Por Sandro Sacchet de Carvalho
Os dados dos rendimentos do trabalho do terceiro trimestre de 2025 apresentaram uma elevação da renda em relação ao trimestre anterior, renovando outra vez o pico da série histórica iniciada em 2012. O crescimento interanual da renda habitual média foi de 4%. No trimestre móvel terminado em outubro de 2025, a renda média subiu para R$ 3.528,00, sendo 3,9% acima do mesmo trimestre no ano anterior. Com tal resultado, completa-se exatamente três anos com o crescimento interanual da renda acima de 3%.
Por grupos demográficos, os maiores aumentos na renda na comparação com o mesmo período de 2024 foram registrados no Sul, entre os trabalhadores adultos (entre 40 e 59 anos) e com ensino médio incompleto. Piores desempenhos ocorreram entre os trabalhadores mais velho (mais de 60 anos) e entre aqueles com ensino superior.
Na análise por tipo de vínculo, assim como no trimestre anterior, os trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira apresentaram crescimento interanual da renda acima dos demais tipos de vínculo (5,2% e 7,1%, respectivamente). Por sua vez, os trabalhadores privados com carteira mostraram um crescimento de 1,9%, mantendo taxas de crescimento mais lento que as categorias informais desde o início de 2022.
Por setor, no terceiro trimestre de 2025, a agricultura continuou uma recuperação do rendimento habitual (6%), após ter sido claramente o setor que obteve o menor crescimento da renda ao longo de 2024. Além da agricultura, os maiores aumentos interanuais da renda habitual foram observados no setor de construção (5,8) e na administração pública (5,1%). O menor crescimento da renda média habitual foi no comércio com apenas 1,1% no terceiro trimestre de 2025, seguido do setor de transporte com elevação de 1,8%.
Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini tem se mantido relativamente estável desde o terceiro trimestre de 2022. No terceiro trimestre de 2025, o índice de Gini da renda domiciliar retornou para 0,513. Já o índice de Gini da renda individual caiu de 0,486 para 0,485 entre o segundo e o terceiro trimestres de 2025.