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Finanças Públicas Estaduais

Carta de Conjuntura nº 37

Por Mônica Mora, Claudio Hamilton Matos dos Santos, Marco Aurélio Alves de Mendonça, Felipe dos Santos Martins e Luciana Pacheco Trindade Lacerda

O resultado fiscal dos governos estaduais começa a apresentar melhora principalmente por conta da retomada da atividade econômica, que está diretamente relacionada ao comportamento das receitas.

A diminuição das receitas gerada pela retração da atividade econômica a partir de 2015 teve como consequência um esforço de ajustamento no lado dos gastos, que levou, em um primeiro momento, ao corte de despesas discricionárias, notadamente a redução do gasto com investimentos e, posteriormente, em muitos estados, à queda do dispêndio com pessoal em termos reais.

O aumento da receita da ordem de R$ 42 bilhões, em 2017, por seu turno, criou espaço para a elevação da despesa em R$ 27 bilhões e do superavit primário em R$ 15 bilhões.

A melhora no resultado primário dos estados verificada nos últimos meses reflete, portanto, o fato de a receita primária ter crescido a uma velocidade superior à despesa primária quando se compara os resultados (anualizados) do quinto bimestre de 2016 e 2017. Medido em proporção do PIB, no conceito abaixo da linha, o superavit primário subiu de 0,07% do PIB, em 2016 para 0,17% do PIB no exercício atual.

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Inflação por Faixa de Renda – Novembro/17

Por Maria Andréia Parente Lameiras

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda de novembro de 2017, calculado com base nas variações de preços de bens e serviços pesquisados pelo Sistema Nacional de Índice de Preços ao Consumidor (SNIPC) do IBGE, mostra que as classes mais pobres foram as que apresentaram as menores taxas de inflação. De acordo com a Tabela 1, verifica-se que a inflação da população de renda muito baixa registrou alta de 0,07% – recuando 0,41 p.p. na comparação com o mês imediatamente anterior. A taxa de crescimento dos preços das famílias de renda alta, por sua vez, apontou variação de 0,34% – 0,04 p.p. abaixo da observada em outubro, mas 0,27 p.p. e 0,23 p.p. acima da inflação das famílias de renda muito baixa e de renda baixa, respectivamente. Com a incorporação desses resultados, a inflação dos mais pobres acumula no ano uma alta de 1,8%, bem inferior à registrada pela classe de renda mais alta, com elevação de 3,2%.

Inflação por renda_nov-17_tabela 1

Leia a análise completa dos resultados

Acesse aqui a planilha com as taxas mensais de inflação por faixa de renda



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Demanda interna por bens industriais recua 1,1% em outubro

Por Leonardo Mello de Carvalho

Na comparação com o outubro de 2016, houve alta de 8,1%

O Indicador Ipea mensal de Consumo Aparente (CA) de bens industriais – definido como a produção industrial doméstica, acrescida das importações e diminuída das exportações – registrou queda de 1,1% na comparação entre outubro e setembro, na série com ajuste sazonal. Apesar dessa flutuação, na comparação entre o trimestre terminado em outubro e o terminado em julho, o resultado na margem ainda é bastante positivo, com alta de 3,1% (ver tabela). Já na comparação interanual, o indicador registrou variação positiva, atingindo patamar 8,1% superior ao observado em outubro de 2016. Com isso, o ritmo de crescimento da variação acumulada em 12 meses acelerou, passando de 1,1% para 2,5%. Entre os componentes do consumo aparente, enquanto a produção doméstica líquida de exportações recuou 0,3% em outubro, no comparativo contra o período anterior, as importações de bens industriais também apresentaram pequena acomodação, registrando queda de 0,2%.

Com relação às classes de produção, a extrativa mineral avançou 1,8% na comparação sazonal, devolvendo a queda ocorrida em setembro. Já a demanda por bens da indústria de transformação recuou 0,3% na margem. Foi verificado um crescimento em 11 segmentos, de um total de 22, reduzindo o índice de difusão (que mede a porcentagem dos segmentos da indústria de transformação com aumento em comparação ao período anterior, após ajuste sazonal) para 50%, ante 59% do período anterior. Entre aqueles com maior peso, contribuíram positivamente o de farmoquímicos, com alta de 9,7% na margem, e o de vestuário, com expansão de 3,1%.

