Retrato dos rendimentos do trabalho: resultados da PNAD Contínua do segundo trimestre de 2026

Por Sandro Sacchet de Carvalho

Os dados dos rendimentos do trabalho do segundo trimestre de 2026 apresentaram uma elevação da renda de 2,8% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Contudo, em relação ao pico da renda obtido no primeiro trimestre, houve uma queda de 1,5%. No trimestre móvel terminado em julho de 2026, a renda média elevou-se para R$ 3.762, estando 3,3% acima do valor registrado no mesmo trimestre do ano anterior.

Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Centro-Oeste, entre os trabalhadores mais jovens (entre 14 e 24 anos) e com ensino fundamental completo. Enquanto os piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores adultos jovens (entre 25 e 39 anos) e com ensino médio incompleto.

Na abertura por vínculo de ocupação, excluindo-se os empregadores, os dados da PNAD Contínua revelam que, diferentemente dos trimestres anteriores, em tendência observada desde o fim da pandemia de covid-19, em que os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo, no segundo trimestre de 2026 o crescimento da renda foi semelhante entre os diferentes tipos de vínculos. Com exceção dos trabalhadores do setor público que mostraram um crescimento da renda de 1,0% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os demais trabalhadores obtiveram um crescimento interanual de cerca de 3,0%.

Por setor, no segundo trimestre de 2026, os maiores aumentos dos rendimentos do trabalho foram o de serviços pessoais e coletivos (6,4%) e alojamento e alimentação (6,1%). Os menores aumentos interanuais da renda habitual foram observados no setor comércio (1,2%), educação e saúde (1,4%) e na administração pública (1,5%).

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. No segundo trimestre de 2026, o índice de Gini da renda domiciliar caiu para 0,511. Já o índice de Gini da renda individual caiu de 0,488 para 0,484 entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.

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