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13/09/2021 15:46

Economia brasileira poderia crescer 2,5% ao ano nesta década


Estudo avaliou produtividade e investimento como condicionantes para o crescimento

Ao partir do contexto da recessão de 2020, causada pela pandemia do coronavírus, é possível identificar uma ampliação do hiato do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro –aumento do grau de ociosidade da capacidade produtiva do país. É possível prever, no entanto, que, depois de alguns anos de crescimento do PIB, essa ociosidade se esgote e que o aumento da capacidade de oferta volte a ser determinante para o crescimento da economia. Um estudo, publicado nesta segunda-feira (13/9), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra números que indicam que o Brasil apresenta uma expansão modesta do PIB potencial (capacidade de oferta), mas que poderá experimentar uma aceleração progressiva do crescimento potencial com o aumento gradual da taxa de investimento e da produtividade, na década atual.

“O grau de ociosidade existente permitiria um crescimento médio do PIB da ordem de 2,5% ao ano (a.a.) entre o ano-base de 2021 e o final da década – considerado o cenário proposto no artigo. Nesse cenário, o país chegaria ao final da década com uma taxa de investimento de mais de 22% do PIB”, estimaram os autores do estudo, José Ronaldo Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea (Dimac/Ipea), e Fábio Giambiagi, economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para os pesquisadores, o crescimento futuro da economia brasileira estará condicionado pela evolução da produtividade e do investimento no país. Os autores avaliam ainda que há um desafio considerável diante do envelhecimento populacional. “Entre duas e três décadas, a população adulta em idade de trabalhar será igual à atual. Isso significa que todo o crescimento da produção – e não apenas a maior parte, mas a totalidade – entre 2020 e 2045 ou 2050 terá que vir ou do aumento do estoque de capital, físico e humano, ou do aumento da produtividade”, observaram. O estudo ainda adiciona a este contexto desafiador o fato de, atualmente, a taxa de investimento estar perto do piso histórico e a taxa de crescimento do produto potencial inferior a 1%.

Os autores recomendam estimular o investimento privado em infraestrutura, por meio de novas rodadas de concessões, além de estímulos horizontais aos investimentos do setor produtivo em geral. “As reformas microeconômicas, que melhorem o ambiente de negócios, e as reformas macroeconômicas, que melhorem a estabilidade e ajudem a reduzir as incertezas e o custo de capital, são eixos fundamentais para esse avanço dos investimentos e principalmente da produtividade. Essa melhora geral atrairia investimentos nos setores mais produtivos, gerando uma melhora na alocação de recursos”, defenderam.

Souza Júnior e Giambiagi alertam, porém, para o problema do desequilíbrio fiscal estrutural da economia brasileira, que já precedia à crise provocada pela pandemia, mas que foi agravado diante da necessidade de se aumentar os gastos públicos. “Esses problemas, que produzem incertezas em relação ao maior devedor do país (o setor público), prejudicam a estabilidade econômica, aumentam a taxa de juros de longo prazo – como constatado no incremento da taxa da Nota do Tesouro Nacional tipo B (NTN-B) de trinta anos no mercado secundário desde o começo de 2020 – e reduzem a viabilidade de muitos investimentos”, examinaram os pesquisadores.

Acesse o Texto para Discussão ‘Recuperação econômica e fechamento gradual do hiato: um exercício de consistência de médio e longo prazos’.

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