Na comparação interanual, o bom desempenho verificado em outubro foi bastante disseminado, com 18 segmentos registrando variação positiva ante mesmo período de 2016. Os destaques ficam por conta do consumo aparente de veículos automotivos e petróleo e derivados, com altas de 23,1% e 6,8%, respectivamente. Por fim, em relação ao resultado acumulado em 12 meses, 11 segmentos apresentam variação positiva até o mês de outubro.

Tabela-Indicador-Ipea-Consumo Aparente_out-17

Gráficos_Indicador Ipea CA_out-17

Acesse os dados do Indicador Ipea de Consumo Aparente



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Indicador Ipea de FBCF ajustado pelos dados das Contas Nacionais

Por Leonardo Mello de Carvalho e José Ronaldo de C. Souza Jr.

Os dados do Indicador Ipea mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) foram ajustados com base no resultado divulgado pelo Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT) do IBGE, referente ao terceiro trimestre de 2017. Após quinze trimestres de recuo, a FBCF voltou a se destacar positivamente entre os componentes do PIB pelo lado da demanda. Na comparação livre de influências sazonais, o avanço de 1,6% no terceiro trimestre de 2017 representou a primeira variação positiva desde o terceiro trimestre de 2013. O Indicador Ipea mensal continua mostrando um desempenho heterogêneo entre o componente máquinas e equipamentos, que cresceu 5,0% no terceiro trimestre na comparação com o segundo anterior (ajuste sazonal), enquanto a construção civil avançou apenas 0,9%. Já o componente outros apresentou queda, recuando 2,2% na margem.

Outra questão importante revelada pelo Indicador Ipea mensal de FBCF é o bom desempenho dos investimentos ao longo dos três meses do trimestre. O destaque positivo novamente ficou por conta do componente máquinas e equipamentos – que apresentou o sexto avanço seguido na comparação sem efeitos sazonais (2,9%).

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Crédito

Carta de Conjuntura nº 37

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

A redução do endividamento tem ocorrido de forma bastante clara na economia brasileira no período recente. O crédito como proporção do PIB caiu de 54% em dezembro de 2015, quando atingiu seu máximo, para 47% em outubro de 2017, de acordo com os dados do Banco Central do Brasil (BCB). Este foi um fenômeno marcadamente empresarial, ao menos em termos agregados. Na mesma comparação, entre dezembro de 2015 e outubro último, o saldo de créditos às pessoas jurídicas (PJ) caiu de 28% do PIB (também o pico da série) para 22% do PIB; enquanto o de pessoas físicas (PF) ficou aproximadamente estável em 25% do PIB. A diferença de comportamento entre PF e PJ também se expressa nos dados de novas concessões de crédito. O dado de outubro corroborou a tendência de crescimento em PF e de estabilidade, em patamar baixo, de PJ. O processo de desalavancagem também aparece nos dados de endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional em relação à renda acumulada dos últimos doze meses, calculados também pelo BCB. Uma característica desse processo é a diferença na evolução do endividamento com crédito habitacional e os demais. O endividamento com crédito habitacional cresceu até setembro de 2015, quando atingiu 19,1% da renda das famílias e, depois, apresentou apenas uma pequena redução, registrando 18,4% em setembro de 2017; já o endividamento com os demais tipos de crédito atingiu o máximo de 31,4% da renda em outubro de 2011 para depois cair até 23% no último mês de setembro. Essa evolução implicou uma reestruturação da carteira de crédito das famílias. Até 2008, aproximadamente 85% do saldo do endividamento das famílias correspondia a crédito não habitacional. Atualmente, esse percentual caiu para 55%, isto é, o crédito habitacional se aproximou da metade da carteira de endividamento das famílias.

