CAPACIDADES ESTATAIS MUNICIPAIS PARA POLÍTICAS DE PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS

CONSIDERAÇÕES ACERCA DA MESORREGIÃO CAMPO DAS VERTENTES, MINAS GERAIS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.38116/ppp73art7

Palavras-chave:

governança ambiental, política ambiental, gestão municipal

Resumo

Os municípios cada vez mais assumem o papel de agentes para o enfrentamento de problemáticas ambientais, para tanto requerem capacidades estatais para implementarem políticas públicas efetivas. O artigo avalia capacidades estatais instaladas nos municípios da mesorregião Campo das Vertentes-MG, analisando-as como requisitos para a produção de políticas de pagamento por serviços ambientais (PSA). Utilizou-se dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais – 2020, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, considerando capacidades técnico-administrativas e político-relacionais dos 36 municípios dessa mesorregião. Identificou-se a ampla existência de municípios com estrutura administrativa de meio ambiente. Porém, cerca da metade dos(as) gestores(as) não possuía formação superior, menos de um terço tinha participado de capacitação, e a percepção da maioria sobre impactos ambientais era limitada. Apesar de 58% dos municípios disporem de recursos orçamentários, somente 11% tinham fundos de meio ambiente ativos. Destacam-se a significativa existência de legislação sobre saneamento básico e de conselhos de meio ambiente paritários e deliberativos, contudo, também a inexpressiva presença de legislação que trata de problemáticas rurais e de parcerias em programas federais. Conclui-se que grande parte dos municípios possuía capacidades instaladas importantes, mas também limitações que exigiriam postura ativa dos(as) gestores(as) para superá-las e empreender políticas de PSA.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Rafael Eduardo Chiodi, Universidade Federal de Lavras

    Professor Adjunto da Universidade Federal de Lavras.

  • Samira Vitória da Silva, Universidade Federal de Lavras

    Graduanda em administração na Universidade Federal de Lavras.

  • Mark Pereira dos Anjos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais

    Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais.

  • Fausto Weimar Acerbi Júnior, Universidade Federal de Lavras

    Professor associado da Universidade Federal de Lavras.

Referências

ADAMS, C. et al. Governança da restauração florestal da paisagem no Brasil: desafios e oportunidades. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 58, p. 450-473, jul.-dez. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5380/dma.v58i0.78415.

AGUIAR, R. B.; LIMA, L. L. Capacidade estatal: definições, dimensões e mensuração. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n. 89, p. 1-28, ago. 2019.

ANJOS, M. P. et al. Pagamento por serviços ambientais (PSA) como instrumento indutor de governança ambiental local: o plano conservador da Mantiqueira, Minas Gerais. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 23, n. 87, p. 103-123, jun. 2022. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/58943.

AZA, A.; RICCIOLI, F.; DI IACOVO, F. Optimising payment for environmental services schemes by integrating strategies: the case of the Atlantic Forest, Brazil. Forest Policy and Economics, v. 125, abr. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.forpol.2021.102410.

BALL, A. A.; GOUZERH, A.; BRANCALION, P. H. S. Multi-scalar governance for restoring the Brazilian Atlantic forest: a case study on small landholdings in protected areas of sustainable development. Forests, v. 5, n. 4, p. 599-619, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.3390/f5040599.

BRASIL. Lei Complementar no 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas, nos termos dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal [...]; e altera a Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981. Diário Oficial da União, Brasília, 8 dez. 2011. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp140.htm. Acesso em: 20 mar. 2025.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Gabinete da Ministra. Caderno de propostas por grupo de trabalho da 5a Conferência Nacional do Meio Ambiente. Brasília: MMA, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/5a-conferencia-nacional-do-meio-ambiente/documentos. Acesso em: 18 ago. 2025.

BUZATI, J. R. et al. Governança da restauração de paisagens e florestas: iniciativas e a rede de atores sociais do Vale do Paraíba paulista. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 62, p. 639-665, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.5380/dma.v62i0.83891.

CARVALHO, P. M. Quantificação de passivos ambientais em áreas de preservação permanente e reservas legais: estudo na mesorregião do Campo das Vertentes, MG. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Florestal) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2025.

CASTRO, B. S. et al. Caracterização das iniciativas municipais de pagamentos por serviços ambientais no Brasil. Revista Iberoamericana de Economía Ecológica, v. 36, n. 2, p. 19-40, 2023.

CHIODI, R. E.; ANJOS, M. P.; SOUSA, T. M. Plano Conservador da Mantiqueira: a construção da governança ambiental para a restauração florestal em terras privadas. Revista de Gestão Social e Ambiental, v. 19, n. 4, p. e012048, abr. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.24857/rgsa.v19n4-130.

