Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Desenvolvimento Regional

Impactos regionais de choques de produtividade e redução de desigualdades : o caso da região Nordeste

Oliveira, Carlos Wagner de Albuquerque; Cruz, Bruno de Oliveira;


Desenvolvimento Regional: Livros.

Desenvolvimento Social: Livros.

Publicado em: Set-2021


Este Texto para Discussão analisa impactos regionais de diferentes políticas sobre as tendências de médio e longo prazos, em especial para o Nordeste, em um momento pré-pandemia e pré-recessão (2015-2016), utilizando a ferramenta International Futures (IFs). A ferramenta está fundamentada em um conjunto de modelos teóricos que é rodado tomando como base os dados contidos em séries históricas que cobrem mais de 186 países. Os modelos conseguem simular os impactos globais de alterações de políticas e suas inter-relações entre países e blocos econômicos. Os resultados mostram, primeiramente, que a tendência de crescimento do produto interno bruto (PIB) per capita da economia brasileira e da América Latina estava abaixo das demais regiões do mundo, e a economia brasileira tinha uma perspectiva de crescimento ainda menor que a América Latina. Em segundo lugar, choques de produtividade (definidos de maneira ampla) elevam a taxa de crescimento do PIB per capita da economia brasileira. No cenário-base, a taxa média anual de crescimento entre 2015 e 2030 foi de 0,61%, enquanto no cenário com choques de produtividade essa taxa passou para 1,23%. O cenário combinado de aumentos de redução de desigualdades apresenta a maior taxa média anual de crescimento do PIB per capita (1,42%) quando comparado com os outros cenários. O cenário de redução de desigualdades tem pouco impacto sobre essa taxa, mas o impacto é elevado quando se trata da redução de desigualdade e melhoria no de desenvolvimento humano (IDH). Em terceiro lugar, mesmo com choques de produtividade e crescimento acima da média brasileira, nenhum dos estados nordestinos atingiria 75% do PIB per capita nacional em 2030. Mesmo no cenário de maior crescimento, os níveis de desigualdade inter-regional são mantidos, não há alteração nos coeficientes de convergência beta dos PIBs per capita e encontra-se, inclusive, divergência na convergência sigma. Em quarto lugar, nos dois cenários que atacam diretamente as desigualdades, a taxa de extrema pobreza é reduzida de forma mais acentuada, mas ainda assim os estados do Nordeste não conseguem eliminar por completo a pobreza extrema (pessoas que recebem menos de US$ 1,25 por dia) em 2030. Em quinto lugar, e por fim, calcula-se a elasticidade de redução da taxa de pobreza com relação ao PIB per capita e ao Gini nos diferentes cenários. A maior estimativa para a elasticidade do PIB per capita é de -1,35 e para a elasticidade do Gini, 3,05. Conclui-se que, no cenário combinado, o crescimento econômico explica aproximadamente 35% da redução da taxa de pobreza no Nordeste, e a redução de desigualdades, aproximadamente 56%. Em resumo, os resultados mostram que políticas de melhoria da produtividade e redução de desigualdades pessoais sem um foco em áreas mais carentes do país não são suficientes para reduzir o quadro de desigualdades regionais.

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