Facebook Twitter LinkedIn Youtube Flickr SoundCloud
10/08/2021 17:07

Estudo constata tendência de substituição do transporte coletivo pelo individual


Pesquisa do Ipea lançada em webinar nesta terça-feira (10) analisa a mudança de padrão de deslocamentos no Brasil nos últimos 20 anos

A migração do transporte coletivo para o individual nas últimas décadas foi tema do debate promovido na manhã desta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante o webinar de lançamento do estudo Tendências e Desigualdades da Mobilidade Urbana no Brasil: o Uso do Transporte Coletivo e Individual.

O diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), Nilo Saccaro, destacou a importância da parceria estabelecida entre o Ipea e o Ministério do Desenvolvimento Regional, que motivou a realização do Texto para Discussão apresentado. “Este é o primeiro de muitos trabalhos previstos dentro dessa colaboração, criada com o intuito de auxiliar a Pasta a aprimorar a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Com isso, nós procuramos cumprir a função de assessoramento técnico direto às instituições governamentais e o papel de atuar como uma arena de debates entre as diversas instâncias envolvidas no desenho, na execução e avaliação de políticas públicas no Brasil”, afirmou.

O pesquisador Rafael Pereira, que liderou a equipe de pesquisa, ressaltou que os objetivos do estudo foram analisar as tendências do uso do transporte individual e coletivo nos últimos 20 anos, refletir sobre seus impactos nas condições de mobilidade urbana nas cidades brasileiras, lançar um olhar sobre as consequências da Covid-19 sobre a mobilidade urbana e, por fim, avaliar os desafios que todos esses propósitos trazem para as políticas de transporte urbano no Brasil.

De acordo com o pesquisador, todas as fontes de dados coletados pelo estudo apontam em uma mesma direção, que é uma tendência persistente de substituição do consumo do transporte coletivo pelo transporte individual motorizado. “O que nós encontramos ao analisar dados mais recentes é que a Covid-19 aprofunda essa tendência, esgarçando os desafios dessa espiral de desequilíbrio financeiro no planejamento do transporte público e, desse modo, agravando os obstáculos do financiamento da gestão de mobilidade urbana nas cidades brasileiras”, disse.

Em 2008 e em 2017, segundo o estudo, as famílias brasileiras comprometiam cerca de 14% da renda com gastos em transporte. Ou seja, o transporte urbano estava entre os principais componentes do gasto das famílias em seu consumo cotidiano, sendo superado mais recentemente apenas pelos gastos com habitação, em 2017-2018. “Essa é a média de todas as áreas urbanas do Brasil. Obviamente, isso vai variar muito entre classes sociais”, completou Pereira.

Nos últimos anos, o que o estudo observou foi uma queda do consumo do transporte coletivo em todas as faixas de renda e um aumento do transporte individual para todas as faixas de renda. “Chama a atenção o fato de que, especialmente para a população mais pobre, há uma inflexão muito maior. A redução do consumo do transporte coletivo é mais expressiva entre a população de baixa renda e o aumento de transporte individual também é muito marcante entre esse mesmo grupo”, declarou.

Para Carolina Baima Cavalcanti, coordenadora-geral de Gestão de Empreendimentos do Ministério do Desenvolvimento Regional e debatedora no webinar, o estudo trouxe a confirmação, em números, de um fenômeno que já vinha sendo percebido há tempo, seja por meio da observação da realidade, de outros estudos anteriormente elaborados, ou nas demandas recebidas diariamente pela Pasta. “A leitura da realidade em dados quantitativos não é pouca coisa, se considerarmos que o setor de mobilidade urbana é diferente das demais políticas setoriais urbanas nacionais, sobretudo aquelas tratadas no âmbito do MDR, como habitação e saneamento. A mobilidade urbana sofre de uma grande escassez de dados estruturados, periódicos, o que leva a um planejamento deficiente”, ponderou.

Cavalcanti ressaltou que o estudo também é muito importante para que se possa avaliar a atual política de mobilidade urbana. “O primeiro ponto a ser destacado é que os padrões de deslocamento mudaram nos últimos 20 anos, com a substituição do transporte coletivo pelo individual motorizado. Em segundo lugar, houve uma piora nas condições de mobilidade. E essa piora foi distribuída de forma desigual, de acordo com a renda, gênero e raça, com evidente prejuízo à população mais vulnerável. E, por último, que a Covid-19 evidenciou a fragilidade do transporte coletivo a oscilações de demanda”, concluiu.

Acesse a íntegra do estudo

Assessoria de Imprensa e Comunicação
61 99427-4553
61 2026-5136 / 5240 / 5191
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Expediente – Assessoria de Imprensa e Comunicação