CHIODI, R. E.; ANJOS, M. P. Governança ambiental municipal: a trajetória do município de Extrema, Minas Gerais. Guaju – Revista Brasileira de Desenvolvimento Territorial Sustentável, v. 11, p. 118-142, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.5380/guaju.v11i.99433.

COELHO, N. R. et al. Panorama das iniciativas de pagamento por serviços ambientais hídricos no Brasil. Engenharia Sanitária e Ambiental, v. 26, n. 3, p. 409-415, maio-jun. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-415220190055.

DI GIULIO, G.; METZGER J. P. Naturezar as cidades: uma agenda urgente para lidar com a crise planetária. Nexo Políticas Públicas, São Paulo, 25 jul. 2024. Disponível em: https://pp.nexojornal.com.br/opiniao/2024/07/25/naturezar-ascidades-uma-agenda-urgente-para-lidar-com-a-tripla-crise-planetaria. Acesso em: 23 jun. 2025.

FERREIRA, M. S. et al. Análise de políticas públicas municipais de pagamento por serviços ambientais hídricos através do Índice de Avaliação de Políticas Públicas: o estado do Rio de Janeiro (Brasil) como modelo de estudo. Agua y Territorio, v. 23, p. 257-277, jan.-jun. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.17561/at.23.

GOMIDE, A.; PIRES, R. Capacidades estatais em ação: a abordagem dos arranjos de implementação de políticas públicas. In: GOMIDE, A.; MARENCO, A. (org.). Capacidades estatais: avanços e tendências. Brasília: Enap, 2024. p. 31-42.

GRIN, E. J.; ABRUCIO, F. L. Las capacidades estatales de los municipios brasileños en un contexto de descentralización de políticas. Revista del CLAD – Reforma y Democracia, n. 70, p. 93-126, fev. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.69733/clad.ryd.n70.a151.

GRIN, E. J.; DEMARCO, D. J.; ABRUCIO, F. L. (org.). Capacidades estatais municipais: o universo desconhecido no federalismo brasileiro. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2021.

GUIDOTTI, V. et al. Números detalhados do novo Código Florestal e suas implicações para os PRAs: principais resultados e considerações. Sustentabilidade em Debate, n. 5, maio 2017. Disponível em: https://observatorioflorestal.org.br/wp-content/uploads/bkps-old/2018/02/numeros_detalhados_codigo_florestal_e_suas_implicacoes_para_os_pras.pdf.pdf. Acesso em: 12 jan. 2025.

LEME, T. N. Os municípios e a Política Nacional do Meio Ambiente. Planejamento e Políticas Públicas, n. 35, jul.-dez. 2010.

LEME, T. N. Governança ambiental no nível municipal. In: MOURA, A. M. M. (org.). Governança ambiental no Brasil: instituições, atores e políticas públicas. Brasília: Ipea, 2016. p. 147-174. Disponível em https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/9269. Acesso em: 17 mar. 2025.

LIMA, L. L.; AGUIAR, R. B. O que há de novo na literatura sobre capacidades estatais? In: GOMIDE, A.; MARENCO, A. (org.). Capacidades estatais: avanços e tendências. Brasília: Enap, 2024. p. 20-30.

MARENCO, A.; KERN, D. Policymaking in multilevel governance: how local governments adopt sustainable development policies in Brazil. Frontiers in Political Science, v. 7, 18 jun. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpos.2025.1580685.

MARQUES, E. Government, political actors and governance in urban policies in Brazil and São Paulo: concepts for a future research agenda. Brazilian Political Science Review, v.7, n. 3, p. 8-35, 2013.

MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESMENT. Ecosystems and human well-being: synthesis. Washington: Island Press, 2005.

MURADIAN, R. et al. Reconciling theory and practice: an alternative conceptual framework for understating payments for environmental services. Ecological Economics, v. 69, n. 6, p. 1202-1208, abr. 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ecolecon.2009.11.006.

NASCIMENTO, T.; ABREU, E. L.; FONSECA, A. Descentralização do licenciamento e da avaliação de impacto ambiental no Brasil: regulação e estudos empíricos. Ambiente & Sociedade, v. 23, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc20180266r2vu2020L1AO.

NASCIMENTO, A. T. A. et al. Desafios e oportunidades da urbanização sustentável e da gestão ambiental municipal em 88 cidades do estado de Minas Gerais, Brasil. Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 62, p. 195-219, jul.-dez. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.5380/dma.v62i0.82515.

NEVES, E. M. S. C. Política e gestão ambiental no contexto municipal. Cadernos Adenauer XV, n. 2, p. 23-40, dez. 2014. Disponível em: https://www.kas.de/documents/265553/265602/7_file_storage_file_14812_5.pdf/d1ccf30f-e6efde1d-4341-9c0a472fecfa. Acesso em: 22 fev. 2025.

