#12 - Fevereiro de 2026
Veja nesta edição:
- Destaques: A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais | Prêmio Mulher Economista | Comitiva à China | Dia das ONGs
- Ponto Ipea: 5º. episódio da 2ª. Temporada: Todo mundo tem as mesmas 24h?
- Zoom: Uma nova ocupação no século 21?
- Em números: A representação de pessoas trans nas bases de dados oficiais do Brasil
- De olho: Pesquisa sobre profissionais de segurança pública | Brasil em cenário protecionista | Chamada para eventos científicos e acadêmicos
- Marque na agenda: Semana da Avaliação
Fim da escala 6x1 teria impacto inferior a 1% nos custos de grandes setores

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Um novo estudo contesta a ideia de que a redução da jornada leva automaticamente à queda do PIB. Foram analisados os custos de uma redução da jornada para 40h e 36h: mais de 13 milhões de trabalhadores estão empregados em setores como indústria e comércio, nos quais o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. A redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio do trabalho celetista em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais e em 17,57% caso a jornada fosse reduzida para 36 horas.
As jornadas mais longas predominam em ocupações de baixa remuneração, menor escolaridade e maior rotatividade. A grande maioria dos 44 milhões de trabalhadores celetistas em 2023 tinha jornada de 44h semanais: 31.779.457, o que equivale a 74%. Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40h semanais. A remuneração mensal média para os vínculos de 40h semanais é de R$ 6.211. Os trabalhadores com jornada de 44h recebem, em média, apenas 42,3% desse valor. A desigualdade é ainda maior quando se observa o salário por hora: a remuneração horária da jornada de 44 horas corresponde a 38,5% daquela registrada entre os contratos de 40 horas semanais. Mais de 83% dos vínculos de pessoas com ensino médio completo ou menos estão nessa condição, proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino superior completo.
Presidenta do Ipea, Luciana Servo recebe a medalha Mulher Economista do Ano
Luciana Servo foi eleita Mulher Economista de 2025 pelo Sistema Cofecon/Corecons, que reúne o Conselho Federal de Economia (Cofecon) e os conselhos regionais de Economia. Ela recebeu o prêmio durante cerimônia realizada no dia 6 de fevereiro na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A premiação busca reconhecer e valorizar mulheres que atuam em funções estratégicas na economia, tanto no campo teórico quanto no aplicado, e que contribuem, com seu conhecimento e atuação, para o desenvolvimento econômico com justiça social. “Receber esse prêmio é, antes de tudo, uma honra, porque eu estou seguindo uma linha de mulheres economistas que eu admiro imensamente, mulheres que alinham rigor intelectual com um compromisso público profundo”, afirmou a presidenta durante a cerimônia.
Missão do Ipea à China fortalece cooperação em inovação e saúde
Entre 26 e 31 de janeiro, uma comitiva do Ipea esteve em missão institucional à China para ampliar a cooperação bilateral em desenvolvimento produtivo, inovação e saúde pública. A agenda incluiu reuniões com centros de pesquisa governamentais, universidades e instituições estratégicas nas áreas de macroeconomia, política industrial e tecnologia.
Os encontros abordaram temas como financiamento ao desenvolvimento, empresas estatais, envelhecimento populacional e digitalização de serviços públicos de saúde. O Instituto apresentou iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB), as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), e discutiu possibilidades de pesquisa conjunta e intercâmbio de pesquisadores.
Mapa das OSCs é ferramenta estratégica para as organizações brasileiras
O Dia Mundial das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) foi celebrado em 27 de fevereiro. No Brasil, o Ipea é responsável por gerir o Mapa das OSCs, criado a partir do Decreto 8.726/2016, que regulamenta o Marco Regulatório das OSCs. Essa plataforma virtual de transparência pública é colaborativa e contém dados de organizações de todo o Brasil: são 661.869 ativas. O site traz informações sistematizadas a partir dos dados gerais, com infográficos dinâmicos com os principais indicadores.
Todo mundo tem as mesmas 24h?
O relógio marca o mesmo tempo para todos, mas a vida não. As desigualdades aparecem nas horas de deslocamento, nas jornadas múltiplas e, sobretudo, nas rotinas de cuidado que recaem majoritariamente sobre as mulheres.
O episódio discute como o tempo é distribuído de forma desigual, o que as pesquisas conseguem medir e por que isso importa para o desenho de políticas públicas. Participam Carolina de Assis, astrônoma; Gabriela Freitas da Cruz, pesquisadora do Ipea; e Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

Uma nova ocupação no século 21?
O envelhecimento acelerado da população brasileira e a institucionalização recente da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024) foram os principais motivadores da pesquisa liderada pela técnica de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, Ana Amélia Camarano, referência no tema. Apesar da centralidade do cuidado na organização social e econômica do país, o Brasil ainda produz poucos dados específicos sobre quem são e em que condições trabalham as pessoas que exercem o cuidado de forma remunerada.
Cuidado remunerado ainda é majoritariamente feminino e negro. 93,9% das respondentes são mulheres, e 66,2% são mulheres negras. A sobrerrepresentação de mulheres negras confirma a persistência da divisão racial do trabalho no setor de cuidados.
Desigualdade racial dentro da mesma ocupação. Mulheres negras concentram-se nas faixas de menor escolaridade, recebem rendimentos mais baixos e enfrentam maior tempo médio de deslocamento (até 66 minutos entre domésticas negras, contra 48,5 minutos entre não negras).
A informalidade estruturante. O acordo verbal é uma das formas predominantes de contratação, e a principal via de acesso ao trabalho ainda é a indicação pessoal (cerca de 90% entre domésticas). Isso reforça a fragilidade de direitos trabalhistas e a dependência de redes informais.
A maioria recebe entre 1 e 1,5 salário mínimo. Entre 41% e 43% das trabalhadoras estão nessa faixa. Mulheres negras estão mais concentradas nas faixas abaixo de 1 salário-mínimo, evidenciando desigualdade intraocupacional.

Estudo da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais evidencia que, apesar de avanços na coleta de dados sobre identidade de gênero em registros administrativos federais, o Estado brasileiro ainda produz um retrato insuficiente da população trans.
6 áreas de políticas públicas. Assistência social, educação, saúde, registros de identidade, trabalho e previdência, e direitos humanos concentram os dados identificados sobre população trans.
40% É o contingente aproximado da população brasileira registrado no CadÚnico, principal porta de entrada para políticas de assistência social. Em novembro de 2024, o formulário passou a incluir campos específicos para identificar pessoas trans e travestis, além de opções sobre identidade de gênero.
12 sistemas mapeados. A maioria das bases de dados investigadas possui acesso sigiloso, sobretudo as que são ligadas a registros civis, trabalho, previdência e saúde, como CPF, CNIS, Rais, CadSUS e Sinan. Mesmo em dados públicos, como o Censo SUAS, o Disque 100 e o Sisdepen, as informações disponíveis são, em geral, agregadas e anonimizadas, o que limita análises mais detalhadas e interseccionais.
100%. Todos os sistemas analisados apresentam algum tipo de limitação. Seja por ausência de campo específico, falta de padronização ou inconsistência no preenchimento, nenhuma base oferece retrato completo da população trans.

- Semana da Avaliação. De 26 a 28 de maio, em Brasília, o encontro chega à sua segunda edição para aprofundar o debate sobre o papel da avaliação na construção de políticas públicas mais justas, eficientes e informadas por evidências. Especialistas, gestores e pesquisadores do Ipea, Enap, Fiocruz e Embrapa se reúnem para discutir métodos, resultados e desafios da avaliação no Brasil. Informações sobre inscrição em breve.


