ZOPACAS: O Atlântico Sul entre paz, cooperação e segurança marítima
Chamada de artigos para o dossiê 41
Submissões até 30 de junho de 2026
Lançamento 27 de outubro de 2026 (40 anos da ZOPACAS)
A Revista Tempo do Mundo (RTM/Ipea) convida pesquisadoras(es), especialistas e formuladores(as) de políticas públicas a submeterem artigos para o dossiê temático do nº 41, dedicado à Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).
Em um cenário de reconfiguração da ordem global e de crescente pressão sobre os espaços marítimos por meio de competição estratégica, ilícitos transnacionais, vulnerabilidades de infraestrutura crítica, governança oceânica, crise climática, entre outros, a ZOPACAS volta ao centro do debate como fórum político e cooperativo do Atlântico Sul. Para o Brasil, trata-se de um tema diretamente conectado a preocupações estruturantes da política externa e de defesa nacional, como o entorno estratégico, Amazônia Azul, autonomia, cooperação Sul–Sul (especialmente com a África Atlântica), desenvolvimento e segurança marítima baseada em capacidades.
Desde sua formulação como iniciativa voltada à paz e à cooperação no Atlântico Sul, a ZOPACAS acompanhou as prioridades políticas e materiais de seus países-membros em diferentes momentos históricos. Em uma primeira fase, ganharam centralidade as agendas de afirmação soberana, cooperação regional e contenção de rivalidades externas; depois, mudanças domésticas, restrições de capacidade estatal e redefinições de política externa afetaram seu ritmo e densidade institucional. Mais recentemente, a reconfiguração da ordem global, a valorização estratégica dos espaços marítimos e a expansão de riscos transnacionais recolocaram o fórum no centro do debate. Assim, sua trajetória pode ser lida cronologicamente como resultado da interação entre condições internas dos Estados-membros e transformações sistêmicas mais amplas.
O dossiê busca contribuições que analisem: (i) o estado atual da ZOPACAS; (ii) suas prioridades contemporâneas; e, em especial, (iii) as prioridades brasileiras dentro do fórum, explicando e examinando por que esses temas se tornaram centrais, quais dilemas de implementação estão em jogo e quais caminhos podem produzir resultados concretos (policy outputs) no curto e médio prazo.
EIXOS TEMÁTICOS SUGERIDOS (NÃO EXAUSTIVOS)
- ZOPACAS hoje: institucionalidade, agenda e capacidade de entrega
- Mudanças e continuidades entre a “zona de paz” e a agenda contemporânea de segurança marítima e governança oceânica;
- Desenhos institucionais, mecanismos de coordenação e gargalos de efetividade;
- Como medir resultados (outputs, cooperação técnica, redes, indicadores).
2) Paz, dissuasão e tensões extrarregionais no Atlântico Sul
- Competição estratégica e seus efeitos sobre estabilidade regional;
- (Des)militarização, parcerias de defesa e autonomia regional;
- Desarmamento, não proliferação e segurança regional no Atlântico Sul.
3) Segurança marítima, entorno estratégico e ilícitos transnacionais
- Pirataria/roubo armado no mar, narcotráfico, tráfico de armas, terrorismo, pesca IUU e crimes ambientais;
- Maritime Domain Awareness (MDA): monitoramento, interoperabilidade e troca de dados;
- Segurança portuária, aduanas, inteligência e integração interagências.
4) Infraestrutura crítica, portos e economia política do mar
- Proteção de infraestrutura offshore (energia), rotas logísticas, portos e cabos submarinos;
- Conectividade Atlântico Sul–Sul e segurança econômica;
- Cadeias de valor marítimas e desenvolvimento.
5) Governança oceânica, clima e bens comuns
- Oceano e clima (acidificação, elevação do nível do mar, erosão costeira);
- Poluição marinha e crimes ambientais;
- Biodiversidade marinha e regimes emergentes do direito do mar (quando pertinente).
6) Política Externa Brasileira e ZOPACAS: explicação e análise
- Entorno estratégico e Amazônia Azul como estruturantes das preferências brasileiras
- Cooperação Sul–Sul com a África Atlântica: capacidades, diplomacia e desenvolvimento;
- Dilemas e oportunidades para liderança e coordenação política;
- Propostas de “entregáveis”: iniciativas realistas, arranjos, governança e métricas.
Este dossiê é coordenado por Gladys Teresita Lechini, professora titular de Relações Internacionais da Universidade Nacional de Rosario (UNR) e pesquisadora titular do CONICET (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas) da Argentina, e por Luiz Marcelo Michelon Zardo, pesquisador da Diretoria de Estudos Internacionais do Ipea.
PRAZOS
- Submissão de artigos: até 30/06/2026
- Lançamento do nº 41: 27/10/2026
SUBMISSÃO
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