#08 – Outubro de 2025

Ideias que sustentam políticas públicas

Veja nesta edição:

  • Destaques: Seminário ‘Do Conhecimento à Ação – Diálogo Estratégico para a COP30’; conferência de think tanks do Sul Global em São Paulo
  • Ponto Ipea: Nomeação de pesquisador do Ipea para elaboração do Relatório Global sobre o Desenvolvimento Sustentável da ONU
  • Zoom: : Modelagem macroambiental
  • Em números: niversalização de serviços de saneamento básico
  • De olho: Impacto de emendas parlamentares; plataforma GovHub; dados do Fundeb em debate no Senado; prêmio da FIEMG
  • Marque na agenda:Relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do FMI; lançamento do livro Monitoramento e Avaliação da Política Externa; lançamento da Edição nº 71 da Revista Planejamento e Políticas Públicas

Seminário Internacional discute propostas e desafios para implementação da Agenda de Ação da COP30

Foto: Helio Montferre/Ipea

Nos dias 9 e 10 de outubro o Ipea reuniu, em Brasília, especialistas nacionais e internacionais, representantes do governo e da sociedade civil no seminário “Do Conhecimento à Ação: Diálogo Estratégico para a COP30”. O objetivo foi criar um espaço de debate sobre temas centrais à pauta climática, com foco na implementação das políticas, e propor recomendações para a Agenda de Ação da conferência, marcada para novembro, em Belém (PA). Confira alguns destaques:
Uso de dados na resposta a eventos climáticos
Representantes do Ipea e de outros órgãos como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) discutiram o papel dos dados na formulação de soluções para eventos climáticos no Brasil. Para eles, os sistemas de dados podem fornecer governança climática em nível subnacional e aprimorar a capacidade de resposta do governo.
Rafael Pereira, coordenador de Ciência de Dados do Ipea, apresentou a experiência recente de apoio às ações federais nas enchentes do Rio Grande do Sul, em abril de 2024. O trabalho envolveu o mapeamento de pessoas e empresas atingidas, com o uso do Geocode BR, pacote em linguagem R totalmente aberto e gratuito, capaz de geolocalizar grandes bases de dados nacionais — como os 40 milhões de domicílios do Cadastro Único — em cerca de uma hora, sem custo adicional.
Sistemas alimentares sustentáveis
Embora a maior parte da atenção ao debate climático vá para o tema da transição energética, o sistema agroalimentar responde por ⅓ das emissões na escala global. No Brasil, considerando os efeitos direto e indiretos, essa participação é de 75%. No encontro, especialistas abordaram os desafios para a implementação de políticas públicas favoráveis à transição para sistemas alimentares sustentáveis. O sistema agroalimentar pode dar respostas rápidas para o enfrentamento da crise climática por já ter um conjunto de tecnologias na chamada agropecuária regenerativa. Como vantagem adicional, o Brasil tem um número grande de pequenos produtores, produtores familiares e comunidades tradicionais, que poderiam se beneficiar dos recursos para transição.
“Precisa de uma mensagem muito clara: precisamos superar a monotonia que hoje marca as várias dimensões do sistema agroalimentar global, a monotonia da produção agrícola, da produção animal e do consumo. Porque por trás dessa monotonia estão formas de relação entre sociedade e natureza que geram enormes impactos ambientais e para a saúde humana”, disse Arilson Favaretto, professor da Universidade de São Paulo (USP).
Soberania digital aplicada ao clima
No painel que discutiu Inteligência Artificial para Clima, o debate chegou em uma das estratégias da atual gestão federal sobre o tema: privilegiar dados públicos, modelos e softwares abertos e preservar o domínio tecnológico local. Foram apontados riscos, como a governança, a captação privada e o greenwashing. O debate também alertou para a dependência de nuvens/softwares estrangeiros e para os efeitos de jurisdições externas sobre dados estratégicos.
“Precisamos observar que estrutura vamos criar para governar essa tecnologia. Já se estão montando fóruns internacionais em que decisões sobre o desenvolvimento da IA e sua governança estão sendo tomadas e isso está sendo muito dominado pelos principais países do norte, sobretudo os Estados Unidos. Precisamos elaborar como atuar nesses espaços e participar dessa governança como um ator importante”, reforçou Sérgio Queiroz, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
Emergência climática e soluções foram abordados na primeira temporada do Ponto Ipea, o podcast do Instituto e Pesquisa Econômica Aplicada. Quer se aprofundar no tema? Os episódios estão disponíveis no Spotify, Deezer, Amazon e Youtube.

