O NOVO BANCO DE DESENVOLVIMENTO E A TRANSIÇÃO ECOLÓGICA
DESVINCULANDO O FINANCIAMENTO AO DESENVOLVIMENTO DA HEGEMONIA DAS MOEDAS CENTRAIS?
Palavras-chave:
BRICS, Finanças Verdes, Financiamento ao Desenvolvimento, Hierarquia Monetária, Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)Resumo
Este artigo investiga o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) na contestação das hierarquias financeiras globais e na promoção de uma transição ecológica. Criado pelos países do BRICS, o NDB dispõe de um mecanismo para fornecer financiamento ao desenvolvimento em moeda local, o que pode reduzir a dependência de moedas centrais como o dólar e o euro, oferecendo uma alternativa para que economias periféricas financiem o desenvolvimento sustentável. Diante da institucionalização da agenda da economia verde, o artigo apresenta elementos para avaliar se o NDB efetivamente contribui para a transição ecológica por meio de sua estratégia de investimento. A análise apoia-se em teorias estruturalistas e da dependência, identificando três hierarquias interligadas – produtiva, monetária e ambiental – que moldam as assimetrias financeiras globais. Em seguida, examina-se a carteira de projetos do NDB entre 2016 e 2024, com foco na interação entre a área de atuação dos projetos, a moeda de financiamento e o país de implementação. Os resultados indicam que, embora o NDB tenha avançado no financiamento de infraestrutura sustentável, suas operações continuam amplamente inseridas nos sistemas dominados por moedas centrais. Apenas a China e, em menor grau, a África do Sul conseguiram utilizar suas moedas nacionais de forma significativa, enquanto os demais países do BRICS e parceiros permanecem fortemente dependentes das moedas centrais. Em última instância, embora o NDB represente um passo importante para um sistema financeiro multipolar, seu potencial de promover mudanças sistêmicas depende de reformas institucionais adicionais, de compromisso político e da ampliação do financiamento em moeda local – em consonância com as tendências de financiamento observadas nos últimos anos de operação do banco.
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