PEREIRA, D. B.; MUNGAI, M. F.; CRUZ, P. A. Práticas ambientais urbanas: o papel dos conselhos de desenvolvimento ambiental – Codemas, em municípios da região metropolitana de Belo Horizonte. Caderno de Geografia, Belo Horizonte, v. 17, n. 28, p. 9-29, 2007.

PIRES, R. R. C.; GOMIDE, A. A. Governança e capacidades estatais uma análise comparativa de programas federais. Revista de Sociologia e Política, v. 24, n. 58, p. 121-143, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.5380/rsocp.v24i58.47224.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2010.

SALMI, F.; CANOVA, M. A.; PADGURSCHI, M. C. G. Ética climática, (in) justiças e limitações do pagamento por serviços ambientais no Brasil. Ambiente & Sociedade, v. 26, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-4422asoc20210123r2vu2023L2AO.

SANTOS, J. P. F. Os municípios na questão ambiental brasileira: a construção histórica de um federalismo sustentado. Cadernos Adenauer, n. 2, p. 11-21, 2014. Disponível em: https://www.kas.de/documents/265553/265602/7_file_storage_file_14811_5.pdf/04f39a6c-e795-5da1-4a46-b4b5ee72dde9. Acesso em: 20 fev. 2025.

SANTOS, C. A. et al. A evolução da gestão ambiental nos munícipios brasileiros. Revista Brasileira de Desenvolvimento Territorial Sustentável GUAJU, Matinhos, v. 6, n. 2, jul.-dez. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5380/guaju.v6i2.76399.

SONEGHET, A. B.; SIMAN, R. R. Fundos ambientais como ferramenta de gestão municipal. Revista Ambiência, v. 10, n. 1, p. 135-146, jan.-abr. 2014.

SOUSA, J. S. et al. Os municípios brasileiros e a gestão ambiental: estrutura e articulação institucional. Guaju – Revista Brasileira de Desenvolvimento Territorial Sustentável, Matinhos, v. 9, p. 82-109, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.5380/guaju.v9i0.86624.

SOUZA, C.; GRIN, E. J. Desafios da federação brasileira: descentralização e gestão municipal. In: GRIN, E. J.; DEMARCO, D. J.; ABRUCIO, F. L. (org.). Capacidades estatais municipais: o universo desconhecido no federalismo brasileiro. Porto Alegre: Editora UFRGS; CEGOV, 2021. p. 86-123.

SOUZA, C. Capacidades estatais: interface entre disciplinas e mensuração. In: GOMIDE, A.; MARENCO, A. (org.). Capacidades estatais: avanços e tendências. Brasília: Enap, 2024. p. 8-19.

YOUNG, C. E. F.; CASTRO, B. S. Financing mechanisms to bridge the resource gap to conserve biodiversity and ecosystem services in Brazil. Ecosystem Services, v. 50, ago. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ecoser.2021.101321.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

BUVINICH, D. P. R. O mapeamento da institucionalização dos conselhos gestores de políticas públicas nos municípios brasileiros. Revista de Administração Pública, v. 48, n. 1, p. 55-82, fev. 2014.

CARVALHO, P. G. M. et al. Gestão local e meio ambiente. Ambiente & Sociedade, v. 8, n. 1, jan.-jun. 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1414-753X2005000100008.

CHIODI, R. E.; MORUZZI, P. E. M.; MURADIAN, R. S. Ruralidades e política ambiental: heterogeneidade socioeconômica e lógicas indiferenciadas dos projetos públicos de pagamento por serviços ambientais. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 56, n. 2, p. 239-256, 2018. Disponível em: https://revistasober.org/article/doi/10.1590/1234-56781806-94790560204.

GIARETTA, J. B. Z.; FERNANDES, V.; PHILIPPI JUNIOR, A. Desafios e condicionantes da participação social na gestão ambiental municipal no Brasil. Organizações & Sociedade, v. 19, n. 62, p. 527-548, jun.-set. 2012. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1984-92302012000300009.

OLIVEIRA, R. F.; SANTOS, C. A.; GOMES, L. J. Análise do Programa Nacional de Capacitação com gestores ambientais de Sergipe na visão dos participantes. Interações, Campo Grande, v. 16, n. 2, p. 377-383, jul.-dez. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/151870122015212.

SANTOS, C. S.; COSTA, E. M. R.; SILVA, J. R. T. C. Plano de ação para a efetividade de fundos municipais de meio ambiente. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, v. 21, n. 1, ago.-dez. 2022. Disponível em: http://periodicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/6447.

Downloads

Publicado

27-07-2026

Como Citar

CAPACIDADES ESTATAIS MUNICIPAIS PARA POLÍTICAS DE PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS: CONSIDERAÇÕES ACERCA DA MESORREGIÃO CAMPO DAS VERTENTES, MINAS GERAIS. (2026). Planejamento E Políticas Públicas, 73. https://doi.org/10.38116/ppp73art7