#11 - Janeiro de 2026

Veja nesta edição:

  • Destaques: Protocolo para pesquisa nacional sobre catadores e catadoras / Revista Tempo do Mundo bem avaliada pela Capes
  • Ponto Ipea: 4º. episódio da 2ª. temporada: Trabalho Doméstico - Conquista de direitos
  • Zoom: PIB brasileiro com acordo Mercosul-EU
  • Em números: Metade dos professores da educação básica terá isenção do Imposto de Renda
  • De olho: Boletim Radar / Prêmio Tesouro Nacional / Roda de conversa Democracia e Vida Cotidiana / Mulher Economista

Revista Tempo do Mundo bem avaliada pela Capes

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Classificada como Qualis A2 na avaliação da Capes referente ao quadriênio 2021–2024, a Revista Tempo do Mundo consolida seu papel como espaço qualificado de debate sobre política internacional e desenvolvimento. Entre 2021 e 2024, a publicação manteve sua periodicidade quadrimestral, com 16 edições e cerca de 200 artigos organizados em dossiês temáticos coordenados por especialistas, voltados às agendas centrais da política externa brasileira.

A mais recente edição da revista, dedicada ao BRICS, reforça esse posicionamento ao reunir 21 artigos sobre governança global, multilateralismo e os desafios da presidência brasileira do bloco em 2025. O dossiê analisa o papel do BRICS em um cenário de fragmentação geopolítica e destaca a atuação do Brasil na articulação do Sul Global, ampliando o debate acadêmico sobre cooperação econômico-financeira, reformas institucionais e inserção internacional do país.

Ipea e Ministério das Mulheres firmam parceria para pesquisa sobre catadoras e catadores

A presidenta do Ipea, Luciana Servo, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, assinaram um protocolo de intenções para a realização de estudos e pesquisas na área de recicláveis, com foco na situação das mulheres catadoras. O compromisso prevê a realização de uma pesquisa nacional voltada a produzir um diagnóstico abrangente sobre a cadeia da reciclagem no Brasil e sobre quem compõe a força de trabalho do setor em todas as regiões do país. A pesquisa é elaborada no âmbito do GT5 do Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (CIISC). A ideia é dimensionar a força de trabalho com recortes regionais e comparações territoriais que permitirão compreender diferentes contextos sociais, econômicos e ambientais que estruturam o trabalho da reciclagem no país. A pesquisa também vai estimar fluxos de materiais recicláveis, compostáveis e reaproveitáveis, considerando etapas como produção, importação, reciclagem, compostagem, aterramento e exportação.

Ponto Ipea

O reconhecimento do trabalho doméstico como trabalho é uma conquista recente e ainda desigual. Neste episódio, o Ponto Ipea discute a trajetória das trabalhadoras domésticas na luta por direitos, como a PEC das Domésticas e a Convenção nº 189 da OIT, mostrando os avanços e os desafios da formalização no Brasil. O debate conta com a participação de Maria Noeli dos Santos, liderança sindical e trabalhadora doméstica; Tamis Porfírio, socióloga e autora de A cor das empregadas: A invisibilidade racial no debate do trabalho doméstico remunerado; e Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea e diretora de Economia do Cuidado do MDS.

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube


Zoom

Depois de quase 30 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em 2026 em sua fase decisiva, à espera da ratificação pelos países membros. O avanço do tratado reacende o debate sobre como ele pode afetar a economia brasileira.

Acordo Mercosul–União Europeia vai impactar o consumidor? O principal efeito do acordo nos preços ao consumidor tende a ser indireto, ao reduzir os custos de produção no país com a importação de máquinas e insumos a preços menores. O acordo pode aumentar a competitividade das empresas brasileiras, com efeitos positivos sobre investimentos, produtividade e, ao longo do tempo, sobre preços e oferta de bens no mercado interno. Mas pode haver também efeitos diretos de queda de preços de produtos vendidos diretamente a consumidor, como bebidas, laticínios e automóveis, embora este efeito deva acontecer de forma gradual ao longo do tempo.

De olho no agro. No Brasil e nos demais países do Mercosul, o agronegócio seria amplamente beneficiado (à exceção de alguns setores, como fibras naturais e leite e laticínios) e as perdas na indústria de transformação seriam concentradas em poucos setores e, ainda assim, com taxas de variação modestas. Sem contar alguns setores que teriam ganhos de produção e emprego, especialmente calçados e artefatos de couro e metais não ferrosos – indica a nota Avaliação dos impactos do Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Europeia, publicada em dezembro de 2023 pelo técnico Fernando Ribeiro, da Diretoria de Estudos Internacionais.

Indo mais fundo. A indústria de transformação tende a ter ganho líquido, com aumento estimado de US$ 500 milhões na produção. Quedas em alguns setores seriam compensadas por avanços em áreas com forte demanda na UE, ampliando as exportações brasileiras. O resultado contraria a ideia de que acordos com economias mais desenvolvidas prejudicam a indústria como um todo.

Setores. As importações brasileiras cresceriam em todos os setores, com destaque para máquinas, equipamentos, produtos de metal e eletrônicos, além de alguns segmentos do agronegócio, como carnes, açúcar, bebidas e óleos vegetais.

Em números

Outra nota técnica publicada indica o impacto que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil terá para os professores da educação básica. 620 mil: Número de professores que deixarão de pagar o imposto.

51,6%: Percentual de docentes isentos a partir de 2026. Antes, eram apenas 19,7%.
82,2%: Dos profissionais da rede privada estarão isentos. Na rede pública, esse percentual é de 42,5%.
1 milhão: Quantidade de professores que terão aumento na renda disponível, seja por isenção ou redução do IRPF. O benefício atinge 73,5% dos professores do Brasil.
R$ 5.079,84: Ganho médio anual estimado para os professora. É como um 14º salário derivado da reforma tributária.

De olho