Conferência reunirá 71 think tanks do Sul Global em São Paulo

Nos dias 27 e 28 de outubro acontecerá, em São Paulo, a Southern Voice Conference 2025, um evento bienal que reúne os principais think tanks da África, Ásia, América Latina e Caribe para compartilhar pesquisas e repensar, de forma coletiva, os desafios atuais do desenvolvimento global.
Neste ano, somos um dos co-anfitriões do encontro, que terá o tema “Reimaginando a Arquitetura do Desenvolvimento Global”. O objetivo é ir além do diagnóstico e apresentar propostas de soluções concretas para os desafios da atualidade, colocando as perspectivas do Sul Global no centro do debate.
O evento terá quatro plenárias principais: 1- Prioridades do Sul para a Liderança do Desenvolvimento; 2- Perspectivas do Sul, Influência Global: Repensando Nosso Papel; 3- Rumo à Agenda Pós-2030: Moldando a Arquitetura do Desenvolvimento, 4- Ação Coletiva para 2026-2028: Das Ideias à Implementação. Além disso, haverá trilhas temáticas para exploração aprofundada de interesses e oportunidades compartilhados. Para saber mais, acesse o site da conferência.

Ponto Ipea

Fabio Veras, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, foi indicado pelo governo brasileiro e nomeado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para integrar o Grupo Independente de Cientistas, responsável pela elaboração do Relatório Global sobre o Desenvolvimento Sustentável 2027. O documento é o principal insumo científico a orientar as deliberações da Cúpula dos ODS. “O relatório pode oferecer um roteiro com pontos de entrada para a transformação. Ele pode mostrar como diferentes áreas — saúde, educação, meio ambiente, erradicação da pobreza, combate à mudança climática — estão interconectadas e ajudar os governos a desenharem estratégias mais coerentes e integradas”, disse o pesquisador.

 

Zoom

A Estratégia Brasil 2050
Não é difícil imaginar que o clima impacta a economia e que a economia impacta o clima. Mas como avaliar esse impacto? Como incluir a variável clima nas modelagens e nas projeções macroeconômicas? O Ipea tem se debruçado sobre esse desafio e a área de macroeconomia está desenvolvendo projetos de pesquisa em três níveis.
Modelos de uso do solo.
O primeiro deles é o desenvolvimento de modelos de uso do solo. O objetivo é avaliar o impacto da mudança do clima em diversos biomas e, consequentemente, as implicações na produção agrícola e pecuária.
Estrutura produtiva.
Dando um passo adiante, também estão sendo desenvolvidos modelos que começam a olhar para a estrutura produtiva como um todo, a partir de matrizes insumo-produto e de emissão de carbono equivalente. A ideia é a seguinte: mudanças econômicas alteram o uso de determinados insumos, o que, por sua vez, altera o padrão de emissão de carbono. Um exemplo seria a instituição de um o imposto sobre carbono: ele pode, ao mesmo tempo, reduzir as emissões, ter impacto negativo no PIB e nos empregos e impacto positivo na seara fiscal. Ter modelos econômicos que ajudem a avaliar esses impactos contribui para a melhor tomada de decisão.
Política monetária, fiscal e consumo.
No terceiro nível, há iniciativas de pesquisa para medir o impacto macroeconômico propriamente dito. Esses modelos estão tentando avaliar as políticas fiscais e monetárias necessárias para lidar com eventos climáticos e o impacto delas em PIB, inflação e emprego. Em breve, haverá muitos estudos do Ipea publicados sobre o tema. Fique de olho em nossos canais!

Em números

R$ 300,89 a R$ 393,93. É a faixa de custo operacional anual por pessoa para universalizar os serviços de água e esgoto usando como referência os municípios mais eficientes do país. O Ipea analisou dados oficiais e cidades que já prestam bem o serviço para calcular valores-referência por porte. Esses números ajudam gestores a planejar contratos e programas com custos realistas.
37,8%. É a parcela de água potável perdida na distribuição. Além disso, apenas 52,2% do esgoto coletado é tratado (2022). 2033. É o ano-meta do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) para universalização: 99% dos domicílios com água e 92% com esgoto; em 2022, os índices estavam em 95,6% e 77,4%, respectivamente.

De olho
Marque na agenda
  • Apresentação do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do FMI – World Economic Outlook – WEO: acontece no próximo dia 22/10, às 9h, no auditório do Iphan em Brasília. Interessados podem se inscrever para participar presencialmente.
  • Lançamento do livro Monitoramento e Avaliação da Política Externa – Bases Normativas, Questões Teórico-Metodológicas e as Particularidades do Caso Brasileiro: será no dia 22/10, das 15h às 17h, no Ipea. Estão abertas as inscrições para participação presencial. Haverá transmissão pelo YouTube.
  • Lançamento da revista Planejamento e Políticas Públicas (PPP): Edição nº 71 da publicação tem o tema Meio Ambiente. O lançamento será no dia 28/10, das 9h às 12h, na sede do Ipea em Brasília. Com transmissão pelo YouTube.