmo diante da alta mais acentuada da energia elétrica, a queda dos alimentos no domicílio, em julho, explica este recuo mais intenso da inflação nas classes de renda mais baixas, dado o peso deste item nas suas cestas de consumo. Em contrapartida, o reajuste das passagens aéreas anulou o alívio vindo da queda dos preços dos combustíveis e manteve a inflação do segmento de renda alta pressionada.
No acumulado do ano, até julho, a faixa de renda baixa é a que apresenta a maior inflação (3,60%), impactada, especialmente, pelas altas de 4,1% dos preços dos alimentos no domicílio e de 6,8% da tarifa de energia elétrica, nos sete primeiros meses de 2026. Por sua vez, a faixa de renda média-alta é a que aponta a taxa menos elevada (3,20%). Já no acumulado de doze meses, a faixa de renda muito baixa registra a menor inflação (3,97%), enquanto o segmento de renda alta apresenta a maior taxa (5,09%).

