Eficiência energética e emissões de gases de efeito estufa: limites explicativos do ODEX na trajetória recente das emissões setoriais no Brasil
Publicado em 25/08/2026 - Última modificação em 25/08/2026 às 08h13
Radar nº 82
O trabalho investiga por que os ganhos de eficiência energética observados no Brasil entre 2005 e 2024 não se traduziram em reduções proporcionais de emissões de gases de efeito estufa. Contrastando o indicador ODEX (Odyssee Energy Efficiency Index) do Atlas da eficiência energética: Brasil 2025 (EPE, 2025) com os dados de emissões (SEEG, 2025) do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), são identificados descompassos setoriais expressivos nos transportes, na indústria e no setor residencial, que são atribuídos à composição da matriz energética, à heterogeneidade intrassetorial e ao efeito rebote, evidenciando os limites de indicadores agregados como o ODEX para avaliar trajetórias de descarbonização. Argumenta-se que os ganhos de eficiência energética constituem condição necessária, mas não suficiente, para a redução das emissões, tornando-se efetivos quando associados à transição das fontes de energia e ao desenho de políticas capazes de antecipar as respostas decorrentes desses ganhos.
Palavras-chave: eficiência energética; ODEX; emissões de GEE; descarbonização; efeito rebote
Autor: Matheus Rocha Fernandes

