CRESCIMENTO ECONÔMICO SEM DESMATAMENTO?

OS LIMITES E POTENCIAIS DA BIOECONOMIA NA AMAZÔNIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.38116/ppp71art2

Palavras-chave:

bioeconomia, desmatamento zero, Amazônia, uso da terra, modelo de equilíbrio geral

Resumo

A Amazônia Legal (AMZ-L) enfrenta crescentes pressões para conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico. Este estudo analisa impactos econômicos e sobre o uso da terra decorrentes da combinação entre política de desmatamento zero e incentivos à bioeconomia no período de 2020 a 2040. Utiliza-se o modelo inter-regional de equilíbrio geral computável (Regia), que incorpora módulo dinâmico de uso da terra com quatro categorias: lavoura, pastagem, floresta plantada e natural. Simula-se um choque de aumento de 100% na produção de setores ligados à bioeconomia, como extrativismo vegetal e lavouras permanentes. Esses choques são combinados à implementação progressiva de política de desmatamento zero, baseada na meta climática brasileira de eliminar o desmatamento até 2030, restringindo a conversão de áreas de floresta natural para usos agropecuários. Os resultados indicam ganhos acumulados no produto interno bruto (PIB) de até 4,7% no Pará, 2,8% no Amazonas e 2,7% no Amapá, em comparação a cenário tendencial. Além disso, estima-se a preservação de cerca de 9,83 milhões de hectares de floresta até 2040. Esses resultados sugerem que o fortalecimento da bioeconomia, aliado a políticas ambientais rigorosas, pode favorecer transição sustentável na Amazônia e requer políticas públicas ativas e estratégias territorialmente diferenciadas.

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Biografia do Autor

  • Vitor da Silva Marinho, Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG)

    Doutorando em Economia pelo Cedeplar, com mestrado pela mesma instituição e bacharelado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará. Atuou como pesquisador no Instituto Escolhas dentro do programa Cátedra de Economia e Meio Ambiente. Foi assistente de pesquisa na Fundação João Pinheiro.

  • Aline Souza Magalhães, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

    Professora adjunta do Departamento de Ciências Econômicas da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG.

  • Edson Paulo Domingues , Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

    Professor titular no Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG).

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Publicado

05-11-2025

Como Citar

CRESCIMENTO ECONÔMICO SEM DESMATAMENTO? OS LIMITES E POTENCIAIS DA BIOECONOMIA NA AMAZÔNIA. (2025). Planejamento E Políticas Públicas, 71. https://doi.org/10.38116/ppp71art2

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