Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Emprego. Trabalho

Uma Proposta de sistematização do debate sobre falta de engenheiros no Brasil

Salerno, Mario Sergio; Lins, Leonardo Melo; Araújo, Bruno César Pino Oliveira de; Gomes, Leonardo Augusto Vasconcelos; Toledo, Demétrio Gaspari Cirne de; Nascimento, Paulo A. Meyer M.;


Emprego. Trabalho: Livros.

Publicado em: Jun-2014


Uma Proposta de sistematização do debate sobre falta de engenheiros no Brasil

A questão sobre escassez de trabalho qualificado no Brasil tem permeado discussões no governo, nos meios empresariais e na imprensa nos anos recentes. Isto seria particularmente preocupante quando envolve carreiras técnico-científicas, dada a relação positiva que se observa entre recursos humanos em ciência e tecnologia – Human Resources in Science and Technology – (RHST) e a renda per capita de um país. Contradizendo o senso comum, porém, a evidência empírica não parece indicar cenários de escassez, ao menos não de maneira generalizada. Os diferenciais dos salários dos engenheiros em relação às demais ocupações passaram a diminuir a partir de 2009, e os fluxos de recém-formados têm sido mais elevados do que o crescimento da demanda marginal observada no mercado de trabalho. O que estaria, então, motivando recorrentes manifestações públicas de receio de que o crescimento econômico do Brasil seja limitado por uma insuficiente disponibilidade de trabalho qualificado, particularmente de engenheiros? Este texto propõe uma sistematização do debate e destaca, com dados dos censos populacionais de 1970 a 2010, que o problema pode advir, em boa parte, do hiato geracional que coincide com a desvalorização das engenharias nas décadas de 1980 e de 1990. Este fenômeno restringe, atualmente, a oferta de engenheiros em meio de carreira, possivelmente impondo às firmas maior dificuldade em preencher postos de gerência e de liderança que demandem as competências normalmente associadas a esses profissionais. Ao lado de três outros potenciais, problemas paralelos (relacionados à baixa qualidade da formação, a déficit em competências específicas e à pouca mobilidade para regiões afastadas dos grandes centros), o hiato geracional que acarreta uma reduzida oferta relativa de engenheiros entre 35 e 59 anos parece alimentar muito da percepção de escassez desses profissionais no Brasil de hoje.

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