#10 – Dezembro de 2025

Veja nesta edição:

  • Destaques: Recorde de renda e menor nível de pobreza e desigualdade / Reservas e minerais estratégicos / Posse dos novos servidores do Ipea
  • Ponto Ipea: 3º episódio da 2ª temporada: Trabalho Doméstico - ‘Ela é quase da família’
  • Zoom: Oficina Cidadã de Dados e a Política de Habitação
  • Em números: Mortalidade e morbidade das motocicletas e os riscos da implantação do mototáxi no Brasil
  • De olho: Principais notícias
  • Marque na agenda: Participe da pesquisa Evidências e Mudança do Clima

Brasil registra recorde de renda e menor nível de pobreza e desigualdade

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Em 2024, o Brasil teve os melhores resultados da série histórica das pesquisas domiciliares analisadas pelo Ipea: a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, o coeficiente de Gini (indicador de desigualdade na distribuição de renda) recuou quase 18% e a taxa de extrema pobreza caiu de 25% para menos de 5%. O aquecimento do mercado de trabalho, somado a políticas de transferência de renda mais eficazes, sustenta esse avanço. Confira a nota.

Com minerais estratégicos em alta, Brasil tem oportunidade para expandir a produção

O Brasil reúne amplas reservas de minerais estratégicos para a transição energética, como grafita, terras raras, manganês, níquel e bauxita, mas ainda explora pouco esse potencial em termos de produção e indústria. O país concentra fatias relevantes das reservas globais desses insumos, ao mesmo tempo em que a produção de vários deles recuou nos últimos anos, em contraste com a expansão observada em outros grandes atores.
O estudo do Ipea, fruto de acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Mineração (ANM), alerta para o risco de o país permanecer como exportador de minérios brutos e importador de tecnologias verdes de alto valor agregado. Para reverter esse quadro, o texto aponta a necessidade de alinhar política mineral, industrial e energética, reduzir incertezas regulatórias, ampliar investimentos em prospecção e pesquisa geológica e fortalecer a capacidade industrial ligada à economia verde.

Novos servidores: renovação de quadros reforça missão institucional e diversidade

A cerimônia de posse coletiva de 20 novos técnicos de planejamento e pesquisa marcou um novo ciclo de renovação do Ipea, com a chegada de servidores que se somam aos 80 nomeados em 2024. No encontro, a presidência e as diretorias enfatizaram a força da marca do instituto, o papel estratégico na produção de evidências para qualificar políticas públicas e a importância de uma atuação integrada, diversa e transversal sempre atenta às desigualdades sociais, raciais, regionais e ambientais.

Ponto Ipea

O terceiro episódio da 2a. temporada discute como a herança do passado escravista atravessa o trabalho doméstico no Brasil, um setor marcado por desigualdades e por ambiguidades afetivas nas relações entre patrões e trabalhadoras. Aqui conversam a socióloga Tamis Porfírio, a trabalhadora doméstica Maria Noeli dos Santos e Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc).

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube


Zoom

Melhorias habitacionais e assistência técnica. A moradia é um dos principais temas da agenda de políticas públicas no Brasil, marcada por um déficit ainda elevado e, sobretudo, por milhões de domicílios que apresentam condições inadequadas de habitabilidade. Esse diagnóstico esteve no centro do Seminário Melhorias Habitacionais: da Saúde do Habitat à Economia Popular, que discutiu como grande parte do problema habitacional hoje não está apenas na falta de casas, mas na precariedade de moradias já existentes, com impactos diretos sobre a saúde e o bem-estar da população.

Indo mais fundo. A saída passa por uma política robusta de melhorias habitacionais, articulada à Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis, prevista na Lei nº 11.888/2008), levando engenheiros, arquitetos e equipes técnicas para apoiar reformas e qualificar moradias ocupadas, sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.

Parcerias em habitação e urbanização. Há uma trajetória de cooperação do Ipea com o Ministério das Cidades na formulação de políticas de habitação e urbanização de assentamentos precários, incluindo o Plano Nacional de Habitação (PlanHab) e iniciativas de reabilitação de áreas centrais, além de parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR) sobre inadequações habitacionais.

Oficina cidadã de dados. O Ipea vai promover esse espaço de formação e prática em que comunidades e organizações sociais aprendem a produzir, organizar e analisar informações sobre a própria realidade habitacional. Moradores, coletivos e movimentos locais levantam dados de forma colaborativa como sujeitos que definem o que querem conhecer e monitorar. Essa produção subsidia diagnósticos e ajuda a pautar políticas públicas mais próximas das necessidades reais dos territórios.

Assessorias técnicas e sociedade civil. Em novembro, a primeira oficina abordou a produção cidadã de dados como ferramenta estratégica para políticas sociais, com foco nas melhorias habitacionais vinculadas à Athis. Foram apresentadas 19 inadequações habitacionais identificadas em estudos recentes, discutidas as possibilidades de levantamento via CadÚnico e SUS, e aplicado um questionário seguido de debate entre os participantes, além da apresentação de uma experiência piloto. A próxima edição está prevista para fevereiro de 2026.

Autogestão reduz custos e amplia protagonismo. "A articulação com os movimentos sociais é fundamental para termos uma política compreensiva de moradia no Brasil, ou seja, não limitada àquilo que historicamente o país fez, que é a produção de novas unidades numa parceria entre o poder público e o capital privado das construtoras", defendeu Renato Balbim, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.

Em números

Intitulado Mortalidade e Morbidade das Motocicletas e os Riscos da Implantação do Mototáxi no Brasil, um estudo da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) analisa a explosão da frota de motocicletas no país e seus efeitos sobre a segurança viária e o sistema de saúde. A nota técnica recompõe a evolução das mortes e internações de motociclistas nas últimas décadas, estima o custo desses sinistros para o Sistema Único de Saúde (SUS) e discute os riscos de ampliar serviços como o mototáxi sem regras claras de segurança e fiscalização..

40%: É a participação das motos nas mortes por acidentes de trânsito no Brasil em 2023, ante apenas 3% no fim dos anos 1990
60%: É o percentual de internações por acidentes de transporte terrestre no SUS que envolvem motociclistas, mostrando o peso desse tipo de veículo na rede hospitalar
R$ 270 milhões: é o montante gasto em 2024 com internações de vítimas de sinistros com motos, quase dois terços de todas as despesas hospitalares ligadas a acidentes de trânsito.

De olho