#09 – Novembro de 2025

Veja nesta edição:

  • Destaques: Recomendações para a COP30; Dívidas climáticas; Empregabilidade trans
  • Ponto Ipea: Um olhar para o cuidado
  • Zoom: Inovação & tecnologias ambientais
  • Em números: Inadequações habitacionais no Brasil
  • De olho: Pobreza infantil; Conferência Internacional sobre Comércio e Desenvolvimento; panorama econômico global
  • Marque na agenda: II Seminário: Melhorias Habitacionais – da Saúde do Habitat à Economia Popular; Presença Negra: Forjar Imaginários, Formar Novos Quilombos

COP 30: Recomendações reforçam papel do Brasil na agenda climática global

O Ipea elaborou o Relatório Pré-Evento da COP30, que acontece até sexta-feira (21) de novembro em Belém (PA), com recomendações estratégicas para subsidiar as negociações internacionais e orientar políticas públicas nacionais. O documento reúne propostas debatidas em sete painéis com temas como justiça climática, ciência de dados e transição agroalimentar sustentável, reforçando o papel do Brasil como liderança global na construção de uma agenda climática justa e inclusiva.

Entre as recomendações estão: incorporar a justiça climática como eixo central das políticas de adaptação, fortalecer a infraestrutura pública de dados climáticos e promover uma Aliança Global pela Transição Agroalimentar. As propostas apontam caminhos concretos para integrar equidade social, soberania de dados e sustentabilidade nas políticas públicas. Confira em breve no portal do Ipea.

Imposto sobre super-ricos e imposto corporativo pagariam dívida climática

Um novo estudo do Ipea lista opções justas de arrecadação para os pagamentos de dívidas climáticas: um imposto de 2% sobre centimilionários e um imposto corporativo internacional de 15% poderiam gerar mais de US$ 500 bilhões anuais, que deveriam priorizar países de baixa renda e população mais vulnerável. A dívida climática de um país é a diferença entre o que ele emitiu em toneladas de CO₂ desde 1990 e o seu limite alocado com base na sua população. Para dar um valor real a essa dívida, utiliza-se o conceito de custo social do carbono (SCC), preço pago pela sociedade em danos econômicos por cada tonelada extra de CO₂ lançada na atmosfera (US$ 417 por tonelada de CO₂). Os Estados Unidos é o país que mais ultrapassou seu orçamento de carbono, com 326%, tendo acumulado uma dívida climática de US$ 47,9 trilhões.

Pessoas trans ganham 32% menos e ocupam menos de 25% dos empregos formais no Brasil

Uma nota técnica revelou um panorama inédito sobre a inserção de pessoas trans no mercado formal de trabalho brasileiro. O estudo identificou 38,7 mil pessoas trans entre 14 e 64 anos, majoritariamente jovens (59,8% têm entre 18 e 30 anos) e concentradas no Sudeste (51,1%). Apesar dos avanços, apenas um quarto dessas pessoas têm emprego formal, proporção inferior à da população geral, e as desigualdades são ainda mais marcantes entre mulheres trans e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Além da baixa inserção, as pessoas trans empregadas formalmente recebem, em média, 32% menos que a média nacional e estão concentradas em setores de menor prestígio, como comércio e serviços. A presença em cargos públicos ou de maior qualificação é mínima e as desigualdades se ampliam quando cruzadas com raça e cor: pessoas trans negras, pardas e indígenas têm rendimentos significativamente menores.

Ponto Ipea

O cuidado é um trabalho que sustenta a vida – mas que segue invisível, desvalorizado e marcado por desigualdades de gênero, classe e raça. O episódio inicial da segunda temporada do podcast Ponto Ipea traz as vozes da socióloga Helena Hirata, de Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea e atual diretora de Economia do Cuidado do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e de Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube


Zoom

Inovação e os caminhos brasileiros

Áreas mais prósperas. A inovação voltou ao centro do debate econômico com o Nobel de 2025. Graziela Zucoloto, coordenadora-geral de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset/Ipea), enfatiza que os avanços históricos em setores como petróleo, aviação e, mais recentemente, farmacêutico indicam a capacidade brasileira para gerar conhecimento e difundir tecnologia.

Adaptação. Zucoloto destaca que a inovação brasileira nem sempre acontece via ‘produtos’ inéditos no cenário global, mas em soluções adaptadas às necessidades sociais e produtivas do país. Em muitos casos a inovação se dá pela incorporação de tecnologias já existentes, com ganhos diretos de produtividade e inclusão.

Impactos sociais e econômicos profundos. Outro ponto central é a relação entre inovação e sustentabilidade. A pesquisadora associa o conceito de “destruição criativa” à substituição de tecnologias poluentes por processos produtivos mais limpos, movimento que define as tecnologias ambientais.
Transição com investimento. Com potencial expressivo na adoção de energias renováveis, como solar e eólica, o Brasil pode se beneficiar com essa transição. O desafio está em garantir continuidade às políticas públicas que sustentam esse ciclo, especialmente diante de restrições orçamentárias que podem reduzir o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Fortalecer o financiamento à ciência e estimular a inovação verde são passos decisivos para um modelo de desenvolvimento sustentável e competitivo.

Em números

Novo estudo do Ipea traz um diagnóstico atualizado das inadequações habitacionais no Brasil e estima o custo para superá-las, evidenciando a necessidade de uma política de habitação estruturada.

16,3 milhões. É a quantidade de famílias brasileiras que vivem em casas com inadequações como falta de abastecimento de água pela rede pública e de esgotamento sanitário.
1,2 milhão dessas famílias vivem em casas sem banheiro. Delas, 83,5% são chefiadas por pessoas negras e 70% por mulheres.
12%. É o total de famílias da Bahia que moram em situação inadequada. É o estado com maior concentração, seguido por Pará (9,41%), Pernambuco (8,17%) e Rio de Janeiro (7,82%).
R$274 bilhões. É o custo estimado para superar os problemas habitacionais identificados.

De olho
Marque na agenda
  • Seminário: Melhorias Habitacionais – da Saúde do Habitat à Economia Popular: acontece nos dias 24 e 25 de novembro, das 08h30 às 19h, em Brasília. Interessados podem se inscrever para participar presencialmente. Com transmissão pelo canal do Ipea no YouTube.
  • Presença Negra: Forjar Imaginários, Formar Novos Quilombos: encontro marca o Dia da Consciência Negra e celebra a data no próximo dia 27, das 14h às 17h30, com exibição do filme Vozes e Vãos. Com transmissão pelo canal do Ipea no YouTube