A COOPERAÇÃO SUL-SUL E O G20
DILEMAS E NARRATIVAS DA GOVERNANÇA PARA O DESENVOLVIMENTO
Palavras-chave:
cooperação internacional, governança, desenvolvimento, cooperação Sul-SulResumo
Os estudiosos do surgimento – ou ressurgimento, como o processo é definido por alguns – da cooperação Sul-Sul (CSS) ficam diante de questionamentos que, quando combinados, levam a dois tipos de investigações: aquelas que são voltadas para o entendimento da CSS como um fenômeno que ganhou maior importância devido a um suposto novo fôlego apresentado desde o início dos anos 2000; e aquelas que envolvem indagações sobre os motivos pelos quais os longos anos de existência dessa modalidade de cooperação não tenham sido suficientes para que os envolvidos na CSS conseguissem mobilizar esforços em torno de sua institucionalização. Diante disso, esse estudo tem como objetivo compreender em que medida países do Sul global na presidência do Grupo dos Vinte (G20) podem contribuir para alterar a governança do campo da cooperação internacional para o desenvolvimento (CID). Em função disso, em que medida essa possibilidade teria implicações para a agenda de desenvolvimento hoje concebida tanto no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) quanto na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)? A hipótese é que o desenvolvimento, ao ser disseminado como um conceito universalizante, tornou-se uma regra intensivamente norteadora do posicionamento dos atores envolvidos na CID, estabelecendo os termos de uma governança.
A natureza das regras disseminadas e compartilhadas pelos atores da CSS a partir de instâncias como o G20 favorece que essa modalidade de cooperação se institucionalize e, dessa maneira, seja capaz de alterar a governança do campo da CID e, até mesmo, da agenda de desenvolvimento hoje concebida no âmbito da ONU e da OCDE.
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