CC37_Crédito

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Indicador Ipea de FBCF – setembro e 3º trimestre de 2017

Por Leonardo Mello de Carvalho

Investimentos avançam 0,4% em setembro e fecham 3º trimestre com alta de 1,4%

O Indicador Ipea Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – que teve aprimoramentos metodológicos (ver Nota Técnica da Carta de Conjuntura nº 37) – aponta um crescimento de 0,4% em setembro em relação a agosto de 2017, na série com ajuste sazonal. Com esse resultado, os investimentos encerraram o terceiro trimestre registrando alta de 1,4% sobre o trimestre imediatamente anterior, também na série livre de efeitos sazonais. Em setembro de 2017, o indicador atingiu patamar 0,6% superior quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. Já na comparação do terceiro trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, verificou-se queda de 0,6%.

O avanço entre os meses de setembro e agosto foi consequência principalmente do consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came) – cuja estimativa corresponde à sua produção doméstica acrescida das importações e diminuída das exportações –, que apresentou alta de 3,4% na margem. Considerando todo o terceiro trimestre, o Came também foi o destaque, com crescimento de 3,3% sobre o trimestre anterior. Entre os componentes do Came, a produção interna de bens de capital líquida de exportações recuou 2,3% em setembro. Porém, o forte crescimento registrado pela importação de bens de capital (30,5%) ajudou a explicar seu bom resultado na comparação dessazonalizada.

Já o indicador de construção civil recuou pelo segundo mês consecutivo, apresentando queda de 0,2% sobre o mês de agosto, na série dessazonalizada. Apesar desse resultado, o setor encerrou o trimestre com avanço de 1,4% sobre o período anterior. Por fim, o terceiro componente da FBCF, classificado como outros ativos fixos, contribuiu negativamente para o desempenho dos investimentos, registrando quedas de 4,8% em setembro, e 1,8% no terceiro trimestre, ambas na comparação dessazonalizada.

Na comparação contra o mesmo período do ano anterior, enquanto a construção e os outros ativos fixos registraram quedas de 3,2% e 9,8%, respectivamente, o Came cresceu 13,1% sobre o mês de setembro de 2016.

Tabela indicador Ipea FBCF set17_2

Gráfico indicador Ipea FBCF set17_2

Acesse aqui a planilha completa com os dados do Indicador Ipea mensal de FBCF (índice 1995=100)



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Metodologia de Cálculo do Indicador Ipea Mensal de FBCF

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Leonardo Mello de Carvalho e Fernando José da S. P. Ribeiro

A formação bruta de capital fixo (FBCF) da economia é composta pelos investimentos em: máquinas e equipamentos; construção civil; e por outros ativos fixos (como propriedade intelectual, lavouras permanentes, gado de reprodução, etc.). O Sistema de Contas Nacionais (SCN), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresenta dados anuais detalhados de FBCF, e as Contas Nacionais Trimestrais (CNT), também do IBGE, divulga dados trimestrais agregados (sem a divisão entre máquinas e equipamentos, construção civil e outros). O cálculo de indicadores mensais desagregados contribui, portanto, para o acompanhamento mais tempestivo e detalhado da conjuntura econômica. A presente Nota técnica explica a metodologia de cálculo do Indicador Ipea Mensal de FBCF, em suas seis etapas: (i) construção do indicador de demanda de bens de capital, que, na verdade, equivale ao cálculo do consumo aparente desses produtos; (ii) cálculo do indicador de construção civil; (iii) cálculo do consumo aparente do componente ‘outros’, que não era considerado na metodologia anterior deste Indicador Ipea; (iv) determinação dos pesos de cada um dos indicadores supracitados no cálculo do indicador de FBCF; (v) ajuste de nível via desagregação temporal; e (vi) cálculo final do indicador ajustado para coincidir com os dados trimestrais e anuais do SCN.

