Desafios e oportunidades enfrentados pelo G20 durante e após a presidência brasileira

O Grupo dos Vinte (G20) foi fundado em 1999 e, desde então, tornou-se o fórum central para a cooperação internacional em questões financeiras e econômicas. Ele é composto por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido, EUA, União Europeia e, por último, mas não menos importante, a recém-admitida União Africana. Os governos e os presidentes dos bancos centrais desses países e da UE se reúnem todo o ano em nível ministerial. Os resultados dessas reuniões são então apresentados na Cúpula anual do G20. A cada ano, um país membro diferente assume a presidência, que vai de 1º de dezembro a 30 de novembro.

Em um contexto atual de fortes disputas geopolíticas e crise das instituições multilaterais, o papel do G20 ganhou importância como um fórum que passou a tratar de um amplo escopo de questões que vão muito além das finanças e que reúne os países e blocos regionais mais capazes de realizar mudanças em nível global. Embora não seja tão inclusivo quanto o sistema das Nações Unidas, o G20 tem uma base de membros muito mais ampla do que o G7, o que lhe permite reunir um número gerenciável de países, capaz de promover ações concretas e eficientes em nível global, sem deixar de fora nenhuma das principais partes interessadas nacionais ou supranacionais.

O mandato da Indonésia (2022) deu início a uma série de presidências do G20 no Sul global, seguido pela Índia (2023), que, por sua vez, será logo seguida pelo Brasil (2024) e pela África do Sul (2025). Essas presidências oferecem a esperança de uma cooperação internacional mais forte, maior continuidade na agenda do G20 e uma perspectiva renovada (e talvez até única) sobre o desenvolvimento. Isso também representa uma oportunidade para ressuscitar o grupo IBAS - composto por Índia, Brasil e África do Sul - que está inativo desde 2013 e ainda pode desempenhar um papel relevante no futuro do G20.

Os desafios e as oportunidades enfrentados pelo G20 durante e após a presidência brasileira são o tema do número 34 da Revista Tempo do Mundo, publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Convidamos os interessados a enviar artigos que abordem esse tema, incluindo, mas não se limitando a:

  • Como o G20 pode ajudar a reformar as instituições multilaterais para garantir sua eficácia e representatividade?

  • Que ações conjuntas os membros do G20 podem realizar para reduzir as desigualdades, a pobreza e a fome em nível global?

  • Como o G20 pode garantir uma abordagem coordenada para os desafios globais, como a mudança climática, energia e conservação da biodiversidade?

  • Como as presidências do Brasil e da África do Sul, após as da Índia e da Indonésia, podem promover ainda mais as demandas do Sul Global para um modelo de desenvolvimento convincente e coerente?

  • Como o G20 pode ajudar a financiar a Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030?

  • Como o G20 pode contribuir para fluxos de financiamento, comércio, investimento e tecnologia mais sustentáveis e inclusivos em nível global?

Este número será coordenado por André de Mello e Souza, Chefe do Centro Internacional de Políticas para o Desenvolvimento Inclusivo (IPC-iD) do IPEA, Brasil; Sachin Chaturvedi, Diretor-Geral de Pesquisa e Sistemas de Informação para Países em Desenvolvimento, Índia; e Elizabeth Sidiropoulos, Diretora Executiva do Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais. Os manuscritos podem ser enviados pelo site da Revista Tempo do Mundo até 31 de março de 2024. O lançamento do número está previsto para junho de 2024.