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09/04/2010 19:09

Taxa de fecundidade nacional assemelha-se à de países ricos

Seminário do Ipea no Rio de Janeiro discutiu as perspectivas demográficas e o crescimento econômico brasileiro

Um estudo sobre queda da taxa de fecundidade, ligada ao processo de envelhecimento e crescimento econômico do País, foi apresentado na última quarta-feira, dia 7, no seminário Enriquecer antes de envelhecer: redução da fertilidade e crescimento econômico no Brasil. Jorge Saba Arbache Filho, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), expôs o trabalho na representação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no Rio de Janeiro.

No debate, houve comparações com crescimento e fecundidade de outros países. “O regime de fecundidade aqui é de país rico. Estamos abaixo de Estados Unidos, França e Inglaterra porque nestes a taxa voltou a crescer”, disse Arbache. Na China, a taxa aumenta desde 2002. O país implantou uma nova política demográfica e começou a liberar o controle da fecundidade. E 55% da população ainda está no campo. “A China cresce 10% ao ano e sabe que um dia isso vai acabar. A política deles é crescer o mais rápido possível e amadurecer a economia para poder crescer 4, 5% tranquilamente.”

A rápida queda da taxa de fecundidade no Brasil está ligada ao processo de envelhecimento da população. A taxa assemelha-se à de países com renda alta, mas está abaixo da registrada nos países de renda média e os da América Latina. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam estabilização em torno de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, a economia começará a sofrer com a queda populacional a partir de 2040. Segundo Jorge Arbache, a situação pode ficar crítica. “O Japão, por exemplo, entrou numa estagnação crônica e não consegue sair. Há um grande problema demográfico por lá, e nós estamos indo por esse caminho.”

Os grupos jovens no Brasil estão encolhendo, e a população acima de 25 anos está crescendo. Além da taxa de fecundidade, a expectativa de vida do brasileiro seria outro fator preponderante para esses fatos. Em 2030, a perspectiva é de que haja uma elevada taxa de dependência dos idosos, em torno de 20%. Para a economia resistir a essa mudança, serão necessárias alterações na previdência social. “Este aumento sugere maior custo com a saúde, por exemplo. A receita da previdência em relação ao PIB está em 8% e não para de aumentar. População envelhecendo implica poupança menor. Se o País não se adaptar às políticas públicas, vamos ter sérios problemas na poupança pública”, afirma Arbache.

Segundo o estudo apresentado, alguns dos desafios para suavizar a queda da fecundidade do Brasil são estimular os aumentos da poupança, da fecundidade, da migração e do crescimento demográfico. “O Brasil não é mais um País de jovens. Nesse ritmo, em 2025 daremos adeus ao bônus demográfico.” De acordo com o texto, o País deveria aproveitar o período de bônus demográfico para alavancar o seu crescimento econômico por meio do aumento da poupança e do investimento. “Envelhecer onde a renda ainda é baixa. Como um País em desenvolvimento consegue isso?”, indagou Arbache. A pergunta diz respeito à possibilidade de o Brasil conseguir alcançar características de economia madura e estagnada antes mesmo de atingir níveis mais elevados de renda per capita.

 
 

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