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Inflação

Carta de Conjuntura Nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras

A seção de inflação desta Carta de Conjuntura mostra que, após apresentar uma trajetória de forte recuo ao longo do ano, a inflação brasileira, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltou a acelerar no último bimestre, mantendo-se, entretanto, em patamares bem confortáreis. Essa mudança recente na dinâmica inflacionária não surpreende e reflete a ação de alguns movimentos já esperados, como a contribuição menos favorável da deflação de alimentos e o aumento de alguns preços administrados. Esse comportamento mais recente dos preços dos alimentos teve impactos distintos para as diferentes classes sociais. Os indicadores Ipea de inflação por faixa de renda mostram que, após vários meses apresentando as menores variações dentre todas as categorias, as taxas de inflação das classes mais baixas foram as que registram as maiores altas em outubro – embora as diferenças no mês tenham sido pequenas. Se por um lado, a queda menos acentuada dos alimentos limitou às pressões baixistas sobre a inflação dos mais pobres, por outro lado, os reajustes em itens de maior peso na cesta de consumo destas famílias, como energia elétrica e gás de cozinha, acabaram gerando fatores de pressão adicional no último mês.

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Inflação por Faixa de Renda

Carta de Conjuntura nº 37

Por Maria Andréia Parente Lameiras, Sandro Sacchet de Carvalho e José Ronaldo de Castro Souza Júnior

O objetivo desta Nota Técnica é apresentar a metodologia de cálculo do novo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, que permite não apenas identificar as diferenças no comportamento do custo de vida de famílias com rendas distintas, como também fornecer índices de preços mais precisos para a deflação de séries que necessitem de um indicador de inflação mais específico. Os resultados mostram que, nos últimos 12 meses, encerrados em outubro, a inflação das famílias pertencentes à primeira faixa foi de 2,0%, situando-se bem abaixo da registrada pelo segmento mais rico (3,5%). Entretanto, em uma perspectiva de longo prazo, observa-se que nos últimos 11 anos (de julho de 2006 a outubro de 2017) a inflação dos mais pobres apresenta uma variação de 102%, bastante superior à observada na faixa de renda mais alta, de 86%.

CC37_NT_Inflação por faixa de renda

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Boletim de Expectativas

Por Estêvão Kopschitz Xavier Bastos

A taxa de inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) esperada para doze meses, após atingir valores máximos por volta do último trimestre de 2015, entre 7,0% e 9,0%, caiu ao longo de 2016 e do primeiro semestre de 2017 e, no segundo semestre, tem apresentado tendência diferente conforme a fonte, mas tem estado entre 4,0% e 4,5%. A inflação esperada para 2018 – de acordo com a mediana do sistema de expectativas do Banco Central do Brasil (Focus/BCB) – que era de 4,5% até o fim do primeiro trimestre deste ano, caiu até chegar próxima de 4,0%, abaixo da meta de 4,5%. Para 2019 e 2020, a mediana das expectativas é igual à meta para os respectivos anos, de 4,25% e 4,0%. A mediana do Focus/BCB prevê corte da taxa Selic dos atuais 7,5% para 7,0% na reunião de 6 de dezembro próximo e novo corte para 6,75% na seguinte, em 7 de fevereiro de 2018. A taxa de juros real ex-ante de um ano, calculada a partir da taxa do swap DI-Pré de 360 dias (da BM&FBovespa) e do IPCA esperado para doze meses pela mediana da pesquisa Focus/BCB, estava, em 10 de novembro último, em 3,0%. Na curva de juros reais, os vértices para os prazos maiores que dois anos e meio se deslocaram para cima nos últimos trinta dias: as taxas de cinco anos, por exemplo, subiram de 4,5% para 4,9%; e as de dez, de 4,9% para 5,3%. As expectativas para o resultado primário do setor público projetam melhoria gradual ao longo dos próximos quatro anos, saindo de déficit de 2,4% do PIB em 2017 para resultado ainda negativo de 0,4% do PIB em 2021. A previsão de crescimento do PIB é de 0,7% em 2017, 2,5% em 2018 e 2,7% daí em diante, até 2021.

CC37_Boletim de Expectativas II

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