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Mercados e preços agropecuários

Por Ana Cecília Kreter e José Ronaldo de C. Souza Jr.

Esta Nota de Conjuntura (feita em parceria com o Cepea/USP e a Conab) traz o acompanhamento dos preços domésticos e internacionais até julho de 2021 e o balanço de oferta e demanda dos principais produtos agropecuários brasileiros referente à safra 2020-2021.

As commodities mais representativas na pauta de exportação brasileira – grãos, carnes, café – continuaram com a demanda internacional aquecida no primeiro se- mestre, e com preços mais elevados frente ao mesmo período do ano anterior. No caso dos grãos, essa alta dos preços internacionais é reflexo do balanço apertado entre produção e consumo na safra corrente, somado a estoques que vinham decrescendo nas últimas safras. Para as carnes, o que se observa é um movimento de substituição entre as proteínas animais, seja por questões sanitárias ou pela busca de proteínas mais baratas. Em relação aos preços internacionais (em dólares) dos produtos analisados nesta Nota, apenas o arroz apresentou patamares inferiores em 2021 na comparação com 2020, com uma queda de 11%. A alta observada entre o primeiro semestre desse ano frente ao ano anterior foi de 65,9% para a soja, 72,3% para o milho, 24,4% para o trigo, 38,1% para o algodão, 18,3% para o boi gordo, 65,3% para o porco magro, e 24,2% para a carne de frango.

Para os preços domésticos (em reais), na comparação entre os valores médios do primeiro semestre de 2021 frente ao primeiro semestre de 2020, os preços de todos os produtos acompanhados aumentaram, exceto da batata. Os grãos mantiveram o destaque, com elevações de 40% ou mais para todos os produtos acompanhados: soja (78%), milho (77%), trigo (40%), algodão (75%) e arroz (55%). Deve-se destacar o importante impacto negativo desse aumento sobre os custos de produção na pecuária, o que pode influenciar negativamente a oferta de proteínas no país.

Em termos de perspectivas, para a maior parte dos produtos acompanhados, espera-se aumento ou estabilidade em alto patamar dos preços no curto e médio prazos. Os problemas climáticos, como as geadas recentes e o clima seco no Centro-Sul, tiveram e devem continuar a ter um papel decisivo nessa perspectiva. A intensidade desse possível aumento de preços também depende estreitamente do comportamento da taxa de câmbio nos próximos meses e dos preços internacionais.

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Projeções de inflação para 2020

Por Maria Andréia Parente Lameiras e Marcelo Lima de Moraes

No último bimestre, a inflação brasileira, medida pelo IPCA, intensificou a sua trajetória de alta, impulsionada não apenas pela aceleração dos preços dos alimentos, mas também pela recuperação dos preços dos demais bens de consumo e dos serviços livres. O relaxamento das medidas de isolamento social e, por conseguinte, a retomada mais forte da atividade econômica e a melhora, ainda que modesta, da ocupação vêm gerando uma expansão do consumo das famílias, abrindo espaço para uma recomposição mais rápida dos preços livres. A retomada do consumo de bens combinada com a desvalorização do câmbio e com a alta recente dos preços internacionais de commodities aumentou a inflação prevista pela Dimac para 2020, que passou de 2,3% – na Visão Geral da Conjuntura de setembro – para 3,5% nesta Nota de Conjuntura. Apesar dessa alta, o cenário inflacionário segue benigno: a taxa projetada ainda se encontra compatível com a meta de inflação estipulada para 2020 (4,0%).

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O que está acontecendo com os preços do arroz no Brasil?

Por Marcelo Nonnenberg, Michelle Martins e Alícia Cechin

Com o início da pandemia e o aumento da alimentação no domicílio, a demanda por produtos estocáveis e, consequentemente, por arroz voltou a crescer e a pressionar os preços. De acordo com os dados da Conab, o preço no varejo do saco de 5 kg do arroz longo fino tipo 1 cotado em São Paulo passou de R$ 17,46 em janeiro para R$ 21,19 em agosto de 2020, uma elevação de 21,3%, com crescimento contínuo esperado ao longo de setembro. Isso levou o governo a anunciar, no início do mês, uma redução a zero do imposto de importação, com o objetivo de conter o aumento.

Como o arroz consumido no país é basicamente produzido internamente, é interessante responder a duas perguntas. Primeiro, o que causou o aumento tão forte, em um período de recessão acentuada? Segundo, será que a redução de tarifa poderá ter o efeito desejado de conter/reduzir os preços? Obviamente, a resposta a essas duas questões é apenas aproximativa.

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Inflação

Por Maria Andreia P. Lameiras e Marcelo L. de Moraes

A inflação mantém-se baixa neste ano, mas, no terceiro trimestre, o cenário do IPCA vem sendo marcado por uma significativa aceleração dos preços dos alimentos. Nos últimos doze meses, encerrados em agosto, os preços dos alimentos no domicílio, medidos pelo IPCA, apresentaram variação de 11,4%, respondendo por 70% de toda a variação registrada por esse índice no período (2,4%).

Para os próximos meses, a expectativa é que, este cenário de inflação, que conjuga alta de preços de alimentos e descompressão de preços monitorados e de serviços, se mantenha. As projeções de inflação realizadas pelo Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea para 2020 foram revistas, passando de 1,8% para 2,3%. A principal mudança veio da estimativa da inflação de alimentos cuja taxa de variação, projetada na Carta de Conjuntura nº 47, avançou de 3,0% para 11,0%. Em relação aos demais bens livres, manteve-se a projeção de alta de 1,0% para o ano. Já para os serviços as expectativas foram ajustadas para baixo, sobretudo por conta das quedas das mensalidades escolares nos últimos meses, fazendo com que a inflação de serviços educacionais projetada para o ano recuasse de 5,0% para 1,2%. No caso dos demais serviços livres, embora a expectativa seja de alguma leve aceleração na margem – principalmente nos segmentos de serviços pessoais, recreação e alimentação fora do domicílio –, a constatação de que as medidas de isolamento social se estenderam por um período maior que o previsto no trimestre anterior gerou uma queda da taxa projetada de 2,0% para 0,7%. Por fim, a revisão para baixo dos preços monitorados, cuja variação esperada recuou de 1,2% para 1,0%, é decorrente de uma trajetória mais benevolente dos combustíveis, com retração de 6,0% nos primeiros oito meses do ano, e é balizada pelo pressuposto de estabilidade nos preços do barril de petróleo em níveis baixos.

Para 2021, a taxa de inflação estimada pelo Grupo de Conjuntura da Dimac/Ipea é de 3,3%, considerando que, mesmo diante da expectativa de um comportamento mais favorável dos alimentos, haverá uma pressão maior vinda tanto dos demais preços livres quanto dos administrados, compatível com um cenário de atividade econômica mais dinâmico em 2021.

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